Mostrando postagens com marcador alexandre aragão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador alexandre aragão. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Redes sociais mudam a forma de ver TV

folha de são paulo

Tête-à-tela
Assistir à tv com smartphones e tablets na mão aproxima telespectador
MARCO AURÉLIO CANÔNICODO RIOA sua TV já não cabe mais naquele aparelho da sala chamado televisor.
Ela se expandiu para, agora sim, uma telinha: as de seu computador, celular e tablet. E, por saber que você está na frente de um desses dispositivos --ou navegando na internet enquanto assiste à programação--, quem faz televisão não quer perder sua atenção.
Segundo o Ibope, 43% dos internautas assistem à televisão enquanto navegam; nos EUA, são 77% das pessoas, de acordo com dados do Google.
A consequência disso é a ascensão da chamada "segunda tela", o termo do momento entre as emissoras.
Os aparelhos que se conectam à web permitem à audiência interagir com o que está passando na TV, seja acessando informações complementares, sincronizadas à transmissão, seja comentando sobre a programação nas redes sociais.
"É um fenômeno estabelecido que tende a evoluir", diz Juliana Sawaia, 35, gerente do Ibope Media. "As pessoas não estão abandonando a TV, estão consumindo-a de outra forma."
Emissoras e patrocinadores têm investido em aplicativos para celulares e tablets que fazem a ponte entre a programação e a internet --quem assiste a uma corrida de F1 ou a um jogo de futebol, por exemplo, pode seguir estatísticas extras.
Já os fãs das séries "The Walking Dead" ou "Hannibal" baixam os aplicativos das séries e podem, enquanto assistem ao episódio, obter informações detalhadas sobre o passado de um personagem, por exemplo.
Atenta ao fenômeno, a Rede Globo lançou recentemente seu app, o Com_VC.
"As mídias sociais enriqueceram a forma de ver TV, deram um dinamismo novo às conversas", diz Sergio Valente, diretor de comunicação da Rede Globo.
A segunda tela também serve para dar vazão à sede de consumo disparada pela TV, como mostra o exemplo do site brasileiro TV Square.
"Você coloca o que está vendo e tem não só informações do que as pessoas estão vestindo, mas acessa os links para comprá-los", diz Mariana Eva, 39, fundadora do TV Square.

TV+INTERNET = $$$
O potencial mercadológico da interação entre TV e internet já é explorado.
No maior negócio de sua história, o Twitter pagou quase US$ 100 milhões pela Bluefin Labs, criadora de uma plataforma que mede as reações das redes sociais à programação de TV.
Uma pesquisa recente da Motorola Mobility mostrou que 78% dos entrevistados no Brasil se disseram interessados em relacionar seus perfis de redes sociais com os serviço de TV, de forma que pudessem mostrar aos amigos o que estão vendo e discutir isso on-line.

    Espectadores relacionam-se entre si, e hábito de comentar a programação deixa a sala de estar para a internet
    Opiniões também funcionam para chamar mais audiência e para informar sobre o que está passando
    DO RIOConecte-se a uma rede social durante a transmissão de algum evento popular na TV --um jogo de futebol, uma novela, a escolha do novo papa, uma premiação como Oscar ou Grammy-- e é certo: ela vai estar fervilhando com comentários sobre cada detalhe do que está no ar.
    "Eu costumo dizer que é uma nova profissão, comentarista de TV das redes sociais", diz o ator Luiz Fernando Almeida, 38, de Santos, usuário do site TV Square, que reúne telespectadores.
    "Quando você está em casa, assistindo sozinho, é uma forma bacana de interagir, inclusive com gente desconhecida. Você acaba conhecendo pessoas que se interessam pela mesma programação."
    Com a proliferação da segunda tela (do computador, do celular ou do tablet) e do hábito de ver TV e navegar na web ao mesmo tempo, a experiência de socializar em torno da programação passou da sala de estar para sites como o Facebook e o Twitter.
    "Comentar os programas de TV sempre foi um hábito do brasileiro. E as mídias sociais conseguiram torná-lo ainda mais interessante", diz Sergio Valente, diretor de comunicação da Globo.
    O burburinho na rede acaba atraindo para a TV gente que não estava ligada, além de atuar como um guia de programação personalizado.
    "Antes, eu ficava zapeando na televisão e ia para a rede social, agora eu faço o contrário, vejo pelos comentários o que está rolando e vou para o canal que me interessa", conta Allan Novo, 21, DJ e produtor musical do Rio.
    "Era muito mais interessante ver Avenida Brasil' com o Twitter ou com o Facebook, porque transformava a experiência num grande fórum", diz Sérgio Branco, 38, professor da FGV-RJ, especialista em direitos autorais e tecnologia.
    "Esse grande debate coletivo é o futuro de assistir à TV e, para as próprias emissoras, é fundamental essa resposta do público enquanto o programa está acontecendo."
    Assim, os canais investem em apps para concentrar as conversas que estão soltas nas variadas redes sociais.
    "Mas não achamos que fazer um app é o melhor caminho para todos os programas", afirma Eric Berger, vice-presidente de conteúdo digital da Sony Pictures. Para ele, reality shows, por exemplo, não são conteúdo que peça um software próprio.
    "O ato de compartilhar é inerente hoje. As emissoras vão se adaptar a esse novo cenário e criar ambientes específicos para que essa conversa aconteça de uma forma mais estruturada", diz Juliana Sawaia, gerente do Ibope Media.

