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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Pobre Eike! - Raquel Landim

folha de são paulo
O empresário Eike Batista veio a público hoje pela primeira vez se manifestar sobre a derrocada do seu império por meio de um artigo escrito para o jornal "Valor". Aconselhado por assessores de imprensa e marqueteiros, escolheu a forma mais fácil. Escreveu o que quis e evitou perguntas que o expusessem ao contraditório.
No artigo, Eike se coloca no lugar de vítima, da mesma maneira que todos aqueles que perderam dinheiro ao comprar suas ações ou investir em seus bônus. Ele não usa a palavra vítima, mas é o que dá entender ao afirmar que estava "extasiado com as informações que me chegavam". Chega a dar pena: pobre Eike!
Eike se coloca como vítima de "consultorias de renome", que estimaram as reservas de petróleo da OGX, de "auditorias de renome", que falharam em prever que havia algo de errado com suas empresas, e de "executivos de renome", que "reafirmavam dia após dia" os prognósticos otimistas para a companhia.
Ele sugere que o mercado não teve paciência em esperar os resultados da OGX e de suas demais empresas ao dizer que "se pudesse voltar no tempo não teria recorrido ao mercado de ações", mas "estruturado um private equity que permitisse criar do zero e desenvolver ao longo de pelo menos 10 anos cada companhia".
"O texto de Eike é uma tentativa patética de se vitimar e se eximir de responsabilidade pelo fracasso operacional de suas empresas e pela conduta inconsequente diante do mercado de capitais nos últimos anos", disse à coluna Ricardo Lacerda, sócio da BR Partners e um dos banqueiros mais experientes do mercado.
Eike levantou a espantosa quantia de US$ 26 bilhões em abertura de capital de empresas e venda de participações para sócios. Desde a estreia da OGX na bolsa, em 2008, o mercado esperou quatro anos para cobrar a fatura. E só começou a penalizar Eike no ano passado, quando a OGX não respondeu às expectativas de produção.
O mercado exagera na subida e na descida. Ajudou a inflar de forma irracional as empresas do grupo EBX lá atrás, e, provavelmente, está projetando para as companhias hoje um valor inferior ao que realmente valem. Mas o fato é que, sem o mercado de capitais, Eike não teria ido tão longe.
No artigo, Eike se esquece de seus deveres de administrador. Caberia a ele desconfiar das previsões otimistas e confrontar seus executivos o tempo todo para saber quais eram as chances reais daqueles prognósticos darem certo. Caberia a ele fazer o "papel de advogado do diabo", afinal os investidores confiaram nele para tirar aqueles sonhos do papel.
Mas, pelo contrário, os relatos de executivos que trabalharam com Eike é que ele não gostava de más notícias e desafiava aqueles que vinham com previsões pessimistas, chamando-os de "calças curtas". Segundo esses relatos, Eike já contava que o mercado iria dar um desconto para suas previsões, aceitando alguma frustração.
O empresário, no entanto, tem méritos. Efetivamente apostou em projetos que o Brasil precisa e tirou dinheiro do próprio bolso para colocar em suas empresas. No texto, ele afirma que "quem mais perdeu com a derrocada no valor da OGX foi um acionista: Eike Batista". É verdade. Ele também promete que "não deixará de pagar um único centavo de cada dívida que contraiu". Menos mal. Tomara que consiga.
p.s: Aos leitores que possam ter dúvida por causa da coincidência de sobrenomes. Não tenho nenhum parentesco com Rodolfo Landim, executivo que foi o braço direito de Eike e que teve uma disputa milionária na Justiça com o empresário
raquel landim
Raquel Landim é repórter especial da Folha e escreve para o site, às sextas-feiras, sobre economia, negócios e comércio exterior. Formou-se em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP) e tem mestrado em Jornalismo pela London School of Journalism e em Negociações Internacionais pelo convênio PUC/Unesp/Unicamp

domingo, 14 de julho de 2013

Entrevista Luciano Coutinho BNDES

folha de são paulo

Governo de Dilma não apostou sozinho em Eike, diz presidente do BNDES

VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
RAQUEL LANDIM
DE SÃO PAULO

