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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A discussao pública no Brasil está ruim - Renato Janine Ribeiro

Fonte  
Renato Janine Ribeiro
Esta imagem mostra como está ruim a discussao pública no Brasil. Exprime como postagens a favor (azuis) ou contra (vermelhas) o Mais Médicos repercutem. Simples: quem é a favor só repercute em quem é a favor, e o mesmo vale para quem é contra. Não se chega a discutir. Cada lado é reconfortado em suas posições e não toma conhecimento das opostas.
Era melhor estar tudo de preto: de luto pela inexistência de um espaço público de discussão, de uma ágora, que permitisse que as pessoas dialogassem, alterassem suas posições,negociassem propostas intermediárias.
Porque esse retrato está valendo para tudo, hj, que seja discutido publicamente no Brasil...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Facebook tem desafio de não ficar velho

folha de são paulo

Temor é que muitos jovens, responsáveis pela ascensão do site, estejam com 'fadiga' do serviço e buscando alternativas
Empresa afirma que é um erro imaginar que o ganho de alguns serviços represente perda para outros
DO "FINANCIAL TIMES"Um ano depois de abrir seu capital na Bolsa, o Facebook enfrenta pressão dos investidores para tratar do temor de que jovens estejam perdendo o interesse pelo serviço.
Ainda que essas opiniões se baseiem principalmente em indicações incidentais, muitos investidores acreditam que os jovens com menos de 25 anos estejam sofrendo de "fadiga de Facebook" e optando por serviços como o Twitter e o WhatsApp.
Os adolescentes e as pessoas na casa dos 20 e poucos anos são críticas para o futuro do Facebook --da mesma que forma que foram essenciais durante a ascensão do serviço, uma década atrás.
A chegada de parentes mais velhos ao Facebook é um dos motivos que adolescentes citam para perder interesse e adotar sites que permitem pseudônimos, como Tumblr, ou apps de mensagens, como e Snapchat, mais apropriados para conversas entre grupos de amigos.
Nenhum desses serviços recria a gama de recursos do Facebook, mas isso está se tornando menos importante à medida que as pessoas trocam os computadores por aparelhos móveis.
Nos aparelhos móveis, a norma é alternar entre múltiplos apps especializados, e não usar um mesmo site para executar diversas funções.
Em seu balanço divulgado em fevereiro, a rede criada por Mark Zuckerberg não revelou dados sobre como as diferentes faixas etárias utilizam o serviço.
Em lugar disso, aponta para o impressionante crescimento em sua base geral de usuários: 1,1 bilhão de pessoas usavam o serviço ao menos uma vez por mês.
Do total, cerca de 665 milhões de pessoas "" ou 10% da população do planeta "" usavam o site todos os dias.
Quando questionado por analistas este mês, David Ebersman, vice-presidente financeiro do Facebook, definiu como "lenda urbana" a crença de que os jovens estavam se afastando do serviço. Embora pesquisas demonstrem que os usuários mais jovens vêm usando outros serviços com frequência cada vez maior, Ebersman disse que era um erro imaginar que o ganho de alguns represente perda para outros.
Existem sinais de que o Facebook está perto de atingir seu ponto de saturação ou mesmo perder terreno entre os jovens norte-americanos, que o conduziram à sua posição de liderança.
Quase 40% dos usuários do Facebook com idades entre 18 e 29 anos disseram que antecipavam dedicar menos tempo ao serviço em 2013, segundo pesquisa da Pew Research Center. Só 1% previa dedicar mais tempo a ele.
Para Benedict Evans, da consultoria Enders Analysis, o principal desafio do Facebok é a rapidez com que os usuários, especialmente os mais jovens, vêm adotando os serviços móveis.
"Não está claro que tenha descoberto e definido a melhor resposta para a experiência social móvel correta".
O site norte-americano enfrenta a concorrência de mais de uma dúzia de aplicativos sociais móveis com mais de 100 milhões de usuários, alguns dos quais tão importantes quanto o Facebook em determinados países.
Tradução de PAULO MIGLIACCI

    No Brasil, rede parece estar longe da saturação
    DE SÃO PAULONo Brasil, o Facebook parece estar longe de alcançar o ponto de saturação, de acordo com dados recentes divulgados pela empresa.
    Os usuários brasileiros estão entre os que mais passam tempo no Facebook.
    São oito horas conectados todo mês ""mais que a média global, de seis horas e 30 minutos.
    Desde que a rede social iniciou suas operações no país, em 2011, o número de usuários brasileiros passou de 12 milhões para 73 milhões.
    O crescimento nesse período foi de 525%.
    Além disso, de todo o tempo gasto pelos usuários brasileiros na internet, um terço corresponde à rede social criada por Mark Zuckerberg.
    RESULTADO
    A companhia gerou receita de US$ 1,46 bilhão no primeiro trimestre de 2013, 38% acima do período do ano passado.
    Um dos motivos para o crescimento foi a oferta de novas ferramentas que permitem aos anunciantes direcionar sua comunicação a usuários com base em fatores como idade, localização e interesses.

      quarta-feira, 15 de maio de 2013

      Sobre a liberação das terapias de reversão de sexualidade


      • Marco Feliciano põe em votação o projeto de lei do deputado João Campos, do PSDB, que propõe a liberação das terapias de reversão de sexualidade, a famosa "cura gay". Aos que se preocupam, digo: é bem provável que a proposta seja aprovada, já que a Comissão dos Direitos Humanos hoje em dia é dominada por fundamentalistas pentecostais. Só que o fato de ela ser aprovada nada significa - ela vai ser barrada em instâncias superiores. Também gostaria de lembrar que Feliciano, no presente caso, é peixe pequeno. Ele apenas colocou em pauta um projeto que tem pai. Um pai com nome e partido: João Campos, do PSDB. Muito me espanta que o PSDB, um partido que tem uma história positiva [não ideal, mas positiva] no que tange aos homossexuais fique quietinho diante de uma ideia tão esdrúxula, que propõe considerar que gays e lésbicas procurem tratamento para sua inadequação sexual.