      segunda-feira, 15 de abril de 2013

      'Nunca foi tão fácil começar algo', diz criador do Twitter; leia entrevista

      folha de são paulo

      ALEXANDRE ARAGÃO
      COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

      Jack Dorsey, 36, lê três coisas: livros de ficção, seus diários e o Twitter. No primeiro caso, ele usa um iPad; no segundo, o aplicativo Day One --e o Twitter ele criou em 2006, ao lado de dois amigos.
      O executivo também criou o Square, que transforma smartphones em máquinas de cartão de crédito, e comprou o Vine, rede social de vídeos de até seis segundos.
      Durante uma rápida passagem pelo país na semana passada, Dorsey recebeu a Folha no escritório do Twitter em São Paulo.
      Stephen Lam/Reuters
      Jack Dorsey, fundador do Twitter e do Square, esteve no Rio e em São Paulo na semana passada
      O fundador do Twitter e do Square Jack Dorsey, 36, esteve brevemente no Rio de Janeiro e em São Paulo na semana passada
      *
      Folha - A confusão causada pela oferta inicial de ações (IPO) do Facebook fez com que o Vale do Silício ficasse mais cuidadoso em relação a IPOs?
      Jack Dorsey - De modo geral, o que criou a confusão foi o falatório em volta do assunto. Não acho que tenha mudado algo para qualquer empresa, do Vale do Silício ou não, que esteja pensando em fazer uma oferta pública. Talvez tenha dado algumas coisas para se pensar, mas nós não estamos correndo em direção a um IPO como objetivo final. Estaríamos apenas querendo ganhar dinheiro, e isso não é quem somos.
      Considere o seguinte: meses atrás todos estavam falando do Facebook. Para mim, não faz diferença em como estamos falando sobre o Facebook hoje e sobre como estávamos falando do Facebook antes da oferta pública de ações. É a mesma conversa: "Eles acabaram de lançar o Home, acabaram de fazer tal coisa". Não vejo a diferença.
      Como você analisa o uso político do Twitter?
      A coisa mais incrível é que o Twitter faz com que essas pessoas que colocamos em pedestais tornem-se mais humanas. Quando Obama estava em campanha, em 2008, ele tuitou sobre o que estava comendo de café da manhã. Você se lembra que ele é humano e toma café da manhã.
      Mas, para políticos, o Twitter costuma ser mais importante durante as eleições.
      Depende. Não faria essa generalização. Já vimos governantes usando o Twitter de modo efetivo, não só para contar o que estão fazendo, mas também para ouvir.
      Em Newark, após uma nevasca, muita gente ficou presa em casa e tuitou. O prefeito, Cory Booker, atendeu a alguns pedidos, entre eles o de uma mãe que estava sem fraldas para o bebê. Quando tentar se reeleger, ele vai ter pelo menos um voto.
      Parte do negócio de tecnologia é descobrir start-ups antes que façam sucesso e comprá-las. Você vê o Twitter seguindo esse caminho?
      Bem, nós não começamos o Vine, nós o compramos. Talvez quando descobrimos ótimos produtos ou equipes, os compremos. É a realidade do nosso mundo, nunca foi tão fácil começar algo.
      [Um dia após a entrevista, o Twitter anunciou a compra da We Are Hunted, empresa de streaming de música.]
      O Vine pode ficar parecido com o Instagram, com um monte de imagens de comida e filhotes?
      O que há de errado com comida e filhotes? [Risos.]
      É sobre isso que é a internet...
