domingo, 25 de agosto de 2013

Quem pedala vive mais‏ - Luciana Martins

Não importa o objetivo do ciclismo, a prática vai vai fazer bem 


Luciana Martins


Estado de Minas: 25/08/2013 

“Pedalar faz bem”, já diziam os especialistas no assunto, os adoradores da prática e os profissionais do esporte. O que muita gente não sabe é a quantidade de benefícios físicos e emocionais que esse exercício proporciona para as pessoas. A vida moderna faz com que o sedentarismo ganhe cada vez mais espaço no dia a dia, gerando ou agravando problemas de saúde. Exercícios simples, como andar de bicicleta, ajudam a prevenir vários desses problemas, incluindo doenças crônicas como obesidade, colesterol alto e hipertensão. A prática de atividade aeróbica gera perda de peso, ao mesmo tempo em que equilibra a pressão e os níveis de gorduras. Uma hora pedalando equivale a mais de 700 calorias queimadas, valor aproximado de um farto hambúrguer recheado por vários ingredientes. Pedalar também trabalha o equilíbrio e confiança, relaxa, combate o estresse e, além de ser um excelente exercício, pode ser praticado como passeio. Feito em grupo, aumenta a socialização e o círculo de amizades. As pessoas que andam de bicicleta regularmente são mais resistentes a patologias do foro emocional, como as depressões. Pedalar é um dos melhores antidepressivos. Quando praticada com bom senso e na medida da forma física de cada um, a atividade não tem restrições. Segundo o resultado de um relatório elaborado pela Universidade Alemã do Esporte, andar de bicicleta "fortalece o corpo e a alma" e poupa visitas ao médico.

O presidente da mesma universidade, dr. Probose, destaca também os benefícios de andar de bicicleta para as pessoas que sofrem algum processo canceroso. Segundo ele, cada vez que você anda em uma bicicleta está dando um impulso à potência do seu sistema imunológico, “É como se as células que se encarregam da defesa do corpo e estavam adormecidas despertassem de um sono profundo após a pedalada”, afirma. A recomendação é que se faça um trabalho de intervalos com mudanças frequentes de ritmos, pois são os tipos de treinamentos que influenciam diretamente na melhoria da saúde de quem pratica. A partir disso, a pessoa pode ir modulando a intensidade e a frequência dos intervalos de acordo com a condição física dela. Além disso, o uso da bicicleta facilita a locomoção e contribui diretamente para a diminuição da emissão de poluentes na atmosfera, beneficiando ainda o sistema respiratório. Quem aprende a andar de bicicleta nunca mais há de se esquecer como se faz, mesmo ficando anos sem subir em uma magrela. 

Mas, se você vai fazer dessa prática algo rotineiro, é importante seguir algumas orientações: consultar um médico e fazer exames para conhecer o próprio condicionamento e resistência, manter uma dieta equilibrada e cultivar o hábito de consumir água para repor as energias são premissas básicas para ficar longe das doenças. Os iniciantes precisam saber que devem começar com trajetos mais curtos e velocidade moderada, para depois de certo tempo progredir tanto com a velocidade quanto na distância. Pedalar faz bem e não importa se o objetivo da prática é melhorar o condicionamento físico, ficar em forma ou realizar um simples passeio com a família no fim de semana. O exercício vai trazer benefício de um jeito ou de outro

