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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Barbie é 'expulsa' de casas de boneca e Mattel perde receita

folha de são paulo
FOCO
DO "FINANCIAL TIMES"
A Barbie está mostrando a idade: as vendas da boneca da Mattel caíram 12% no trimestre passado, enquanto as meninas voltam a atenção para figuras mais radicais.
Foi o quarto trimestre consecutivo de queda para a Barbie. A Mattel, maior fabricante mundial de brinquedos pelo critério de faturamento, anunciou faturamento e lucro inferiores às expectativas no segundo trimestre, em boa parte por causa da boneca.
Com o resultado, as ações da Mattel caíram 6,8%.
Bryan Stockton, presidente-executivo da companhia, disse que as vendas da Barbie foram prejudicadas em parte por outros produtos da Mattel, especialmente a linha popular de bonecas Monster High, que retrata alunas góticas e horripilantes e de uma escola de segundo grau.
Mas a Mattel não vai abandonar suas operações da Barbie, iniciadas 54 anos atrás.
Stockton disse que a boneca "ainda se enquadra bem aos modelos de aspiração que meninas gostam de seguir" e que a companhia lançará produtos eletrônicos relacionados à Barbie no fim deste ano.
No Brasil, as vendas da boneca cresceram --a empresa não divulgou números.
"Parece que começa um declínio cíclico da Barbie", afirmou Gerrick Johnson, analista da BMO Capital Markets. Ele diz ter ouvido falar de meninas que expulsaram Barbies de suas casas de bonecas para abrir espaço à linha Monster High.
Segundo Johnson, as vendas da linha Barbie nos EUA caíram 50% desde 2000, declínio que deve muito ao lançamento das bonecas Bratz, da MGA Entertainment.
O produto rival causou uma batalha de direitos de propriedade intelectual entre as duas empresas, que a Mattel perdeu.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Facebook chateado - Richard Waters

folha de são paulo
Aplicativos de troca de mensagens para smartphones, como o Snapchat, ameaçam receitas da rede em aparelhos móveis
RICHARD WATERSDO "FINANCIAL TIMES"Com o campo de batalha da mídia social se transferindo para os aparelhos móveis, será que o Facebook está a ponto de ser derrotado por desafiantes mais novos?
Isso pode parecer improvável, dadas as impressionantes estatísticas de uso móvel que a empresa registra --estima-se que um quinto do tempo de uso de smartphones ocorra em sua rede social. No primeiro trimestre deste ano, o Facebook gerou 30% de sua receita de publicidade neste segmento, um ano da veiculação de seus primeiros anúncios nesse tipo de aparelho.
Mas uma nova geração de apps leves para mensagens ameaça tal domínio.
Ao contrário do Facebook, eles já foram concebidos para o mundo móvel, e não adaptados de um site. A maioria começou buscando incorporar mensagens de texto. Tendo encontrado espaço nos aparelhos, agora os novos serviços de chat estão determinados a devorar o território ocupado pelos apps sociais, de jogos, fotos e vídeos.
Um sinal disso surgiu no mês passado, em rodada de capitalização que estimou o valor do Snapchat --que usa fotos instantâneas como moeda de suas mensagens--, em cerca de US$ 800 milhões.
As fotos e os textos que os usuários trocam por esse app têm um truque: elas se destroem em até dez segundos depois de abertas.
Ainda que tenha sido criado apenas em 2011, o Snapchat já supera o Instagram, adquirido pelo Facebook, em número de fotos subidas para a rede. Quase um terço das imagens compartilhadas on-line neste ano serão trocadas por ele, de acordo com Mary Meeker, analista de internet da consultoria KPCB.
"Evan Spiegel e Bobby Murphy [fundadores do Snapchat] são exemplos da nova geração de empreendedores que cresceram com smartphones e mal sabiam o que era a web quando existia apenas em um navegador de desktop", define Dennis Phelps, sócio da Institutional Venture Partners, um dos maiores grupos de investimentos do mundo que listou o Snapchat como bom alvo.
Diversos outros apps de mensagens têm anotado sucesso viral semelhante. E a concorrência que está se desenvolvendo parece mundial: as redes que ganharam espaço incluem a WeChat, Line e KakaoTalk, da Ásia, e WhatsApp e Viber, americanas.
E o mercado não parece destinado a ser controlado por um único ganhador, e sim a seguir padrões regionais. A tendência provavelmente será acentuada com os esforços dos governos nacionais para reprimir redes de mensagens que eles não possam controlar ou monitorar, e pelos avanços de preferências culturais específicas.
O Line, por exemplo, explora o apreço pelos emoticons, que é forte na Ásia.
Aproveitando a onda viral, alguns dos recém-chegados conquistaram vantagem inicial. Entre eles, WeChat, WhatsApp e Line, que têm 750 milhões de usuários --número semelhante ao de pessoas que usam o Facebook nos celulares a cada mês. Eles não são só divertidos, mas também permitem que os usuários evitem pagar os salgados preços dos serviços de mensagens das operadoras.
Mas o teste real está apenas começando. Será que os apps de chat conseguirão encontrar maneiras de ganhar dinheiro em um mercado no qual as barreiras de entrada são baixíssimas, as modas passageiras predominam e os usuários não apreciam a intrusão de publicidade?
O Line e o WeChat avançaram mais, se posicionando como redes de distribuição para outros aplicativos.
Usar redes de mensagens para a distribuição de conteúdo digital é um sonho antigo. Era uma das ideias que embasavam a malfadada aquisição da Time Warner pela AOL, em 2000. Mas a definição de conteúdo mudou bastante daqueles dias para cá.
A segunda forma evidente de receita é o marketing social. Os predecessores dos apps nas redes sociais experimentaram misturar publicidade a comunicações pessoais, mas há riscos. O mais valioso para um anunciante seriam mensagens comerciais que usuários adotem e difundam por meio de suas redes pessoais. Nessas redes, as etiquetas e as fotos serão a moeda dos anunciantes.
Nada disso significa que os 750 milhões de usuários móveis do Facebook vão deixar de postar fotos das pessoas queridas na rede social. Mas a empresa vem sendo mais seguidora do que líder.

