sábado, 17 de agosto de 2013

José Simão

folha de são paulo
Zorra Total! Barbosa e Lewando!
STF quer dizer Supremo Telecatch Federal! Barbo e Lewan! Parece dupla cômica, tipo Oscarito e Grande Otelo
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E um amigo cruzou com um carro da Argentina com a placa: EGO 434! Rarará! Só podia ser carro de argentino!
E o desabafo de um são-paulino: "Cansei de ser bambi! Agora sou Real e Portuguesa. Real no bolso e portuguesa na cama".
E esses escândalos, mensalão e trensalão, são muito chatos. Eu gosto de escândalo com sexo, sangue e Doritos com bacon. Queremos saber "QUEM COMEU QUEM!".
E os tiozinhos do Supremo? E o bate-boca do Barbosa e Lewandovski? Eu acho que é tudo combinado. De propósito! Dupla cômica!
"Devido ao grande sucesso no Mensalão 1, voltamos com a dupla dinâmica no Mensalão 2: Os Geriátricos da Breca!". Rarará!
STF quer dizer Supremo Telecatch Federal! Barbo e Lewan! Parece dupla cômica, tipo Oscarito e Grande Otelo, O Gordo e O Magro.
Eles deviam ir pro Zorra Total! Valéria Bandida e Janete. Dentro do metrô dos tucanos. Aí juntava dois escândalos num só!
E daria pro Alckmin parar de fazer aquela eterna cara de "correto"?. Meu pai que falava assim: "fulano de tal é muito correto". Correto por linhas tortas! Rarará!
E o Barbosa parece a minha sogra: ranzinza e não deixa ninguém falar! Esse mensalão só vai ter graça quando chegar no capítulo do Dirceu! Queremos sexo, sangue e o Zé Dirceu! Rarará!
E essa piada pronta: "Policiais que levavam Amarildo dizem que se perderam". Rarará.
Versão final: Amarildo deu um olé nos policiais e fugiu da viatura. Vai vendo!
E adoro os chineses: "Zoológico exibe cão no lugar do leão". Leão pilata! Botaram um mastiff tibetano no lugar do leão e a fraude só foi descoberta por que o cachorro latiu! Rarará.
É mole? É mole, mas sobe!
O Brasil é Lúdico! Hoje, em Salvador, na Exporural: "Leilão de Mangalarga: Pau da Rola & Amigos". Então quem for amigo do pau ou da rola, compareça. É que em Feira de Santana tem a Fazenda Pau da Rola.
E em Guarulhos tá à venda a chácara "Recanto Fiofó da Cobra". E tão vendendo professor de inglês em dez vez no Walmart: "Home Teacher Samsung, 10 X R$ 89,80!". Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

