sábado, 3 de agosto de 2013

Flores de inverno - Andre Singer

folha de são paulo
Muitos perguntam se as jornadas de junho retornarão na primavera. Parodiando a presidente, responderia que não podem voltar porque nunca foram embora. A diferença é que, agora, apresentam em separado as cores que se juntaram no ramalhete daquele outono.
Em julho, uma pluralidade de tendências se fez presente na avenida, algumas delas tensamente contrapostas entre si. Ou alguém acha que os peregrinos do sumo pontífice no Rio de Janeiro viram com simpatia a Marcha das Vadias, com mulheres dançando sobre a imagem de uma santa, passar na mesma faixa de trânsito em que pouco depois apareceria o papamóvel?
A fragmentação do inverno era inevitável, porque não se tratava de um movimento, mas de vários, como ficou claro no auge do outono quente, a famosa quinta-feira em que o Itamaraty foi atacado. Naquela noite, de suposta alegria pela redução das passagens, o próprio Movimento Passe Livre foi expulso da av. Paulista.
Em artigo recente, o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos escreveu que "a conjuntura é fascistoide". Aponta que "os de boa-fé, os lúdicos, os solidários com as iniciais demandas sobre transporte, até mesmo sobre saúde e educação", saíram das demonstrações. Teriam ficado apenas "grupos anônimos de jovens de algumas posses, grupos neonazistas e pré-fascistas, organizações niilistas nacionais e internacionais, além das gangues ordinárias de ladrões e assaltantes" ("Valor", 26/7).
O professor tem razão quanto ao fato de que pequenos agrupamentos ultramobilizados são capazes de ocupar a cena com ações de impacto, mesmo tendo representatividade próxima a zero.
O fenômeno está, no entanto, longe de esgotar a pauta hoje nas ruas, como se pôde ver nas manifestações de médicos, funcionários da Infraero, delegados da Polícia Civil e demitidos da TAM, para ficar só em algumas das corporações mobilizadas nesta semana em São Paulo. Sem mencionar que as centrais sindicais marcaram outra data nacional de pressão unificada para 30/8.
Na verdade, as demonstrações de junho assinalaram um ponto de inflexão a partir do qual os diversos segmentos organizados da sociedade tendem a se mexer em função dos seus interesses. Não foi um gigante que acordou, mas as suas diferentes classes, frações de classe e grupos que resolveram sair da passividade.
Com isso, abriram uma conjuntura nova, em que a luta social ganha maior intensidade e radicalidade. Será um teste de fogo para o lulismo, cujo modelo implica arbitrar forças, evitando o confronto entre elas. Ocorre que, desatado o processo de mobilização, as negociações se tornam mais difíceis. Ou, em alguns casos, impossíveis.

    Cidades rebeldes: passe livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil‏


    O clamor das ruas 

    Estado de Minas: 03/08/2013 

    Um verdadeiro “coletivo” assina o livro Cidades rebeldes: passe livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil (Boitempo/Carta Maior). Os autores têm um desafio pela frente: procurar explicar os emblemáticos protestos que desde junho vêm chacoalhando o país. A coleção Tinta vermelha remete às reflexões do pensador esloveno Slavoj Zizek a respeito do Occupy Wall Street, nos Estados Unidos.

    Além do próprio Zizek, os artigos são assinados por David Harvey, Mike Davis, Raquel Rolnik, Ermínia Maricato, Paulo Arantes, Jorge Souto Maior, Mauro Iasi, Silvia Viana, Ruy Braga, Lincoln Secco, Leonardo Sakamoto e João Alexandre Peschanski.

    A ideia dos organizadores de Cidades rebeldes... é ampliar o debate iniciado pelo Movimento Passe Livre (MPL), que também assina um artigo. Os temas são variados: direito ao transporte público, mobilidade urbana, manifestações e violência, partidarismo, luta política e democracia. O coletivo Mídia Ninja, atuante na internet e responsável pela transmissão dos protestos ao vivo, contribui com registros fotográficos.