    sexta-feira, 24 de maio de 2013

    Twitter fecha parcerias publicitárias e lança produto que monitora comerciais na TV

    folha de são paulo
    financial times
    daqui
    EMILY STEEL
    DO "FINANCIAL TIMES"

    O Twitter anunciou ontem um novo programa para direcionamento de publicidade televisiva e uma série de parcerias com companhias de mídia. As parcerias envolvem grupos como a Major League Baseball, Time, Vevo e Vice. A ação é uma tentativa de garantir a posição do Twitter como nexo entre a televisão e a mídia digital.
    O novo produto publicitário recorre a tecnologias especiais para "assistir" televisão e registrar quando um comercial é veiculado. Ao mesmo tempo, essa tecnologia "ouve" (monitora) o Twitter em busca de posts de pessoas sobre o programa em questão.
    Com essa tecnologia é possível direcionar, via Twitter, anúncios a pessoas que viram um comercial da marca em questão na TV.
    O Twitter também revelou o programa Twitter Amplify, série de parcerias com empresas de mídia que inserirão nos news feeds dos usuários mais vídeos das redes de TV, bem como patrocínio em tempo real que vinculará comerciais de TV a promoções no Twitter.
    "Costumávamos pensar em Twitter mais TV, mas agora estamos pensando em Twitter vezes TV", disse Adam Bain, vice-presidente de faturamento do Twitter, em um evento em Nova York. "O Twitter é uma ponte, não uma ilha. É uma ponte para coisas que aparecem em múltiplas telas".
    Centenas de executivos de mídia e publicidade compareceram ao auditório lotado da conferência Internet Week New York para ouvir o anúncio do Twitter.
    O Twitter está tentando aproveitar a tendência de as pessoas usarem serviços de redes sociais e aparelhos móveis com frequência cada vez maior enquanto assistem TV.
    Um estudo recente da Nielsen constatou forte correlação entre avanços no volume de mensagens no Twitter e os índices de audiências de TV.
    "O Twitter é a trilha sonora da televisão", disse Deb Roy, cientista chefe de mídia do Twitter e criadora da Blue Fins, uma companhia de rastreamento de mídia social que o Twitter adquiriu no começo do ano.
    RECEITAS PUBLICITÁRIAS
    As receitas mundiais de publicidade do Twitter devem mais que dobrar este ano, atingindo os US$ 583 milhões ante US$ 288,3 milhões em 2012, de acordo com a eMarketer.
    A despeito do rápido crescimento, as receitas publicitárias da empresa continuam a representar apenas uma pequena fração do mercado mundial de publicidade televisiva, que movimenta US$ 205 bilhões ao ano.
    O serviço de redes sociais está tentando se posicionar como parceiro das redes de TV, e não concorrente.
    "Não queremos que as verbas de publicidade em TV sejam transferidas ao Twitter", disse Joel Lunenfeld, vice-presidente de estratégia mundial de marca no Twitter. "Estamos apelando para que as pessoas façam a TV trabalhar mais".
    Os anunciantes receberam a notícia positivamente.
    Bonin Bough, vice-presidente mundial de mídia e de envolvimento do consumidor na Mondelez, diz que a fabricante dos biscoitos Oreo, das bolachas Ritz, do chiclete Trident e de outros produtos alimentícios reporta efetividade duas vezes maior para seus comerciais de TV quando participa de conversações no Twitter ao mesmo tempo em que veicula comerciais.
    "O futuro da narrativa ainda está por vir", disse. "Para nós, o parceiro que tem mais capacidade de nos ajudar a capturar mais o momento é o Twitter".
    Tradução de Paulo Migliacci