Presidente do BNDES, Luciano Coutinho diz que a aposta do governo Dilma Rousseff em Eike Batista foi "uma expectativa compartilhada por todo o mercado".
À frente do banco que emprestou R$ 10,4 bilhões ao empresário, Coutinho afirmou àFolha que a exposição do banco a Eike é "baixíssima" e se concentra nas empresas com ativos para equacionar financeiramente o grupo: "Quem estiver apostando no caos vai se frustrar".
Eduardo Knapp/Folhapress
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, dá entrevista em São Paulo
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, dá entrevista em São Paulo
Leia a entrevista:
*
Folha - Duas apostas do BNDES --Marfrig e grupo EBX-- estão com problemas graves. Houve equívoco nas escolhas?
Luciano Coutinho - Não posso falar de casos específicos, mas são companhias que têm ativos altamente atraentes. Tiveram problemas de gestão ou de endividamento, que naturalmente se resolvem. Não é um insucesso.
O banco divulgou que aprovou empréstimos de R$ 10,4 bilhões para Eike Batista. No pior cenário, qual o prejuízo?
Baixíssimo. Tanto do BNDES como dos bancos privados. A exposição está concentrada nos ativos de alta qualidade do grupo, principalmente na MPX, que já mudou de controlador e hoje é uma empresa sob liderança alemã. Outro ativo de maior exposição dos bancos é a MMX, que também é cobiçada publicamente. A exposição direta do BNDES ao grupo é pequena.
O governo Dilma apostou em Eike. Foi uma aposta errada?
Foi uma expectativa compartilhada por todo o mercado privado em um conjunto de projetos --a maioria, meritórios e consistentes. Houve um negócio específico que foi frustrante, e essa frustração provocou uma crise profunda de credibilidade em relação ao investidor. Mas o conjunto de ativos gerados é suficiente para equacionar financeiramente e patrimonialmente o grupo e propiciar uma saída organizada. Quem estiver apostando no caos vai se frustrar.
Os empresários estão preocupados com o ritmo da economia, sinalizando risco de redução de investimento. Esse pessimismo vem de onde?
Estamos vivendo um momento de mudança, com a perspectiva de uma política monetária americana mais apertada [juros mais altos]. Esse movimento teve efeito muito forte não só no Brasil, mas no mundo todo, e gerou ansiedade em muitos setores. Porém, esse processo tende a se ajustar em algum momento. No médio e longo prazos, teremos apenas um pequeno soluço e vamos retomar o crescimento.
O soluço não está longo?
Começou há seis semanas. Tivemos um primeiro trimestre fraco, mas o investimento foi forte. Apesar dos efeitos das manifestações, vamos ter um primeiro semestre de bons resultados. Essa mudança teve impacto, mas quero chamar a atenção para oportunidades nos investimentos em infraestrutura, energia, óleo e gás, agronegócio e manufatura. Depois desse ajuste, o quadro é benigno. Teremos um câmbio estimulante para vários setores.

RAIO-X LUCIANO COUTINHO
OCUPAÇÃO
Presidente do BNDES
FORMAÇÃO
Doutor em economia pela Universidade de Cornell (EUA)
CARREIRA
Foi secretário-executivo do Ministério de Ciência e Tecnologia (1985-1988) e sócio da LCA Consultores
    BNDES oculta reuniões de Coutinho com empresários
    Ao contrário dos representantes do setor privado, encontros com pesquisadores, jornalistas e políticos são listados
    Banco diz querer evitar oscilações no mercado; "[BNDES] aplica recurso público sem controle", diz Ministério Público
    FERNANDO MELLODE BRASÍLIAEnquanto Dilma Rousseff promete transparência em resposta aos protestos, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) esconde encontros do seu presidente, Luciano Coutinho, e dos principais diretores com empresários.
    Nos últimos anos, o BNDES financiou grandes negócios, em prática que foi chamada de escolha de grupos para serem "campeões nacionais".
    Para o banco, esconder as agendas é uma exigência da lei, pois sua divulgação pode gerar oscilações no mercado.
    Folha teve acesso a elas pela Lei de Acesso à Informação. Compromissos públicos, seminários, encontros com políticos, ministros ou com ONGs são descritos com detalhes, incluindo o nome dos participantes e seus cargos.
    Em 4 de maio de 2011, por exemplo, está descrito o encontro com os deputados João Paulo Cunha e Candido Vacarrezza, do PT de São Paulo.
    São nominais também encontros com pesquisadores, economistas e presidentes de associações como a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Entrevistas a jornalistas também são identificadas.
    Mas a maior parte da agenda é composta de "reunião com empresários do setor privado". De 2010 e 2013, a descrição apareceu quase 800 vezes na agenda de Coutinho.
    Há dias, como 27 de maio de 2011, em que a agenda é toda tomada por esses encontros, entre as 10h e as 19h, quando foram dez reuniões com diferentes empresários.
    O mesmo acontece nas agendas das diretorias do banco. Há descrição de encontros com embaixadores e delegações de outros países, interessados no financiamento de obras no exterior. Mas encontros com empresários brasileiros são registrados como "reunião com setor privado".
    No mês passado, o Ministério Público Federal no Distrito Federal recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região para garantir transparência aos financiamentos realizados pelo BNDES.
    A Procuradoria tenta reverter decisão da 20ª Vara Federal de Brasília, que negou pedido provisório para que os dados sobre empréstimos do banco nos últimos dez anos (e todos os contratos no futuro) sejam divulgados na internet.
    Para o MP, "o vetor a ser perseguido não é o do sigilo --geralmente empregado-- mas, sim, o da transparência. É urgente que o BNDES divulgue seus investimentos, uma vez que são feitos com recursos públicos federais que estão sendo livremente aplicados sem qualquer tipo de transparência ou controle".
      OUTRO LADO
      Para banco, sigilo evita oscilações nos mercados
      DE BRASÍLIAPor meio da sua assessoria de imprensa, o BNDES afirmou que o sigilo na reunião com empresários é uma determinação da Lei de Acesso à Informação. De acordo com a assessoria, "toda e qualquer informação que esteja protegida por qualquer outro tipo de sigilo está excluída da aplicação" da legislação de acesso à informações públicas.
      "Então, divulgar nome da empresa, nome do empresário que teve reunião com o presidente do BNDES é informação que entra na regra geral do sigilo empresarial."
      O BNDES afirmou que divulgar encontros entre seu presidente, diretores e empresários "são informações relacionadas ao setor privado, que, se divulgadas, podem gerar oscilações no mercado, oscilações nos ativos da empresa etc.".
      Diz que no caso de autoridades públicas e entidades empresariais "não há esse tipo de sigilo porque estão todos sujeitos à publicidade".

