sexta-feira, 2 de agosto de 2013

José Simão

folha de são paulo
Ueba! CabralFolia abala o Leblon!
E o penteado PACdérmico da Dilma? Diz que a quantidade de laquê resiste até a tornado categoria 5
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta: Jornal de Piracicaba: "Detentos poderão cumprir pena alternativa na Câmara". Rarará!
E o penteado PACdérmico da Dilma? Diz que a quantidade de laquê resiste até a tornado categoria 5. Aqueles que fazem carro voar! E avisa pro Cabral que CEDAE quer dizer Compania Estadual de DESASTRES com Água e Esgoto!
E um leitor quer saber: "E quem é pior no Rio, Flamengo ou Cabral?". Diz que o Flamengo tá igual à Vanusa: não lembra e não sabe onde tava hoje! Rarará!
E o site Kibeloco revela as manchetes para 2030!
1) Controle de natalidade: rodízio começa nesta segunda e nascidos em 2003 não poderão transar.
2) Confira a programação do CabralFolia 2030, que promete quebrar tudo no Leblon! Se ainda existir o Leblon em 2030!
3) Termina namoro de Deborah Secco com subcelebridade da semana.
4) Filho de príncipe William assume que é rainha: "I want to break free". "Quero ser livre! Quero explodir".
5) Lei de incentivo ao são-paulino promete cupcakes de graça para quem virar torcedor. Amanhã farei um especial do São Paulo na Copa Audi! Foram pra Copa Audi e só levam GOL! Rarará!
E a manchete do Sensacionalista: "Em protesto, médicos declaram que não darão mais atestados para trabalhador matar o trabalho".
E têm os bons médicos, os mais médicos e os maus médicos. Aqueles que no protesto ficam gritando: "Somos ricos, somos cultos". Somos ricos, somos cultos e o que você tem é virose! Rarará!
O Brasil é Lúdico! Olha a placa: "Curo empotença, emoróide, apendicita, dor do peto, dor de vista, dor de dente, bronquite, gota e maculu". Com um profissional desse, o Brasil precisa de mais médicos?.
E essa: "Faço remédios para cançaso de asma, bucite, chaqueta, animia, potença e durmença no corpo".
E o famoso Pai Arnápio: "Benze cobreiro, tira bicho do pé, batiza filho de mãe solteira, resgata FGTS e cancela cartão. Cura cogestã, afita, hemorróida, traz marido de volta e descobre corno".
Um país que tem o Pai Arnápio precisa de mais médicos? Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Michel Laub

