Estado de Minas - 23/01/2013
Os sovinas
Usar jornal para secar os cabelos, vestir-se de mendigo para revirar lixo atrás de comida, acionar a descarga do banheiro somente uma vez por semana e reaproveitar o pó de café que já foi passado são exemplos do que algumas pessoas fazem para economizar seu precioso dinheirinho. É também o resumo da série Muquiranas, que estreia hoje, às 20h, no canal TLC. Uma das personagens focalizadas é Roy (foto), que costuma reutilizar o fio dental e fabricar seus próprios produtos de limpeza. Não tem vergonha nem mesmo de catar flores em uma caçamba de lixo para dar à mulher!
Mais bizarrices na série
Tabu, do canal NatGeo
Quase na mesma balada, o NatGeo dá continuidade a Tabu, às 21h30, hoje com o episódio inéditos “Colecionadores extremos”, mostrando como a paixão de alguns pode cruzar a linha da obsessão. Em Londres, Viktor Wynd enche sua casa com excêntricos objetos que vão desde pequenos esqueletos de bebês humanos até cabeças encolhidas. Outro cidadão, lá nas Filipinas, junta tudo que encontra sobre o Super-Homem e até passou por uma série de cirurgias plásticas para ficar mais parecido com seu super-herói. E ainda trem o caso do americano que transformou sua casa em uma Arca de Noé, acolhendo nada menos que 550 animais, inclusive cobras venenosas, aranhas, coiotes, sapos e jacarés.
Segundo ano de Mestres
da restauração no THC
No The History Channel, a série Mestres da restauração retoma seu curso com episódios inéditos na faixa das 22h. Hoje, Rick e seus rapazes estão de olho em um centenário mutoscópio, aparelho que antecedeu o cinema e serve para rodar imagens rapidamente. Depois, a diversão, e também os problemas, vão ser dobrados enquanto o irmão de Rick, Ron, e o parceiro Tyler restauram uma bicicleta antiga. A equipe reforma ainda duas bombas de gasolina antigas e uma roleta de jogos de azar da década de 1930.
Continua a tsunami de
novidades na tela do Off
O surfista profissional especializado em ondas grandes Pedro Scooby se junta aos amigos Felipe Senra e Julio Fonyat para completar o percurso Califórnia/Rio de Janeiro de carro com o intuito de pegar e registrar as melhores ondas possíveis pelo caminho. A aventura é registrada em Expedição Américas, que estreia hoje, às 22h30, no canal Off. Outra novidade da emissora, às 19h, é Slackline, em que três amigos percorrem o sudeste brasileiro à procura de superfícies diferentes, como mares e precipícios, para a prática desta modalidade que virou febre no país. O canal estreia também as segundas temporadas de Sol e sal, com Claudinha Gonçalves (19h30); Montanhistas, com Bernardo Biê e Silvio Neto (21h); e Desejar profundo, com Carlos Burle (21h30).
Telecine Premium exibe
suspense com Clive Owen
No pacote de filmes, a única grande novidade é a estreia de Intrusos, com Clive Owen, Carice Van Houten e Daniel Bruhl, às 20h05, no Telecine Premium. Outro destaque é a Mostra Internacional de Cinema, na TV Cultura, com a exibição de Os EUA X John Lennon, às 22h. No mesmo horário, o assinante tem mais 10 opções: The girl, na HBO; Como você sabe, na HBO2; Quando em Roma, no Max HD; Os outros caras, no Max Prime; Psicopata americano, na MGM; Missão impossível 2, no Megapix; Perigo em Bangkok, na TNT; Homem de Ferro, no FX; Rocky Balboa, no AXN; e Entre dois amores, no TCM. E ainda: Tudo para ficar com ele, às 21h, no Comedy Central; A trilha, também às 21h, no ID; O virgem de 40 anos, às 21h25, no Universal Channel; e Quando um estranho chama, às 22h15, na Fox.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Brasil será investigado por caso Herzog
FOLHA DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULOA Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) vai investigar a responsabilidade do Brasil por não esclarecer as circunstâncias da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, durante a ditadura.
O caso foi admitido pelo órgão internacional em novembro passado e divulgado ontem por entidades ligadas aos direitos humanos, que fizeram a denúncia em 2009.
