domingo, 4 de novembro de 2012

Possuídos pela raiva - Rodolfo Lucena


Casal mergulha na história do combate à infecção pelo vírus da raiva e vê sua influência na cultura popular

Divulgação
O jornalista BillWasik e a veterinária Monica Murphy, autores do livro "Rabid"
O jornalista BillWasik e a veterinária Monica Murphy, autores do livro "Rabid"
RODOLFO LUCENA
DE SÃO PAULO
Sexo, violência e fantasia se combinam com rigorosa pesquisa científica, curiosidade jornalística e informação precisa para a construção de "Rabid: A Cultural History of the World's Most Diabolical Virus" (Raivoso: uma história cultural do mais diabólico vírus do mundo).
Lançado em julho nos EUA, o livro mergulha em milênios da história humana para buscar as primeiras referências a essa doença assustadora, também vista por olhos de médicos e cientistas.
Depois, trafega pelos séculos mostrando fenômenos culturais que foram -ou, pelo menos, poderiam ter sido- inspirados em algumas características da raiva.
Ao mesmo tempo em que exuma vampiros, zumbis e lobisomens, acompanha crendices que em vários períodos foram tomadas como verdades científicas. E chega até a histórias infantis contaminadas pelo terrível personagem.
Coautora do livro, a veterinária norte-americana Monica Murphy nunca vira um animal raivoso até começar a obra. Acabou tendo uma dose maior do que a esperada: foi a Bali acompanhar os trabalhos de combate a uma epidemia da doença. Ali, viu desde o morticínio de cães de rua até a peregrinação de voluntários vacinadores.
Por cerca de dois anos, ela e o marido, o jornalista Bill Wasik, trabalharam nas pesquisas e na produção de "Rabid". Além de Bali, visitaram o laboratório de Louis Pasteur (1822-1895) -inventor da vacina antirrábica-, em Paris; na Bélgica, estiveram na basílica de santo Humberto, supostamente responsável por milagrosas curas da raiva na Idade Média.
Mas talvez as pesquisas mais fecundas tenham sido realizadas perto da casa dos autores, nas bibliotecas da Universidade de Berkeley na Califórnia. Lá, Wasik encontrou as referências históricas que ajudaram a sustentar sua tese sobre a relação entre a raiva e os mitos e as fantasias criados pela humanidade.
"Para mim, a raiva parecia ser uma espécie de possessão e descobri que, em muitas línguas e culturas, a palavra raiva ("rabid", "lyssa", "rage") tem exatamente essas conotações sobrenaturais", disse ele à Folha, por e-mail.
Foi buscar na "Ilíada" o que parecem ser as primeiras referências a seres possuídos por algo que os tornava violentos, irascíveis, frenéticos. Lá surge a palavra "lyssa", que procura definir algo ou alguém em um estágio de fúria animal, insensatez total.
Ao longo dos capítulos, Wisak e Murphy vão trabalhando o aspecto linguístico: como a doença é definida. Também dissecam a evolução dos estudos médicos, da descrição da doença, das formas de tratamento e das pesquisas para descobrir suas causas.
Um texto médico francês de 1857, por exemplo, proclama que a falta de sexo é a exclusiva razão do surgimento da raiva nos cães; no mesmo período, na Itália, um projeto para prevenção da hidrofobia propunha a criação do que os autores descrevem como bordéis para cães.
Foi também no século 19 que o apetite sexual incontrolável e a ninfomania começaram a aparecer na lista de sintomas da hidrofobia. Algumas histórias partem de fatos para criar mitos, como o de um homem que, acometido pelo vírus, teria realizado 30 atos sexuais em 24 horas...
Quanto aos tratamentos, há desde colocar pelos do cão raivoso nas feridas de mordida até jogar o doente em um barril de água -o objetivo seria reidratar o coitado e fazê-lo perder o pavor à água.
"Rabid" traz um substancial capítulo dedicado ao trabalho de Louis Pasteur. A pesquisa científica é descrita com tintas de aventura digna de "Os Caçadores da Arca Perdida"; os autores não deixam, porém, de encarar com devoção o trabalho do criador da vacina antirrábica.
É um dos melhores momentos do livro, que chega à modernidade, acompanhando a crise em Bali, casos nos EUA e histórias de sobreviventes à doença.
São talvez os episódios mais emocionantes do trabalho, que termina com um balanço da situação atual da doença no mundo -ainda provoca 55 mil mortes por ano- e as perspectivas para a continuação do combate ao mal.
RABID
AUTORES Bill Wasik e Monica Murphy
EDITORA Viking Penguin
PREÇO US$ 12,99 (R$ 26,34) em livro eletrônico na Amazon
AVALIAÇÃO Ótimo
Leia entrevista com Bill Wasik
folha.com/no1179644

De olho no mundo(Orquestra Filarmônica de Minas Gerais) - Carolina Braga

Sucesso da Turnê Mercosul abre portas para apresentações da filarmônica mineira nos EUA e na Europa. Temporada na Argentina e no Uruguai consolida o projeto desenvolvido em MG 

Carolina Braga
Estado de Minas : 04/11/2012 

Rosário – Com casaca na mão e sorriso no rosto, o diretor artístico da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, maestro Fabio Mechetti, não escondia a satisfação na saída do último concerto da Turnê Mercosul, realizado na quarta-feira, na cidade argentina de Rosário.