    Hitchcock no Morumbi - Xico Sá

    folha de são paulo

    Hitchcock no Morumbi

    Ouvir o texto

    Amigo torcedor, amigo secador, o Brasileirão, quase sempre entediante até a reta final, chega a agosto, o mês do cachorro louco, apresentando um suspense digno de filme de Alfred Hitchcock. Na sua 15ª de 38 rodadas, um espectro ronda o Morumbi e a prosa dos botequins: o rebaixamento do São Paulo.
    Cai ou não cai?
    O corvo Edgar, minha agourenta ave que representa os secadores, está eufórico. É a pior campanha entre rebaixados das últimas temporadas. Ele vibra. Peço calma ao estimado bicho. Ainda é cedo, amor, ironizo. O lazarento não dá bola. Eis a obsessão do miserável neste 2013.
    Com um belo repertório de filmes de terror e suspense, afinal todo corvo é parente da ave assombrada do poema de Edgar A. Poe, Edgar sacaneia o técnico Paulo Autuori: "Chegou no papel de 'O Homem que Sabia Demais' e logo se revelou 'O Homem Errado'", diz, retomando a lista de filmes do Hitchcock.
    O agourento toca o terror como na invasão, inclusive de corvos, de "Os Pássaros", outra fita do mestre do cinema. Calma, ainda estamos na 15ª rodada. O tricolor enfrenta amanhã o Flamengo, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.
    O momento do São Paulo é tão negativo que o zagueiro rubro-negro Wallace chegou a comparar um triunfo do time carioca com o ato de bater em bêbado. Embora não tenha sido em tom de provocação, a fala do beque da Gávea pode atiçar os ânimos da equipe de Rogério.
    O corvo, aqui no ombro qual um repetitivo papagaio de pirata, não amacia: "Se o campeonato fosse um filme do Hitchcock para os tricolores, estimado cronista, o cartaz do Morumbi seria 'O Corpo que Cai'", sapeca, com a sua habitual irresponsabilidade secadora.
    E sai o agourento com a sua interminável resenha de terror. Lembra que o momento para a torcida não chegou no auge de "Psicose". Não deixaria fora da sua provocação barata, embora com essa capa chique hitchcockiana, a ansiedade permanente dos são-paulinos pelo nome de Muricy Ramalho. "Eis a eterna 'Trama Macabra'", cita mais um filme. "Mais dias menos dias recorrem ao homem, que vai rejeitar o papel de salvador na história".
    Se fosse apostar no botequim, jogaria minhas fichas na permanência do tricolor na elite. O elenco não é forte o suficiente para títulos, mas não tem perfil de queda. Temos aí um Náutico, uma Portuguesa, um preocupante Santos...
    O suspense para o lado do Morumbi, no entanto, é real. Veio cedo demais para a histeria do meu corvo e o desespero da torcida. Bom para matar o tédio que costuma contaminar o Brasileirão a essa altura.
    Na parte positiva, quem tem dito um retumbante "xô, pasmaceira" é o time do Botafogo, com a sabedoria do Seedorf, o holandês voador, e o poder ultrajovem de Vitinho. Melhor equipe não apenas na pontuação. Melhor em tudo até agora.
    Xico Sá
    Xico Sá, jornalista e escritor, com humor e prosa, faz a coluna para quem "torce". É autor de "Modos de Macho & Modinhas de Fêmea" e "Chabadabadá - Aventuras e Desventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha", entre outros livros. Na Folha, foi repórter especial. Na TV, participa dos programas "Cartão Verde" (Cultura) e "Saia Justa" (GNT). Mantém blog e escreve às sextas, a cada quatro semanas, na versão impressa de "Esporte".

    Balada baiana - Painel das Letras - Raquel Cozer

    folha de são paulo
    A Balada Literária nasceu nos bares da Vila Madalena, espalhou-se pela capital paulista e agora, aos oito anos, chega a Salvador. O evento, de 20 a 24 de novembro em São Paulo, será antecedido por uma versão compacta baiana, de 15 a 17 do mesmo mês, com alguns convidados em comum, como o cubano Alberto Guerra Naranjo e o chileno Pedro Lemebel.
    Depois de conseguir raríssima (e silenciosa) aparição de Raduan Nassar, em 2012, agora o encontro organizado por Marcelino Freire celebra Laerte, com convidados como Angeli, Arnaldo Antunes e Gero Camilo.
    E pela primeira vez a Balada se organizou para entrar na Lei Rouanet. Por ora, conseguiu 25% dos R$ 384 mil pedidos, em cota paga pela editora FTD.
    O ‘Paradiso’ perdido
    A Estação Liberdade estava prestes a lançar o clássico “Paradiso”, do cubano José Lezama Lima (1919-1976), no fim do ano passado, quando a Martins Fontes/Selo Martins lhe enviou notificação informando deter os direitos de publicação do romance no país.
    A primeira editora os havia comprado em 2006 de Eloísa, irmã do autor, e a segunda, em 2011 da estatal Agencia Literaria Latinoamericana —que, pela lei cubana, é a detentora de fato do espólio.
    Resumo da ópera: o editor Evandro Martins Fontes se ofereceu para comprar a tradução, pronta havia tempo, de Josely Vianna Baptista, mas ela informou que não quebraria o compromisso com a Estação Liberdade. O Selo Martins então contratou os préstimos de Olga Savary. Pretende lançar a obra no ano que vem.
    Rodapé literário

