terça-feira, 7 de maio de 2013

Painel - Vera Magalhães

folha de são paulo

Quero ser grande
Com o orçamento baixo de seu ministério, de R$ 7 milhões, o novo ministro de Dilma Rousseff, Guilherme Afif Domingos, terá de recorrer às parcerias para vitaminar as realizações da pasta. Sua primeira tarefa será acertar com Fernando Pimentel (Desenvolvimento) a transferência de políticas de micro e pequenas empresas para a recém-criada secretaria. Também deverá conversar com o Sebrae nos próximos dias em busca de projetos que possam ser tocados em conjunto.
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"Sem clima A presença de Geraldo Alckmin no evento em que Dilma Rousseff fez elogios a Afif inibiu que a presidente e seu futuro ministro conversassem a sós na Associação Comercial. O convite foi feito depois, por telefone.
Parar ficar Afif disse a Dilma que não será candidato a nada em 2014, pois a construção da pasta é um projeto "de longo prazo''. Assim, tenta se cacifar para permanecer no posto em um eventual segundo mandato.
No-show Joaquim Barbosa desistiu da visita que faria na semana passada à corte interamericana de Direitos Humanos, na Costa Rica. Ele decidiu não encontrar Diego Sayán para não ser acusado de contaminar o julgamento dos embargos do mensalão.
Paralelo Excluído pelo governo dos eventos da Copa, o presidente da CBF, José Maria Marin, lança nesta semana um calendário próprio de vistorias em estádios. Começa quarta-feira, em Brasília.
Canal Marin também investe no bom relacionamento com a Fifa para romper o isolamento imposto pelo Planalto. Na semana que vem vai ciceronear Jérôme Valcke.
Lado Deputados da comissão que revisará a PEC 37 são a favor de limitar o poder do Ministério Público. Bernardo Vasconcellos (PR-MG) defendeu, em artigo, que o MP conduzir investigação criminal "distorce e desvirtua''.
Carta na manga A ala da Rede de Marina Silva mais próxima das igrejas evangélicas quer realizar um mutirão de coleta de assinaturas na Marcha para Jesus, no final de junho, caso o partido ainda esteja longe da marca necessária de 500 mil apoios.
Oremos Ontem, o grupo distribuiu 60 mil fichas a pastores de uma corrente da Assembleia de Deus, para que eles busquem adesões. "É como no Tropa de Elite': missão dada é missão cumprida", comentou um militante.
Bipolar Pegou mal no PSB discurso do vice-presidente do partido, Roberto Amaral, em seminário do PC do B. Ele enalteceu a importância histórica da eleição de Lula e Dilma e pregou a união da esquerda.
Pela ordem "Um partido só tem razão de existir com projeto próprio e se for para encarar o debate. O PSB tem legitimidade para apresentar seu projeto próprio'', diz o líder do partido na Câmara, Beto Albuquerque (RS).
Café com leite Recém-eleito presidente do PSDB paulista, Duarte Nogueira se reúne amanhã com Aécio Neves para tratar do espaço de São Paulo na Executiva nacional. Aloysio Nunes é cotado para a secretaria-geral.
Banho-maria Autor da PEC que limita os poderes do Ministério Público paulista, Campos Machado (PTB) não gostou da escolha de Mauro Bragato (PSDB) para relatá-la. Acha que o governo vai tentar cozinhar a proposta.
Visita à Folha Henrique Meirelles, presidente do Conselho Consultivo da J&F, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Sérgio Malbergier, assessor de imprensa.
TIROTEIO
"Que unidade é essa? Quem viu a convenção do PSDB tem a impressão de que o candidato à Presidência é José Serra, não Aécio Neves."
DE LUIZ CLAUDIO MARCOLINO (PT-SP), líder da sigla na Assembleia, sobre Geraldo Alckmin ter dito que os tucanos saíam unidos da eleição interna.
CONTRAPONTO
Tudo em família
Na cerimônia de posse da nova direção da Federação das Associações Comerciais de São Paulo, Fernando Haddad, filho de libanês, abriu seu discurso lembrando que já teve uma "lojinha" no centro da cidade.
-- Por quase 15 anos trabalhei na rua 25 de Março.
Depois dele, foi a vez de Michel Temer, também de ascendência libanesa, rememorar o passado.
-- Meu pai, quando chegou do exterior, a primeira coisa que fez, muito naturalmente, foi abrir uma loja.
Geraldo Alckmin cochichou para Dilma Rousseff:
-- É que aqui somos todos "brimos"!

