domingo, 2 de junho de 2013

Mônica Bergamo

folha de são paulo

Filho de Renato Russo visita o apartamento onde o pai viveu nos anos 90


 

A caminho do apartamento de seu pai, Renato Russo, em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro, Giuliano Manfredini, 24, lembra que não tem a cópia da chave da porta de madeira que garante acesso ao interior do prédio. Por sorte, o zelador do edifício de três andares está a postos. E permite a entrada.
O imóvel, onde o cantor viveu nos anos 90, está exatamente igual ao dia em que ele morreu, em 1996. Durante todos esses anos, Cíntia Paiva, a secretária particular de Renato Russo, visitou o local quase todas as semanas. Levava uma faxineira que limpava os móveis, passava pano no chão, lavava e passava as camisas floridas e as batas brancas que ele usava dentro e fora dos palcos.
Carmen Manfredini, a irmã do cantor, e o pai, Renato, faziam visitas periódicas ao local. Foi dela a ideia de preservar o lugar, buscando manter objetos e materiais inéditos. A mãe, Maria do Carmo, nunca mais pisou lá. Giuliano, que quando criança passou férias, finais de semana e feriados com o cantor no imóvel, também ficou longe. Os avós queriam poupá-lo. Até que, há dez dias, ele decidiu voltar à casa do pai.
"Entrei e vi que, depois de muitos anos, a posição dos móveis era praticamente a mesma do passado", diz.

Filho de Renato Russo mostra a casa de seu pai

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Daniel Marenco/Folhapress
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Giuliano Manfredini, 24, único filho de Renato Russo, morto em 1996
Começou então a viagem da descoberta. Na estante de quase 2 m, no corredor que dá para os quartos, encontrou dezenas de cadernos, com letras, rabiscos, poemas e anotações de Renato Russo em páginas amareladas.
Ele escolhe um, abre ao acaso e mostra ao repórter Alberto Pereira Jr. Lê a frase escrita pelo pai: "O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e de gente dizendo adeus". "Quero pegar cada caderno, manuscrito por manuscrito, ler e pesquisar o universo dele", diz.
Recortes de jornais com reportagens da banda Legião Urbana, da qual Renato era líder, foram embalados em papel-filme para resistir ao tempo. Quadros do compositor enfeitam as paredes. "Eu nem sabia que ele era pintor. Era um artista completo."
Ele segue até o quarto. Ao lado da cama, um outro armário guarda a coleção de ursos de pelúcia do cantor. "Meu pai gostava muito de ursinhos." No teto, em cima da cama, colagens de planetas e de estrelas.
"Quando entrei aqui, depois de todos esses anos, uma estrelinha caiu. Claro que tudo é energia e tem a energia dele aqui. Mas, como kardecista, acredito que meu pai já tenha superado a fase terrena. O espírito evoluiu. Quero que ele se liberte."
Móveis têm as marcas de queimaduras de pontas de cigarro de Renato Russo. "Mas ele se preocupava com a saúde. Não saía muito de casa, por isso comprou uma esteira." O equipamento ainda está lá, montado no corredor.
"Momentos ruins e bons sempre existiram. Meu pai não precisava esconder quem ele era ou medir suas palavras. Quando estava bravo, eu via. Quando estava feliz, também", diz Giuliano, que tem tatuado no braço esquerdo o violão-símbolo da Legião Urbana e na perna, a frase "força sempre", em japonês. Era o "mantra" do músico.
Sentado numa poltrona na sala de estar, Giuliano se recorda de um Natal "quando tinha cinco ou seis anos". "A árvore ficava em cima desse baú, no canto. Lembro que ele me deu um estojo de lápis de cor. Foi um dos melhores presentes que ganhei dele."
"Foi a melhor fase da minha vida. Eu não via meu pai como o Renato Russo. Sabia que era famoso, mas não me importava muito. Ele era simples, era tudo muito simples. Ele era só o meu pai."
No fim dos anos 80, compôs "Pais e Filhos", em que dizia: "Já morei em tanta casa que nem me lembro mais/ Eu moro com meus pais". E, em outra estrofe: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã/Porque se você parar para pensar, na verdade não há (...) Você culpa seus pais por tudo/E isso é absurdo/São crianças como você/O que você vai ser, quando você crescer?".
Giuliano diz que "muita gente acha" que a canção era para ele. "Mas meu pai não compunha música pensando em uma só pessoa. Ele fazia uma colagem, suas músicas tinham várias referências. 'Pais e Filhos' tem partes que podem ter sido escritas para mim, sim, mas nem tudo. Por isso que todo mundo se identificava tanto com as músicas, elas eram universais. Cada um achava que elas poderiam ter sido escritas para si."
A mãe de Giuliano, Raphaela Manuel Bueno, morreu quando ele era recém-nascido. Criado pelos avós paternos, em Brasília, ele viajava ao Rio para visitar o pai. Diz nunca ter tido contato nem ter sido procurado pela família de Raphaela.
Aos 16 anos, chegou a montar uma banda, a Oxiúrus (nome de verme que causa problemas intestinais). "Eu era um péssimo guitarrista e a banda era péssima também. Ninguém chamava a gente para shows. Passei a produzir pequenas apresentações. No bastidor me sinto mais à vontade, realizado."
Neste ano, Giuliano, formado em direito e administração, assumiu o comando da Legião Urbana Produções Artísticas, empresa idealizada por Renato Russo para administrar a própria obra. Até então, a companhia estava sob os cuidados da avó Maria do Carmo, a quem chama de mãe. Sentiu então que "era a hora de enfrentar esse passado e visitar o apartamento". Uma exposição de objetos pessoais de Elvis Presley, na casa em que o astro viveu, nos Estados Unidos, é exemplo.
Todo o material encontrado no imóvel de Renato será catalogado para uma exposição multimídia itinerante. "Os fãs terão acesso a todo o acervo, manuscritos, livros, CDs. Quero recriar o universo dele, que era bem diverso. Ouvia Menudos, Bach. Lia Shakespeare, Jane Austen, Balzac, a maioria em inglês. Mas ainda não tem data. Tenho 24 anos e bastante tempo e material para trabalhar."
Ele agora está envolvido no lançamento de "Faroeste Caboclo", de René Sampaio, filme de ficção baseado na música de Renato Russo e que estreou na quinta. "Li o roteiro, rodei com os atores pelo Distrito Federal."
Já o filme "Somos tão Jovens", de Antônio Carlos da Fontoura, sobre a juventude do cantor, foi acompanhado por Carmen, a tia de Giuliano. Em cartaz há quase um mês, já foi visto por mais de 1,5 milhão. "Como entretenimento, é bacana. Mas meu pai era muito mais visceral e profundo [do que o filme mostra]. Era ditadura [militar]. Ali era o início de tudo. Uma fase pesada de Brasília."
No próximo dia 29, o estádio Mané Garrincha, em Brasília, será inaugurado com o concerto "Renato Russo Sinfônico", em que estrelas da música nacional interpretarão sucessos da Legião.
"É o início de um pacote de preservação da memória do meu pai e de seu legado. Um show que ele planejou há 20 anos, com o maestro Silvio Barbato, mas que foi interrompido pela morte de ambos. Será uma ópera rock." A imagem do cantor será projetada no palco, por meio de um holograma. Ele aparecerá cantando, em 3D. A orquestra o acompanhará.
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