De acordo com a denúncia, o Brasil não cumpriu seu dever de investigar, processar e punir os responsáveis pela morte do jornalista.
A expectativa é que em até um ano a comissão da OEA conclua o processo e divulgue um relatório com recomendações ao governo brasileiro. Entre elas, poderá estar a abertura de um inquérito criminal para esclarecer as circunstâncias do caso.
Se o país não cumprir as recomendações, o caso deverá ser levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos, instância superior que poderá condenar o Brasil, como o fez em 2010 por causa dos mortos e desaparecidos na guerrilha do Araguaia.
ANISTIA
Quando foi notificado sobre a denúncia, no ano passado, o governo brasileiro argumentou que não poderia abrir um inquérito para investigar o caso porque o crime está anistiado.
A jurisprudência da OEA, contudo, afirma que a Lei da Anistia não pode ser usada para impedir investigação e punição dos responsáveis por grandes violações dos direitos humanos, como torturas e desaparecimentos forçados.
Vlado, como era conhecido, morreu após ser torturado no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operação de Defesa Interna), em São Paulo.
Na época, a versão do Exército para sua morte foi a de suicídio, mas no ano passado a Justiça determinou a correção de seu atestado de óbito, para constar que a morte ocorreu em decorrência de "lesões e maus tratos".
"A gente quer saber quem são os responsáveis pelo que aconteceu ao meu pai", afirma Ivo Herzog, filho do jornalista.
Comissão da OEA decidiu apurar denúncia sobre responsabilidade e omissão do país na morte do jornalista
Para governo brasileiro, interpretação atual da Lei da Anistia não permite a abertura de processo judicial
O caso foi admitido pelo órgão internacional em novembro passado e divulgado ontem por entidades ligadas aos direitos humanos, que fizeram a denúncia em 2009.
De acordo com a denúncia, o Brasil não cumpriu seu dever de investigar, processar e punir os responsáveis pela morte do jornalista.
A expectativa é que em até um ano a comissão da OEA conclua o processo e divulgue um relatório com recomendações ao governo brasileiro. Entre elas, poderá estar a abertura de um inquérito criminal para esclarecer as circunstâncias do caso.
Se o país não cumprir as recomendações, o caso deverá ser levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos, instância superior que poderá condenar o Brasil, como o fez em 2010 por causa dos mortos e desaparecidos na guerrilha do Araguaia.
ANISTIA
Quando foi notificado sobre a denúncia, no ano passado, o governo brasileiro argumentou que não poderia abrir um inquérito para investigar o caso porque o crime está anistiado.
A jurisprudência da OEA, contudo, afirma que a Lei da Anistia não pode ser usada para impedir investigação e punição dos responsáveis por grandes violações dos direitos humanos, como torturas e desaparecimentos forçados.
Vlado, como era conhecido, morreu após ser torturado no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operação de Defesa Interna), em São Paulo.
Na época, a versão do Exército para sua morte foi a de suicídio, mas no ano passado a Justiça determinou a correção de seu atestado de óbito, para constar que a morte ocorreu em decorrência de "lesões e maus tratos".
"A gente quer saber quem são os responsáveis pelo que aconteceu ao meu pai", afirma Ivo Herzog, filho do jornalista.
(PATRÍCIA BRITTO)
Grupo vai apurar mortes de jornalistas
DE SÃO PAULO
Vladimir Herzog e pelo menos outros 23 jornalistas mortos durante a ditadura serão alvo de pesquisa da Comissão da Memória, Justiça e Verdade dos Jornalistas Brasileiros, criada na última sexta-feira pela Federação Nacional dos Jornalistas.
O objetivo será investigar perseguições aos profissionais da imprensa no período. Entre os membros do grupo estão Audálio Dantas, Nilmário Miranda (ex-ministro dos Direitos Humanos) e Rose Nogueira.
Elio Gaspari
FOLHA DE SÃO PAULO
Por enquanto, chega ao seu segundo mandato com a mesma bagagem de sua primeira campanha: "esperança". Com oito recursos aos trechos iluminados do texto de Thomas Jefferson teve seu melhor momento quando disse que "nós não acreditamos que a liberdade esteja reservada para os afortunados ou a felicidade, para uns poucos". De novo, pode ser muito, ou nada.