    Maria Esther Maciel - Divagações‏


    Estado de Minas: 07/05/2013 

    Na semana passada, durante um jantar na casa de amigos, ouvi o seguinte comentário de uma colega: “Hoje em dia só se fala em depressão. Ninguém mais usa a palavra tristeza. Estar triste virou sinônimo de estar deprimido”. Alguém, imediatamente, lembrou-se também da palavra “estresse” que, assim como “depressão”, tem sido usada de maneira excessiva nos dias de hoje. Não se diz mais que uma pessoa está esgotada, tensa. Ela está, sim, estressada.

    Interessante como os termos vêm e vão, ao sabor da moda. Antes, a palavra usada para designar o estado de abatimento profundo, causador de desânimo e baixo-astral, era melancolia. Definida pelos antigos gregos como um mal provocado pelo excesso da bílis negra – portanto, uma enfermidade, como a depressão – ela foi depois revestida de uma aura poética pelos filósofos e escritores românticos, que a associaram à imaginação criadora, ao devaneio e à inspiração. Baudelaire foi um dos poetas do século 19 que fizeram da melancolia um estado de tristeza vital, de desencanto criativo. Ele a aliou, inclusive, ao tédio, valendo-se de um termo que mescla as duas coisas: spleen. Criou belos versos sobre o tema e enfocou, à sua luz, a condição do poeta moderno, deslocado e solitário nas ruas de uma grande metrópole, recolhendo os restos do que a cidade jogou fora ou esqueceu. Foi Freud quem, mais tarde, tirou melancolia dessa esfera poética e a reconduziu ao estado de enfermidade, no caso, psíquica.

    Mas, e a tristeza? Por que ela está sumindo do vocabulário de hoje, engolida pela palavra depressão? Afinal, estar triste não é ficar doente. É um estado momentâneo, que atinge todo mundo, provocado por um acontecimento pontual. Fica-se triste por causa de uma perda, uma decepção, uma notícia ruim. Mas é um estado quase sempre provisório. Além disso, tem sua beleza particular. A depressão, não. Algo pode ser belo e triste, mas nunca belo e deprimido (ou depressivo).

    Acho que faz falta, hoje, o uso do termo melancolia no seu sentido poético. Suponhamos que uma pessoa, de perfil introspectivo e contemplativo, chegue a uma cidade desconhecida. Ela vai, certamente, evitar os pontos turísticos, os bochinchos, preferindo caminhar sem rumo certo pelas ruas, perdendo-se quase sempre e descobrindo os lugares ao acaso. Vai se sentar num banco entre as árvores de uma praça, seja para ver as pessoas que passam, seja para encontrar ideias para um poema ou um conto. Pode, ainda, ir à procura de suvenires para sua coleção. Não está propriamente triste, mas carrega, no fundo, uma certa tristeza, sem peso e sem motivo explícito. O deprimido, por sua vez, se fecharia para o entorno e se enrolaria para dentro de si mesmo. Ou desistiria logo da rua, para recolher-se num quarto escuro. Já alguém que, por alguma decepção recente, está apenas triste, poderá se distrair da tristeza ao encontrar uma banda de música na esquina.

     O deprimido precisa de remédio. O triste de tempo para elaborar ou esquecer a tristeza. Cada estado tem suas peculiaridades e nuanças. O que não impede que se misture ou se confunda, às vezes, com outros.

    E para não dizerem que esta crônica está triste, venho declarar minha preferência por um estado mais provisório que a tristeza, e também um pouco mais raro: a alegria
    . 

    Tv Paga


    Estado de Minas: 07/05/2013 

    Novos ângulos

    O jornalista Fred Mello Paiva (foto) vai encarar os mais curiosos desafios na série O infiltrado, que estreia hoje, às 23h, no canal History. Colunista do Estadode Minas, escrevendo sobre o Atlético, seu time de coração, Fred terá que assumir personagens os mais distintos, para mostrar a diversidade multicultural do país, desde um pastor evangélico até um lutador de vale-tudo, chegando a disputar um combate oficial. No mínimo curioso, não?