    Facebook tem desafio de não ficar velho

    folha de são paulo

    Temor é que muitos jovens, responsáveis pela ascensão do site, estejam com 'fadiga' do serviço e buscando alternativas
    Empresa afirma que é um erro imaginar que o ganho de alguns serviços represente perda para outros
    DO "FINANCIAL TIMES"Um ano depois de abrir seu capital na Bolsa, o Facebook enfrenta pressão dos investidores para tratar do temor de que jovens estejam perdendo o interesse pelo serviço.
    Ainda que essas opiniões se baseiem principalmente em indicações incidentais, muitos investidores acreditam que os jovens com menos de 25 anos estejam sofrendo de "fadiga de Facebook" e optando por serviços como o Twitter e o WhatsApp.
    Os adolescentes e as pessoas na casa dos 20 e poucos anos são críticas para o futuro do Facebook --da mesma que forma que foram essenciais durante a ascensão do serviço, uma década atrás.
    A chegada de parentes mais velhos ao Facebook é um dos motivos que adolescentes citam para perder interesse e adotar sites que permitem pseudônimos, como Tumblr, ou apps de mensagens, como e Snapchat, mais apropriados para conversas entre grupos de amigos.
    Nenhum desses serviços recria a gama de recursos do Facebook, mas isso está se tornando menos importante à medida que as pessoas trocam os computadores por aparelhos móveis.
    Nos aparelhos móveis, a norma é alternar entre múltiplos apps especializados, e não usar um mesmo site para executar diversas funções.
    Em seu balanço divulgado em fevereiro, a rede criada por Mark Zuckerberg não revelou dados sobre como as diferentes faixas etárias utilizam o serviço.
    Em lugar disso, aponta para o impressionante crescimento em sua base geral de usuários: 1,1 bilhão de pessoas usavam o serviço ao menos uma vez por mês.
    Do total, cerca de 665 milhões de pessoas "" ou 10% da população do planeta "" usavam o site todos os dias.
    Quando questionado por analistas este mês, David Ebersman, vice-presidente financeiro do Facebook, definiu como "lenda urbana" a crença de que os jovens estavam se afastando do serviço. Embora pesquisas demonstrem que os usuários mais jovens vêm usando outros serviços com frequência cada vez maior, Ebersman disse que era um erro imaginar que o ganho de alguns represente perda para outros.
    Existem sinais de que o Facebook está perto de atingir seu ponto de saturação ou mesmo perder terreno entre os jovens norte-americanos, que o conduziram à sua posição de liderança.
    Quase 40% dos usuários do Facebook com idades entre 18 e 29 anos disseram que antecipavam dedicar menos tempo ao serviço em 2013, segundo pesquisa da Pew Research Center. Só 1% previa dedicar mais tempo a ele.
    Para Benedict Evans, da consultoria Enders Analysis, o principal desafio do Facebok é a rapidez com que os usuários, especialmente os mais jovens, vêm adotando os serviços móveis.
    "Não está claro que tenha descoberto e definido a melhor resposta para a experiência social móvel correta".
    O site norte-americano enfrenta a concorrência de mais de uma dúzia de aplicativos sociais móveis com mais de 100 milhões de usuários, alguns dos quais tão importantes quanto o Facebook em determinados países.
    Tradução de PAULO MIGLIACCI