        domingo, 7 de julho de 2013

        Entrevista - Delfim Netto

        folha de são paulo
        A voz da rua não é a voz de Deus nem a voz da lógica
        Ex-ministro diz que governo precisa mostrar liderança para convencer pessoas de que leva tempo para mudanças
        RAQUEL LANDIMDE SÃO PAULO
        O ex-ministro Delfim Netto faz um alerta: "A voz das ruas não é a voz de Deus".
        Ele se refere aos protestos que sacudiram o país nas últimas semanas. Segundo ele, as manifestações são uma prova de que as prioridades dos governos estavam equivocadas, mas que agora é preciso "liderança política".
        "O governo precisa mostrar liderança, porque o país está no limite", diz Delfim, referindo-se à inflação alta e ao deficit nas transações com o mundo. Para colunista daFolha, a saída é a presidente Dilma Rousseff usar a sua credibilidade para fazer um ajuste fiscal. "Tivemos truques demais [na área fiscal]."
        Folha - Por que as pessoas foram às ruas?
        Delfim Netto - É uma emergência. Alguns fenômenos vão ocorrendo aos poucos e, de repente, a acumulação provoca uma mudança qualitativa. São Paulo é um inferno, mas aos poucos as pessoas se convenceram de que a solução é impossível, porque não tem recursos. De repente, aparece recurso para fazer estádio.
        O povo é muito sábio. Recurso não é dinheiro, mas cimento e ferro. O povo concluiu o seguinte: o cimento e o ferro que construíram o estádio são o cimento e o ferro que não construíram o metrô.
        Mas há recursos para fazer mais metrô?
        Claro que não. O problema é que as prioridades do governo não eram as que a sociedade desejava. A primeira reação do governo foi de susto e produziu uma esquizofrenia hiperativa. De repente, o Congresso aprova projetos parados há dez anos em quatro horas. Mas aprovou sonhos, ideias. Ou seja, nada será cumprido. Teremos de devolver racionalidade ao sistema.
        Qual vai ser o resultado dessa esquizofrenia hiperativa?
        Provavelmente vamos ter uma reforma política. O cerne da questão é se o financiamento de campanha deve ser público ou privado. Numa sociedade decente, quem pertence a um partido tem que colocar seu dinheiro para eleger seu deputado.
        No Brasil, como não há controle, vai haver duplo financiamento. Não há nada mais conservador do que eleição financiada por governo, porque tende a reforçar a maioria do governo.
        Por que não será possível cumprir as leis que foram aprovadas após os protestos?
        Só é possível distribuir o que já foi produzido,ou tem que tomar emprestado. Chegamos ao limite. Estamos praticamente em pleno emprego e não podemos mais elevar o deficit em conta-corrente.
        A voz da rua tem que ser educada a entender que pode escolher prioridades, mas que a soma das prioridades não pode ser maior do que o PIB.
        Como queremos uma sociedade com liberdade individual, relativa igualdade e eficiência produtiva, é preciso escolher um mecanismo para atingir esses objetivos, que não são inteiramente conciliáveis. Esse mecanismo é o mercado e a urna. Se a urna exagera, o mercado vem corrigir. Se o mercado exagera, a urna corrige.
        A educação é fundamental para que o eleitor saiba que vai ser atendido dentro de limitações. É fundamental para salvar não só a economia, mas a democracia.
        Mas educar leva tempo, e a insatisfação das pessoas é imediata.
        É uma questão de liderança política para convencer as pessoas de que leva tempo para as prioridades serem corrigidas.
        O senhor vê na presidente Dilma essa liderança?
        Não tenho dúvida. A presidente é uma mulher muito competente e séria, com desejo enorme de acertar.
        Ela também vai escolher prioridades novas e entender que é preciso acelerar as concessões. Ela vai entender que, quando atende as condições do mercado, não está numa queda de braço.
        Após as manifestações, os governos congelaram pedágios e tarifas. Isso vai atrapalhar os leilões de concessão?
        Muito. Pioraram demais as condições de segurança jurídica das concessões. O prejuízo que o Brasil teve é imenso e contraditório com tudo o que queremos.
        É por isso que eu digo: a voz da rua não é a voz de Deus. Também não é a voz da lógica. É um sinal amarelo para que façamos as as coisas corretamente.
        O BC vem sinalizando que vai subir mais os juros. O senhor concorda?
        O Banco Central já provou que sabe mais que o setor financeiro. Na minha opinião, Tombini [Alexandre Tombini, presidente do BC] cansou de ter esperança de que a política fiscal ajudasse no combate à inflação. O BC vai subir os juros até alcançar a meta, dentro de um horizonte de tempo de 15 ou 20 meses.
        O senhor defende um ajuste fiscal rigoroso?
        Tivemos truques demais. Destruímos coisas importantes. O transparente é esquecer os truques e anunciar um programa para um equilíbrio fiscal em quatro ou cinco anos.
        A presidente tem credibilidade. Quando ela decide, enfrenta furacão. O sujeito que pensa que vai viajar de ônibus grátis tem que entender que vai pagar mais no feijão.