    ‘O Livro dos Rodapés’, que será lançado pela Caixa Preta (Daniel Monteiro/Divulgação)
    Um livro inteiro só com notas de rodapés, criação do artista visual Daniel Monteiro, e outro com poemas de Carlito Azevedo escritos numa pedra e datilografados em papel de pão. Estão aí dois dos primeiros lançamentos da Caixa Preta, projeto da escritora Daniela Lima e da curadora Laríssa Duarte Amorim.
    A editora voltada a livros-objeto quer diluir os limites entre literatura e artes visuais, sempre em edições assinadas pelos autores. O “Manual da Pedra” (o com versos de Carlito) sai primeiro, em setembro, na ArteRio, e será vendido em galerias, no site da editora e nas livrarias Cultura e Travessa.
    Terapia Depois de obras como “O Pintinho”, de Alexandra Moraes, e “Manual de Sobrevivência dos Tímidos”, de Bruno Maron, a Lote 42 prevê para outubro “Seu Azul”, de Gustavo Piqueira.
    Terapia 2 É uma ficção sobre um casal que inicia terapia alternativa para salvar a relação: sem ler as reportagens completas, debate na hora do jantar assuntos dos principais sites do país. As notícias, não raro absurdas, são todas verdadeiras.
    Gratuito A loja de e-books Iba disponibiliza, no fim do mês, o capítulo inicial de “A Lista do Nunca” (Paralela), de Koethi Zan, best-seller na Alemanha, sobre quatro garotas mantidas em cativeiro por um professor durante três anos. É ficção, mas com famosos paralelos na vida real.
    Moças de família As mais velhas prostitutas de Amsterdã se aposentaram neste ano, após mais de meio século de serviços prestados. São gêmeas, chamadas Louise e Martine Fokkens, 70, dizem ter dormido com um total de 355 mil homens e, antes de sair de cena, resolveram contar sua história em livro. “As Senhoridas de Amsterdã, Gêmeas e Prostitutas” sai pela LP&M em novembro.
    Aniversário Ainda não será por agora que o braço editorial da Babilonia sairá do papel, mas, com um ano de estrada, a empresa engrossa a lista de trabalhos na área de produção. Um projeto em andamento é o “Diálogos nos Museus”, sobre o debate acerca da ampliação de públicos para centros culturais, que prevê debates no Rio e em SP, livro e aplicativo.

