sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Tv Paga


Estado de Minas: 16/08/2013

Ação e terror

Se alguém estava sentindo saudades de Blake Lively, uma das estrelinhas da série adolescente Gossip girl, então a pedida é conferir a estreia hoje de Selvagens, às 22h, no Telecine Premium. Dirigido por ninguém menos que Oliver Stone, o filme é carregado de ação, contando a história de dois traficantes de maconha californianos que, além dos negócios, dividem também a namorada, que acaba sequestrada por um cartel mexicano. Além de Blake (foto), o elenco reúne Taylor Kitsch, Aaron Taylor-Johnson, Benicio Del Toro e John Travolta, entre outros.

Jude Law faz hora extra
hoje no Telecine Touch


Sexta-feira costuma oferecer algumas boas surpresas para os cinéfilos. Como a sessão dupla com Jude Law no Telecine Touch, que exibe em sequência Alfie – O sedutor, às 20h05, e O amor não tira férias, às 22h. Na Cultura, o drama Há tanto tempo que te amo será reprisado às 22h, agora em versão dublada. Na mesma faixa das 22h, o assinante tem mais oito opções: Super 8, no Telecine Action; O milagre veio do espaço, no Telecine Cult; J. Edgar, na HBO; Possessão, na HBO 2; 88 minutos, na MGM; A primeira coisa linda, no Max; O show de Truman: o show da vida, no TCM; e Pulp fiction – Tempo de violência, no Studio Universal. Outros destaques da programação: A doce vida, às 21h30, no Arte 1; Transformers – O lado oculto da Lua, às 22h15, no FX; e Caçador de recompensas, às 22h30, no Megapix.

Casal sai pelo mundo e
leva junto seu cachorro


Estreia hoje, às 20h, no TLC, a série Viagens maneiras, que se propõe dar dicas para mochileiros, farofeiros e turistas que querem viajar com seu animal de estimação. O administrador de empresas Gustavo Vivacqua e a psicóloga Ana Machado decidiram equipar um carro para uma viagem de dois anos pela América do Sul, América do Norte, Europa, África e Oriente Médio. Com eles estava Tapa, um cão labrador, ou “labradoido”, como seus próprios donos o definem em razão de seu comportamento estabanado.

Judeus refazem viagem
ao palco do holocausto


Quer um documentário interessante? Então, confira Marcha da vida, às 22h, no Canal Brasil. Assinado por Jéssica Sanders, o filme relata a jornada que jovens judeus e sobreviventes do Holocausto fizeram até os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, no Sul da Polônia, onde os prisioneiros eram exterminados pelos nazistas na 2ª Guerra Mundial.

Alienígenas invadiram
ilha de Colares, no Pará

O misterioso caso da Ilha de Colares, no Pará, é o tema de hoje de Contato extraterrestre, às 22h, no canal History. Desde o final da década de 1970, a ilha é conhecida como a cidade dos ETs, a exemplo de Roswell, nos Estados Unidos. A história mais conhecida data de 1977, quando a Força Aérea Brasileira investigou dezenas de relatos de avistamentos e abduções.

Um papo arrepiante de
Zé do Caixão com Nasi


Voltando a falar do Canal Brasil, a produção do álbum Nome, que Arnaldo Antunes gravou em 1993, será revelada em detalhes pelo ex-companheiro de Titãs Charles Gavin na edição de hoje de O som do vinil, às 21h30. Já à meia-noite, em O estranho mundo de Zé do Caixão, o cineasta José Mojica Marins recebe o roqueiro Nasi, aquele mesmo, que foi vocalista do Ira!.

CARLOS HERCULANO LOPES » O pai da Juliana‏


Estado de Minas: 16/08/2013 


Os amigos Marco Antônio e Serjão estavam em um bar lá pelos lados do Santo Agostinho, quase na Contorno. Era início da noite, o lugar começava a se encher de gente, e os dois, que haviam crescido juntos, falavam coisas diversas, como a vitória do Galo na Libertadores, o caos do trânsito de Belo Horizonte, o momento político do país, quando, de repente, bem na mesa em frente à deles, sentam-se duas moças.

Vestidas iguais, com certeza deviam trabalhar em alguma empresa ali perto. Uma delas, a mais baixa, tinha uma pinta, que chamava a atenção, bem em cima da boca, enquanto a outra, mais alta, trazia os cabelos coloridos de caju. E foi justamente esta que, nos instantes seguintes, sorriu para o Marquinhos.