        RAIO-X ANTONIO DELFIM NETTO
        IDADE
        85 anos
        OCUPAÇÃO
        Professor emérito da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, sócio da Consultoria Ideias
        FORMAÇÃO
        Economia (USP)
        CARREIRA
        Ministro da Fazenda (1967-1974); da Agricultura (1979); do Planejamento (1979-1985); deputado federal (1987-2007). Autor de vários livros

        quarta-feira, 3 de julho de 2013

        Mercado vê risco maior de calote de Eike; Bolsa desaba

        folha de são paulo
        Agência rebaixa OGX para nível pré-default; bancos preveem ação a R$ 0,10
        Percepção externa ajuda a derrubar Bolsa de SP para pior nível desde 2009; saída seria venda ou aporte de dono
        DENISE LUNAMARIANA SALLOWICZDO RIORAQUEL LANDIMDE SÃO PAULOInstituições financeiras internacionais apontaram ontem risco mais concreto de calote da OGX, líder do grupo de Eike Batista, e bancos estimaram que os papéis da petroleira podem chegar a valer R$ 0,10. As ações das empresas do grupo desabaram.
        A agência de classificação de risco Standard & Poor's cortou a nota da OGX de "B" para "CCC" --nível anterior a "default" (calote).
        A S&P atribui a perspectiva negativa "à grande vulnerabilidade de não pagamento e à dependência de condições favoráveis para cumprir seus compromissos".
        O mercado reagiu à avaliação e à drástica revisão dos planos de produção da OGX, divulgados anteontem.
        A empresa informou que seu único campo de petróleo em atividade, Tubarão Azul, na bacia de Campos (RJ), pode parar de produzir em 2014.
        Também suspendeu os planos de colocar em produção os campos de Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Azul.
        "Essa base de ativos menor prejudicará a capacidade da OGX de atingir níveis de produção e de geração de caixa para cobrir seus níveis de dívida", disse a agência.
        As ações da OGX caíram 19,64%, para R$ 0,45. Em 12 meses, o tombo é de 92,9%.
        Na avaliação dos bancos, o papel pode cair ainda mais. O Deutsche Bank reduziu seu preço-alvo de R$ 0,70 para R$ 0,10. O Bank of America e o Merrill Lynch, de R$ 1 para R$ 0,10. Crédit Suisse e HSBC estimam o preço em R$ 0,30.
        Os títulos da dívida da OGX continuaram caindo para um nível que indica risco de calote. Os papéis com vencimento em 2018 eram negociados ontem por 20% do valor de face, ante 32% na sexta-feira.
        A queda das ações da OGX voltou a contaminar as outras companhias do grupo. MMX, LLX e OSX caíram, respectivamente, 17,3%, 11,2% e 15,8%.
        O efeito respingou até na Petrobras, que recuou 4,76% e ajudou a derrubar a Bolsa.
        Também foram afetados os papéis de bancos --investidores estão preocupados com a dívida que o grupo de Eike tem com as instituições.
        O Ibovespa recuou 4,24%, maior tombo desde 22 de setembro de 2011, e fechou no pior nível desde 22 de abril de 2009, também sob influência da queda da produção industrial.
        O QUE SOBROU?
        Em relatório, os analistas do Credit Suisse afirmaram ontem que "não sobrou muito para o acionista" da OGX.
        Pelas contas do banco, os ativos da empresa valem US$ 2 bilhões --US$ 1,2 bilhão por Tubarão Martelo, US$ 500 milhões pelos blocos na bacia do Parnaíba e US$ 270 milhões pelo bloco BS-4.
        O problema, aponta o Crédit Suisse, é que o valor patrimonial não é suficiente para pagar a dívida da empresa, que chega a US$ 4 bilhões.
        Segundo o relatório, se a OGX pagar e investir tudo o que previu, chegaria ao fim do ano com um caixa negativo de US$ 400 milhões.
        Pelos cálculos do banco, a empresa começou 2013 com um fluxo de caixa de US$ 1,6 bilhão. Mas teria que gastar US$ 200 milhões em capital de giro, US$ 335 milhões em juros da dívida e US$ 1 bilhão em investimentos.