folha de são paulo
Falta de noção
A incapacidade de ver no espelho parte do problema apontado se deve a deficits emocionais e cognitivos
Toda vez que vejo um comercial de banco dando lições de consciência social, de sustentabilidade e de amor pelos nossos filhos, ou até declarando que dinheiro não é tão importante nesta vida, reconheço que os publicitários ainda são capazes de nos surpreender.
Mas fico pensando se a hipocrisia é tão identificável em domínios menos óbvios que os intervalos da TV aberta. E se evocá-la não é uma espécie de argumento "ad hominem", que despreza a ideia discutida para atacar a pessoa ou instituição que a defende.
No caso do vídeo célebre de Marilena Chaui desancando a classe média (http://goo.gl/FKmFN), há duas opções. A primeira é esquecer a mão pesada da ideologia, e aí até concordo com parte do que é dito sobre as esferas pública e privada no país.
A segunda é descartar o conjunto porque, bem, imputar aos outros vaidade e gosto por "signos de prestígio" não é a melhor escolha para quem atingiu o estrelato num meio como a universidade brasileira. Tudo ilustrado pela cena em que esta integrante das classes menos favorecidas --que diz só distinguir "um fusca de um Fiat"-- ouve do motorista de um "gigante prateado" (quase um vilão da Embrafilme fumando charuto à beira da piscina): "E você pensa que vou estacionar meu Mercedes em qualquer lugar?".
Claro que é difícil separar a hipocrisia do discurso sob o qual ela se esconde. O fígado reclama, por exemplo, quando um escritor, que publica por grandes editoras, é resenhado em grandes jornais e recebe grandes quantias em prêmios literários bancados por grandes patrocinadores, tenta emplacar uma imagem de resistência contra poderes que só ele enxerga.
Mesmo assim, nem tudo tem origem na má-fé. A hipocrisia costuma ser identificada com lugares e épocas --a Inglaterra vitoriana, os Estados Unidos dos anos 1950. Há chance de o Brasil contemporâneo entrar com destaque na lista, mas pode haver um erro conceitual aí: o que me parece escancarado pela internet, na qual podemos ouvir a voz das maiorias antes limitadas a seus botecos e rancores, é uma característica humana universal e atemporal.
O apelido moderno dela é falta de noção. Que é diferente da falta de caráter. Quando um crítico de rock cinquentão ironiza a idade de Caetano Veloso ao lançar um disco de rock, ou quando tuiteiros soltam fogos pela morte de Margaret Thatcher depois de se indignarem com as comemorações pela doença de Lula, é possível que não vejam incoerência na própria postura.
A lógica que os faz pensar assim faz algum sentido. Dá para dizer que crítica não é igual a produção artística, ou que o infortúnio de alguém idoso e distante é diverso do de alguém próximo e na ativa. Mas ir um passo além desses argumentos, enxergando como principal traço deles a tentativa de manter uma autoridade facilmente contestável, demanda um pouco mais de repertório.
Não apenas em termos culturais. A incapacidade de ver no espelho parte do problema apontado também se deve a deficits emocionais e cognitivos. Leiam os textos, ouçam a fala de certos pregadores de costumes em atividade. Quem se expressa daquele modo não parece capaz de segurar garfo e faca ao mesmo tempo, quanto mais de ser hipócrita --sensibilidade que exige alguma técnica e esperteza, quando não a consciência irônica da própria dubiedade.
A falta de noção, ao contrário, é um rochedo de certezas melancolicamente sinceras. Uma forma de amoralidade que não se dá por escolha, e sim por destino: há algo de trágico em todo idiota, mesmo os que passam a vida apontando o dedo para acusar a idiotice alheia, e isso talvez mereça mais solidariedade do que julgamento.
Como não tenho vocação para santo, porém, e nem farei ressalvas do tipo "também estou acusando os outros, quem sabe a falta de noção é minha", não consigo evitar reações menos caridosas. Se em público é obrigatório manter um silêncio respeitoso, magnânimo em relação a estes nossos irmãos vitimados pela sorte, em privado dá para exercitar a vingança sem culpa, na boa e velha forma de condescendência e consumo irônico.
Ao menos faz bem para a saúde. Deixem eu me divertir um pouco com regras que, à luz da pose, da sintaxe e da conduta privada de quem as dita, equivalem a um daqueles vídeos com uma nutricionista gaguejando, um alemão mostrando suas prateleiras cheias de videocassetes ou Carla Perez em "Cinderela Baiana".