Recém-separado, e vivendo aquela fase quando o homem, sem se mancar, vai à luta na tentativa de “recuperar o tempo perdido”, este quase não acreditou ao ver uma beleza daquelas, justo numa sexta-feira, dando bola para ele. Era sorte demais para uma pessoa só. Então, estufou o peito, retribuiu o sorriso; em seguida, virou-se para o Serjão, que testemunhava a cena em silêncio, e sentenciou: “É hoje, amigo, que vou me dar bem”. “Vá devagar, meu velho, vá devagar, você tem o dobro da idade da menina, deve ter algum engano nisso.” Mas o Marquinhos, que sempre acreditou no seu taco, não quis ouvir o Serjão.

Nos minutos seguintes, depois de receber outro sorriso da moça, que comentou alguma coisa com a colega, ele chamou o garçom, ao qual pediu mais um uísque, naquele dia na promoção, custando R$ 5 a dose. E ainda com direito a levar o copinho para casa. Já havia tomado três, e começava a viver aquele momento em que o álcool, com todos os seus poderes, dá à pessoa aquela sensação de onipotência.

“Leve uma cerveja para as duas meninas ali naquela mesa, diga que fui eu quem mandou”, ordenou ao garçom, no velho estilo. “Pois não, doutor, deixe comigo”, este respondeu, já pensando numa boa gorjeta, enquanto o Serjão, que prosseguia calado, voltou a falar, como se estivesse adivinhando: “Se manca, mano, a garota deve estar fazendo hora com sua cara, é muita areia para o seu caminhãozinho”.

“Que isso, meu chapa, hoje em dia não tem mais disso, são as mulheres que estão dando em cima dos homens, não está vendo?”, respondeu Marquinhos, que, no embalo, aproveitou para pedir outro uísque.

A noite, com todos os seus segredos, já havia descido, quando outra vez a moça, em cuja mesa tinha sido entregue a bebida, olhou de novo para ele, tornou a sorrir e fez um aceno de cabeça. Foi o suficiente, a senha para Marco Antônio, achando-se o dono da situação, convidá-la para juntar-se a eles.

 “Sou a Natália, colega da Juliana lá no Pio XII, o senhor não está se lembrando de mim, seu Marcos? Eu ia muito à sua casa, para estudar com ela... ”, disse a beldade, depois de estender-lhe a mão, agradecer a gentileza, e falar que estava esperando o namorado. O Serjão, que continuava na sua, se deleitava, enquanto o amigo, sem saber como sair daquela situação, não parava de gaguejar.


>> carloslopes.mg@diariosassociados.com.br

Marina Silva

folha de são paulo
O espantalho
Suponha que um dia, por negociação dos líderes partidários, fosse aprovada uma lei determinando que todos os títulos de propriedade de terras, das menores fazendas às grandes "plantations" do agronegócio, só seriam válidos depois de analisados, um a um, pelo Congresso Nacional.
Veríamos os donos da terra brasileira invocando o direito humano e divino de que seriam beneficiários desde os primórdios da civilização. Muitos deles já o fazem, com grande alarde, sempre que uma porção de terra é destinada a atender uma demanda social ou tem sua exploração subordinada a um critério ambiental. Para eles, o direito à propriedade privada é ancestral, sagrado, e se sobrepõe aos direitos e funções sociais, considerados menores e periféricos.
O que estão fazendo com os direitos dos índios, especialmente com seu acesso à terra, consagrado na Constituição como direito originário, é a relativização política de um imperativo ético que fundamenta a noção de pátria, submetendo aos interesses de alguns aquilo que é um bem da nação e dos povos que constituem sua diversidade étnica.
A abertura da terra indígena à exploração mineral, cuja promoção prática se tenta legitimar mudando a lei, é típica da sangria de um continente definido por Galeano com as "veias abertas". Os mitos do progresso na sociedade do consumo uniram-se a uma espécie de nacionalismo torto, anti-indígena, para gerar um espantalho em que o povo brasileiro não se reconhece.
A PEC 215 e o projeto de lei nº 227 agridem a Constituição. Extinguir os direitos indígenas, substituindo-os pela negociação política economicamente monitorada, é crime de lesa-humanidade. De todos os retrocessos socioambientais, o caso indígena é mais trágico, pois resulta em fatal ameaça à sua existência física e simbólica.
Foi preciso que os índios dessem um susto nos deputados, invadindo o plenário da Câmara em abril, para que esses projetos fossem retardados e tivessem um prazo para análise e debate público. Passado o susto, a esperteza volta a fazer manobras para aprovar o que lhe dita o setor mais atrasado do agronegócio.
Assassinatos, agressões, suicídio, fome... nada comove os que fabricam o espantalho. A Funai mostra imagens de índios isolados e um representante do atraso diz que eles foram "implantados" lá onde se refugiam. A ministra da Casa Civil anuncia a suspensão de demarcações e diz que não há índios onde até as pedras sabem que há. Depois se espantam com a crítica das ruas. E os que desistiram dos jovens pateticamente apelam para que os jovens não desistam deles.
Quantas vezes os guaranis-kaiowás de todas as aldeias e cidades precisarão dizer e assinar de próprio punho que o Brasil verdadeiro ama os índios e se reconhece neles?