Contrariando os costumes, o companheiro chamou a oposição para a briga. Fez isso há quatro anos, quando tinha maioria na Câmara e no Senado. Triunfou aprovando a reforma do sistema de saúde (o que não é pouca coisa) e reelegeu-se (o que pode ser grande coisa).
Os Estados Unidos continuam matando estrangeiros em operações secretas. A prisão de Guantánamo vai bem, obrigado. O "stalinismo de mercado" chinês vai melhor hoje do que ia quando ele entrou na Casa Branca. Cuba continua bloqueada pelo medo democrata de perder o eleitorado da Flórida.
A banca foi resgatada, carregando consigo os bônus. O presidente do Citibank, casa que Obama salvou da guilhotina, foi dispensado em outubro passado, mas nos últimos cinco anos acumulara um ervanário de US$ 221 milhões. Obama transformou Paul Volcker num perigoso intervencionista. Logo o chefe do Fed que domou a inflação e quebrou o Terceiro Mundo, inclusive Pindorama. Levou-o para o governo e, habilmente, dispensou-o.
O companheiro repetiu várias vezes a expressão, "nós, o povo", mas, ao contrário de Abraham Lincoln, chamou os adversários para se juntarem àquilo que ele chama de "nós". Seu genial antecessor fazia concessões que os aliados consideravam absurdas, mas tinha a seu favor a força das armas numa guerra civil que dificilmente perderia. Quando prevaleceu militarmente, acabou com a escravidão, coisa que não teria feito se os conservadores tivessem entendido que era mais forte e mais esperto que eles. Se daqui a quatro anos Obama tiver conseguido tomar medidas igualitárias como, por exemplo, rever a situação dos imigrantes, será um vitorioso.
O discurso de Obama aprofunda as divisões americanas, num país em que a esquerda vai em cima de Quentin Tarantino porque usa a palavra "crioulo" no filme "Django" e a direita retardou a estreia do "Lincoln" de Steven Spielberg porque viu nele um panfleto de propaganda democrata. Seria, se a emenda constitucional que aboliu a escravidão pudesse ser considerada propaganda.
Os primeiros quatro anos de Obama ensinaram que ele tem uma paciência infinita enquanto lida com os meios. Em matéria de fins, não deu caldo.
A radicalização republicana, que transformou o moderado Mitt Romney num extremista fracassado, pode refluir para o centro, mas a última campanha eleitoral mostrou que o futuro da direita americana depende de uma ida para o centro. Pelo menos num primeiro momento, o discurso de posse de Obama não contribuirá para isso.
Obama ameaçou partir para a briga
Com um discurso de campanha, companheiro diz 'vai ou racha', mas pode ir a lugar nenhum
Toda vez que um presidente americano repete a frase lapidar da Declaração da Independência ("todos os homens são criados iguais...") está falando muito sério ou não está dizendo coisa nenhuma. Se daqui a quatro anos o companheiro Barack Obama tiver emendado a divisão existente no seu país, terá sido um grande presidente.Por enquanto, chega ao seu segundo mandato com a mesma bagagem de sua primeira campanha: "esperança". Com oito recursos aos trechos iluminados do texto de Thomas Jefferson teve seu melhor momento quando disse que "nós não acreditamos que a liberdade esteja reservada para os afortunados ou a felicidade, para uns poucos". De novo, pode ser muito, ou nada.
Contrariando os costumes, o companheiro chamou a oposição para a briga. Fez isso há quatro anos, quando tinha maioria na Câmara e no Senado. Triunfou aprovando a reforma do sistema de saúde (o que não é pouca coisa) e reelegeu-se (o que pode ser grande coisa).
Os Estados Unidos continuam matando estrangeiros em operações secretas. A prisão de Guantánamo vai bem, obrigado. O "stalinismo de mercado" chinês vai melhor hoje do que ia quando ele entrou na Casa Branca. Cuba continua bloqueada pelo medo democrata de perder o eleitorado da Flórida.