      No Brasil, rede parece estar longe da saturação
      DE SÃO PAULONo Brasil, o Facebook parece estar longe de alcançar o ponto de saturação, de acordo com dados recentes divulgados pela empresa.
      Os usuários brasileiros estão entre os que mais passam tempo no Facebook.
      São oito horas conectados todo mês ""mais que a média global, de seis horas e 30 minutos.
      Desde que a rede social iniciou suas operações no país, em 2011, o número de usuários brasileiros passou de 12 milhões para 73 milhões.
      O crescimento nesse período foi de 525%.
      Além disso, de todo o tempo gasto pelos usuários brasileiros na internet, um terço corresponde à rede social criada por Mark Zuckerberg.
      RESULTADO
      A companhia gerou receita de US$ 1,46 bilhão no primeiro trimestre de 2013, 38% acima do período do ano passado.
      Um dos motivos para o crescimento foi a oferta de novas ferramentas que permitem aos anunciantes direcionar sua comunicação a usuários com base em fatores como idade, localização e interesses.

        segunda-feira, 15 de abril de 2013

        Novo presidente terá a economia e o chavismo como obstáculos

        folha de são paulo

        ANÁLISE
        ESTHER BINTLIFFDO "FINANCIAL TIMES"
        Os venezuelanos escolheram um presidente ontem pela segunda vez em menos de um ano. A Presidência será um cálice envenenado; veja seis razões para isso.
        1) O chavismo: as pessoas falam de Chávez com intimidade, como pai e protetor. Uma vez instalado no cargo, é bem possível que o novo presidente venezuelano ache sufocante a devoção da população ao antigo líder.
        2) A economia: a popularidade de Chávez dependia de sua mão aberta, mas o dinheiro está acabando. A Venezuela tem deficit fiscal enorme, inflação de dois dígitos, desabastecimento de produtos e taxas de câmbio múltiplas.
        3) Produção petrolífera: a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, mas sua produção está estagnada. A estatal PDVSA foi esvaziada após a nacionalização. Com boa parte da receita do petróleo sendo direcionada aos programas sociais de Chávez, os investimentos e a inovação dentro da companhia encolheram.
        4) Ineficiência governamental: em artigo de opinião para o "New York Times", Rory Carroll descreve Chávez como, "em última análise, péssimo administrador".
        Ele argumenta que Chávez não apenas deixou de investir nas instituições do Estado como permitiu que o país se tornasse vítima de "uma nova elite com conexões no governo, os chamados boligarcas', que manipulavam contratos governamentais e a teia de controles de preços e câmbio para financiar seus estilos de vida luxuosos".
        5) Forças Armadas: estreitamente vinculadas ao "fator chavismo". Enquanto Chávez era ex-comandante, Maduro não tem o mesmo relacionamento com os militares.
        6) Criminalidade: o índice de homicídios na Venezuela triplicou enquanto Chávez esteve no poder. O vencedor da eleição terá de enfrentar problemas sérios de criminalidade e de corrupção.