    De acordo com a urbanista Raquel Rolnik, que assina a apresentação do livro, os fatos recentes observados no país fizeram renascer utopias, abrindo espaço para a discussão de novas formas de articulação. “No campo imediato da política, o sismo introduziu fissuras na perversa aliança entre o que há de mais atrasado/excludente/prepotente no Brasil e os impulsos de mudança que conduziram o país na luta contra a ditadura e o processo de redemocratização; uma aliança que tem bloqueado o desenvolvimento de um país não apenas próspero, mas cidadão”, afirma ela.

    O MPL – São Paulo detalha seus objetivos, vinculando a questão da tarifa do transporte público ao direito à cidade propriamente dito. Cartazes, faixas e palavras de ordem exibidas durante passeatas explicitaram a aliança do direito à mobilidade com temas relativos à questão urbana no Brasil. Com isso, estão na berlinda megaeventos priorizados por governantes – chancelados pelos poderes Executivo e Legislativo e, por vezes, pelo Judiciário.

    “Os capitais se assanham na pilhagem dos fundos públicos deixando inúmeros elefantes brancos para trás”, destaca Ermínia Maricato. A reforma urbana voltou à ordem do dia, depois de frequentar a pauta nos anos 1980/1990 e ser ofuscada pelo modelo de desenvolvimento urbano neoliberal, “voltado única e exclusivamente para facilitar a ação do mercado e abrir frentes de expansão do capital financeirizado, do qual o projeto Copa/Olimpíadas é a expressão mais recente e radical”, destaca a especialista.

    Os artigos não se limitam a São Paulo, palco das primeiras manifestações em junho. Felipe Brito e Pedro Rocha de Oliveira analisam a conjuntura carioca, demonstrando a relação entre o projeto excludente de cidade e a militarização dos territórios populares. O livro também oferece reflexões sobre a conexão entre os protestos brasileiros e aqueles assistidos em Istambul, assim como a Primavera Árabe, o Occupy Wall Street e os Indignados da Espanha. Busca-se compreender o que há em comum entre as ruas brasileiras e as praças Tahrir (Egito), do Sol e Catalunha (Espanha), Syntagma (Grécia) e Taksim (Turquia).

    De acordo com os autores, a república representativa nascida no século 18 dá sinais de profundo esgotamento. O desafio é compreender e assimilar formas horizontais de decisão, que vão de encontro a partidos, comitês centrais, parlamento e governantes.

    A terra debaixo dos pés - André di Bernardi Batista Mendes

    A escritora carioca Rita Moutinho mostra domínio técnico e estilo próprio ao misturar poesia e psicanálise em seu novo livro, Psicolirismo da terapia cotidiana 


    André di Bernardi Batista Mendes

    Estado de Minas: 03/08/2013 

    Com o título inspirado em uma obra de Freud (Psicopatologia da vida cotidiana), Rita Moutinho acaba de lançar o livro Psicolirismo da terapia cotidiana. Essa poeta carioca promove a transformação da própria psicanálise em poesia. Com amplos gestos de coragem e generosidade, a escritora busca, por meio de sua poética e de um estilo marcante, usar a literatura como “arma” para alcançar uma espécie de “cura”.


    O livro é dividido em quatro partes, que representam os diferentes estágios de uma terapia: “Tempo nublado”, “Tempo instável”, “Tempo parcialmente nublado, passando a límpido” e “Céu quase limpo com clarões no horizonte”.

    Rita Moutinho viaja com segurança pelos versos livres até os sonetos, quando explora, como quem brinca perto do lúdico, todo o potencial do verso, da palavra, que também é signo, que é também chama, fogo, paixão. Ela explora os abismos, que remetem ao grande medo, que remetem à perdição e ao desamparo. Nesse sentido, duas “ferramentas” se juntam, a psicanálise e a poesia, para misturar todos os elementos, vida e morte, os claros e principalmente os escuros de uma alma para formar o todo contínuo, entrelaçado de coisas da vida e do cotidiano, que molda e transforma o fazer poético – e a vida – de Rita Moutinho.