        Vale também notar que se existem gays e lésbicas psicologicamente perturbados por conta de serem o que são, isso se deve ao discurso patologizante e homofóbico destas mesmas igrejas que agora oferecem uma "cura". Notem a circularidade: as tais igrejas patologizam a sexualidade alheia. A pessoa que cresceu neste ambiente se sente mal, doente. Então, procura a ajuda de um psicólogo intitulado "psicólogo cristão" [tipo uma Marisa Lobo da vida] e pede para ser curado. Mas curado de que? Da doença inventada pelos próprios pentecostais?

        Digamos que a proposta passe e não seja barrada, o que seria escandaloso para o Brasil no que concerne aos Direitos Humanos. Seria uma vergonha internacional. A proposta diz que o psicólogo pode propor terapias de reversão de preferência sexual caso o sujeito queira. Já pensaram que delícia a cena abaixo?

        Paciente: - Doutora, te procuro porque sinto desconforto com minha sexualidade, e quero mudá-la.
        Marisa Lupus, psicóloga cristã: - Fez bem, fez bem. Há quanto tempo você percebe que é gay?
        Paciente: - Mas eu não sou gay!
        Marisa Lupus: - Não? Mas...
        Paciente: - Eu estou desconfortável com minha heterossexualidade, e quero revertê-la. Quero ser gay.
        Marisa Lupus: - Mas... mas como? Por que?
        Paciente: - Estou cansado, me sinto infeliz. Meus amigos gays parecem todos felizes e são mais divertidos. A comunicação entre pessoas do mesmo sexo parece ser melhor. Tem também a questão econômica: além de não ter filhos e assim podermos viajar mais, nós podemos usar as roupas um do outro.
        Marisa Lupus: - Mas os filhos... a procriação... o pecado...
        Paciente: - Ah doutora, o mundo está cheio de gente. E eu não gosto de crianças. Prefiro ajudar financeiramente as instituições que cuidam de crianças. E aí, a senhora vai me ensinar a reverter minha heterossexualidade ou não vai?
        Marisa Lupus: - Eu não posso fazer isso...
        Paciente: - Claro que pode! A lei diz que se a pessoa não se sente satisfeita com sua própria sexualidade, pode procurar tratamento. E aí, podemos começar? Como sugestão, eu trouxe uns filmes pornôs pra gente ver juntos.

        Liga o DVD. Insere o disco. Título do filme: O SENHOR DOS ANAIS.

        Marisa Lupus se atira pela janela aos gritos, e a gravidade se revela inexorável. Chegando ao céu, dá de cara com um antigo amor de infância, uma garota gostosona, a quem ela rechaçou por causa da religião. A gostosona olha pra cara da doutora Lupus e diz, enquanto dezenas de anjos gays dourados cantam My Heart Will Go On:

        - Bobinha. Não era pecado!
        daqui

      sábado, 6 de abril de 2013

      Faz tempo que os jornais procuram conquistar um público que não gosta de jornais


      Faz tempo que os jornais procuram conquistar um público que não gosta de jornais. Quando o Estadão diz, ontem, que os leitores querem "mais conveniência e eficiência de leitura, um jornal mais compacto", está dizendo, com muita tristeza no coração mas evitando mostrá-la, que os leitores querem um jornal menos jornal. Quando a "Folha" faz, cada poucos anos, uma mudança gráfica que torna o jornal de mais fácil leitura, reduzindo o tamanho dos parágrafos e aumento o tamanho das fontes, chegando a permitir que na Ilustríssima o espaço branco predomine sobre o escrito, está procurando ganhar os leitores que não gostam de jornal. E ainda diz que a mudança é para melhor, é gloriosa etc.
      Sempre senti que seria como eu, professor, me gabar de dar aulas mais curtas, com menos conteúdo, falando mais devagar, usando menos palavras.
      A pergunta é parecida para jornais e professores: dá para manter sua share na imprensa, se vc não acredita que seu produto é bom, bom demais?
      Dá para apostar na mídia impressa quando ela mesma se disfarça em não-impressa, reduz as palavras, acelera as coisas, querendo conquistar um leitorado que não é o dela?
      Não percebem que dizer - implicitamente que seja - que o produto não é bom, que precisa ser disfarçado, é a pior estratégia para conquistar quem já nao aprecia - ou nem quer conhecer - o produto?
      Isto é mto parecido com algo que acontece na educação.
      Para conquistar alunos dispersos, quantos não buscam recursos que não são os da educação? Se se vai falar em personagens admiráveis, recorre-se ao ídolo do momento, até mesmo um Neimar. Fica tão claro que o professor não tem coragem de dar, como modelo, um escritor, um artista, um cientista. Fica tão claro que se tenta entrar na festa pelos cantos, envergonhado.
      Muito em tese, penso que nem os jornais ganham se fingindo de não-jornais, nem ganha a educação quando o educador disfarça o que ela é