A banca foi resgatada, carregando consigo os bônus. O presidente do Citibank, casa que Obama salvou da guilhotina, foi dispensado em outubro passado, mas nos últimos cinco anos acumulara um ervanário de US$ 221 milhões. Obama transformou Paul Volcker num perigoso intervencionista. Logo o chefe do Fed que domou a inflação e quebrou o Terceiro Mundo, inclusive Pindorama. Levou-o para o governo e, habilmente, dispensou-o.
O companheiro repetiu várias vezes a expressão, "nós, o povo", mas, ao contrário de Abraham Lincoln, chamou os adversários para se juntarem àquilo que ele chama de "nós". Seu genial antecessor fazia concessões que os aliados consideravam absurdas, mas tinha a seu favor a força das armas numa guerra civil que dificilmente perderia. Quando prevaleceu militarmente, acabou com a escravidão, coisa que não teria feito se os conservadores tivessem entendido que era mais forte e mais esperto que eles. Se daqui a quatro anos Obama tiver conseguido tomar medidas igualitárias como, por exemplo, rever a situação dos imigrantes, será um vitorioso.
O discurso de Obama aprofunda as divisões americanas, num país em que a esquerda vai em cima de Quentin Tarantino porque usa a palavra "crioulo" no filme "Django" e a direita retardou a estreia do "Lincoln" de Steven Spielberg porque viu nele um panfleto de propaganda democrata. Seria, se a emenda constitucional que aboliu a escravidão pudesse ser considerada propaganda.
Os primeiros quatro anos de Obama ensinaram que ele tem uma paciência infinita enquanto lida com os meios. Em matéria de fins, não deu caldo.
A radicalização republicana, que transformou o moderado Mitt Romney num extremista fracassado, pode refluir para o centro, mas a última campanha eleitoral mostrou que o futuro da direita americana depende de uma ida para o centro. Pelo menos num primeiro momento, o discurso de posse de Obama não contribuirá para isso.
Tomás Balduino - Tendências/Debates
FOLHA DE SÃO PAULO
Mediante ciclópicos autos de infração, a produção de complexas normas auxilia a fragilizar as empresas.
Militando há 55 anos na área fiscal e tendo convivido com os pais do Direito Tributário brasileiro, à época em que as leis eram feitas por juristas e não por "regulamenteiros", tenho acompanhado a deterioração do sistema.
O cidadão, jamais consultado, vê-se de mais em mais envolvido num emaranhado de leis, portarias, instruções normativas, soluções de consulta. A única certeza que se apresenta é a insegurança jurídica.
Pretende a presidente Dilma atrair investimentos, mas a Receita Federal auxilia a afastá-los, considerando operações suspeitas fusões, incorporações e outras formas de agregação de sociedades. Isso tisna a agilidade competitiva das empresas brasileiras perante aquelas de outros países.
A famosa norma antielisão (LC 104/01), que ainda não foi regulamentada, é, sob disfarces diferentes, amplamente utilizada para inviabilizar tais operações, sob a alegação de que, ao escolher entre duas soluções rigorosamente legais, deve o contribuinte sempre adotar a que se apresentar tributariamente mais onerosa.
Não discuto a idoneidade dos agentes fiscais, mas, sim, a errônea filosofia de que a função da empresa é gerar receita tributária e não provocar o desenvolvimento econômico e social do país. Essa filosofia está emperrando, definitivamente, o governo da presidente Dilma, não só com medíocre performance econômica, mas também com a desestabilização do terceiro setor -que faz o que o governo deveria fazer com nossos tributos-, sendo perseguido pelo poder público como se fosse fonte de receita tributária e não de assistência social e educação.
Participei da comissão de especialistas nomeada pelo Senado para propor uma reformulação do pacto federativo e do sistema tributário. Éramos 13 e, após seis meses de intensos trabalhos, apresentamos 12 propostas de emendas constitucionais, leis complementares, resoluções do Senado e leis ordinárias. Entregues em 30/10/2012 ao presidente do Senado, elas continham soluções para o equacionamento da guerra fiscal, novos critérios para os fundos de participação dos Estados e municípios, para os royalties do petróleo e para a reformulação da partilha tributária.
Apenas no que concerne à guerra fiscal, o governo federal aproveitou as sugestões.