        domingo, 7 de abril de 2013

        Uma batalha desigual - Benedict Mander

        folha de são paulo

        O adversário é Maduro, não Chávez, diz oposição
        BENEDICT MANDERTRADUÇÃO *CLARA ALLAIN*RESUMO A prioridade da oposição nas eleições venezuelanas do dia 14 deve se concentrar na manutenção de seu espaço político até o próximo pleito, apostando em complicações econômicas e na desidratação do mito Chávez. Henrique Capriles faz campanha procurando "chamar Maduro para dentro do ringue".
        Henrique Capriles, no ano passado, não resistiu à jamanta eleitoral de Hugo Chávez, que venceu uma dúzia de eleições país afora ao longo de 12 anos. Agora, o líder socialista morto de câncer no mês passado está frustrando -mesmo no túmulo- a segunda candidatura de Capriles à Presidência da Venezuela, nas eleições do dia 14.
        Com pesquisas de opinião mostrando que sua popularidade cresceu desde sua morte, Chávez tornou-se o foco da campanha de seu herdeiro político, Nicolás Maduro, que, em seus comícios, se posiciona sob pôsteres gigantes de seu mentor e pronuncia seu nome mais de 200 vezes por dia, de acordo com o site madurodice.com.
        Assim, Capriles, um enérgico governador de 40 anos de idade, está lutando para recolocar em Maduro, de 50, o foco da campanha. Ele descreve o presidente em exercício como um burocrata entediante, incompetente e mendaz; diz que, desde meados de dezembro, quando Chávez partiu para Cuba para ser operado do câncer, a economia venezuelana vem decaindo de modo acelerado.
        "Com Nicolás, você não tem chances de ter seus problemas resolvidos", declara o fotogênico Capriles num comício. Ele desfia uma lista dos problemas do país enquanto adolescentes agitam cartazes implorando para serem sua primeira-dama e passam por cima de barreiras para fazer fotos dele com seus celulares.
        "Aposto que ele nunca esteve em Carora, não é mesmo?", zomba Capriles, aludindo à cidadezinha poeirenta do sudoeste da Venezuela que está visitando. Capriles sugere que Maduro tem mais familiaridade com Havana e saguões de aeroportos, retratando-o como alguém desligado dos problemas do dia a dia, depois de passar seis anos como chanceler.
        O tom de Capriles mudou desde que concorreu com Chávez, e perdeu por 11 pontos percentuais, nas eleições presidenciais de outubro passado. Ele se tornou mais agressivo, lançando ataques pessoais contra seu adversário, diferentemente da campanha anterior, em que mal mencionava o então presidente.
        "A campanha se concentra em chamar Maduro para dentro do ringue. O adversário é Maduro, não Chávez", comentou Carlos Ocariz, gerente de campanha do candidato oposicionista e prefeito de Sucre, um município do Estado de Miranda, no litoral venezuelano.
        "Precisamos diferenciar o que foi Chávez do que é Maduro, porque Maduro não é Chávez. Os filhos não são o mesmo que seus pais. Maduro não possui o carisma de Chávez", diz Ocariz, aludindo às tentativas do presidente em exercício de se fazer conhecer como "filho de Chávez". "O único trunfo de Maduro é o fato de ter permanecido por tanto tempo ao lado do ex-presidente."
        FANTASIA Esse fato vem sendo favorável a Maduro, até agora: as sondagens apontam uma vantagem de dois dígitos. Mas os venezuelanos estão percorrendo uma montanha-russa emocional desde que Chávez morreu, em 5 de março, e Capriles espera atrelar a situação instável em seu favor, lembrando a seus partidários em Carora da queda rápida da ditadura de Augusto Pinochet (1974-90), no Chile, com o plebiscito adiantado realizado em 1988.
        Ocariz afirma que um em cada quatro chavistas não apoia Maduro. Se a oposição conseguir a adesão desses chavistas desiludidos, afirma ele, e mantiver os 6,5 milhões de votos que conquistou em outubro passado, poderá vencer.
        Para muitos, isso não passa de fantasia. "Não é impossível a oposição vencer, mas é uma batalha muito desigual", diz Oswaldo Ramírez, que presta assessoria a políticos de oposição desde que Chávez chegou ao poder, 14 anos atrás.
        "Se Maduro vencer, enfrentará um problema sério de ingovernabilidade. Mas também não será fácil para Capriles se ele ganhar."
        Para alguns, esta eleição não passa de uma oportunidade para a oposição manter aberto um espaço político próprio, na esperança de vencer a eleição subsequente, quando a memória de Chávez terá se enfraquecido e os problemas econômicos já serão aparentes. "É uma bênção para a oposição não poder vencer agora, porque as coisas vão ficar difíceis em dois anos", prevê David Smilde, analista em Caracas da ONG Wola (Escritório em Washington para a América Latina, na sigla em inglês).
        Ele alerta para "distorções econômicas manifestas" que provavelmente vão criar problemas para o próximo governo; entre elas estão a inflação alta, as carestias persistentes, um deficit fiscal grande e a moeda sobrevalorizada, não obstante a desvalorização de 32% realizada este ano.
        Enquanto isso, os dois lados apresentam a disputa em termos religiosos: endeusando o presidente morto, Maduro se descreve como "apóstolo", enquanto Capriles considera que é seu dever libertar os venezuelanos do mal feito por Hugo Chávez.
        Considerando que ele luta contra a onda de simpatia por Chávez, Capriles pode estar precisando de uma mãozinha divina.

          sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

          Europeus poderiam seguir os EUA nas punições à Rússia


          FOCO
          Putin concede cidadania russa a Gérard Depardieu, hoje 'exilado' na Bélgica
          Ator se opõe a alta de impostos para os ricos na França, projeto do presidente Hollande, e ameaçou renunciar à sua nacionalidade
          DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIASO presidente Vladimir Putin concedeu ontem a cidadania russa ao ator francês Gérard Depardieu, 64.
          No mês passado, o ator mudou sua residência fiscal para uma cidade belga e ameaçou renunciar à sua nacionalidade devido à possibilidade de aumento de impostos para os ricos na França.
          Uma das promessas de campanha do presidente François Hollande foi aumentar o Imposto de Renda de quem ganha mais de € 1 milhão (R$ 2,6 milhões). A alíquota subiria de 41% para 75%. Na Rússia, é de 13%.
          Segundo o Kremlin, Putin tomou a decisão se baseando na Constituição russa, que prevê asilo diplomático às pessoas de relevância mundial. Ele e o ator são amigos.
          O presidente russo também tem se destacado nos últimos meses por provocar o Ocidente. Na semana passada, apoiou lei que proíbe a adoção de crianças russas por cidadãos americanos.
          Putin disse que os artistas são pessoas com "um espírito especial" e que "é fácil ferir seus sentimentos". "Estou convencido de que os líderes [da França] não queriam ferir Depardieu, mas, como qualquer representante, sempre defendemos nossa política e as decisões tomadas".
          Em uma carta difundida pelo canal estatal de televisão russo Perviy Kanal, Depardieu respondeu que ficou "encantado" com a decisão russa e que adora o país.
          A mudança de Depardieu para Néchin, cidade belga conhecida por abrigar ricos expatriados franceses, provocou polêmica na França.
          No entanto, as especulações sobre a mudança de cidadania cresceram depois de uma entrevista do ator ao jornal "Le Monde", no início de dezembro, em que ele havia dito ter recebido um passaporte russo de Putin.
          Na época, a declaração foi recebida pelo Kremlin como uma piada, mas irritou o premiê francês, Jean-Marc Ayrault, que chamou o anúncio de "patético". Isso indignou o ator, que mostrou sua vontade de renunciar à cidadania francesa.