Elio Gaspari

folha de são paulo

O advogado-geral de Fidel Castro

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O doutor Luís Inácio Adams informou que os médicos cubanos que vêm para o Brasil não terão direito a asilo político caso queiram se desvincular da ilha comunista. Nas sua palavras: "Me parece que não têm direito a essa pretensão. Provavelmente seriam devolvidos".
Num país que teve um presidente asilado (João Goulart) e centenas de cidadãos protegidos pelo instituto do asilo, Adams nega-o, preventivamente, a cubanos. Isso numa época em que o russo Vladimir Putin concedeu asilo a um cidadão acusado pelo governo americano de ter praticado crimes e a doutora Dilma tem um asilado na embaixada brasileira em La Paz. Noves fora a proteção dada a Cesare Battisti, acusado de terrorismo pelo governo italiano.
A tradição petista vai na direção desse absurdo. A Polícia Federal já deportou dois boxeadores cubanos durante a gestão do comissário Tarso Genro no Ministério da Justiça. (Ele foram recambiados e fugiram de novo.)
O próprio governo castrista já permitiu a saída de cidadãos para a Espanha. A vigorar a Doutrina Adams, o Brasil transforma-se numa dependência do aparelho de segurança cubano.
EU FAÇO O PARQUE, MAS A CONTA É SUA
O secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, contesta diversas informações publicadas aqui na semana passada na nota "Cabral defende o formigueiro-do-litoral".
Em abril de 2011 o governador Sérgio Cabral criou o Parque Estadual da Costa do Sol, numa área de cem quilômetros quadrados na região dos Lagos. Destinava-se a proteger áreas de mata atlântica e também o passarinho formigueiro-do-litoral. As terras do parque têm donos e valem alguns bilhões de reais. Tendo declarado a utilidade pública da área "para fins de desapropriação", vedou "empreendimentos, obras e quaisquer atividades que afetem sua substância e destinação". Micou no lance um projeto hoteleiro do Copacabana Palace. A nota dizia que ele seria erguido na praia da Ferradura, em Búzios. Errado. Era a praia da Enseada, e o projeto fora embargado pelo Judiciário. Estava errada também a informação segundo a qual o parque não existe, pois nem placas tem. Existe, tem 25 placas, trinta guardas e é bastante visitado.
A nota dizia que o governo do Rio não depositou 80% do valor das terras, como manda a lei, e seus donos estarão obrigados a esperar até 2016, quando caducará o decreto de criação do parque se até lá não tiver ocorrido a desapropriação. Minc informa:
"Não há nenhuma lei que obrigue o prévio depósito de 80% do valor das terras privadas de um parque criado." De fato, o depósito só ocorre depois da desapropriação. Ele diz mais: "Nenhuma lei" determina a caducidade do ato depois de cinco anos. Em 2010 o STJ decidiu que o decreto caduca em cinco anos se não tiver sido feita a desapropriação.
Asmodeu mora nos detalhes. Cabral criou o parque, já se passaram três anos e não desapropriou as terras, pois não quer discutir o preço de sua iniciativa.
Politicamente corretos, os parques tornam-se financeiramente levianos. Em 1977 foi criado em São Paulo o Parque da Serra do Mar. Em junho de 2012 o governo de Geraldo Alckmin foi condenado pelo Tribunal de Justiça a pagar R$ 1,5 bilhão a um proprietário de sessenta quilômetros quadrados. São Paulo devia R$ 20 bilhões em precatórios.
É comum que governadores e prefeitos digam que não podem fazer isso ou aquilo porque precisam pagar precatórios. A origem desse problema está em atos que rendem publicidade imediata, transferindo a conta para as administrações seguintes. No fim, a patuleia paga.
Recordar é viver
Literariamente, o ministro Joaquim Barbosa ainda não produziu bate-bocas com a qualidade de Epitácio Pessoa. Em 1909 ele se meteu numa polêmica com o colega Pedro Lessa e, numa carta a um jornal, retida por amigos e publicada anos depois, chamou Lessa de "pardavasco alto e corpanzudo, pernóstico e gabola (que) raspa a cabeça para dissimular a carapinha". Mais: "alimária" e "cavalgadura".
As malquerenças no Supremo Tribunal Federal são velhas e gerais. O que mudou, talvez para melhor, foi a presença da câmeras de televisão na corte. Afinal, se uma pessoa é filmada enquanto se coça num elevador, porque um juiz não pode ir ao ar num debate público?
Hoje no STF há ministros que não se cumprimentam. Na década de 80, Xavier de Albuquerque foi-se embora por não tolerar seu colega Moreira Alves e, nos 70, por pouco Aliomar Baleeiro não encestou Eloy da Rocha.
As gerentonas
A companheira Graça Foster recebeu de uma amostra de 800 gestores de 300 instituições financeiras da América Latina agrupados pela revista "Institutional Investor" o título de melhor executiva do setor de petróleo, gás e petroquímica.
Ela assumiu a presidência da Petrobras em 2012, quando o valor de mercado da empresa era de algo como R$ 250 bilhões e sua dívida bruta estava em cerca de R$ 140 bilhões. Em junho ela valia uns R$ 202 bilhões, devendo perto de R$ 190 bilhões.
Se a companheira Graça é uma boa executiva, a doutora Dilma, que controla o preço dos combustíveis, é uma má gerentona.
Eremildo, o idiota
Eremildo é um idiota e indignou-se com o STJ. Ele estava de malas prontas para Goiânia, onde pretendia criar a Associação de Proteção aos Cretinos. Lá funciona a 2ª Turma Julgadora Mista dos Juizados Especiais. Um banco fez mais uma das suas com um cliente, tungando-o em cerca de R$ 20, e os doutores condenaram-no a devolver o dinheiro, cobrando-lhe mais R$ 5 mil por danos morais. Bem feito.
Eremildo percebeu que criaram uma terceira modalidade de indenização, aquela por "dano social". No caso, cobraram mais R$ 10 mil, determinando que o dinheiro fosse mandado para o Conselho da Comunidade de Minaçu. Noutro caso, mandaram levar a ajuda para o Centro de Valorização da Mulher Consuelo Nasser. O STJ detonou a brincadeira e a Associação dos Cretinos ficou para depois.
Maracanã
Pelo andar da carruagem, o consórcio da Odebrecht com Eike Batista poderá receber alguma compensação pela exclusão da pista de atletismo e do parque aquático vizinhos ao estádio da área da concessão que lhes foi dada.
Faz sentido, porque o consórcio foi prejudicado pelo recuo do governador Sérgio Cabral diante do ronco das ruas. Fica uma pergunta: Se havia um negócio e agora há outro, não seria o caso de recomeçar do zero, com uma nova licitação?
Humor petista
Quando o comissariado estava certo de que melaria o caso do mensalão, Delúbio Soares, tesoureiro de partido e gerente de sua caixa dois, disse o seguinte:
"A denúncias serão esquecidas e vão virar piada de salão."
Com ele na cadeia.
Elio Gaspari
Elio Gaspari, nascido na Itália, veio ainda criança para o Brasil, onde fez sua carreira jornalística. Recebeu o prêmio de melhor ensaio da ABL em 2003 por "As Ilusões Armadas". Escreve às quartas-feiras e domingos na versão impressa de "Poder".