“Foi realmente uma experiência importante para a filarmônica – e não apenas musicalmente. Mostramos a validade de todo um projeto que tem sido desenvolvido em Minas Gerais. Distribuímos um cartão de visitas por aqui”, afirmou Mechetti. 

No ano que vem, o presidente do Instituto Filarmônica, Diomar Silveira, planeja levar a orquestra para a Colômbia, o Equador e o Peru. “Teremos um bom nome na América do Sul, passo importante para começarmos a ensaiar turnês na Europa e nos Estados Unidos”, comenta.

A filarmônica tocou na Argentina e no Uruguai a convite do Mozarteum, circuito dedicado à música erudita na América Latina. Foram investidos cerca de R$ 400 mil nessa primeira temporada internacional. 

Diomar Silveira explica que a experiência foi importante para testar um modelo de parceria capaz de viabilizar outras turnês. As apresentações em Buenos Aires, Montevidéu, Córdoba e Rosário contaram com, no mínimo, 1 mil espectadores. As plateias ficaram visivelmente surpresas com o que ouviram. Depois do último concerto, os músicos foram aplaudidos por senhoras enquanto caminhavam nas ruas de Rosário.

“O mais importante foi mostrar que a filarmônica é uma orquestra de excelência. Estamos provando isso interna e externamente. Agora, falta o estado se apropriar de verdade da orquestra”, conclui Diomar Silveira. 

DIÁRIO DE BORDO

O TEMPLO
A acústica do Teatro Colón é tão cultuada que os músicos não falavam em outra coisa no dia da estreia. No rosto deles podia-se observar imensa satisfação de tocar naquele palco. Na plateia, uma espectadora especial: dona Wilma, mãe do maestro Fabio Mechetti.

CARAVANA
Músicos conheceram Rosário, terra de Che Guevara e do jogador Lionel Messi. No dia anterior, a orquestra tocou em Córdoba, onde fica o Teatro del Libertador, o mais antigo da Argentina – que não é tão conservado quanto o Colón e o uruguaio Solís. Ruídos no palco cobraram atenção extra do maestro e dos técnicos, que se movimentavam na coxia durante a apresentação. Detalhe: o pódio de onde Fabio Mechetti regeu a filarmônica estava totalmente “manco”. 

O PONTO
Assim como as escolas, orquestras têm inspetoras. Cabe a Karolina Lima monitorar da marcação do ponto pelos músicos aos trajes. O ponto biométrico é portátil. “Ele vai aonde formos. Na Argentina e no Uruguai, parece que essa tecnologia ainda não é difundida. Curiosos, os técnicos dos teatros onde tocamos pegaram os papéis de registro para ver como o sistema funciona”, conta Karolina

CIÊNCIA » Software avalia postura - Rebeca Ramos‏

Pesquisador da USP cria programa que torna mais precisa a identificação de problemas de postura a partir da análise de fotos dos pacientes 


Rebeca Ramos
Estado de Minas: 04/11/2012 

Durante muito tempo, os profissionais de saúde, como fisioterapeutas e ortopedistas, só contavam com a própria experiência para diagnosticar problemas posturais em pacientes. Com o tempo, a tecnologia passou a ajudar nessas avaliações, tornando-as mais precisas. Agora, a medicina acaba de ganhar mais um aliado: o ApLoB (sigla para Avaliação Postural do Laboratório de Biofísica), software aberto e gratuito criado por um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP).

O uso do programa é muito simples. A partir de uma foto tirada do paciente, o software calibra a imagem, alinhando-a verticalmente para que uma possível inclinação da câmera  não afete o resultado. Depois, ele faz uma série de medições das diferentes partes anatômicas do corpo, apontando aparentes problemas de postura, como uma perna mais comprida que a outra ou um ombro mais baixo. O diagnóstico continua sendo feito pelo profissional, mas o programa chama a atenção para detalhes que podem ajudar que o trabalho seja feito com mais precisão (veja ao lado).

O criador da nova ferramenta, Carlos López Noriega, explica que o ApLoB foi desenvolvido a partir de um programa semelhante criado também na USP, o Software de Avaliação Postural (Sapo), que obteve ótima aceitação, mas tinha o uso um pouco restringido por utilizar a linguagem Java, pouco usada pela comunidade científica, segundo Noriega. Assim, o ApLob foi criado numa linguagem chamada Python.

O pesquisador também se preocupou em trabalhar com um código aberto, para que seu invento seja modificado e melhorado por outros especialistas. “Busquei tornar pública a modelagem de um programa de avaliação postural e, desse modo, abrir caminhos para a melhora contínua de suas funcionalidades”, conta Noriega, que precisou utilizar conhecimentos de diferentes áreas, como da informática e da fisiologia, para desenvolver a ferramenta. 