      Talvez seja sobre isso que as pessoas são [risos]. Comer é algo que fazemos todos os dias. Por que deveríamos nos sentir mal de falar sobre isso? Não se pode julgar as pessoas por fazer isso, porque elas podem ter em mente algo significativo. As pessoas irão colocar no Vine comida e filhotes, mas também colocarão muitas outras coisas bonitas. Há muita beleza em comida.
      Você acha que essa é a beleza de uma experiência centrada no usuário?
      Talvez uma das belezas. As pessoas têm liberdade para interpretar as coisas como elas quiserem. Posso fazer dois riscos de caneta nesta mesa e cada pessoa diria que são uma coisa diferente.
      No Vine, não há nome de usuário. É preciso encontrar as pessoas por meio da busca. Por que essa escolha foi feita?
      Um nome de usuário não faz tanto sentido nesse caso. A busca do Vine é muito boa, assim como é muito boa a lista de contatos para encontrar pessoas. Tem funcionado.
      Mas as pessoas não podem conectar-se ao Facebook.
      Sim, o Facebook desabilitou essa opção.
      Por quê?
      Você precisa perguntar ao Facebook [risos].
      O modo como as pessoas ficaram desconfiadas em relação a bancos, principalmente com as crises financeiras, pode ajudar o Square a se popularizar?
      Não acho que precisamos diminuir a confiança nos bancos para estabelecer confiança no Square. Ele estabelece confiança e popularidade porque as pessoas estão usando, em vez de ser culpa dos bancos. O que quer que os bancos façam, eu não ligo.
      O fato de muitos executivos do Vale do Silício terem largado a faculdade, inclusive você, significa que há um problema com as universidades hoje em dia?
      Eu larguei duas vezes, não apenas uma. Não acho que é um problema para todos. Algumas pessoas preferem aprender da maneira tradicional, outras aprendem rapidamente fora da faculdade.
      Estava aprendendo muito mais rapidamente fora da faculdade. Assim, decidi que sairia para aprender com mais velocidade. Acho que qualquer professor que deseje educar alguém também preferiria essa opção.
      A educação está mudando, há muito mais maneiras de ser autodidata e de aprender trabalhando. Mas múltiplos caminhos levam a múltiplas conclusões.
      Isso se relaciona a o que você disse durante sua palestra aos alunos da FGV, sobre aprender o que for útil para o objetivo que cada um tem?
      Certamente. Sem dúvida as pessoas querem aprender coisas que vão usar [risos]. Acho que programas universitários podem ser feitos sob medida para cada um, não acho que ir à universidade significa aprender coisas sem um objetivo. Há potencial para aprender algo inesperado que dê uma perspectiva diferente sobre o trabalho real.
      Há algo em particular que você gostaria de aprender?
      Não dá para eu determinar isso. Quando criamos o Square, eu não sabia nada sobre finanças e sobre como o dinheiro é trocado. Mas eu aprendi, bem rápido. Não é algo que eu acordei, quando tinha 14 anos, e pensei: "Quero aprender como o dinheiro se movimenta". E tem sido surpreendente aprender.
      Quando a Margaret Tatcher morreu, no início da semana passada, uma hashtag ficou muito popular: #nowthatcherisdead. Ela causou um pouco de confusão entre os fãs da cantora Cher, porque pode ser lida como "Now that Cher is dead", em vez de "Now Thatcher is dead". Você já considerou utilizar outros sistemas de tags, em vez de hashtags?
      Há algumas maneiras de adicionar sintaxe às hashtags para fazer com que fique mais fácil de se ler. Às vezes vai acontecer alguma confusão, mas é belo desse jeito. No passado, pensamos em várias outras formas, mas essa é gerada pelo uso das pessoas --isso tem mais significado.

      segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

      Nas profundezas da web Escondido no submundo da internet, site Silk Road vende drogas e remédios controlados

      folha de são paulo

      Nas profundezas da web
      Escondido no submundo da internet, site Silk Road vende drogas e movimenta cerca de R$ 2,4 milhões por mês
      ALEXANDRE ARAGÃOCOLABORAÇÃO PARA A FOLHANo Silk Road, todo comércio é possível. Esse grande mercado na internet vende vários tipos de droga (de haxixe do Marrocos a cocaína da Holanda e cogumelos dos EUA), remédios controlados, equipamentos para hacking e espionagem, joias falsas, pacotes de conteúdo pornográfico.
      Criado há dois anos, o serviço é investigado pela polícia dos EUA, mas continua no ar porque está escondido na "deep web", a internet profunda, espaço da rede só acessível usando o Tor, um browser para navegação anônima.
      Nele, os sites têm endereços cifrados e não podem ser encontrados por mecanismos de busca tradicionais, como o Google.
      Ao todo, o Silk Road movimenta cerca de R$ 2,4 milhões por mês, segundo Nicolas Christin, da Universidade Carnegie Mellon (EUA), autor do primeiro estudo sobre o site.
      Concluída em julho do ano passado e revisada em novembro, a pesquisa mostra que a maioria dos vendedores comercializa poucos itens, que as entregas são feitas por correio e que drogas são o carro-chefe. Em entrevista, Christin explica o que isso significa: "O Silk Road concorre com o traficante da esquina, não com grandes cartéis".
      Com 14% dos itens à venda, a principal categoria é maconha, inclusive em volume de negócios. "Suspeito que o site não seria viável se não comercializasse esse tipo de produto", diz Christin, diretor-associado do Instituto de Informação em Rede da universidade.
      Na "web da superfície", como usuários da "deep web" chamam a internet comum, há poucas menções ao Silk Road. A ideia é manter o mistério: quanto menos atenção chamar, melhor. Questionado pela Folha, o responsável pelo site limitou-se a dizer: "Desculpe, temos uma política de não falar com a imprensa".
      O pseudônimo usado pela pessoa -ou pelo grupo- por trás do site é Dread Pirate Roberts, personagem do romance "A Princesa Prometida" (1973), de William Goldman. No livro, Roberts não é só um pirata, mas vários, que repassam a alcunha uns aos outros em uma sucessão criminosa.
      ORIGENS MILENARES
      Assim como o pseudônimo de seu criador, o nome do Silk Road também é uma referência: remete à Rota da Seda, que ligou Ásia, África e Europa pelo comércio por cerca de 2.000 anos.
      Embora tente manter a discrição, Dread Pirate Roberts não conseguiu: dois senadores dos EUA pediram investigação poucos meses após a inauguração do site.
      Em 2012, a DEA (Agência de Combate às Drogas) admitiu investigar o Silk Road. Desde então, usuários do site relataram o sumiço de alguns vendedores.
      A presença de brasileiros existe, mas é pequena. No fórum, há conversas em português e referências a cidades do país. "Meu envelope foi entregue lacrado e intacto", relata em inglês um usuário que diz ser brasileiro. Segundo ele, a entrega foi feita em "quase dois meses", disfarçada como cartão de aniversário.
      Folha escreveu a cinco usuários brasileiros -um deles respondeu, pedindo anonimato. Diz ser um advogado paulistano de 26 anos. "Não acesso mais de uma vez por semana", afirma o usuário, registrado no site desde 2011 e comprador de remédios controlados.
      Para Pedro Abramovay, ex-secretário nacional de Justiça e professor da FGV-RJ, a lei é cinzenta sobre recebimento de drogas do exterior: "Em tese, sempre que é para consumo pessoal é caracterizado como porte". Ele defende que essa é a interpretação correta.
      "Mas daí para a polícia entender e caracterizar dessa forma, é outra história." Ou seja: se for pego, o usuário pode, sim, responder por tráfico internacional.

