sexta-feira, 26 de outubro de 2012

MÔNICA BERGAMO



monica.bergamo@grupofolha.com.br

COM QUEM SERÁ?
Ronaldo Fenômeno, que vota em Higienópolis, disse à coluna que não vai declarar qual candidato ganhará seu aval na eleição de domingo, se Fernando Haddad (PT) ou José Serra (PSDB). "Gosto muito do Lula. E gosto muito do Fernando Henrique [Cardoso]. Prefiro não contar." Só diz que não vai anular nem votar em branco.
RETORNO
O ex-jogador retornou de uma viagem à China na terça. "Joguei um torneio de golfe incrível", conta. Anteontem à noite, ele participou do jantar da grife francesa Louis Vuitton na casa do publicitário Nizan Guanaes. Ficou em pé durante o show que Ivete Sangalo fez para os poucos convidados. E não aceitou convite para subir no palco. "Não sei cantar p... nenhuma", disse.
GOLINHO
O Fenômeno, que participa do reality "Medida Certa", do "Fantástico", para emagrecer, saiu um pouco da dieta. Tomou champanhe e vinho. Recusou canapés. Ainda não largou o cigarro.
NA PRAÇA
Mariana Ximenes deve participar das Satyrianas, festival de teatro dos Satyros, na praça Roosevelt, em São Paulo. Qual texto? "Não sei." Quando? "Não sei", disse ela ao confirmar o convite.
SAUDADE
Taís Araújo, que também estava na festa de Nizan, exibia a foto do filho, João Vicente, 1, numa banheirinha, como descanso de tela do celular. "Eu fico olhando a noite toda com saudade." Ela embarcaria ontem para a África do Sul, onde ficará por uma semana a trabalho pela Globo. "Primeira vez que vou passar tanto tempo longe do meu filho."
IVETE CROONER
E Ivete optou por repertório de canções românticas: Djavan, Lionel Richie, Zezé de Camargo & Luciano. Preta Gil e Wanessa Camargo deram canja. A baiana avisou aos convidados: "Se quiserem pedir músicas, peçam. Só não me peçam dinheiro. Isso deixa com o Nizan".
PRIMEIRONA
Assessores de José Serra (PSDB-SP) se divertiam com as imagens e o tema do programa "Casos de Família" que o SBT exibia antes do debate com os candidatos: "Se for para namorar homem feminino, prefiro ficar com mulher". Walter Feldman, coordenador da campanha e mediador do apoio do pastor Silas Malafaia, crítico do "kit gay", a Serra, brincava: "Poderia ser a primeira pergunta para os candidatos".
JÁ É NATAL
Roberto Carlos marcou um show extra no ginásio do Ibirapuera, para o dia 7 de novembro. E prepara seu especial de Natal na Globo, com Michel Teló, Seu Jorge, Arlindo Cruz e as empreguetes da novela "Cheias de Charme". O programa terá gravações em estúdio e externas, no Rio de Janeiro.
VESTIDAS A FRANCESA
A atriz Mariana Ximenes e a princesa alemã Elisabeth von Thurn und Taxis escolheram o mesmo vestido para ir a lançamento da grife Louis Vuitton. O evento, na casa do publicitário Nizan Guanaes e da editora de moda Donata Meirelles, teve show de Ivete Sangalo. Convidados como a atriz Taís Araújo e o casal Bia Antony e Ronaldo Nazário circularam pela festa, anteontem.
CIDADE DA ARTE
O artista plástico Gustavo Rosa foi à abertura da galeria Urban Arts do shopping Iguatemi, na terça. Também estiveram no evento o empresário Felipe Diniz e a consultora de moda Manu Carvalho.
ELA POR ELA
Só 2% das mulheres homossexuais em SP se previnem em relações sexuais, imaginando que não correm riscos. O levantamento, da Secretaria da Saúde, foi feito com 145 pessoas, com idades entre 18 e 61 anos.
Hepatites B e C estão entre as principais doenças que afetam o grupo. O ginecologista Valdir Monteiro aconselha o uso de protetores de látex à venda em casas de material odontológico.
DE BICICLETINHA
A prefeitura pode implantar mais um dia, além dos domingos, de ciclofaixa de lazer em São Paulo. Técnicos estudam a viabilidade da proposta. "O prefeito [Giberto Kassab (PSD)] quer fazer testes", afirma o presidente da Câmara Municipal, José Police Neto (PSD).
PAíSES DOS AMORES
"Rua dos Amores", álbum de Djavan que saiu no Brasil há um mês, será lançado em novembro em oito países: França, Alemanha, Suíça, Itália, Portugal, Grécia, Argentina e Uruguai.
MAREIA, Ô
Adriano Vizoni/Folhapress
Virgínia Rosa, ex-vocalista da banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção, sempre viu em Clara Nunes uma "espiritualidade musical única". Ela encerra no domingo, no teatro Cleyde Yáconis, temporada de shows em homenagem à mineira morta em 1983, cantando músicas como "Juízo Final", "Morena de Angola" e "Feira de Mangaio". A direção é de Fernando Cardoso.
CURTO-CIRCUITO
A Jazz Sinfônica toca com Moraes Moreira no Auditório Ibirapuera. Hoje e amanhã, às 21h. Livre.
A Tefaf, feira de arte e antiguidades europeia, faz parceria com a Childhood Brasil em mostra na Casa Petra. De hoje a domingo.
O padre Reginaldo Manzotti autografa, às 17h, "Feridas da Alma" na Livraria Cultura da av. Paulista.
O Bailinho é hoje, com Thiago Lacerda. 18 anos.
A festa Semiótica acontece amanhã, às 22h, na Santa Augusta. 18 anos.
com ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, CHICO FELITTI e LÍGIA MESQUITA