Tudo ou nada - Tostão

folha de são paulo

Tudo ou nada


É uma irresponsabilidade realizar a partida de hoje, entre Brasil e Inglaterra, com enorme público e com o Maracanã inacabado, por causa das obras em volta do estádio. A suspensão e liberação do jogo, pela Justiça, despertou, em todo o mundo, mais temor sobre a organização do Mundial.
Há uns 15 anos, critico a maneira de jogar no Brasil. Não vou repetir os detalhes. O leitor já está cansado de ler. Alguns jornalistas discordam, por terem ótimos conhecimentos técnicos, e outros, porque não entendem do assunto. São os que mais opinam. Isso tem mudado. Recentemente, até a turma do oba-oba aplaudiu as duras críticas do alemão Breitner e de Paulo Autuori.
O brilhante jornalista inglês Tim Vickery, radicado no Brasil há muito tempo, que admira e que tem uma visão ampla, correta e imparcial do futebol brasileiro, disse, no programa Redação SporTV, sem o exibicionismo de Breitner nem a excessiva tolerância e submissão de parte da crônica esportiva, que não entende como o Brasil valoriza hoje muito mais o estilo guerreiro, brigado, do que os conceitos de como se jogar um bom futebol.
As partidas entre Atlético e Tijuana e entre Fluminense e Olímpia mostraram novamente que o futebol sul-americano se aproxima, cada vez mais, do jogo tumultuado, emocionante, do jeito que gosta o torcedor apaixonado, e, cada vez menos, do jogo mais técnico e dos torcedores que querem apreciar, entender, e não apenas torcer. Neste caminho, piora a qualidade de nosso futebol. Evidentemente, há também partidas, no Brasil, que reúnem muita emoção e muito talento, muitas delas em jogos do Galo.
Preciso explicar algo que tenho dito nestes 15 anos. Sempre critiquei a supervalorização dos técnicos brasileiros, porque deram a eles uma excessiva importância nos resultados. Por outro lado, houve, neste tempo, crescimento da importância dos sistemas táticos e, consequentemente, dos treinadores, em todo o mundo. Parece contraditório, mas não é. Nesta evolução tática, os treinadores do Brasil ficaram para trás.
Nosso futebol não evoluiu, ou piorou, mas não está tão ruim. Em casa, se melhorar bastante, passa a ter chances de ganhar a Copa do Mundo. O Brasil não precisa jogar muito para ganhar dos ingleses. A Inglaterra pratica um futebol coletivo melhor que o do Brasil, mas tem um jogo muito linear, previsível. Não tem a impetuosidade dos alemães, a delicadeza, no trato da bola e na troca de passes, dos espanhóis nem um fenômeno, como a Argentina.
Quando o Mundial terminar, dependendo do resultado, da atuação da Seleção e da organização do evento, haverá uma grande depressão ou uma grande euforia. No Brasil, é tudo ou nada. Seja o que for, é necessário haver uma profunda reformulação, a médio prazo, de conceitos e de nomes, dentro e fora do campo.
Tostão
Tostão, médico e ex-jogador, é um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1970. Afastou-se dos campos devido ao agravamento de um problema de descolamento da retina. Como comentarista esportivo, colaborou com a TV Bandeirantes e com a ESPN Brasil. Escreve às quartas e domingos na versão impressa de "Esporte".