        Além disso, a OGX tem que pagar US$ 188 milhões até agosto para a ANP (Agência Nacional do Petróleo) pelos novos campos que ganhou em leilão. E se comprometeu a pagar outros US$ 449 milhões para a OSX, estaleiro do grupo EBX, pelo rompimento de contrato para a construção de plataformas.
        Para Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), "a OGX agora contou a verdade para o mercado e está com sua dimensão real".
        Ele considera que a empresa ainda tem alternativas se conseguir uma "injeção de capital", porque ainda possui alguns bons ativos.
        A "injeção" poderia vir do próprio Eike, que se comprometeu a colocar R$ 1 bilhão na petroleira, ou de um sócio estratégico, que o BTG, banco que fechou parceira com o empresário, tenta encontrar.
        O mercado tem dúvidas se Eike vai realmente injetar esse capital, pois ele vendeu ações da empresa a valores baixos para levantar recursos.
          Investidor estrangeiro se preocupa com exposição de bancos ao EBX
          PATRÍCIA CAMPOS MELLODE SÃO PAULOAs ações dos principais credores das empresas do grupo EBX despencaram ontem. Os papéis do BTG, que tem R$ 458,7 milhões em empréstimos de curto prazo para o grupo de Eike Batista, segundo levantamento da Folha, tiveram queda de 7,59%.
          De acordo com relatório do BofA (Bank of America), entre os bancos privados, o BTG tem a maior exposição às empresas do grupo X em dívidas de curto e longo prazo, de 6,2% de seu capital de nível 1 (parte do patrimônio que absorve as perdas da atividade normal do banco).
          As ações do Bradesco, que tem R$ 996,4 milhões em empréstimos de curto prazo para empresas do grupo (exposição de 1,8% segundo o Bofa), caíram 5,07%.
          E os papéis do Itaú, que tem R$ 1,007 bilhão de crédito de curto prazo para as empresas X e exposição de 1,7%, tiveram baixa de 4,32%.
          Segundo o BofA, a exposição do BNDES a dívida das empresas de Eike é de 10,1%, e a da Caixa Econômica Federal, de 6,2%.
          A exposição de bancos brasileiros às empresas de Eike preocupa muito investidores estrangeiros.
          "A grande preocupação do mercado agora é descobrir exatamente quanto cada banco emprestou para as empresas de Eike; por isso as ações de bancos como Itaú e Bradesco já estão caindo", disse o chefe de negociação de ações de um grande banco em Nova York.
          "É o segundo estágio da crise --o que vai acontecer com os bancos e o que o governo vai fazer."
          "Não falamos sobre ações específicas, especialmente em uma situação como essa", disse Michael Shaoul, presidente da Marketfield Asset Management, gestora de recursos em Nova York.
          "Mas esperávamos que os usuários mais agressivos de crédito no Brasil começassem a ter problemas agora e esperamos mais casos de inadimplência", disse.
          Segundo Shaoul, "os credores vão ser afetados pelas preocupações do mercado, e a atividade de crédito bastante agressiva dos bancos estatais e de bancos de investimento privados do Brasil levará a problemas nas próximas semanas."
            OGX já busca compradores que a salvem
            Eike aceita abdicar do controle da petroleira para viabilizar venda; empresa deve ser fatiada para melhorar preço
            Segundo executivos, BTG Pactual, que assessora o grupo, busca interessados e aceita assumir parcela
            RENATA AGOSTINIDE BRASÍLIA
            Com a ação da OGX reduzida a centavos, Eike Batista tenta buscar um grupo de compradores para a petroleira como último lance para salvá-la.
            O empresário, que detém hoje 59% das ações da companhia, já aceitou abrir mão de seu controle para viabilizar a operação, apurou a Folha com executivos próximos a Eike e ao banco BTG Pactual, que assessora o grupo X.
            Eike autorizou o banco a iniciar um processo de venda da companhia para atrair novos sócios ao negócio --um pool de investidores, no jargão do mercado. O próprio BTG já manifestou interesse em assumir uma parcela da empresa se necessário.
