segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Meme ganha força como instrumento dos políticos

folha de são paulo

INTERNETS
RONALDO LEMOS - ronaldolemos09@gmail.com
IMPRESSIONA COMO o meme virou uma forma central de comunicação "de massa" hoje: fotos, filmes e textos remixados, boa parte deles sarcásticos, que são reproduzidos pela internet viralmente, por imitação.
Ganharam até função política. É só pensar nos memes surgidos no julgamento do mensalão, como o ministro Joaquim Barbosa com capa de Batman, ou como outros fatos políticos são sintetizados em memes.
A função política é ilustrada pelo modo como Barack Obama baseou neles parte de sua estratégia na reeleição. O jantar anual para os correspondentes de imprensa na Casa Branca já se consagrou como festival de memes.
Obama criou até página no Tumblr, hoje uma das principais "memelândias".
Como toda forma de comunicação que ganha relevância, memes estão dando dinheiro. O empresário sul-coreano Bem Huh, radicado nos EUA, construiu um pequeno império. A "Cheezburger
Network" inclui sites populares globalmente, como o Know your Meme (conheça seu meme) ou o FAIL Blog.
Empresários brasileiros também tentam a sorte. Há uma onda de sites de memes pipocando. A lista é longa: Mememania, Memesdaent, Mundomemes e por aí vai.
Esses pequenos artefatos culturais lembram que a produção colaborativa e descentralizada na rede continua forte. São veículos perfeitos para se espalharem e serem consumidos em segundos. E é claro, serem substituídos por qualquer outra coisa no momento seguinte.
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READER
JÁ ERA Música de protesto
JÁ É Meme de protesto
JÁ VEM Muitos memes de diversão ou protesto circulando nas ruas até o fim do Carnaval

    Clarisse Abujamra volta a levar ao palco espetáculo autobiográfico

    folha de são paulo

    O texto passeia pelos Antônios da vida da atriz, como seu tio Abujamra e seu ex-marido Fagundes
    Apresentação ao lado do irmão e pianista Ivan Abujamra remete a um recital, sem composição cênica
    GUSTAVO FIORATTIDE SÃO PAULOAntônio é um nome que Clarisse Abujamra conhece melhor do que ninguém.
    Ela é sobrinha do ator e diretor Antônio Abujamra, foi casada com o ator Antonio Fagundes, é mãe de Antonio Fagundes Neto e cita o dançarino espanhol Antonio Gades como uma de suas paixões.
    Essa coincidência deu origem ao título do espetáculo que a atriz volta a apresentar hoje no teatro da Livraria da Vila do shopping Pátio Higienópolis: "Antônio - da Tua Tão Necessária Poesia".
    Em tom autobiográfico, o texto da peça mistura poemas e histórias vividas por Clarisse ao lado de seus Antônios.
    Há mais alguém no jogo e, no entanto, seu nome não é Antônio. A atriz divide o palco com seu irmão, o pianista Ivan Abujamra, e a apresentação se desenvolve próxima ao que seria um recital, sem composição cênica.
    Entre as histórias, há uma lembrança cômica de Clarice ao lado de Antônio Abujamra: ela tinha lá seus 20 anos e o diretor a convidou a protagonizar um teleteatro da Bandeirantes- "A Aranha".
    A atriz ficou contente, mas ao ler o roteiro descobriu que não tinha fala nenhuma. Foi reclamar com o tio, e ele revelou então que ela faria a própria aranha, ou a imitação de uma aranha, e só precisava ficar grudada a uma parede. "Esse foi um mico", conta ela.
    Intercaladas, há poesias de João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa, e poemas da russa Anna Akhmátoca (1889-1966) sobre separação.
    Embora seja um espetáculo apresentado há cerca de dez anos, ele passou por transformações. "Originalmente tinha direção de Márcia Abujamra", conta Clarisse. "Mas um dia encontrei minha prima e avisei que havia tirado o nome dela dos créditos para que ela não me dissesse 'mas eu não fiz nada disso", ri a atriz.

      Vanessa Barbara

      folha de são paulo

      De tudo um pouco
      NO AR há 12 anos, o "Le Haim!" (TV Aberta, sáb., às 19h) é uma espécie de "Programa Amaury Jr." da comunidade judaica. O empresário e apresentador Markus Elman faz a cobertura de eventos sociais, cerimônias e lançamentos. Entrevista personalidades com drinques na mão, que às vezes se cansam e trocam o peso das pernas sem deixar morrer o sorriso.
      Com 60 minutos de duração, o programa possui quadros como "A Palavra do Rabino", no qual Michel Schlesinger fala sobre as tradições e convida especialistas em outras religiões, e o pitoresco "Humor Judaico", com piadas sobre a lojinha do Jacó e o cãozinho da dona Sara.
      Recentemente o "Le Haim!" registrou um ato solene em homenagem a outra atração voltada ao público israelita, o "Shalom Brasil" (TV Aberta, sáb., às 21h).
      No ar há 17 anos, o "Shalom Brasil" é variado e procura seguir uma linha jornalística com reportagens sobre cultura judaica, artes, espetáculos, política e comportamento.
      Numa mesma edição, registrou a cerimônia de doação de um "Sêfer Torá" para a sinagoga do Morumbi e a semana de esportes radicais na colônia de férias do rabino Noach.
      Num quadro sobre dicas de moda, a empresária Yaffie Begun reiterou: não há contradição entre beleza e "tzniut" (recato ou modéstia da mulher judia). Ela indicou uma blusa marrom sem mangas para usar por baixo de um vestido e falou sobre a questão da peruca.
      Segundo a tradição ortodoxa, as mulheres casadas devem cobrir o cabelo natural com uma peruca ("sheitel"), às vezes confeccionada com porções do próprio cabelo. A empresária mostrou alguns modelos com cachos e advertiu que é preciso deixar o acessório nas mãos de um profissional gabaritado, pois "peruca não cresce".
      O rabino Shamai Ende explicou a proibição de tatuagens segundo a Torá, e houve uma longa entrevista sobre a nova quadra de squash do clube Hebraica.
      A tríade sagrada da mídia judaica se completa com outro programa muito apreciado, o "Mosaico na TV" (TV Aberta, qua., às 21h). A produção é caprichada e lembra a de um telejornal, com repórteres em Israel e gráficos explicativos.
      Exibido ininterruptamente há 51 anos, o "Mosaico na TV" foi eleito pelo "Guinness Book" o programa mais antigo da televisão brasileira.
      A mesma emissora exibe "Negros em Foco", "Arena Sertaneja", "Seicho-No-Ie" e "TV Nikkey", além de um programa só para diabéticos e outro para espíritas.