Renovar ou repetir? - Maurício Stycer

folha de são paulo
Renovar ou repetir?
Depois de "Salve Jorge", há alívio no ar com perspectiva de que "Amor à Vida" seja, ao menos, decente
Neste ano comemoram-se 50 anos da primeira telenovela exibida de forma diária no Brasil, "2-5499 Ocupado", um texto argentino adaptado por Dulce Santucci, com Tarcísio Meira e Glória Menezes como protagonistas, exibida na TV Excelsior entre julho e setembro de 1963.
Não cabe aqui descrever a rica história do gênero no Brasil, onde adquiriu uma especificidade única, nem detalhar as diferentes etapas do seu desenvolvimento, quase sempre em paralelo com o próprio país.
O fato é que a novela, desde o início da década de 1970, tornou-se o principal produto da televisão, e ainda hoje ocupa um espaço notável no cotidiano do brasileiro.
Item mais nobre desta indústria, a chamada "novela das oito" (hoje, "das nove"), da Globo, é uma espécie de instituição nacional há mais de 40 anos. Mesmo com a audiência em queda, sofrendo a concorrência de outras mídias, ela permanece como referência em matéria de entretenimento.
Veja, por exemplo, "Salve Jorge", encerrada há duas semanas, depois de acumular as mais baixas audiências da história neste horário. O último capítulo registrou 46 pontos no Ibope (cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo), sendo responsável por 76% dos aparelhos ligados no horário. Para um fracasso, os números impressionam.
A novela de Gloria Perez foi um ponto fora da curva não apenas em matéria de ibope. "Salve Jorge" destoou, também, de um movimento, que parece em curso, de renovação do gênero. Mesmo que não tenha uma política clara neste sentido, a Globo tem apoiado produções nitidamente destinadas a dar um novo impulso à indústria.
"Cordel Encantado" (2011), "Avenida Brasil" e "Cheias de Charme", ambas em 2012, apresentaram novidades interessantes e, em alguns aspectos, fixaram novos padrões. A primeira mostrou o potencial de uma história mágica filmada com técnicas de cinema. A segunda introduziu padrão de seriado americano em um novelão. E a terceira contou uma história infantil em ritmo de internet.
Não bastasse, os três folhetins chamaram a atenção pela qualidade dos textos, o cuidado com a produção e os elencos bem dirigidos.
"Avenida Brasil" e "Cheias de Charme", cada uma à sua maneira, conseguiram ainda retratar o fenômeno de mobilidade social vivido pelo país nos últimos anos.
Exibida logo depois de "Avenida Brasil", "Salve Jorge" passou a impressão de ser uma novela do século passado. Fiel ao estilo que a notabilizou a partir da década de 1990, Gloria Perez propôs, mais uma vez, o que a crítica Esther Hamburger chama de "novelas de intervenção" ""histórias calcadas em situações reais, destinadas a mobilizar a população e prestar serviços"" sem se dar conta de que isso já não é mais tão necessário nos dias de hoje.
Depois deste "desastre" há um clima de alívio no ar com a perspectiva de que "Amor à Vida" seja, ao menos, uma novela decente.
Walcyr Carrasco está imprimindo ritmo alucinante à trama, o que mostra sensibilidade às demandas do espectador atual. Também tem recorrido a diferentes "golpes baixos" (vilão gay, discurso contra aborto, participação especial de Neymar), mas parece-me não ter nada de novo a dizer. Seu objetivo, dá a entender, é apenas o de recuperar a audiência perdida por "Salve Jorge".