            Para banqueiros, é mais fácil conseguir um bom preço negociando a OGX por fatias, em vez de tentar passá-la a um só comprador. Assim, o risco se dilui entre os novos sócios, que tenderiam a exigir desconto menor no valor a pagar.
            A fatia final que restará a Eike, caso o processo seja bem-sucedido, é incerta, pois dependerá de quanto os investidores estarão dispostos a desembolsar pela empresa.
            Não se descarta, no entanto, a possibilidade de a porção do empresário ser reduzida a até 25%, abrindo espaço para aportes maiores na OGX.
            Há consenso entre os banqueiros do BTG e os executivos de Eike de que a venda não será fácil, diante do baixo valor de mercado e das dificuldades de caixa da empresa.
            ESTRATÉGIA
            A aposta é tentar convencer interessados de que os ativos valem mais do que o mercado está disposto a pagar agora.
            "Atrair um sócio implicará termos desvantajosos, mas a OGX já passou dessa fase", avalia Roberto Altenhofen, da Empiricus Research. "Agora é a busca por sobrevivência."
            Entre os interessados, está a petroleira russa Lukoil, que iniciou conversas com o grupo neste ano para assumir até 40% da OGX, como revelou a Folha. A negociação, porém, não será mais exclusiva.
            O processo estava em estágio avançado, e um escritório no Brasil já havia sido acionado pelos russos em abril para esquadrinhar dados da OGX.
            Eike e os russos, contudo, não chegaram a um acordo sobre preço até o momento.
            Sem um cheque irrecusável na mesa, o lado político pesou, segundo executivos da EBX. A Petrobras, que Eike vê como peça valiosa para o plano de resgate do grupo, sinalizou que não via com bons olhos a associação aos russos.
            Além de eventuais parcerias em campos operados pela Petrobras, executivos da OGX esperam conseguir "vender" a petroleira de Eike como parceira ideal para empresas estrangeiras investirem no pré-sal, cujas licitações serão coordenadas pela estatal.
            Procurados, OGX e BTG Pactual não se pronunciaram.
            Para consultores, vender as ações agora é má ideia
            DANIELLE BRANTCOLABORAÇÃO PARA A FOLHAApesar do tombo das ações das empresas do grupo de Eike Batista, é pior para os investidores vender os papéis do que mantê-los, afirmam consultores.
            Mesmo no caso das ações da OGX, que fecharam ontem a R$ 0,45 e foram avaliadas por bancos a R$ 0,10.
            "Quem já aguentou as perdas até hoje deve permanecer no jogo", diz Clodoir Vieira, consultor de investimentos. "Pode ser que o BNDES libere verba ou que o governo faça alguma interferência junto com Petrobras, ou mesmo que um estrangeiro surja e compre a empresa", acrescenta.
            Caso o socorro não venha, porém, o investidor precisa estar preparado.
            "O acionista é o último a ser ressarcido em caso de quebra da empresa. Antes, vêm credores e funcionários", diz Bruno Gonçalves, da corretora WinTrade.
            Como regra geral, especialistas aconselham que o investidor não se deixe influenciar pela queda de uma ação ao decidir vendê-la, pois ele perde o dinheiro da aplicação se desfizer do papel por um valor menor que o pago na compra.
            "Muitas vezes, pode ser uma queda conjuntural da Bolsa, e não um problema específico da empresa. É preciso analisar o contexto", diz Michael Viriato, professor de finanças do Insper.
            No caso da OGX, porém, especialistas ouvidos pela Folha dizem haver sérias dúvidas sobre a capacidade financeira da empresa.
            "O grupo como um todo está sob uma desconfiança muito grande, o que faz com que todas as portas [de bancos] fiquem mais difíceis de serem abertas", diz Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest Título Corretora.

