terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O circo de lona e a resistência urbana [tendências/debates]

FOLHA DE SÃO PAULO


PASCOAL DA CONCEIÇÃO E EDUARDO CESAR RASCOV

TENDÊNCIAS/DEBATES
Com desmedidas ocupações imobiliárias, cidades como São Paulo precisam de um terreno fixo garantido para espetáculos circenses
"O circo era um balão iluminado..." (Oswald de Andrade)
Dias atrás, numa reunião da novíssima Associação dos Amigos do Centro de Memória do Circo, discutíamos a periclitante situação do circo de lona, esse balão iluminado que encanta desde os mais remotos tempos, quando, itinerante, mambembeava por quase todas as cidades do planeta, erguendo nelas a mais antiga sala de espetáculos do mundo.
Abrigo mínimo do sol, da chuva, das intempéries, frágil balão colorido e iluminado, dentro da lona se apresentavam atores, cantores, trapezistas, bichos, mágicos, palhaços, enfim, o mundo... do circo.
É necessário agir para que a cultura material e imaterial do circo nas cidades seja resgatada e preservada, missão maior do Centro de Memória do Circo. Por isso, que tal ajudar a fazer uma espécie de arqueologia do imaginário e doar material relativo ao circo, como fotografias, filmes, livros, discos, peças gráficas, figurinos?
Na linha do tempo do circo de lona na cultura brasileira, estão os ilustres modernistas Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Menotti Del Picchia, Sérgio Buarque de Holanda, Paulo e Yan de Almeida Prado e Di Cavalcanti, entre outros, que muitas vezes assistiam aos espetáculos do palhaço Piolin, no largo do Paissandu, nos anos 20.
Mário de Andrade dizia, sem cerimônia, que o circo e o teatro de revista eram os únicos "espetáculos que ainda se pode frequentar no Brasil".
Infelizmente, muitos dos espaços nos quais eram montadas aquelas delicadas estruturas viraram concreto. Mesmo assim, a barriga do circo insiste em persistir. Às vezes, topamos no meio do caminho com um circo de lona num terreno vazio. São como cogumelos que surgem depois da chuva, aparecem montados e iluminados da noite para o dia.
Essas lonas coloridas surgindo nos espaços vazios das cidades nada mais são que os sinais aparentes da resistência à desmedida ocupação imobiliária de nossas cidades. Formam um eloquente sinal de que, ali onde tem um circo -um acontecimento de arte e alegria-, está a luta dos que pensam em produzir a melhor e mais apaixonada ocupação dos espaços, onde todos vivemos a emaranhada forma humana corrupta da vida.
Não que dispensemos os arranha-céus, os mercados, as lojas de comércio ou desprezemos a necessidade de habitações. Mas como é bom saber que estão lá, alegres e resistentes, essas abóbadas frágeis, que lembram que a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. Elas exibem de maneira dramática a situação periclitante do circo e, ao mesmo tempo, seu grande papel de resistente cultural, com sua insistência turrona.
O circo persevera em cobrir com uma lona um vão de terra e fazer brotar ali um mundo em que se manifesta a alegria, a arte, a intrepidez, linha imaginária por onde desfila como um funâmbulo a exibir sua coragem -ignorante e iluminado-, na luta contra a força da especulação imobiliária, que ergue e destrói coisas belas.
Sim, era o circo de lona que discutíamos, mas eram também as cidades, as nossas cidades, para as quais é preciso que essa resistência se fortaleça. É necessário agir para que o circo tenha garantido pelo menos um terreno fixo em uma cidade como São Paulo, com um mínimo de infraestrutura, onde ele possa se armar e depois partir, sabendo que virá outro em seu lugar, e depois outro e depois outro.
Por isso saudamos a notícia de que um terreno na marginal Tietê, próximo ao shopping Center Norte, será cedido ao Circo Spacial de fevereiro a maio. Que a nova prefeitura o transforme na permanente Praça do Circo, que tanta falta faz à cidade. E vamos ao circo, porque "hoje tem espetáculo", sim, senhor.

