sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Barbara Gancia

folha de são paulo
Desconfio que Bruno Barreto seja lésbico
Imoral é roubar 30% em obra pública, não a quebra de patente ou de propriedade intelectual
Nesta semana foi como se uma bigorna tivesse caído sobre o pedal do acelerador da máquina do tempo. Tudo tomou a velocidade da ação de uma comédia antiga de Harold Lloyd.
Primeiro vieram as demissões em massa na imprensa tapuia. Em seguida foi a vez do anúncio de que "The Washington Post" fora vendido por troco de pinga. O "Post", meu Deus, uma das publicações mais importantes desde que Gutenberg inventou a prensa tipográfica, passado nos cobres por três Neymares ou, vá lá, seis Bernards do Atlético Mineiro. Minha matemática não é nenhuma Bruna Marquezine, mas, comparado ao que vale o Facebook ou o seguro dos grandes lábios da Ângela Bismarchi (refiro-me ao seu mais recente preenchimento facial), o valor foi modestíssimo.
O jornalismo tradicional anda mais perdido do que pum em bombacha (a elegante frase de minha lavra, aliás, foi colocada por Bruno Barreto na boca da Lota de Macedo Soares logo no início de "Flores Raras", filme que o redime de todas as trivialidades cometidas nos últimos séculos e que você não pode perder. Nele, o cineasta consegue captar a verdadeira mecânica da neurose de um relacionamento amoroso entre duas mulheres de inteligência privilegiada --Glória Pires arrasa!).
Mas, enfim, eu tergiverso. Estamos aqui para falar sobre um mundo novo e mal compreendido pelos ditos conservadores, que opera sob uma lógica que pretende fragmentar a produção e que não quer mais ver a informação ser tratada como commodity.
Babado são crowdfunding e mix de sustentabilidade que desafiam a lógica de quem usa o desenho quadradinho dos modelos de negócio de escolas de administração.
O que valia antes servia para a Revolução Industrial. Hoje não há mais ambiente para revolução. O que temos são hordas de tradicionalistas que não se renderam ao fato de já faz 30 anos da transição para a Era da Informação. Pois a beleza do capitalismo é que ele consegue se perpetuar por estar constantemente se reinventando a partir de seus colapsos, certo biscoito?
E deixa ver se aprendi algo assistindo ao "Roda Viva" desta semana com os entrevistados Bruno Torturra e Pablo Capilé, o jornalista e o produtor cultural que dirigem o Mídia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação).
Olha só: eles encaram o jornalismo como modelo de negócio ou "indústria". E, assim sendo, como instituição desacreditada. Para a geração Z (1995-2007), a lógica de mercado não pode mais reger todas as relações. Ela gera desconfiança e corrói valores. O que eles querem ver acontecer com a informação (seja utopia ou não) é o caminho percorrido pela indústria fonográfica, que ruiu com a pirataria Napster da vida e conseguiu achar um novo rumo a duras penas.
Há um certo frescor na lógica do mundo compartilhado de quem nasceu na frente da tela do micro. Imoral é roubar 30% em obra pública e não a quebra de patente ou de propriedade intelectual.
Quem continua a invocar o Código Penal para argumentar que o Black Bloc pratica vandalismo não capta o ponto: a exasperação de que não existe defesa possível contra um agente tão insidioso quanto o mercado --capaz de nos fazer continuar a sorrir enquanto nos estupra.
Veja a explicação dada por Torturra no "Roda Viva". "Prefiro o pacifismo, claro. Mas o Black Bloc, usa uma estética, uma tática que tenta quebrar símbolos do capitalismo", diz. "Não ficamos tão escandalizados vendo um jovem sofrer uma injustiça quanto ao vê-lo quebrar a vidraça de um banco, temos de entender que são jovens que deixaram de confiar no Estado."

Estudantes acusam UNE de criar 'máfia das carteirinhas'