              domingo, 30 de junho de 2013

              Empresas de Eike têm dívidas com 11 bancos de R$ 7,9 bi

              folha de são paulo
              RAQUEL LANDIM
              DE SÃO PAULO

              Os representantes de Eike Batista estão correndo os bancos na tentativa de renegociar as dívidas de curto prazo do "império X", que chegam a R$ 7,9 bilhões, conforme levantamento feito pela Folha nos balanços das empresas do primeiro trimestre.
              Isso significa que OGX (petróleo), MMX (minério), LLX (logística), OSX (estaleiro), MPX (energia) e CCX (carvão) precisam pagar ou renegociar todo esse volume de dinheiro até março de 2014. Pelo menos R$ 1,5 bilhão tinha que ter sido equacionado até a sexta-feira passada.
              A LLX renovou com o Bradesco um empréstimo de quase R$ 590 milhões que venceu em abril. A empresa diz que está em "negociações avançadas" com Bradesco
              e BNDES para estender o prazo de pagamento de quase
              R$ 900 milhões.
              As demais companhias não disseram em que ponto está a renegociação das dívidas. Em comunicado ao mercado, o grupo EBX informou que só tem dívidas de longo prazo, mas estava se referindo apenas à holding. O nó está nas empresas, enquanto a holding tem pouca dívida.
              Os números ajudam a entender a aflição dos investidores com as companhias de Eike, que sofrem uma crise de confiança e vêm sendo castigadas na Bolsa. Nos últimos 12 meses, as ações das empresas caíram entre 24,6% (MPX) e 85% (OSX).
              Se for excluída a MPX, que depois da venda de uma fatia para a alemã E.ON deixou de ter sua dívida consolidada no grupo EBX, o endividamento de curto prazo das empresas cai para R$ 5,6 bilhões.
              CREDORES
              Para os analistas, a tendência é os bancos não serem tão duros nas negociações, porque têm muito a perder. Os principais credores são Itaú BBA, Bradesco e BNDES, que emprestaram pelo menos R$ 1 bilhão cada um para pagamento no curto prazo.
              Editoria de Arte/Folhapress
              Em seguida, vem a Caixa, com R$ 750 milhões. As empresas de Eike têm dívidas de curto prazo com 11 bancos diferentes. A distribuição por banco não inclui as dívidas da MMX, única companhia aberta do grupo que não divulga essa informação.
              O endividamento de curto prazo das empresas do "império X" representa 33% das dívidas totais do grupo, que chegam a R$ 23,7 bilhões. Cerca de R$ 9 bilhões dos empréstimos de longo prazo foram feitos pelo BNDES.
              Para Sérgio Lazzarini, professor do Insper, o problema de Eike não é o tamanho da dívida, mas a incapacidade das empresas de gerar caixa.
              "São projetos de infraestrutura de longa maturação, que exigem altos investimentos e não estão produzindo o que se imaginava", disse.
              A crise de confiança do grupo começou há um ano, quando um campo de petróleo da OGX frustrou significativamente as expectativas de produção. A partir daí, os investidores começaram a questionar a capacidade do empresário de "entregar".
              As dúvidas sobre a OGX contaminaram a OSX, estaleiro criado para produzir as plataformas para a petroleira. Os negócios de Eike são todos interligados, o que significa ganhos de sinergia, mas também rápida deterioração em caso de crise.
              QUEIMA DE CAIXA
              Com exceção da MMX, todas as outras empresas de Eike "queimaram caixa" no primeiro trimestre, o que significa destruir riqueza. Isso em razão do alto endividamento e/ou porque a operação ainda não consegue produzir o suficiente para fazer frente aos compromissos.
              A OGX e a OSX, as duas empresas em situação mais delicada hoje, tiveram geração negativa de caixa de R$ 1,07 bilhão e R$ 399 milhões, respectivamente. Por isso, não basta apenas renegociar as dívidas. Eike também precisar cortar os investimentos e vender ativos para injetar capital nas empresas.
              VENDA DE ATIVOS
              Com a ajuda do banco BTG, de André Esteves, Eike já vendeu uma fatia da MPX para a E.ON, uma participação num campo de petróleo da OGX para a Petronas e está em negociações com Trafigura e Glencore para vender parte da MMX.
              Também está em busca de investidores para LLX e OSX, mas até agora as conversas não avançaram. Praticamente todos os ativos do grupo estão à venda, inclusive o hotel Glória, no Rio.
              "É como uma pessoa física que estoura o cheque especial e agora tem que vender o carro para cobrir o rombo. Ele está vendendo pedaços das empresas", diz Pedro Galdi, analista da SLW Corretora.
              A tendência é Eike manter uma fatia minoritária nos negócios que criou, podendo até chegar a perder o controle. O que ninguém sabe ainda é se isso será suficiente para salvar o império daquele que já foi o sétimo homem mais rico do mundo.
              ANÁLISE
              Interligadas, empresas X caem em 'efeito dominó'