    TV PAGA

    Estado de Minas:08/01/2013

    Galeria Starte

    Hoje é o Dia do Fotógrafo e por isso a Globo News reservou para esta noite, às 23h30, uma edição especial do programa Starte. A apresentadora Bianca Ramoneda recebe os três vencedores do concurso que a produção promoveu: o baiano Roberto Faria, a paulista Elaine Eiger e a capixaba Menara Vieira, além dos curadores Renan Cepeda, Walter Firmo e Anna Kahn (foto). Milhares de fotógrafos se inscreveram no site da Globo News para participar do concurso e os melhores trabalhos foram selecionados pelos internautas 

    Drama, ação e humor na
    programação de filmes

    O Telecine Touch pega carona na data para montar uma seleção temática, com histórias em que alguns de seus personagens principais são fotógrafos, e que ficou assim: Onde mora o coração (18h), Antes que o mundo acabe (20h10) e Testemunhas de uma guerra (22h). Na concorrida faixa das 22h, o assinante tem mais oito opções: Podecrer!, no Canal Brasil; Sem saída, no Telecine Premium; Caçador de recompensas, na HBO; O pacto, no AXN; O rei da Califórnia, no Glitz; Intrigas de estado, no Space; Peixe grande e suas histórias maravilhosas, no Max HD; e Susie e os Baker Boys, no TCM. Outras atrações da programação: Wall Street – O dinheiro nunca dorme, às 19h30, no FX; As loucas aventuras de James West, às 21h, no Boomerang; Escorregando para a glória, às 21h, no Comedy Central; e Casa de areia e névoa, às 22h15, no Max Prime.

    Bio narra a trajetória da
    atriz Gwyneth Paltrow


    Mãe, atriz, cantora e ícone de moda, Gwyneth Paltrow é a personalidade focalizada hoje à noite em especial que vai ao ar às 20h, no canal Bio. Filha do produtor Bruce Paltrow e da atriz Blythe Danner, Gwyneth começou no teatro e estreou no cinema em 1991. Sete anos depois, iria ganhar o Oscar por seu trabalho em Shakespeare apaixonado. Casada com Chris Martin, Paltrow, vocalista da banda Coldplay, Gwyneth tem dois filhos, Apple e Moses, vive na Inglaterra e nos últimos tempos lançou alguns singles com o elenco do seriado musical Glee. 

    Muitas opções também 
    entre os documentários


    O canal +Globosat estreia hoje, às 23h, o documentário Fire ants, sobre a Solenopsis invicta, popularmente conhecida nos Estados Unidos como formiga-de-fogo, ser considerada o único superorganismo na natureza, por destruirA todos os obstáculos e espécies que atravessam seu caminho. Ainda no segmento dos documentários, o canal History vai mostrar a construção do império grego em episódio da série Construindo um império, às 17h30. E o NatGeo emenda três episódios de A ciência das artes marciais a partir das 22h15.

    Antônio Abujamra quer
    provocar o líder do MST


    Antônio Abujamra recebe hoje o coordenador do Movimento dos sem Terra, João Pedro Stedile, no programa Provocações, às 23h, na Cultura. O convidado comenta a reforma agrária e o desenvolvimento industrial do Brasil, como ele foi diferente dos países desenvolvidos, a falha no planejamento rural brasileiro e as condições das famílias que estão no movimento.

    Internação compulsória com amparo da lei [tendências/debates]