folha de são paulo
Diretórios acadêmicos dizem que entidade apoia limite de ingressos para estudantes em troca de monopólio
Virgínia Barros, presidente do órgão, diz que lei trará redução de preços e nacionalizará o direito à meia-entrada
JULIANA GRAGNANIDE SÃO PAULO
Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs) de universidades pelo Brasil acusam a UNE (União Nacional dos Estudantes) de apoiar o limite de 40% de meias-entradas sobre o total de vendas de ingressos em eventos culturais e esportivos em troca de monopólio na emissão das carteirinhas.
A presidente da UNE, Virgínia Barros, nega o monopólio. "Nunca defendemos isso. Outras entidades poderão emitir as carteirinhas", diz.
As mudanças à meia-entrada fazem parte do Estatuto da Juventude, sancionado esta semana pela presidente Dilma Rousseff (PT). A UNE é aliada do PC do B; Virgínia Barros é filiada ao partido, da base aliada do PT.
"A UNE está trocando nossos direitos pelo monopólio. Ela quer virar uma fábrica de carteirinhas", diz Matheus Gomes, 21, coordenador-geral do DCE da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A nova lei estabelece a obrigatoriedade da apresentação de uma carteirinha padronizada para a obtenção da meia-entrada e dá "preferência" à sua emissão por parte de UNE, UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) e outras entidades filiadas a essas, como os DCEs. Para Gomes, o problema está em ter de se vincular à UNE, e, portanto, reconhecê-la como representativa.
Uma outra lei que trata somente da meia-entrada, cujo projeto está tramitando no Congresso, estabelece a emissão "exclusiva" de carteiras pelas entidades citadas no já aprovado Estatuto da Juventude. De acordo com assessoria da Casa Civil, isso pode provocar uma modificação no Estatuto da Juventude, durante a sua regulamentação.
A carteirinha padronizada não tem preço definido. Hoje, o documento emitido pela UNE custa R$ 20. O universo de estudantes do ensino superior no Brasil é de 6,7 milhões, segundo dados do Ministério da Educação de 2011.
"Isso se traduz em uma máfia das carteirinhas, há muito dinheiro envolvido", afirma Arielli Tavares Moreira, da Anel (Assembleia Nacional de Estudantes). Em carta, o DCE da USP também criticou o apoio da UNE ao Estatuto da Juventude.
Para a UNE, a lei causará a redução nos preços dos ingressos e "nacionalizará" a meia-entrada, hoje regulada por Estado e município.
"Caso [o valor dos ingressos] não diminua, estaremos nas ruas para exigir isso", diz a presidente da UNE.
O Executivo tem seis meses para regulamentar a lei.

José Simão

folha de são paulo

TAM! Temos Aeroviários a Menos!

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Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! O Sarney com dengue? É O FIM DA PICADA! O Sarney ter dengue é o fim da picada!
E o povo no twitter: "Força, Dengue! Tenha fé que você vai se recuperar". "O mosquito vai ser expulso de casa." "Se ele fosse pro SUS, nem precisaria de mosquito."
Mas não eram os marimbondos que estavam de fogo? Aedes de fogo! Rarará!
E essa piada pronta: "Flu barra Show das Poderosas no Maracanã para evitar as piadas de rivais". Rarará!
E o predestinado do dia: funcionário da TAM em Guarulhos, "Natam"! Já imaginou os colegas chamando: "Natam! Natam!". "Não! Na rua, acabei de ser demitido". Rarará.
TAM quer dizer Temos Aeromoças a Menos. Temos Aeroviários a Menos. A TAM tá de TPM: Temos Pilotos a Menos!
Já imaginou se eles demitem um piloto em pleno voo?
"Senhores passageiros, apertem os cintos, acabo de ser demitido e vou pular de paraquedas pra passar no RH!"
E eu já disse que não tenho medo de andar de avião. Eu tenho medo do preço da passagem! E viajar de avião virou aventura radical.
Uma amiga estava em Nova York, o voo foi cancelado e ela foi transferida para a Lanchile: destino São Paulo, via Santiago com escala em Lima.
E a funcionária ainda perguntou: "Qual o seu destino?". "MEU DESTINO É SOFRER!". Rarará!
E o escândalo do Metrô? O tremsalão ou trilhoduto! Já apareceu até o Serra com aquela cara de piloto de metrô fantasma!
E sabe como os tucanos estão chamando o escândalo do Metrô? "Vazamento sobre atuação anticoncorrencial da Siemens".
Tucanaram o roubo! Rarará!
É mole? É mole mas sobe!
E adorei a Dilma numa entrevista pra rádio de Varginha: "Tenho respeito pelo ET de Varginha". Ueba! Tá puxando saco até de ET?
ET não vota, mas ufólogo vota! Rarará!
Ela não acredita em inflação, mas acredita em ET!
Ou então ela confundiu com a Ideli Salvatti. Que é filha do ET de Varginha com a Mãe do Sarampo! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
José Simão
José Simão começou a cursar direito na USP em 1969, mas logo desistiu. Foi para Londres, onde fez alguns bicos para a BBC. Entrou na Folha em 1987 e mantém uma coluna que considera um telejornal humorístico.