De acordo com Elizabeth Alves Ferreira, professora de fisioterapia da USP e participante da equipe que desenvolveu o Sapo, a avaliação postural é utilizada para estudar o alinhamento dos segmentos corporais, tais como a distribuição de carga e o equilíbrio. “Sem um programa, nossa informação era qualitativa, ou seja, a olho nu. Já com o software, temos uma informação quantitativa, pois temos cálculos mais precisos”, afirma. Ela conta ainda que as informações podem ser comparadas no decorrer das consultas. 

Para Maria Vitória Fortunato, coordenadora de fisioterapia do Hospital Prontonorte e especialista em reeducação postural global (RPG), quanto mais ferramentas o profissional tiver, melhor para o diagnóstico e, consequentemente, para a saúde do paciente. Ela explica que os problemas na postura começam a ser investigados a partir de queixas dos pacientes. Em seguida, uma série de testes é realizada para só então começar o tratamento. “Se o software faz todas as medições e os cálculos, com certeza esse diagnóstico é mais preciso. E isso é bom para todos”, acredita.

Serviço
Interessados em obter o software podem entrar em contato com Carlos Noriega pelo clnoriega.usp@gmail.com.

DANUZA LEÃO


Sanatório geral (licença, Chico)
O PT se prepara para promover uma grande campanha a favor dos pobres condenados
Sempre ouvi falar que decisão da Justiça não se discute, se acata. Mas não é o que acha o Partido dos Trabalhadores.
Há os que dizem que um passado limpo tem que ser levado em conta na hora da aplicação das penas. Dentro dessa teoria, Marcos Valério não poderia ter sido condenado a 40 anos de prisão, quando o norueguês que matou 77 pessoas foi condenado a 21 anos. E, se o pai de Isabela Nardoni e sua madrasta foram condenados, respectivamente, a 31 e 27 anos de prisão, como então condenar, por crimes que nem foram de sangue, pessoas de "alto valor social", se os crimes destes indivíduos foram apenas de colarinho branco?
Os exemplos se multiplicam, e o PT se prepara para uma grande campanha a favor dos pobres condenados, valorosos combatentes contra a ditadura que lutaram pela volta da democracia. Nesse tempo eles conviveram com o autoritarismo e, pelo visto, aprenderam e gostaram. Eles lutaram pela democracia? Lutaram, sim. Assaltaram os cofres públicos para poderem se perpetuar no poder? Assaltaram, sim. Quem diz isso não sou eu, são os ministros do Supremo Tribunal Federal. E, entre acreditar no que dizem os réus, seus advogados e o PT ou em ministros do quilate de Celso de Mello, Ayres Britto, Marco Aurélio Mello, Luiz Fux, Joaquim Barbosa, fico com os últimos.
Assisti a todas as sessões do mensalão; no início, com alguma dificuldade para entender o que diziam e, depois, já mais familiarizada com o "juridiquês". Lembrei da CPI, dos depoimentos, fiquei sem entender quem enviou o dinheiro para pagar a Duda Mendonça -Mas não é crime enviar dinheiro para o exterior? E quem mandou, afinal?- e confiei no julgamento dos ministros. Afinal, se não se confia no que dizem os ministros da Suprema Corte -tirando uma ou duas exceções-, confiar em quem?
Ainda vamos ter muito tempo para os acórdãos, os memoriais, o recesso do Judiciário, o Natal, o Carnaval e a Semana Santa, tempo é que não vai faltar. E leio estupefata, naFolha, que José Genoino, condenado por corrupção e formação de quadrilha, tem o apoio do PT para assumir uma vaga na Câmara dos Deputados, já que é suplente de um deputado que foi eleito para a prefeitura de São José dos Campos. O PT apoia, e, segundo o presidente do partido, Genoino vai assumir "sem problema algum". Alguém deve estar louco neste país.
Os deputados já condenados continuam deputados, e os ministros do Supremo ainda vão decidir se eles vão perder os mandatos. Mas, na opinião do presidente da Câmara, Marcos Maia -do PT, é claro-, a cassação deve passar pelo plenário. E se a maioria dos deputados for contra a cassação, como é que fica?
Uma curiosidade: que tipo de solidariedade o ex-presidente Lula vai prestar a seus antigos amigos, companheiros que o ajudaram a fundar o partido, que partilharam com ele do poder e que agora estão na pior? Um churrasco seria o mínimo, pela antiga amizade.
E a pergunta que não quer calar: quem é, afinal, Dilma Rousseff? De quem se trata? Às vezes ela faz um agrado à opinião pública e demite alguns ministros, ministros cujas roubalheiras são chamadas de "malfeitos" e foram denunciadas pela imprensa, pois ela não sabia de nada, claro; seus apagões são chamados de "apaguinhos"; quando Lula chama, ela vai correndo a São Paulo receber suas ordens, tipo nomear Marta Suplicy para um ministério, para em troca ela fazer campanha para o Haddad. E já se murmura que lá pelo final do ano, quando as coisas tiverem esfriado, pode haver uma anistia geral aos criminosos, basta Lula querer.
Mas que país.