    Ferreira Gullar

    folha de são paulo
    No limite
    Matam mesmo quando o assaltado não oferece resistência. Matam para matar, por nada, para nada
    O que, afinal, está acontecendo? Em três meses, milhares de motocicletas são roubadas em São Paulo, centenas de residências e transeuntes são assaltados, trabalhadores, mulheres e pais de família são assassinados com uma frequência assustadora. Viver em São Paulo tornou-se risco de morte, é isso? Quer dizer, então, que a cidade está em guerra?
    Pior: a cidade está ocupada por bandidos armados que surgem a qualquer momento e em qualquer ponto dela, empunhando fuzis, armas automáticas, decididos a tirar a vida de qualquer um.
    Pelo modo como agem, parecem particularmente empenhados em matar, como se isso lhes desse especial satisfação. Matam mesmo quando o assaltado não oferece resistência. Matam para matar, por nada, para nada.
    Mas por que razão agem assim? Uma hipótese é a de que estejam drogados, por ser difícil admitir que sejam todos homicidas natos.
    Sou da teoria de que o cara nasce poeta e nasce homicida. Digo isso porque sei de gente que em hipótese alguma admitiria tirar a vida de alguém, enquanto outros, a primeira coisa em que pensam, se alguém os ofende, é acabar com ele. Felizmente, raras pessoas são assim.
    Daí levantarmos a hipótese de que, se tantos assaltantes matam gratuitamente, é por estarem fora de si, drogados.
    Aliás, a droga é um dos motivos que levam aos roubos e assaltos. Com frequência, a polícia, quando prende assaltantes, encontra drogas com eles. Isso explica parte do terror que assusta a cidade, mas não explica tudo.
    Não explica, por exemplo, ações criminosas levadas a cabo por verdadeiras equipes de bandidos, munidos de armas pesadas, sofisticadas, obedecendo a um plano minuciosamente traçado.
    Quando a polícia chega à sede da quadrilha, depara-se com vasta quantidade de armas, munições e até planos de ação cuidadosamente elaborados.
    Esses dados parecem indicar que, fora os bandidos comuns e os drogados, há organizações criminosas, diferentes das antigas quadrilhas do passado: estas de agora se valem de novos recursos teóricos e tecnológicos, que fazem delas organizações eficazes.
    Além dos novos meios de comunicação e um conhecimento detalhado do aparelho repressivo, de que dispõem, parece-me haver, em algumas delas, pelo menos, a ação organizada e planejada, apoiada em uma infraestrutura capaz de acumular o produto roubado para vendê-lo, mais tarde, dentro de um esquema que inclui o comércio legal.
    Do contrário, como se explica a descoberta frequente de galpões e armazéns cheios de mercadorias roubadas, numa quantidade que tornaria inviável comercializá-las, a não ser com apoio num sistema legal de comércio?
    Ou seja, nestes casos, legalidade e ilegalidade se confundem, ou melhor, o comércio legal se alia ao crime e lucra com isso. Trata-se, portanto, de um tipo de criminalidade bem mais ameaçadora, porque capaz de minar a estrutura social e corromper setores inclusive responsáveis pelo combate ao crime, incluindo aí os aparelhos policial e judicial.
    Estas são algumas considerações e especulações de alguém que não é especialista no assunto, mas que foi levado a refletir sobre o problema.
    Não tenho dúvida de que as autoridades responsáveis pelo combate à criminalidade, em São Paulo e no país, estão igualmente preocupadas e buscando solução para tão grave problema.
    Mas isso não basta para tranquilizar as pessoas. Ouvi, outro dia, na televisão, um cidadão afirmar que nem ele nem qualquer membro de sua família sai mais à noite, seja para ir ao cinema seja para jantar num restaurante.
    Significa que os cidadãos são agora reféns dos bandidos? Isso se torna tanto mais assustador quando se sabe que o Brasil mesmo, como país, é um dos mais violentos do mundo. Li que se mata mais gente aqui do que na guerra civil da Síria.
    É hora, portanto, de o governo, em suas diferentes instâncias, buscar com seriedade a solução desse problema.
    Não por acaso, faz poucos dias, o governador de São Paulo admitiu quanto é grave a situação, tanto que anunciou um programa de combate à criminalidade, prevendo bônus aos policiais que mais se empenharem no combate ao crime, além da ampliação do efetivo policial. Tais medidas não solucionarão o problema, mas, pelo menos, implicam o reconhecimento de quão grave ele é.