    Festival Internacional de Teatro de Bonecos‏

    Títeres em ação Variedade, apuro técnico e qualidade estão em cena no Festival Internacional de Teatro de Bonecos 


    Carolina Braga

    Estado de Minas: 16/08/2013 

    Solte a imaginação. Chegou a hora de sombras darem vida a criaturas, xícaras se transformarem em patos, guardanapo virar espadachim e colher fazer as vezes de cozinheira, além de fios, luvas e sombras darem origem a seres diversos. O Festival Internacional de Teatro de Bonecos volta à cidade com a mesma infinidade de técnicas e possibilidades cênicas que marcaram suas últimas 12 edições. As atrações vão até dia 25. Com sete companhias brasileiras e três internacionais, a programação 2013 é pautada em variedade, apuro técnico e na qualidade dramatúrgica. “São pontos que observamos desde o início, para não estigmatizar ainda mais o teatro de bonecos”, ressalta o coordenador Lelo Silva, da Catibrum Teatro de Bonecos.

    A programação reduzida em relação a outros anos demandou da curadoria atenção ainda maior. Estarão em Belo Horizonte grupos e artistas que efetivamente desenvolvem pesquisa na área. No caso da Cia. Truks, por exemplo, são 10 anos em que os objetos estão no centro das experimentações. A companhia paulista abre a maratona, amanhã, com sua nova montagem, Sonhatório.

    Com texto e direção de Henrique Sitchin, o espetáculo usa coisas do cotidiano para contar a história de três internos num sanatório. Enquanto aguardam a comida na cozinha, os objetos mostram que não existem limites para a imaginação. “Frente a todo esse aparato tecnológico dos dias de hoje, o espetáculo mostra que também há coisas simples que podem ser legais”, comenta o diretor.

    Se a simplicidade é uma das características de Sonhatório, em O som das cores, a Catibrum Teatro de Bonecos apresenta o resultado de investigação mais sofisticada. O espetáculo, com texto inspirado em poema de Rainer Maria Rikle e livro do taiwanês Jimmy Liao, foi elaborado ao longo de nove meses. “Foi muito tempo de pesquisa e trabalho fechado mesmo. Chegamos a ficar 12 horas dentro da sala de ensaio. O resultado justifica todo esse tempo”, comenta Lelo.

    O som das cores fará sua estreia no festival depois de ser apresentado em Juiz de Fora (MG), Piracicaba (SP) e Curitiba (PR). É a história de uma jovem de 15 anos que enfrenta labirintos na tentativa de recuperar a visão. A montagem mistura técnicas e bonecos de tamanhos variados. Se a protagonista tem 60cm, outros personagens alcançam até 1,5m. São utilizadas manipulações diretas e indiretas. “O cenário é pequeno, com 2,5m x 2,5m, que se transforma por causa de vários mecanismos. Ele proporciona uma grande viagem mesmo”, completa o criador.

    Do mundo Embora a programação internacional seja mais tímida que a de outros tempos, Lelo Silva garante que os espetáculos escolhidos podem surpreender. Será a primeira vez que o grupo galego El retrete, de Dorian Gray, vem a Belo Horizonte, com apresentações marcadas para segunda e terça-feiras. A companhia explora o território do teatro visual, físico e também da manipulação de objetos. Em Rúa Aire a técnica da vez é a construção de títeres com balões.

    Os chilenos do Teatro de Muñecos Animados El Chonchón fazem com Los cómicos del novecientos uma homenagem a artistas como Charles Chaplin, Buster Keaton, Harold Lloyd, Ben Turpin, Laurel e Hardy, ícones do cinema mudo. Já o argentino Sérgio Mercúrio, conhecido como El Titeriteiro de Banfield, precisa da interação da plateia em Viejo (Velhos). Esta peça é a primeira de uma trilogia sobre a velhice.


    TEATRO DE CAIXAS
    Além dos espetáculos, uma das novidades do festival é mostra especialmente dedicada ao chamado teatro de caixa. São peças de curta duração apresentadas para, no máximo, dois espectadores. Elas serão apresentadas no dia 24, das 18h às 21h, no Prédio Verde da Praça da Liberdade. Entrada franca.