              Crise de confiança se iniciou há um ano em petroleira e se espalhou pelo grupo
              JEB BLOUNTDA REUTERSÀ medida que o império de Eike Batista desmorona, a sua situação cada vez mais se parece com a construção do Porto do Açu, um dos empreendimentos mais visíveis do empresário e que se assemelha a um monte de areia no meio de um pântano.
              Todas as seis empresas do grupo EBX, com exceção de uma, perderam mais de 90% de seu valor desde que atingiram as suas máximas. As ações da OGX Petróleo e Gás, principal empresa do grupo, estão sendo negociadas a níveis que sugerem que um calote é iminente.
              Eike, que foi o mais bem-sucedido empresário do Brasil durante o boom de commodities, tem sido obrigado a ver uma das maiores fortunas do mundo desaparecer. Ela encolheu em mais de US$ 20 bilhões e isso lhe custou o título de mais rico do Brasil.
              "A situação de Eike é incrível, no sentido verdadeiro da palavra", diz Chris Kettenmann, analista da Prime Executions, corretora de Nova York. "É espectacular ver o quanto de valor foi corroído."
              Os empreendimentos da EBX em petróleo, construção naval, energia e transporte podem sobreviver em uma versão reduzida. Eike, porém, provavelmente não será o controlador, sendo obrigado a vender a sua parte para pagar dívidas.
              LIGAÇÕES
              No ano passado, as "sinergias" e as ligações financeiras entre as empresas do grupo EBX, que ajudaram Eike a vender cerca de US$ 7 bilhões em ações desde 2006, tornaram-se passivos.
              Em junho de 2012, a petrolífera OGX revelou que a produção de seu primeiro campo foi menor que o esperado, aumentando as preocupações de que o estaleiro da OSX receberia menos pedidos da OGX, seu principal cliente.
              Como a OSX é âncora de Açu, detido pela LLX Logística, do grupo EBX, as ações da LLX também caíram.
              E os dominós continuam caindo, graças em parte aos níveis elevados do endividamento das empresas do grupo EBX e à falta de transparência nos negócios com a holding pessoal de Batista, a Centennial Investments.
              Ao mesmo tempo em que Eike propôs comprar mais ações da OGX e da OSX para acalmar investidores, ele também trouxe ajudas externas.
              Em março de 2012, vendeu 5,63% da Centennial à Mubadala Development Corp, um fundo soberano de Abu Dhabi, por US$ 2 bilhões.
              O que Eike não disse na época foi que ele concordou em se desfazer de uma participação da EBX em favor da Mubadala, caso o investimento na Centennial não proporcionasse um retorno anual de 5%, informou a Bloomberg em dezembro.
              Desde então, aumentaram as especulações de que Eike luta para cumprir os termos de Mubadala, bem como os de seus próprios banqueiros.
              Diante de tal dúvida, nem mesmo a injeção de mais de US$ 1 bilhão da petrolífera malaia Petronas em maio, e em março da alemã E.ON, além do apoio do banco de investimentos BTG Pactual, de André Esteves, conseguiram deter a queda da EBX.
              A dívida de Eike é alta, diz Frank Holmes, executivo-chefe da US Global Investors, do Texas, que conhece Eike desde o final da década de 1980.
              No final de março, a dívida de longo prazo das empresas OGX, MPX, OSX e LLX, que detém Açu, estavam em mais do triplo dos níveis médios de endividamento de empresas similares e representavam de um terço a um quinto do capital total de cada empresa. Tais níveis implicam grande risco.
              FALHA NA GESTÃO
              Sem fluxo de caixa positivo ou lucro, pagar a dívida exige que as empresas do grupo EBX gastem um dinheiro que seria mais bem utilizado para concluir projetos e aumentar receita.
              O BNDES e o Fundo da Marinha Mercante do Brasil emprestaram ou ofereceram empréstimos à EBX. Eles podem intervir para proteger o seu investimento, mas o fluxo de caixa prometido para o pagamento de dívidas está sendo atrasado pela burocracia brasileira e pelas próprias falhas de gestão de Eike.
              "O cara alavancou tudo, e os banqueiros, como todas as outras pessoas, acreditaram na visão dele", diz Holmes.
              Para ele, o problema de Eike é principalmente de administração. Há uma década, erros semelhantes forçaram Eike a vender a TVX Gold para a Kinross Gold Corp após projetos de ouro empolgantes na Rússia e na Grécia acabarem sendo levados a um tribunal.
              "Eu realmente respeito Eike como um empreendedor visionário, um pioneiro. Ele não é uma fraude, ele não é um mentiroso", afirma Holmes. "Onde há problemas é na execução."
              "Eu não sei o que vai acontecer com Eike", disse em entrevista o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Julio Bueno, cujo governo tem ajudado Eike a desapropriar terras para o porto.
              "Nós precisamos do porto, e outros investidores querem construir portos nas proximidades. O porto ainda será construído? Sim. É uma boa ideia? Sim. Será Eike o seu controlador? Isso eu não posso dizer."