    FOLHA DE SÃO PAULO

    ELOISA DE SOUSA ARRUDA
    TENDÊNCIAS/DEBATES
    Internação compulsória com amparo da lei
    Quando usuários de droga colocam a vida em risco, submetê-los à força a tratamento não viola, mas resguarda direitos humanos
    O governador Geraldo Alckmin acaba de anunciar que, no Estado de São Paulo, serão criados mecanismos para facilitar as internações não voluntárias de dependentes de crack, particularmente na região central da capital.
    É importante esclarecer que essas internações não violam os direitos fundamentais de ir e vir de uma pessoa. Ao contrário, elas podem acontecer para assegurar e garantir os direitos fundamentais à vida, à integridade física do dependente químico e à segurança de todos os cidadãos.
    A lei federal 10.216/2001, no artigo 6º, especifica quais os tipos de internação possíveis. Além da voluntária, estão previstas as internações involuntária e compulsória.
    Não são raros os casos de mães aflitas que buscam a proteção do Estado para seus filhos que estão mergulhados no submundo das drogas. São histórias dramáticas, que se acentuam em espaços públicos, como o conhecido como cracolândia, na região da Luz, no centro de São Paulo.
    Essas mães angustiadas e desesperadas clamam por internação e tratamento dos seus filhos, porque já não são capazes de só ampará-los no caminho de saída do consumo de crack. Essa situação é um caso típico que motiva a internação involuntária.
    Mas há também as situações em que as pessoas romperam os laços familiares e estão jogadas nas ruas, sem a possibilidade de decidir com consciência sobre a sua condição de sobrevivência com dignidade. Essa realidade tem sido muito comum na cracolândia.
    Muitos dos usuários que ali vivem entram em surto psicótico em face do consumo contínuo e abusivo do crack. Nesse contexto, não têm condições de decidir sobre a submissão aos tratamentos possíveis. Querem continuar usando a droga, mesmo que isso lhes custe a própria vida!
    É nesse cenário devastador que a lei prevê a possibilidade de internação compulsória. Ressalve-se, entretanto, que, para que essa internação aconteça, são necessários laudo médico e decisão judicial. Medidas que têm por objetivo resguardar direitos e preservar a vida do cidadão.
    A internação nessas hipóteses não impõe violação aos direitos humanos, ao contrário, resguarda-os.
    O trabalho de internação compulsória, previsto para casos mais graves, em que a vida e a saúde da pessoa estejam comprometidas, será facilitado na região central de São Paulo com a implantação do programa que o governador anunciou.
    Ele envolve não somente as secretarias de Estado da Justiça, de Desenvolvimento Social e da Saúde, como, principalmente, o Poder Judiciário, o Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil.
    Um espaço no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), equipamento da Secretaria da Saúde que funciona no bairro da Luz, vai abrigar referidos profissionais, que se revezarão na análise das situações individuais, devidamente encaminhadas após laudo médico.
    Um caminho possível para devolver ao convívio da sociedade aqueles que enfrentam o grave problema da dependência do crack.

      Carlos Heitor Cony

      FOLHA DE SÃO PAULO

      Prece para um ano novo
      RIO DE JANEIRO - Depois do bife com batatas fritas, das pernas da Claudia Raia e da introdução de "No Tabuleiro da Baiana", do Ary Barroso, a maior criação de Deus foi o Diabo, o próprio, também conhecido como Demônio ou Satanás. E, segundo Guimarães Rosa, o Arrenegado, o Cão, o Sujo, o Cramulhão, o Indivíduo, o Galhardo, o Pé-de-Pato, o Tisnado, o Coxo, o Coisa-Ruim, o Marrafo, o Não-Sei-Que-Diga, o Rapaz, o Sem-Gracejos (apud "Grande Sertão: Veredas").
      Tirando-se o citado Sem-Gracejos da história, nem haveria história, o mundo seria uma chatice, todo mundo tocando cítara e sem direito de votar, como nos tempos da ditadura, e sem poder ir para o diabo que o carregue.
      Pensando assim, desde que li as obras completas de Tomás de Aquino, não me arrependo de ter, aos nove anos de idade, vendido minha alma ao Diabo a troco de um canivete de duas lâminas de um tal Sacadura, terror das ruas de Lins de Vasconcelos, onde nasci e vivi até que desconfiei que a barra ficara pesada para os meus lados. O que me obrigou a buscar refúgio num seminário, onde tentei desfazer o pacto diabólico -uma redundância, por sinal, porque, sem pacto ou com pacto, o Diabo já tinha o domínio do fato ("data venia" aos nossos ilustres ministros do Supremo Tribunal Federal).
      Muita gente acredita que a maior obra de Deus foi a luz, o "fiat lux", que terminou virando uma caixa de fósforos. Em tempo de tantos apagões, que dona Dilma não cansa de explicá-los, até que seria uma boa se tivéssemos uma nova edição, revista e aumentada, da criação do homem. Mesmo sem homem, mas com o Diabo, que, entre seus feitos satânicos, me deixou literalmente na mão, sem o canivete de duas lâminas do Sacadura. Com o qual eu poderia fazer justiça, livrando-me de todo o mal, amém.