Suzana Singer - Folha Ombudsman

folha de são paulo

Respeito aos mortos

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Três casos recentes mostram que falta cuidado à imprensa ao tratar de vítimas da violência.
No afã de encontrar uma explicação para crimes surpreendentes e com um apetite irrefreável por detalhes, busca-se todo tipo de informação, sem ponderar sua relevância ou refletir se a publicação pode, desnecessariamente, aumentar o sofrimento dos que ficaram.

Alexandre (1971-2013)
O dentista Alexandre Peçanha Gaddy foi assaltado em seu consultório, em São José dos Campos (SP), na noite de 27 de maio.
Ele foi levado para o banheiro, amarrado com fios de computador a uma cadeira e queimado vivo. Quando os bandidos saíram, ele conseguiu se soltar e gritou por ajuda. Chegou vivo ao hospital, mas não resistiu às queimaduras, que tomaram 60% do seu corpo. Tinha dois filhos, de 5 e 12 anos.
No dia seguinte ao enterro, a Folha dizia ter "apurado" que a polícia investigava a hipótese de suicídio, porque Alexandre tinha feito um seguro de vida recentemente.
A informação, vendida ao leitor como grande apuração, era a mera reprodução acrítica do que dizia a polícia. Não é estranho planejar a própria morte de forma tão cruel? Se a intenção era morrer, por que ele pediria socorro?
A hipótese publicada por alguns jornais, não apenas a Folha, serviu apenas para aumentar o estresse da família. "Minha avó ficou sabendo pela imprensa que a polícia investigava suicídio. Ela tem 88 anos e usa marca-passo", conta Christianne Gaddy, 40, irmã da vítima.
No início deste mês, a polícia deu o caso como encerrado. Dois assaltantes e três menores envolvidos no crime estão presos.