Como o mandato não foi renovado, não pudemos continuar o trabalho para uma reforma tributária completa. Enquanto isso, o país naufraga num sistema que o próprio governo reconhece de há muito ultrapassado.
Na década de 60, no Canadá, a "Royal Comission of Taxation" se voltou a promover justiça social e desenvolvimento por meio de uma política tributária correta, que privilegia esses objetivos em lugar da mera arrecadação. Seu incremento decorre, necessariamente, do atingimento de ambos.
Creio que, se a presidente Dilma não impuser uma filosofia desenvolvimentista à Receita Federal, baseada no modelo canadense, dificilmente sairemos dos últimos lugares de desenvolvimento e seu governo continuará a ostentar um dos piores índices da América Latina, com baixo crescimento e alta inflação.
Apreensão no campo
Lideranças camponesas e indígenas estão apreensivas com o poder da senadora por sua atuação na demarcação de terras no Brasil
Eis o quadro: o pequeno agricultor Juarez Vieira foi despejado de sua terra, em 2002, no município tocantinense de Campos Lindos, por 15 policiais em manutenção de posse acionada por Kátia Abreu. Juarez desfilou, sob a mira dos militares, com sua mulher e seus dez filhos, em direção à periferia de alguma cidade.
O caso acima não é isolado. O governador Siqueira Campos decretou de "utilidade pública", em 1996, uma área de 105 mil hectares em Campos Lindos. Logo em 1999, uns fazendeiros foram aí contemplados com áreas de 1,2 mil hectares, por R$ 8 o hectare. A lista dos felizardos fora preparada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins, presidida por Kátia Abreu (PSD-TO), então deputada federal pelo ex-PFL.
O irmão dela Luiz Alfredo Abreu conseguiu uma área do mesmo tamanho. Emiliano Botelho, presidente da Companhia de Promoção Agrícola, ficou com 1,7 mil hectares. Juarez não foi o único injustiçado. Do outro lado da cerca, ficaram várias famílias expulsas das terras por elas ocupadas e trabalhadas havia 40 anos. Uma descarada grilagem!
Campos Lindos, antes realmente lindos, viraram uma triste monocultura de soja, com total destruição do cerrado para o enriquecimento de uma pequena minoria. No Mapa da Pobreza e Desigualdade divulgado em 2007, o município apareceu como o mais pobre do país. Segundo o IBGE, 84% da população viviam na pobreza, dos quais 62,4% em estado de indigência.
Outro irmão da senadora Kátia Abreu, André Luiz Abreu, teve sua empresa envolvida na exploração de trabalho escravo. A Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins libertou, em áreas de eucaliptais e carvoarias de propriedade dele, 56 pessoas vivendo em condições degradantes, no trabalho exaustivo e na servidão por dívida.
Com os povos indígenas do Brasil, Kátia Abreu, senadora pelo Estado do Tocantins e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), tem tido uma raivosa e nefasta atuação.
Com efeito, ela vem agindo junto ao governo federal para garantir que as condicionantes impostas pelo Supremo no julgamento da demarcação da área indígena Raposa Serra do Sol sejam estendidas, de qualquer forma, aos demais procedimentos demarcatórios.
Com a bancada ruralista, ela pressionou a Advocacia-Geral da União (AGU), especialmente o ministro Luís Inácio Adams. Prova disso foi a audiência na AGU, em novembro de 2011, na qual entregou, ao lado do senador Waldemir Moka (PMDB-MS), documento propondo a criação de norma sobre a demarcação de terras indígenas em todo o país.
O ministro Luís Adams se deixou levar e assinou a desastrosa portaria nº 303, de 16/7/12. Kátia Abreu, ao tomar conhecimento desse ato, desabafou exultante: "Com a nova portaria, o ministro Luís Adams mostrou sensibilidade e elevou o campo brasileiro a um novo patamar de segurança jurídica".
Até mesmo com relação à terra de posse imemorial do povo xavante de Marãiwatsèdè, ao norte do Mato Grosso, que ganhou em todas as instâncias do Judiciário o reconhecimento de que são terras indígenas, Kátia Abreu assinou nota, como presidente da CNA, xingando os índios de "invasores".