    Rita tem, ou construiu, relação muito próxima com a palavra, como demonstra neste verso, que é pura música: “Eu tentei costurar diversos panos/ de texturas e cores diferentes,/ mas tinha como agulhas alfinetes/ e não se davam pontos, mas espantos./ ‘Costurei’ sedas, lãs e musselinas,/ quis unir algodão, chintz, cetim,/ coser fustão com um fino organdi,/ unir chita, tergal e casimira./ Eu queria coser um quente manto/ que mandasse ao desterro dores frias/ e queria ter colcha colorida/ pra cobrir sonhos maus cheios de danos./ Mas só tinha alfinete pra costura/ e ao invés de tecer, fiz atadura”.

    A escolha das palavras é um processo de fundamental importância para a poesia. Em vez de curativo, a poeta forja atadura, que indica e ressignifica dores e danos. Forma e conteúdo, fluxo e contenção rumo a um sentido amplo. Sua poesia sugere clarezas, claridades. A arte não serve para nada: não há maior mentira. Rita mostra que a poesia serve, sim, serve muito para a construção de alicerces, a poesia serve de bálsamo, como sempre soube Mario Quintana: “Quem faz um poema abre uma janela./ Respira, tu que está numa cela/ abafada,/ esse ar que entra por ela./ Por isso é que os poemas têm ritmo/ – para que possas profundamente respirar./ Quem faz um poema salva um afogado”.

    Rita, com apenas uma bala na agulha, no começo não sabe sequer se porventura existem alvos. Se há nuvens, o tempo é nublado, de tempestades. Aos poucos, o barco, sem mares e carente de águas, começa sua aventura de buscas, de cais, dentro do instável. Daí para o parcialmente nublado; até os clarões no horizonte. Vida é sinônimo de périplo. Ser poeta é “estar pronto para os relentos”, num andamento de “arborizar as pedras”. Coexistem potências naturais que tanto assustam quanto libertam.

    A rima pode, em alguns casos, tornar-se camisa de força para o poema, quando o poeta tem apenas método e técnica, dentro de procedimentos bem arrumados, cheios de razão. É raro aquele poema que surge livre, e é bom ver surgir aquela rima que brinca de ser irmã da palavra gêmea.

    Rita Moutinho, na maioria das vezes, reúne técnica e sentimento com o apuro dos melhores mestres, na desmedida exata, apesar de alguns poucos poemas desandarem na empolgação de um sentimento que é apenas desabafo e ensaio para voos maiores.

    Rita é dona de uma retórica e de uma eloquência cheias de garbo e elegância. Ela diz sobre o que não sabe, num processo bonito de esforço e procura.

    A poesia organiza, faz balançar a copa das árvores, inventa cores para quadros e empresta sentido para pedras. A poesia é generosa em sua essência de cios, com seu núcleo feito de lirismo. A primeira página de Psicolirismo da terapia cotidiana é borrada de verde, que já é silêncio, de farta esperança. Também é verde o fim. Se há mensagens, e a poesia é signo de mensagens, Rita aponta para a sua verdade, uma verdade feita de símbolos, encontros e muitos desencontros, de cadeados e portas que se abrem, às vezes. Toda alma é límpida, mesmo que ande forrada de sombras.


    Soneto que reitera o pedir um tempo


    Parece que o trem não sai da estação,
    não apita o navio preso ao cais.
    Aviões? Só uma carroça sem tração
    me conduz solfejando muitos ais.
    Parece que está longe o nono mês,
    que o outono não produz polpa na fruta.
    A análise, com sono e flacidez,
    parece uma empreitada sem labuta.
    Você tenta pintar cenas bucólicas
    (só falta me fazer sentir pastora!)
    e, provocando em mim cruentas cólicas,
    diz-me: “Querida, estás na incubadora.”
        Quero um tempo, avaliar a terapia
    sem apartes de vossa senhoria.
    Impaciente, aflita
    com a hemorragia
    de minhas alegrias,
    me distancio da análise.
    Dúvidas se inscrevem
    no presente,
    e preciso viajar sozinha.