Bianca (1995-2013)
No último dia de julho, "Cotidiano" noticiou: "Garota mata ex-namorada e esconde o corpo debaixo da cama em Goiás". Tratava-se do assassinato da universitária Bianca Mantelli Pazinatto, esfaqueada por duas amigas adolescentes.
Mais uma vez, a fonte era a polícia, que dizia que uma das garotas tinha namorado Bianca e queria reatar a relação. Na mesma reportagem, um tio da vítima contava que a família nunca soube que a amiga "queria namorar a Bianca".
Não havia, portanto, informação suficiente para sustentar o título, que definia a vítima como "ex-namorada" de seu algoz.
Não foi um erro apenas da Folha, que pelo menos teve a preocupação de procurar a família depois. Ouviu do agricultor Hércules Pazinatto, 39: "Não bastasse a morte da nossa filha, ainda lidamos com essa maldade. Se tinha algo nesse sentido de gostar, era da parte da moça que a matou".
O pai fez questão de contar que Bianca namorava um rapaz de 19 anos e que, antes dele, tivera outro namorado por dois anos.

Marcelo (2000-2013)
A grande imprensa não embarcou na rápida solução encontrada pela polícia para o mistério da chacina da Vila Brasilândia. A hipótese de que o filho matou toda a família e depois se suicidou foi colocada, acertadamente, com ressalvas.
O problema nesse caso foi a busca desenfreada por detalhes da vida familiar, na tentativa vã de explicar o que poderia ter levado um garoto aparentemente tranquilo a praticar tamanha violência.
Esquadrinhou-se a vida de Marcelo Pesseghini, suas amizades, quais videogames ele gostava de jogar, a doença que o atormentava desde o nascimento.
A capa da "Veja São Paulo", no domingo passado, citava o "boato" de que a mãe de Marcelo tinha um caso com um colega da polícia. Não poupou o pai, que também teria uma amante no trabalho.
"Sabe-se que os pais do menino, por suspeitas mútuas de infidelidade, não viviam bem como casal", concluiu a revista. Qual a utilidade dessa informação?
"A imprensa já estava fixada no Marcelinho. Agora, é a mãe. É uma barbaridade", diz Sebastião de Oliveira Costa, 54, tio-avô do menino.
Com certa resignação, ele completa: "Fazer o quê? Quem morre não fala mais nada".
Suzana Singer
Suzana Singer é a ombudsman da Folha desde 24 de abril de 2010. No jornal desde 1987, foi Secretária de Redação na área de edição, diretora de Revistas e editora de "Cotidiano". Escreve aos domingos na versão impressa.

Principal alvo da nova censura moralista é a telenovela - Renata Pallottini

folha de são paulo aqui
ANÁLISE
RENATA PALLOTTINIESPECIAL PARA A FOLHAHá menos de uma semana, em reunião sobre arte e censura na USP, tratei do tema, cada dia mais delicado, do moralismo na TV. Sob a forma de censura à produção artística, esse moralismo atinge, sobretudo, a telenovela e modelos semelhantes.
O aumento da preocupação com a moral, concretizada em rejeições de vários tipos, é uma nova censura.
A censura não deve ser tomada como assunto policial, como na ditadura militar. Ela pode partir de anunciantes e da sociedade em geral, quase sempre fruto da visão moralista dessas categorias.
As empresas que podem vir a subvencionar a produção se afastam quando o conteúdo da sinopse não lhes agrada; a sociedade reduz a audiência e provoca a necessidade de mudanças, de acordo com a sensibilidade da emissora ao seu desagrado.
Se nos reportarmos à telenovela de maior audiência no momento, "Amor à Vida", vemos reações de público e grupos organizados que configuram o repúdio àquilo que, segundo eles, representa o perigo de formar estereótipos: associações médicas se rebelam contra o fato de doutores, na história, serem adúlteros e pouco dedicados ao trabalho; grupos de obesos se solidarizam com a personagem Perséfone, enquanto grupos ligados à questão de gênero lamentam a personalidade do vilão Félix (um dos maiores acertos da novela).
Nossa sociedade atual, sobretudo a que assiste à novela, é, em boa parte, moralista. Defende que, na obra de ficção, se apresentem modelos de boa conduta --nem sempre seguidos na vida real.
Despreza, deliberadamente ou por ignorância, o fato de que a ficção é uma história inventada, baseada, sim, na realidade, mas que não está obrigada a nos apresentar exemplos de pureza moral e bons costumes.
A ficção, especialmente na telenovela, deve nos dar personagens interessantes, conflitos, ação dramática, suspense e desfecho. Quase sempre, o vilão é castigado. Por acaso, na vida real, os vilões sempre perdem? Se assim fosse, o que aconteceria com nossos homens públicos?