    Álvaro Pereira Jr

    folha de são paulo
    Luz no fim do eixo
    Uma máquina de autodivulgação, que exagera os números para seduzir os patrocinadores
    Na defensiva, admitindo erros. Quem diria, foi essa a imagem nos últimos dias de Pablo Capilé, o outrora inabalável líder do coletivo Fora do Eixo.
    Até há pouco, só quem sabia do Fora do Eixo --originário de Cuiabá, surgido em festivais independentes, hoje tentando colar também em movimentos populares-- era a turma pequena que acompanha o cenário musical. Já escrevi muito e criticamente sobre o FdE. Por anos, na "grande mídia'', uma voz solitária.
    Mas vieram as manifestações de junho, as transmissões da Mídia Ninja (ao vivo, de dentro das passeatas) e a revelação de que os ninjas eram bancados pelo Fora do Eixo.
    Seguiu-se um interesse natural, culminando no programa "Roda Viva" da semana retrasada. Os entrevistados foram Capilé e Bruno Torturra. Mesmo que boa parte dos entrevistadores não entendesse nada, fez-se uma pergunta crucial: de onde vem o dinheiro do FdE?
    Assim, já de início, foi possível saber que a tropa do revolucionário, do antiestablishment, do inimigo do capitalismo Pablo Capilé vive de dinheiro de governos e de grandes corporações (por meio dos chamados "editais"). De qualquer governo (PT, PSDB etc.) e de qualquer corporação (Petrobras, Vale, Banco do Brasil, Itaú Cultural, o que pintar).
    No geral, Capilé e Torturra saíram-se bem. Ironicamente, parece que o bom desempenho foi o estopim da reação. Como se algumas pessoas tivessem dito: "O Fora do Eixo vai sair por cima? Já me dei mal com eles, sei quem são. Vou contar tudo". Uma tormenta se armou na internet.
    Começou com o depoimento da cineasta Beatriz Seigner, que se ligou a eles e sentiu-se enganada. Prosseguiu com o testemunho de Laís Bellini, ex-militante, apontando as semelhanças com uma seita. E aumentou com dezenas de outros desabafos.
    Assim, foi possível esboçar o "modus operandi" do FdE.
    a) são uma indústria de ganhar editais;
    b) muito raramente pagam cachês;
    c) operam por dentro da política partidária e do aparelho estatal, principalmente secretarias de Cultura (quase sempre petistas) e o próprio MinC;
    e) são uma máquina de autodivulgação, inflando os números dos eventos que organizam, para conseguir mais visibilidade com patrocinadores e políticos;
    f) sob o slogan "trabalho é vida", jovens que vivem nas Casas Fora do Eixo dedicam-se de graça, sete dias por semana, a essa atividade publicitária, como "formigas felizes".
    A expressão "formigas felizes" não é de ninguém "de direita", "rancoroso" ou "analógico", como o FdE costuma desqualificar seus críticos. Está em um texto no Facebook da americana Shannon Garland, 31, doutoranda do Departamento de Música da ultraprestigiosa Universidade Columbia, em Nova York.
    Ela estuda a música independente sul-americana. Fala ótimo português, entende o Brasil. Colaborou com o Fora do Eixo, chegando a passar dois dias por semana na casa de São Paulo. Em dezembro de 2012, publicou um artigo revelador: "The Space, the Gear, and Two Big Cans of Beer" (o espaço, o equipamento, e duas latonas de cerveja).
    O texto antecipa a discussão de hoje. Aponta que o Fora do Eixo é uma organização voltada para a promoção de si própria. Os festivais, as bandas, tudo segundo plano. O importante é fazer coisas, qualquer coisa, para que depois as formigas felizes as promovam artificialmente na internet.
    Shannon Garland se diz decepcionada com a unanimidade pró-FdE no meio acadêmico, incluindo pesquisadores que admira. Lamenta que Hermano Vianna, Ronaldo Lemos e Oona Castro "elogiem tanto" a organização de Capilé.
    Mas há pelo menos uma exceção. André da Fonseca, da Universidade Estadual de Londrina, apresenta o que chama de "visão crítica sem rancores ou deslumbres". Escreveu um artigo valioso, "Vida Fora do Eixo", sobre a dedicação obcecada dos militantes.
    E um dos maiores especialistas do mundo em coletivos e cultura alternativa também quebra o consenso. É George Yúdice, da Universidade de Miami, profundo conhecedor do Brasil.
    Em depoimento no "Face", ele conta como apresentou o FdE a grupos da América Central e, quando percebeu, fora passado para trás --o FdE tinha tomado conta do dinheiro e pregado sua marca em eventos que nada tinham a ver com o coletivo brasileiro.
    O juiz da Suprema Corte americana Louis Brandeis (1856-1941) dizia: "A luz do sol é o melhor desinfetante; a luz elétrica, o policial mais eficiente". Figura das sombras, das manobras, imperador de um submundo paralelo, Pablo Capilé enfrenta pela primeira vez a exposição pública. O resultado tem sido devastador.