            ANÁLISE
            DO "FINANCIAL TIMES"
            A resposta de Moscou à Lei de Magnitsky, dos EUA, que proíbe a entrada no país de autoridades russas acusadas de violações dos direitos humanos, vem sendo agressiva, mesmo pelos padrões recentes da própria Rússia.
            Na semana passada, o presidente Vladimir Putin sancionou lei que proíbe cidadãos dos EUA de adotar crianças russas. Na prática, ela condena milhares dos cidadãos russos mais vulneráveis a viver em orfanatos com frequência pavorosos, reféns das relações EUA-Rússia.
            Fica claro que o Kremlin espera, em parte, persuadir outros países a não seguir o exemplo dos EUA. Os outros países não deveriam hesitar, pois a reação da Rússia também reflete como a medida americana a atingiu em cheio.
            Além disso, o caso de Magnitsky exemplifica o aspecto mais sombrio do "putinismo". Autoridades tributárias usaram um fundo de investimentos, cujo proprietário tinha sido misteriosamente impedido de ingressar na Rússia, para roubar US$ 230 milhões do Estado.
            Quando o fundo descobriu o que acontecera e apresentou provas, as autoridades não processaram os envolvidos. Em vez disso, detiveram o advogado que investigava o caso, Sergei Magnitsky, e o acusaram pela fraude. Na cadeia, Magnitsky não teve acesso a atendimento médico e foi espancado até morrer.
            Mesmo agora que o caso vem atraindo condenação internacional, os russos se negam a ceder. Ao contrário, iniciaram processo póstumo contra Magnitsky por sonegação de impostos.
            Para que a Lei de Magnitsky tenha impacto máximo, contudo, a Europa poderá seguir o exemplo dos EUA. Alguns Parlamentos já começaram a pressionar seus governos a adotar medidas equivalentes; é o caso de Reino Unido, Holanda e Suécia.
            Se qualquer membro da zona Schengen proibisse a concessão de vistos de entrada, os funcionários suspeitos seriam ao menos impedidos de viajar a qualquer um de seus 25 países-membros. O mais eficaz seria proibir vistos de entrada e congelar bens em toda a União Europeia, como já foi feito com funcionários da ditadura de Belarus.
            O Kremlin diz que a crise econômica da Europa representa um fracasso mais amplo dos seus sistemas de governança e valores. A UE deve desmentir asserções como essa e mostrar que ainda se dispõe a defender os valores sobre os quais foi erguida.

              quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

              "Financial Times" chama Dilma de rena do nariz vermelho do Natal

              FOLHA DE SÃO PAULO

              Blog satiriza as previsões sempre otimistas do ministro Mantega
              Reprodução
              Brasil estrela conto de Natal do blog beyondbrics, do "Financial Times", sobre emergentes
              Brasil estrela conto de Natal do blog beyondbrics, do "Financial Times", sobre emergentes
              DE SÃO PAULOO desempenho da economia brasileira foi satirizado no conto de Natal do blog beyondbrics, do jornal britânico "Financial Times", sobre os países emergentes.
              Estrelando o bate-boca com o próprio Papai Noel, apareciam a presidente Dilma Rousseff, caracterizada como a rena do nariz vermelho, e o ministro Guido Mantega (Fazenda), como "Guido, o elfo vidente".
              No conto, o Papai Noel afirma que os personagens deste Natal são os mesmos de 2011, exceto pela mudança do representante da América Latina -sai Dilma e entra Enrique Peña Nieto, novo presidente do México- e pelo novo líder chinês Xi Jinping.
              "Você não pode me rebaixar!", protestou Dilma. "O que me diz sobre meu maravilhoso nariz vermelho?"
              "É o seu nariz vermelho o problema. As crianças pensam que você é socialista. Quem confia em um socialista para trazer brinquedos?", responde o Papai Noel.
              Indignada, Dilma lembra que o líder chinês é ainda pior por ser comunista.
              "Mas ele diz as coisas certas", retrucou Papai Noel, ao lado do chinês que clamava a "luta contra a corrupção".
              Dilma retruca dizendo que seus "chifres" são os "sextos maiores" do mundo, quando é interrompida pelo premiê britânico David Cameron reivindicando a posição -o Brasil perderá o posto de sexta economia para a Inglaterra.
              Então, a presidente brasileira explode: "Por que motivo meus chifres não crescem mais rapidamente?"
              Nesse momento, entra o ministro Guido Mantega, caracterizado como o "elfo vidente", garantindo que os chifres da presidente crescerão um metro em 2013.
              Dilma cobra explicação sobre como chegou à previsão.
              "Tive um estalo. Perguntei as previsões de todos os outros elfos e multipliquei por dois", respondeu Mantega.
              "Oh, Guido, por que será que eu não te demito?"
              "Não seria porque a revista 'Economist' pediu isso?", responde o ministro.