Concluindo, as lideranças camponesas e indígenas estão muito apreensivas com o estranho poder econômico, político, classista, concentracionista e cruel detido por essa mulher que, segundo dizem, está para ser ministra de Dilma Rousseff. E se perguntam: "Não é isso o Poder do Mal?" No Evangelho, Jesus ensinou aos discípulos a enfrentar o Poder do Mal, recomendando-lhes: "Esta espécie de Poder só se enfrenta pela oração e pelo jejum" (Cf. Mt 17,21).
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PAULO BALDUINO DE SOUSA DÉCIO, o dom Tomás Balduino, 90, mestre em teologia, é bispo emérito da cidade de Goiás e conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS
Naufrágio tributário
Considerar que a função das empresas é gerar receita tributária emperra o país. Dilma deve impor concepção desenvolvimentista à Receita
Talvez um dos principais fatores do fracasso econômico do governo Dilma Rousseff em seus dois primeiros anos -com alta inflação, baixo PIB, um dos últimos lugares em crescimento na América Latina, pouco investimento, perda de competitividade internacional e crescimento da esclerosada máquina burocrática- seja o confuso, arcaico e oneroso sistema tributário.Mediante ciclópicos autos de infração, a produção de complexas normas auxilia a fragilizar as empresas.
Militando há 55 anos na área fiscal e tendo convivido com os pais do Direito Tributário brasileiro, à época em que as leis eram feitas por juristas e não por "regulamenteiros", tenho acompanhado a deterioração do sistema.
O cidadão, jamais consultado, vê-se de mais em mais envolvido num emaranhado de leis, portarias, instruções normativas, soluções de consulta. A única certeza que se apresenta é a insegurança jurídica.
Pretende a presidente Dilma atrair investimentos, mas a Receita Federal auxilia a afastá-los, considerando operações suspeitas fusões, incorporações e outras formas de agregação de sociedades. Isso tisna a agilidade competitiva das empresas brasileiras perante aquelas de outros países.
A famosa norma antielisão (LC 104/01), que ainda não foi regulamentada, é, sob disfarces diferentes, amplamente utilizada para inviabilizar tais operações, sob a alegação de que, ao escolher entre duas soluções rigorosamente legais, deve o contribuinte sempre adotar a que se apresentar tributariamente mais onerosa.
Não discuto a idoneidade dos agentes fiscais, mas, sim, a errônea filosofia de que a função da empresa é gerar receita tributária e não provocar o desenvolvimento econômico e social do país. Essa filosofia está emperrando, definitivamente, o governo da presidente Dilma, não só com medíocre performance econômica, mas também com a desestabilização do terceiro setor -que faz o que o governo deveria fazer com nossos tributos-, sendo perseguido pelo poder público como se fosse fonte de receita tributária e não de assistência social e educação.
Participei da comissão de especialistas nomeada pelo Senado para propor uma reformulação do pacto federativo e do sistema tributário. Éramos 13 e, após seis meses de intensos trabalhos, apresentamos 12 propostas de emendas constitucionais, leis complementares, resoluções do Senado e leis ordinárias. Entregues em 30/10/2012 ao presidente do Senado, elas continham soluções para o equacionamento da guerra fiscal, novos critérios para os fundos de participação dos Estados e municípios, para os royalties do petróleo e para a reformulação da partilha tributária.
Apenas no que concerne à guerra fiscal, o governo federal aproveitou as sugestões.
Como o mandato não foi renovado, não pudemos continuar o trabalho para uma reforma tributária completa. Enquanto isso, o país naufraga num sistema que o próprio governo reconhece de há muito ultrapassado.
Na década de 60, no Canadá, a "Royal Comission of Taxation" se voltou a promover justiça social e desenvolvimento por meio de uma política tributária correta, que privilegia esses objetivos em lugar da mera arrecadação. Seu incremento decorre, necessariamente, do atingimento de ambos.
Creio que, se a presidente Dilma não impuser uma filosofia desenvolvimentista à Receita Federal, baseada no modelo canadense, dificilmente sairemos dos últimos lugares de desenvolvimento e seu governo continuará a ostentar um dos piores índices da América Latina, com baixo crescimento e alta inflação.
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IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, 77, advogado, é professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra
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