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Microsoft lança Windows 8 e anuncia mais de mil modelos adaptados ao sistema


RAFAEL CAPANEMA

ENVIADO ESPECIAL A NOVA YORK

A Microsoft realiza nesta quinta (25) o lançamento mundial do Windows 8 e de seu tablet Surface. Steven Sinofsky, presidente da divisão Windows da Microsoft, disse no início do evento, em Nova York, que mais de mil dispositivos já foram certificados para rodar o novo sistema operacional da empresa.

Lançamento do Windows 8

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Rafael Capanema/Folhapress
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Tablet da Microsoft, Surface com o novo Windows RT começa a ser vendido nos EUA por US$ 499, cerca de R$ 1.000
O Windows 8 custará R$ 269 no Brasil, vendido em disco, na caixa, para quem não tem a versão anterior do sistema. Quem já tem o Windows 7 poderá fazer uma atualização para o Windows 8 por R$ 69 (por meio de download). Além disso, PCs com Windows 7 comprados de 2 de junho de 2012 a 31 de janeiro de 2013 poderão ser atualizados para Windows 8 Pro por R$ 29. Mas, para aproveitar essa promoção, é preciso fazer cadastro em um site da Microsoft até 28 de fevereiro de 2013.
No evento de Nova York, a empresa anunciou que haverá computadores com Windows 8 a partir de US$ 300 nos EUA.
Sinofsky deixou clara a diferença entre os novos sistemas Windows 8 e Windows RT, fator que pode causar confusão entre os consumidores, segundo especialistas.
A primeira versão do Surface, híbrido de tablet e laptop produzido pela Microsoft, vem com Windows RT, que é destinado a aparelhos com processadores de arquitetura ARM, que consomem menos energia e são adotados em praticamente todos os smartphones e tablets atuais.
"O Windows RT não roda programas desenvolvidos para Windows 7", explicou Sinofsky. A versão RT só funciona com aplicativos da Windows Store, de modo semelhante aos aparelhos da Apple com iOS, que só rodam programas da App Store.
Segundo o executivo da Microsoft, o Windows RT é compatível 420 milhões de periféricos, como mouses, teclados, discos rígidos externos, impressoras e monitores.
Ainda de acordo com Sinofsky, a Windows Store vai estrear com mais aplicativos do que todas as lojas concorrentes quando estas foram lançadas. O executivo, porém, não citou números.
"O Windows 8 é uma oportunidade sem precedentes para desenvolvedores", afirmou Steve Ballmer, executivo-chefe da Microsoft, citando "670 milhões de computadores esperando para ser atualizados" para o novo sistema e prevendo vendas de 400 milhões de PCs para o próximo ano.
O lançamento de hoje, realizado simultaneamente em vários países, é o mais importante da história recente da Microsoft.
O novo programa não carrega só o peso de repetir o sucesso do Windows 7, lançado em 2009 e que teve 650 milhões de licenças vendidas, ou de manter a hegemonia da Microsoft no mundo da computação pessoal, que dura mais de duas décadas.