    Grafiteiro Speto abre a
    série Back track, do VH1


    Outra produção nacional que estreia hoje está na tela do VH1: Back track, às 21h. A ideia é fazer um passeio informal pela vida de diferentes celebridades, permitindo que os fãs conheçam seus melhores momentos, amigos e preferências. Grafiteiro da velha guarda do skate em São Paulo, o artista plástico Speto é a personalidade focalizada no primeiro episódio.

    Não crê em fantasmas?
    Vai mudar de opinião


    E tem mais: o canal Bio estreia, às 22h, a série Minha história de fantasma: flagrado pela câmera, em que aparições paranormais são registradas em vídeo. E começa com um cidadão que conta como se convenceu de que o espírito de sua falecida mulher andava perambulando por um teatro. Em outro relato, duas mulheres mostram cenas de luzes de um trem fantasma indo diretamente em direção a elas. E num terceiro vídeo, um cão medroso pressente espíritos em um sótão mal-assombrado.

    Paulo Ricardo ainda não
    deixou a década de 1980


    O festival de novidades continua no Nat Geo, com a estreia de Anos 80 – A década que nos criou, às 22h15. A produção reúne entrevistas originais com astros da música e do cinema, da tecnologia, negócios, mídia e política, com inesquecíveis imagens e arquivos, relatos de testemunhas e dramáticas recriações que capturam momentos icônicos do tempo. A apresentação e locução do programa são do cantor Paulo Ricardo.

    Cineasta abre as portas
    de uma prisão política


    No segmento dos documentários, o canal Off exibe, às 23h, o filme Life ascending, que traça o perfil do montanhista e guia de trilhas Ruedi Beglinger pelas montanhas de Kelkirk, no Canadá, onde sete pessoas perderam suas vidas em uma avalanche. No Canal Brasil, à 0h15, a Mostra África hoje tem sequência com Tarrafal: memórias do campo da morte lenta, em que a cineasta Diana Andringa relata o drama dos últimos ocupantes da prisão política da Ilha de Santiago, em Cabo Verde.

    Pode ser proibido, mas
    todos fumam nesta fita


    Por falar em Canal Brasil, a emissora reprisa hoje, às 22h, a comédia É proibido fumar, de Anna Muylaert, com Glória Pires, Paulo Miklos e Marisa Orth. Na mesma faixa das 22h, o assinante tem mais oito opções: Cilada.com, no Telecine Fun; Alfie – O sedutor, no Telecine Touch; Sex and the city – O filme, na TNT; Entrando numa fria maior ainda com a família, no Studio Universal; Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, no FX; Soldado anônimo, na MGM; Ethan Frome, no Sony Spin; e Mera coincidência, no TCM. Outras atrações da programação: Nunca mais, às 19h, no Universal; A corrente do bem, às 21h, no Boomerang; Dois é bom, três é demais, às 22h25, no Megapix; e Eleição, às 22h30, Comedy Central.