    Viagem interna,
    levando a alma
    como lanterna.

    PSICOLIRISMO DA TERAPIA COTIDIANA

    . De Rita Moutinho
    . Ateliê Editorial, 194 páginas, R$ 46

    Mestre do tempo [John Banville] - Vanessa Aquino


    Mestre do tempo 

    Em Luz antiga, o romancista John Banville conduz o leitor por labirintos do passado e do presente. "Não existe lembrança, mas invenção", garante o irlandês, cotado para o Nobel
     

    Vanessa Aquino

    Estado de Minas: 03/08/2013 

    “Billy Gray era meu melhor amigo e me apaixonei pela mãe dele.” Esta mensagem, já no início de Luz antiga (Biblioteca Azul/Globo Livros), dá pistas das provocações que o leitor encontrará ao longo do romance do premiado escritor irlandês John Banville. Esse livro encerra a trilogia formada com Eclipse e Shroud (ainda sem tradução).

    Tempo e memória estão presentes nos jogos de linguagem e em construções diretas, que, simultaneamente, sugerem densidade e lirismo. A narrativa de Banville faz o leitor passear pelo ritmo da prosa e ser levado por ela ao encontro de memórias, sonhos, alucinações e lutos do personagem Alexander Clave, um ator fracassado, imerso na viagem por tempo e espaço.

    Banville cria um amálgama entre imaginação e memória. Prende o personagem ao passado e o joga ao presente por meio do fluxo de consciência. Clave guarda a dor da lembrança da morte da filha e recorda com pesar o primeiro amor e a confiança traída durante o relacionamento com a mãe do melhor amigo. Esse romance acaba instigando o leitor a refletir sobre como a imaginação inventa memórias e sobre a onipresença do passado na vida que se constrói no presente.

    O jogo com o tempo irrompe em toda a narrativa. Como, por exemplo, quando Alexander Clave é convidado a interpretar no cinema um jornalista e professor universitário, cuja biografia, cheia de idas e vindas e contradições, recebe o nome de A invenção do passado.

    Clave também tece crítica breve às imagens suntuosas e metáforas usadas para camuflar medos e intenções do autor da biografia. “O estilo da prosa foi o que me impressionou primeiro, e com maior impacto – na verdade, quase me fez cair para trás. Simples afetação, ou tomada de posição intencional? Ironia permanente e generalizada? Retórico ao extremo, de uma elaboração teatral, totalmente sintético, artificial e atravancado, é um estilo do tipo que poderia ter sido forjado por algum escriba desimportante do tribunal de Bizâncio (...). Nosso autor tem leituras extensas, mas assistemáticas, e usa as esmeradas proporções que colheu nesses livros para tentar ocultar sua formação insuficiente.”

    Vencedor do Man Booker Prize – considerado o prêmio mais importante da literatura inglesa – e cotado para o Nobel de Literatura, Banville expõe o que pode ser sua própria reflexão acerca dos tecidos forjados pelo tempo dentro e fora da ficção. A crítica o compara aos irlandeses Samuel Backett e James Joyce, além do russo Vladimir Nabokov.

    Para o crítico George Steiner, Banville é “o romancista mais imaginativo da língua inglesa da atualidade”.

    Sonho controlado

    Luz antiga traz os personagens Alexander Clave e sua filha Cass de volta. Essa nova história estava nos planos desde o primeiro livro?

    Não pretendia escrever três livros com esses personagens, e, portanto, não tenho certeza de que seja, na verdade, uma trilogia. Quanto mais velho fico, menos planejo. Quando era jovem, pensava ter o controle de tudo, e agora vejo que o processo de escrever ficção é como sonhar – uma espécie de sonho controlado, se você quiser. Por que revisitei Alex Cleave, Cass e Axel Vander? Não sei, devia ter negócios inacabados com eles. Meu amigo, o escritor argentino-espanhol Rodrigo Fresán pede-me para escrever O livro de Cass, mas não acho que posso. Ela é um enigma, e deve permanecer assim.