Mônica Bergamo

folha de são paulo

Filho de Renato Russo quer transformar 'Eduardo e Mônica' em minissérie

Mais uma música de Renato Russo será transformada em roteiro. O filho do cantor, Giuliano Manfredini, negocia com emissoras de televisão a produção de uma minissérie inspirada em "Eduardo e Mônica", uma das canções mais populares do ex-líder da banda Legião Urbana.
CONHAQUE
A história terá que contar com atores que possam interpretar o célebre "casal" em várias idades: desde que se conheceram, ele no colegial, ela na faculdade de medicina, até o momento em que, já casados, o "filhinho do Eduardo" fica de recuperação. Uma das ideias é convidar a atriz Débora Nascimento para o papel de Mônica.
VIOLÃO
E a história do grupo Mamonas Assassinas vai virar musical. A produtora Miniatura9, que participou do espetáculo "Tim Maia - Vale Tudo, o Musical", conseguiu aprovação para captar
R$ 4,2 milhões pela Lei Rouanet para realizar, em 2014, 72 apresentações em SP e Rio.
MUDEI
André Nicolau/Divulgação
A atriz Sthefany Brito, ex-mulher de Pato, não largaria de novo a profissão por um amor: "Não me sentiria completa sem meu trabalho", diz à revista "Status".
ESCOLA
A presidente Dilma Rousseff desembarcará em SP no dia 22 para anunciar, ao lado do prefeito Fernando Haddad, mais um pacote de "bondades": um Pronatec, programa de qualificação profissional, para moradores de rua.
PROCURA-SE O POVO
E Dilma, que disse a um interlocutor há alguns dias que "agora é povo, é rua", num sinal de que intensificará esse tipo de agenda, vai concentrar esforços em Minas.
*
Lá, ela aparece atrás do ex-governador Aécio Neves nas pesquisas --o que não ocorria tempos atrás.
NINHO
A notícia de que José Serra (PSDB-SP) comunicou ao Ibope que é pré-candidato a presidente, pedindo a inclusão de seu nome nas pesquisas, foi interpretada no PSDB como de alto potencial constrangedor para Aécio Neves --o senador tenta se consolidar como o nome de consenso para a disputa no partido.
NA LARGADA
A expectativa é que Serra apareça em vantagem em relação a Aécio nas sondagens. A lembrança de seu nome é mais forte, já que ele disputou duas eleições presidenciais, em 2002 e 2010. E tem também penetração maior em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.
RINDO À TOA
O lançamento do livro "Porta dos Fundos", do coletivo homônimo, reuniu quarta-feira (7) na Livraria Cultura do Conjunto Nacional os atores Leticia Lima, Gregorio Duvivier e João Vicente de Castro, que foi com a namorada, a apresentadora Sabrina Sato.

Coletivo Porta dos Fundos lança livro

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Zanone Fraissat/Folhapress
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A atriz Leticia Lima, integrante do coletivo Porta dos Fundos, foi ao lançamento do livro do grupo na Livraria Cultura do Conjunto Nacional
DEFESA DE CLASSE
O massacre do Carandiru entra em pauta na próxima assembleia da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de SP, na quarta. Os membros vão decidir se autorizam a entidade a doar R$ 300 mil para pagar parte dos gastos com advogados de defesa dos policiais que estão sendo julgados. O valor equivale a 30% dos honorários.
O PAPA É POP
O livro "Segredos do Conclave", de Gerson Camarotti, com bastidores da escolha do papa Francisco, terá uma segunda edição, atualizada. A Geração Editorial decidiu incluir nela a íntegra da entrevista exclusiva que o autor fez com o santo padre, exibida no "Fantástico", da TV Globo. A primeira edição, de 5.000 exemplares, está esgotada. A obra já entrou na lista dos cinco livros mais vendidos da Livraria da Folha.
ILHA DO MEDO
Um ex-detento da prisão de Guantánamo, em Cuba, narra torturas sofridas no local, na nova edição da revista da Apadep (Associação Paulista de Defensores Públicos). "Não é possível compensar [dois] anos de abusos na prisão e separação da esposa e filhos", diz o britânico Moazzam Begg, que cobra o fechamento da base americana. Ele afirma nunca ter sido acusado de crime ou julgado. A entrevista foi negociada por dois meses.
CURTO-CIRCUITO
A festa de três anos da Ultralions, do Lions NightClub, é nesta sexta (9), à 0h. 18 anos.
Negra Li se apresenta no Tom Jazz, sexta (9) e sábado (10), às 22h. 14 anos.
Leonardo Tristão, diretor do Facebook no Brasil, faz palestra nesta sexta (9) no WTC Business Club.
Daniela Arbex autografa "Holocausto Brasileiro", nesta sexta (9), às 19h, na Livraria Cultura, na av. Paulista.
A festa Black Party, de André Almada, estreia nesta sexta (9), às 23h, no Grand Metropole, na República. 18 anos.
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.