    Redução de gastos no Senado preserva auxiliar de check-in

    folha de são paulo

    Congressistas mantêm direito a ajudantes para embarque no aeroporto de Brasília
    Corte de custos não atinge também outras regalias como reembolso sem limite para gastos médicos e com celular
    FERNANDA ODILLAGABRIELA GUERREIRODE BRASÍLIACom poucos cliques no computador ou no celular, é possível hoje garantir um assento num avião e confirmar uma viagem. Ainda assim, o Senado mantém nove funcionários, com remuneração líquida entre R$ 14 mil e R$ 20 mil, para fazer check-in e despachar malas dos senadores.
    Os carregadores de luxo, ou "funcionários do setor de serviços aeroportuários", são apenas uma das regalias desfrutadas pelos senadores.
    Eles atuam no Aeroporto de Brasília, onde os congressistas têm à sua disposição uma espécie de sala "vip" para aguardarem o embarque.
    A sala permite que eles esperem a chamada para os voos separadamente dos demais passageiros.
    Por mês, cada senador tem direito a cinco passagens aéreas de ida e volta da capital do seu Estado para Brasília.
    A escolha dos voos segue a agenda dos congressistas, o que leva o Senado a pagar com frequência tarifas cheias --sem descontos oferecidos pelas companhias aéreas.
    No desembarque, os senadores têm carro e motorista pagos com recursos da Casa.
    Segundo a assessoria do Senado, os nove funcionários trabalham exclusivamente no aeroporto, mesmo quando não há senadores chegando ou saindo de Brasília. Nessas situações, diz a assessoria, eles cuidam de embarques e desembarques futuros.
    PACOTE
    Em fevereiro, quando assumiu o cargo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou medidas que vão reduzir os gastos da instituição em mais de R$ 300 milhões --mas a reforma administrativa não atinge as "regalias" concedidas aos parlamentares.
    Os principais alvos da gestão austera anunciada pelo peemedebista são os servidores da Casa.
    Foram extintos, por exemplo, o serviço ambulatorial gratuito no Senado, contratos de mão de obra com empresas terceirizadas e funções de assessores.
    Mas os senadores continuam desfrutando de benefícios como atendimento médico sem limite de reembolso (extensivo a cônjuges e dependentes até 21 anos).
    Eles também possuem assinatura de revistas e jornais por conta do Senado e reembolso ilimitado para gastos com telefones celulares.
    A reforma administrativa de Renan também não atingiu setores que oferecem "mimos" aos congressistas.
    O Senado mantém, por exemplo, um staff de 32 pessoas para administração das residências oficiais de Brasília onde moram senadores.
    Eles fazem serviços de marcenaria, instalações hidrossanitárias, elétricas e até "apoio operacional" na cidade do Rio de Janeiro.
    O serviço de apoio no Rio é uma herança do período em que a cidade era a capital do país, embora a transferência para Brasília tenha ocorrido em 1960.
    Renan prometeu extinguir as funções de servidores lotados no Rio, mas eles permanecem na lista oficial do Senado, atualizada no início deste mês.
    Garçons exclusivos para o plenário e para a sala de cafezinho do Senado ganham de R$ 6 mil a R$ 10 mil para servir um cardápio com queijo picadinho e misto quente.
    Renan Calheiros, por sua vez, tem uma espécie de "mordomo" na residência oficial, que ganha cerca de R$ 11,3 mil líquidos.
    Apenas quatro dos 41 servidores que cuidam dos "mimos" dos senadores ganharam menos de R$ 10 mil em março, segundo o Portal da Transparência do Senado.
    A remuneração de nove deles foi acima de R$ 20 mil líquidos no mês.
    Nesse mesmo período, a remuneração líquida da presidente Dilma Rousseff foi de R$ 19,8 mil.

      OUTRO LADO
      Corte de despesas é 'gradual', afirma assessoria da Casa
      DE BRASÍLIAO Senado nega que a reforma patrocinada por Renan Calheiros (PMDB-AL) tenha promovido cortes que pouparam os senadores.
      Informa ainda que o corte de gastos é "gradual".
      Por meio de nota, a assessoria da Casa listou medidas que atingiram os congressistas, como "extinção de uma função comissionada em cada gabinete de senador, de liderança e de membros da mesa; redução do número máximo de servidores por gabinete para 55; publicação no Portal da Transparência dos bens e serviços contratados" com recursos da cota parlamentar.
      Nenhuma delas, contudo, corta regalias concedidas aos parlamentares da Casa.
      O Senado não respondeu a questionamentos da Folha sobre a manutenção dos servidores responsáveis pelo check-in e despacho de bagagem no aeroporto de Brasília, nem dos funcionários lotados no escritório no Rio.
      O Senado informou também que há novos cortes de despesas em análise. Dentre eles a redução do consumo de energia e a aquisição de passagens aéreas mais baratas.
      Em relação aos supersalários, a Casa diz que a maioria dos servidores têm cerca de 30 anos de serviços prestados. Isso, afirma, lhes garante salários mais altos e outros ganhos que fizeram a remuneração do mês de março ser muito próxima à recebida pela presidente Dilma Rousseff.