    Pode-se dizer que existe uma intenção por trás do escritor? O que o motiva a escrever?

    A motivação para escrever é, para mim, o mesmo que a motivação para respirar, que me mantém vivo. Muitas vezes, penso que a realidade não é muito real até tê-la filtrado através da malha de palavras. Quanto às intenções, não tenho certeza quanto à intenção para escrever. Parece-me, cada vez mais, um processo involuntário. Mas, talvez, seja apenas preguiçoso demais para tentar me fazer entender. Ou talvez esteja me protegendo contra o excesso de autoconhecimento...
    Muitos escritores precisam se isolar para escrever. Com o senhor ocorre o mesmo?

    Tenho um pequeno apartamento no Centro de Dublin, onde trabalho diariamente das 9h às 18h. Não sou um daqueles escritores que se levantam às 3h para escrever, enquanto todo mundo está dormindo – isso me parece por demais estranho. Gosto de ouvir os ruídos do mundo em torno de mim enquanto trabalho. Nos últimos anos, muitas famílias imigrantes se mudaram para o complexo onde tenho apartamento. Nas tardes, suas crianças brincam no grande pátio embaixo de minha janela, as vozes se levantam para mim em deliciosa mistura. Esse fenômeno começou quando escrevia o romance As infinidades, que é preenchido com as vozes dos deuses. Agora me pergunto se, de fato, as vozes das crianças no pátio ecoaram no meu livro.

    Como é o seu processo criativo?

    Minha unidade básica para o trabalho é a sentença. Já disse muitas vezes: se fosse perguntado sobre a maior invenção da humanidade, responderia que é a sentença. Meu método estrutural é fazer com que cada frase seja a mais perfeita que eu puder escrever.

    Em Luz antiga, a memória é instrumento da narrativa, expressa o fluxo de consciência do personagem. Como é trabalhar o tempo dentro da trama, um tempo inserido em contexto tão íntimo do personagem?

    O passado sempre me fascinou, mesmo quando era jovem e não havia acumulado muita coisa. Por que o passado parece importante, tão significativo? Afinal, ele também era o presente antes de se tornar o passado, e deve ter sido tão sem graça e mundano como o presente é presente. O que faz do passado algo brilhante? Não posso responder a isso, mas a pergunta me obceca e permeia o meu trabalho.

    Há diferença entre memória e invenção? Pode-se dizer que a imaginação cria as memórias do personagem?

    Não existe lembrança, mas invenção. Estou cada vez mais convencido de que a memória e a imaginação são dois nomes para a mesma coisa. De fato, neurocientistas estão começando a pensar que é isto mesmo: não recordamos o passado, mas somente imaginamos o que o passado pode ter sido. É uma área fascinante de pesquisa, e gostaria de ter conhecimentos a respeito.

    O autor consegue se distanciar completamente de sua ficção?

    Coloquei todas as minhas experiências em minhas histórias, mas as transformei no processo. Como Wallace Stevens diz em seu grande poema sobre a arte, “O homem da guitarra azul”, as coisas/ como estão são mudadas em cima da guitarra azul. E Henry James observa: a arte torna a vida. Isto é, formas de vida nos oferecem, aos leitores, o sentimento acelerado do que é estar vivo, estar consciente. Se a arte tem qualquer finalidade, é esta.

    O sentimento de perda e luto está muito presente nos personagens Alexander Clave e sua mulher. É um sentimento muito vivo, muito real, que transcende a ficção. Há algo seu nesse sentimento? Ou se trata de memória inventada?

    Na ficção, tudo é inventado. Inclusive, e principalmente, as experiências reais. Quem não experimentou a perda e a melancolia de moagem da vida juntamente de suas glórias?

    LUZ ANTIGA

    . De John Banville. Tradução: Sergio Flaksman
    . Editora Biblioteca Azul/ Globo Livros
    . 336 páginas, R$ 39,90