        Luiz Felipe Pondé

        folha de são paulo

        Amando uma mulher inteligente
        A suposta simplicidade masculina é tão falsa quanto a suposta irracionalidade feminina
        HOJE É Carnaval. Carnaval é um saco. Morei muitos anos na Bahia, falo de cátedra. Não existe festa mais autoritária do que o Carnaval e a devastação que causa em nome de sua alegria barulhenta.
        Mas gosto não se discute, lamenta-se. Por isso, hoje vou falar de coisa mais séria; vou falar de amor romântico e de um filme maravilhoso para quem gosta do tema e também de filosofia: "O Amante da Rainha, filme dinamarquês dirigido por Nikolaj Arcel, com Mads Mikkelsen (o amante) e Alicia Vikander (a rainha) no elenco.
        Você acredita no amor romântico? Dito assim parece uma pergunta idiota. Alguns dirão que pessoas maduras sabem que o amor não existe. Outros, que é diferente de paixão, sendo esta passageira, enquanto o amor seria algo mais sólido, dado a parcerias de longa duração.
        Nada mais pernicioso para um casamento de longa duração do que a expectativa de amor romântico depois de um certo número de anos, diriam os "maduros". Expectativas assim seriam "coisa de mulher", o que também é uma besteira. Homens sonham com momentos de paixão com suas mulheres no dia a dia. "Ter uma mulher" significa exatamente isso.
        Supor que os homens são animais de cerveja, futebol e sexo é não entender nada sobre os homens. Pensar que os homens só pensam em cerveja, futebol e sexo é a mesma coisa que pensar que mulher é um ser menos inteligente.
        A suposta simplicidade masculina é tão falsa quanto a também suposta irracionalidade feminina.
        O tema encanta, apesar de alguns teóricos afirmarem que o amor é uma mera invenção da literatura europeia medieval (como o Papai Noel), universalizada, de modo equivocado, pelos autores românticos dos séculos 19 e 20.
        Digo "equivocada" porque, para os medievais, nem todo mundo seria capaz de viver ou suportar tal forma de amor avassalador. Já para os românticos, modernos, todo mundo poderia viver essa forma de encantadora doença da alma.
        Eu não acredito que o amor romântico seja uma invenção da literatura, mas concordo com os medievais: muita gente passa pela vida sem experimentá-lo. Uma pena, pobres miseráveis...
        A narrativa medieval descreve essa "maladie de la pensée" (doença do pensamento, do espírito), dito no original provençal (um tipo de francês comum na Idade Média), como um modo de obsessão que arrasta o homem e a mulher, fazendo com que fiquem presos no desejo de estar um com o outro e atormentados quando não podem se encontrar, quando não podem se tocar.
        Segundo os medievais, ele ficará horas imaginando o que ela estaria fazendo, pensando, sonhando, com o desejo de penetrar em todos os segredos de sua alma e de seu corpo ("Tratado do Amor Cortês", de André Capelão, publicado pela editora Martins Fontes).
        A estrutura ideal supõe o amor impossível, no qual a morte espera os dois ou um dos dois -e a desgraça do que sobrevive. Quando o amante é amigo fiel do marido dela, a estrutura dramática encontra seu modo mais perfeito de impasse.
        Dirão os especialistas que o amor romântico cantado nos séculos 18 e 19 fala da destruição de qualquer forma de vida que não a interesseira, típica da burguesia e sua alma de "merceeiro", como diria Marx.
        " O Amante da Rainha" tem exatamente essa estrutura. O amante é médico e confidente do rei e se apaixonará enlouquecidamente, e será correspondido, pela rainha.
        Esse médico, chamado de "o alemão" pelos dinamarqueses (o personagem é alemão), é um iluminista (leitor de Rousseau e Voltaire) que crê na superação da barbárie pelo uso da razão e da ciência. Ela também.
        O amor dos heróis não é apenas construído a partir de "sentimentos" mas, também, do encontro entre suas almas inquietas com o mundo a sua volta. Ambos são filósofos de uma época em que a filosofia se revoltou com a estupidez do mundo (o filme se passa na segunda metade do século 18). Aliás, a filosofia sempre se revoltará, porque o mundo será sempre estúpido.
        Além de belas pernas e belos seios, a delícia de partilhar inquietações filosóficas com uma mulher que amamos pode ser uma das maiores formas de amor romântico que existe. Infeliz aquele que não sabe disso.