O Windows 8 será a principal peça na transição da companhia para aquilo que Steve Jobs batizou de "era pós-PC", em que máquinas são ultramóveis, telas respondem ao toque, interfaces são mais atraentes, e dispositivos estão conectados à web e sincronizados entre si.
Para isso, o sistema operacional mudou: foi projetado para telas de toque e ficou com visual de smartphone.
A Área de Trabalho, interface tradicional do sistema, e o menu Iniciar, deram lugar a uma tela inicial com grandes e coloridos ícones retangulares, que se distribuem na horizontal e exibem dados atualizados em tempo real.
Outra novidade é o menu Charms, que permite acesso rápido a funções básicas, como busca, compartilhamento e configurações do PC.
O Windows 8 se conecta à nuvem. Os documentos e arquivos guardados na máquina se misturam aos que estão hospedados na internet --uma busca no aplicativo de fotos, por exemplo, traz tanto as imagens depositadas no PC como as publicadas no Facebook ou no Flickr. E esse conteúdo da máquina pode ser compartilhado com a rede por meio de um toque.
Há ainda uma loja de apps nos moldes das controladas pela Apple (App Store) e pelo Google (Google Play).
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Laboratório urbano


PAULA CESARINO COSTA

RIO DE JANEIRO - Foi o samba que colocou o morro no caminho da elite carioca. Foi sua localização próxima de onde estava o trabalho e o capital que causou sua ocupação desordenada e incontrolável.
Foi o abandono pelo Estado e o consequente domínio do tráfico que tornou as favelas um dos piores lugares do país. Foi sua ocupação pelas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) que as transformou em projeto econômico e político potencial.
Durante o século passado, sucederam-se as tentativas de remoção das favelas. Mas elas não pararam de crescer. E estão na moda. Entrarão mais na rotina dos brasileiros pelas lentes da TV, com imagens aéreas do teleférico do Complexo do Alemão.
Por muito tempo as favelas foram invisíveis. Pela ação de muita gente espalhada pela cidade, barreiras começam a ser quebradas. O retrato é traçado com precisão pelo geógrafo Jailson de Souza e Silva, um dos fundadores do Observatório de Favelas:
"Não existe identidade carioca independente das favelas e vice-versa. A cidade tornou-se referência nacional e internacional também em função do peso arquitetônico, cultural e social dos espaços favelados. A garantia de riqueza paisagística e pluralidade cultural é central para o Rio e seu projeto de futuro."
Há muito a fazer e a temer. Um dos riscos é a "remoção branca", quando dinâmicas de mercado e de formalização tornariam preços e custo de vida tão altos nas favelas da zona sul que moradores não os suportariam e seriam deslocados para longe. Ainda não aconteceu. O que se vê são jovens, muitos estrangeiros, que buscam, no alto dos morros, vista deslumbrante com preço acessível e uma vida em comunidade à antiga.
Esse movimento pode vir a ser uma espécie de laboratório de "mistura social", onde pessoas com cultura e história diferentes, mas interessadas no outro, podem iniciar uma revolução silenciosa.