Barbara Gancia

folha de são paulo
Colunista ninja?
Quem faz parte do clube da rede social se deixa manipular muito além do que jamais poderia calcular
Não conte a ninguém, fica sendo um segredo só nosso, mas eu sou a Mídia Ninja que comete jornalismo a partir do interior de uma Redação. Sou uma representante ninja "embedded". Estou infiltrada nesta Folha há quase 30 anos fazendo jornalismo "caseiro", ninja style, sem ter sido descoberta.
E digo a você: esse pessoal das manifestações, que acha que descobriu a pólvora de um "jornalismo" mais "free", mais "social network friendly" não inventou nadica.
Se é questão de agir por impulso e paixão, o leitor já encontra isso aqui faz tempo. Com a diferença, é claro, que quando piso na bola, tomo cada puxão de orelha que só vendo. Muitas vezes, na frente de um juiz.
Ocorre que as coisas andam mudando e eu resolvi dar uma revitalizada no meu estilo pessoal para não deixar a dever à essa nova onda inspiradora que está transformando o país.
Não é mesmo? Quem não viu, nesta semana, que em vez de optar por se tratar no Hospital Sírio-Libanês, José Sarney ficou firme no Maranhão e foi tratar os pulmões no SUS local? E os pactos todos, como a renúncia voluntária de Renan, as reformas política, fiscal, eleitoral etc, a reestruturação da segurança pública, o afastamento do cargo de ministros de importância crucial que tenham parentes envolvidos em suspeitas de corrupção até que seja tudo investigado, tudo isso está andando a pleno vapor, não?
Percebe-se claramente que não tem mais esse negócio de o pessoal se apoiar num sistema eleitoral de voto obrigatório que funciona na base de tempo na TV e conta com alianças forjadas às custas do nosso dinheiro para continuar tudo como sempre foi, certo? Esse sopro de ar fresco renovador não está apenas em um punhado de garotões de classe média dispostos a azucrinar a porta da casa de um ou outro político, que tomará esta ou aquela medida paliativa de fachada. Arrasamos, brother, sister, uncle e dog!
Pois então, muito prazer, agora sou Barbara Shazam Spotify Instatwitcaster. A câmera do meu iPhone está de olho, meu dedo tem tique programado em 140 caracteres e eu sigo distorcendo as coisas que vejo e formando uma versão toda minha dos fatos.
E quer saber? Que se dane o bom-senso dos meus editores e do departamento jurídico da Folha. De hoje em diante, pretendo me virar muito bem sem eles.
A mim, o futuro. Semana passada, flagrei um casal de tuiteiros, do tipo "nojo da mídia", conversando sobre @barbaragancia. Um chamou-me de idiota. A moça perguntou: "Mas quem é essa tal?". Ele: "É colunista da Folha, BandNews FM etc". Ela reagiu: "Colunista? Isso ainda existe? rsrsrs!"
Pois é, para que serve uma colunista de jornal em um mundo em que a igualdade tomou a dianteira da representatividade depois que esta andou pisando na jaca com força?
Para complicar um pouco, em breve, ninjas e black blocs terão de encarar a razão cínica do mercado que está agindo nas redes sociais.
O fato de o usuário saber que anunciantes pesquisam seus gostos e costumes (como bem observou ontem nesta Folha a jornalista Sandra Muraki) para criar mecanismos de consumo mais eficientes não exime as pessoas de se deixar manipular.
Ou seja, além de outras desvantagens, como só ser encaminhado a ler tópicos de preferência, o que exclui todo o universo do inusitado ou de estar exposto a falsificações de todo tipo, o membro do clube da rede social ainda está sendo manipulado muito além do controle daquilo que jamais poderia calcular.

Siemens diz que governo de São Paulo deu aval a cartel no metrô

folha de são paulo
CATIA SEABRA
FLÁVIO FERREIRA
DE SÃO PAULO
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A multinacional alemã Siemens apresentou às autoridades brasileiras documentos nos quais afirma que o governo de São Paulo soube e deu aval à formação de um cartel para licitações de obras do metrô no Estado.
A negociação com representantes do Estado, segundo a Siemens, está registrada em "diários" apresentados pela empresa ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
No mês passado, a gigante da engenharia delatou ao órgão a existência de um cartel --do qual fazia parte-- para compra de equipamento ferroviário, além de construção e manutenção de linhas de trens e metrô em São Paulo e no Distrito Federal.
Em troca, a empresa assinou um acordo de leniência que pode lhe garantir imunidade caso o cartel seja confirmado e punido.
A formação do cartel para a linha 5 do metrô de São Paulo, de acordo com a Siemens, se deu no ano de 2000, quando o Estado era governado pelo tucano Mário Covas, morto no ano seguinte.
Segundo o Cade, o conluio se estendeu ao governo de seu sucessor, Geraldo Alckmin (2001-2006), e ao primeiro ano de José Serra, em 2007.
Secretário de transportes no governo Covas, entre 1995 e 2001, Cláudio de Senna Frederico afirmou que não teve conhecimento da formação de cartel, mas não o descartou. "Não me lembro de ter acontecido uma licitação, de fato, competitiva", disse.
Editoria de arte/Folhapress
O governo Alckmin diz que, se confirmado o cartel, pedirá a punição dos envolvidos. Serra não foi localizado.
Documento entregue pela Siemens aponta o suposto aval do governo em favor de um acerto entre empresas para a partilha da linha 5, em trecho hoje já em operação.
Chamado de "grande solução", o acerto era, segundo os papéis, o desfecho preferida pela "secretaria" [de transportes] por oferecer "tranquilidade na concorrência".
Consistia em formar um consórcio único para ganhar a licitação e depois subcontratar empresas perdedoras, o que, de fato, ocorreu.
No documento, de fevereiro de 2000, os executivos da Siemens descrevem reuniões para a costura do cartel.
Numa delas, é relatado que "o fornecimento dos carros [trens] é organizado em um consórcio 'político'. Então, o preço foi muito alto".
"Consórcio combinado, então, é muito bom para todos os participantes", relata um executivo da Siemens.
A Siemens diz que um acordo permitiu ampliar em 30% o preço pago em outra licitação para manutenção de trens da CPTM.