Pasquale Cipro Neto



'Se nós pressupormos...'

Para significativíssima parte dos falantes, os verbos derivados de 'pôr' tornaram-se regulares

ESCREVE-ME DA Bahia um fiel leitor: "O ministro X acaba de dizer 'Se nós pressupormos...'. Está de acordo com a norma gramatical o ilustre jurista ou acaba de abrir precedente, que pode desaguar em jurisprudência? Eles são tão vaidosos e cheios de purismos, que deveriam saber também conjugar verbos, não?".
Não ouvi a declaração, mas, depois de pesquisar aqui e ali, concluí que de fato a frase foi dita durante o julgamento do mensalão.
Vamos por partes. O fato de pessoas cultas dizerem "Se nós pressupormos..." mostra que a flexão registrada no padrão culto da língua ("Se nós pressupusermos") anda longe do uso efetivamente vivo. O caso do ministro em questão é só um dos tantos que comprovam o que acabo de afirmar. Parece que, para significativíssima parcela dos falantes, os verbos derivados de "pôr" tornaram-se (definitivamente) regulares.
Comprovam essa afirmação os vários exemplos (vindos de pessoas muito letradas, pouco letradas ou iletradas) do emprego de construções como "Quando eu compor uma música", "Se ele supor isso", "Se o deputado se opor a esse projeto", "Se nós contrapropormos outro valor" etc., etc., etc.
As gramáticas, os dicionários e os textos escritos sob o rigor da norma dizem que todos os verbos derivados de "pôr" (absolutamente todos, sem nenhuma exceção) são conjugados exatamente como "pôr", cujo futuro do subjuntivo é "se eu puser, se tu puseres, se ele puser, se nós pusermos, se vós puserdes, se eles puserem".
De acordo com essa orientação, o futuro do subjuntivo de todos os verbos derivados de "pôr" se faz exatamente como o de "pôr": "Quando eu compuser uma música", "Se ele supuser isso", "Se o deputado se opuser a esse projeto", "Se nós contrapropusermos outro valor" etc., etc., etc.
Moral da história: a julgar pelo que se vê nos registros formais da língua, o ministro escorregou, já que deveria ter dito "Se nós pressupusermos", o que, para muitas pessoas, parece ser justamente a forma "errada".
Agora vejamos o que dizem as provas de português dos vestibulares das mais importantes universidades do país, certamente elaborados por professores das escolas de letras dessas próprias universidades ou de outras (ou ainda de instituições que elaboram esse tipo de prova). Tomemos como exemplo uma conhecida questão da Unicamp, baseada neste trecho jornalístico: "...se (o governo) repor as perdas salariais". A banca pedia ao candidato que localizasse a "forma inadequada", que a trocasse pela forma adequada e que explicasse o motivo do "desvio".
Como se vê, essa banca considera inadequado o uso de "se o governo repor" em textos formais, o que equivale a dizer que, por mais que se vejam formas como essas aqui e ali (na escrita ou na fala de gente i/letrada), a forma "adequada" é outra.
O motivo do "desvio" já foi explicado no começo desta coluna, mas relembro: ao dizer "Se nós pressupormos", o falante age como se o verbo fosse regular. A base da flexão do futuro do subjuntivo dos verbos regulares e de alguns irregulares é o próprio infinitivo. De "falar", por exemplo, temos "se eu falar, se tu falares, se ele falar, se nós falarmos..."; de "beber", temos "se eu beber..."; de "decidir", temos "se eu decidir...".
De "fazer", não temos "se eu fazer", assim como de "ir", não temos "se eu ir", certo? A "fórmula" da conjugação culta do futuro do subjuntivo já foi explicada mais de uma vez neste espaço. Se você fizer um concurso público ou um vestibular, lembre-se de que o que se quer nesses casos é mesmo o domínio do padrão formal culto da língua, o que, no caso visto hoje, impõe a forma "pressupusermos" ("Se nós pressupusermos"). É isso.
inculta@uol.com.br