        'Internet profunda' abriga de dissidentes a pedófilos
        Ao codificar dados inúmeras vezes, rede Tor permite navegação anônima
        Navegador não tem sistema de buscas completo; por isso, listas de sites são bastante populares
        COLABORAÇÃO PARA A FOLHATodos os papéis vazados pelo WikiLeaks apareceram primeiro lá. Dissidentes chineses e iranianos a usam para driblar a censura on-line em seus países. Mas nela também se hospedam assassinos de aluguel e pedófilos.
        A "deep web" -ou internet profunda- é, em resumo, uma parte da rede a que buscadores comuns não chegam. Essa definição inclui diversos tipos de sites: os que exigem senha, os que não têm links direcionando a eles, os que variam de acordo com o usuário que está acessando etc.
        Também entram nessa categoria os sites hospedados no Tor (The Onion Router), rede que procura garantir o anonimato tanto de sites quanto de usuários. É aqui que, por exemplo, fica boa parte da pornografia infantil.
        Criado em 2002 pelo Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA, que procurava um método seguro de transmitir informações, o projeto é independente do governo há dez anos e, desde 2006, passou a ter uma organização própria que o financia.
        Ao embaralhar diversas vezes as informações, dificultando muito o rastreamento, o sistema tornou-se sinônimo de acesso à web profunda. Ele pega um dado a ser transmitido e, ao enviá-lo, o codifica e recodifica em várias camadas -daí o "onion" ("cebola", em inglês).
        Esses pedaços de informação passam por diversos computadores até o ponto final. Um site hospedado na rede, por sua vez, faz o mesmo.
        Diferentemente do que acontece na internet comum, em que as informações são trocadas diretamente entre IPs (os "endereços virtuais" dos usuários), o sistema da web profunda combina um ponto de encontro na rede para que todas as informações sejam trocadas. Os endereços hospedados na rede Tor terminam sempre com.onion, caso do Silk Road, e são acessados apenas pelo browser Tor.
        Além disso, têm URLs enigmáticas, com diversas letras e números sem sentido aparente -o endereço do Tormail, principal serviço de e-mail baseado na rede Tor, serve como bom exemplo: jhiwjjlqpyawmpjx.onion.
        DIFÍCIL DE ACHAR
        Começar a navegar na rede Tor não é tarefa fácil. A primeira impressão é a de ter pegado uma máquina do tempo para o fim dos anos 90: como muitos dos usuários bloqueia extensões em Java e Flash, temendo ser identificados, os sites são bem feios.
        Após baixar o browser que possibilita o acesso, fica difícil saber aonde ir sem ter à disposição um sistema de busca completo. Não dá para "dar um Google" no Tor. É por isso que listas de sites são bastante populares.
        O mais famoso deles é o Hidden Wiki, que lista e categoriza centenas de sites de acordo com uma breve resenha. Há outros que seguem a mesma dinâmica, como o Tordir.
        Apesar de ser composto principalmente por conteúdo considerado legal, como "ativismo" e "livros", há categorias como "pornografia infantil" e "redes de crime".
        Nesse canto escuro da web, também é possível encontrar imagens que a Justiça brasileira proibiu na internet comum, como as de atrizes nuas.

          FRASE
          "O modelo de negócios do Silk Road é 'emprestado' do eBay: a porcentagem do site diminui conforme aumenta o valor do produto"
          "Não há um 'barão das drogas' no Silk Road, são vários vendedores que comercializam quantidades pequenas e médias"
          NICHOLAS CHRISTIN, pesquisador da Universidade Carnegie Mellon (EUA)

          Site Silk Road usa moeda virtual que protege identidade de doador
          COLABORAÇÃO PARA A FOLHAUma moeda que oscilou de R$ 0,60 a R$ 60 em menos de dois anos. Assim pode ser definido o Bitcoin, unidade monetária que existe só na web e é usada no Silk Road porque, em tese, é anônima.
          Criado por Satoshi Nakamoto, pseudônimo de uma pessoa (ou de um grupo), o mercado de Bitcoins começou a operar em janeiro de 2009.
          A ideia não é vinculada à venda de produtos ilegais. Sites como o WikiLeaks, por exemplo, recebem doações por meio de Bitcoins para proteger o anonimato de doadores. Por meio de sites especializados, é possível trocar Bitcoins por dinheiro real e vice-versa. Um Bitcoin hoje vale R$ 52,76.
          Cada usuário pode ter uma ou várias "carteiras", que têm um número único e funcionam de modo análogo a uma conta bancária. Para abrir uma carteira Bitcoin não é preciso se identificar, nem mesmo com um e-mail.
          O mercado de Bitcoins é um sistema peer-to-peer ("pessoa-a-pessoa"): não possui intermediários e é descentralizado. Por isso, não há uma instituição que controle todo o histórico de transações, papel que o Banco Central desempenha no Brasil.
          Desse modo, todos os usuários têm acesso à lista das transações realizadas, como forma de chancelá-las.
          O caráter pulverizado do sistema dificulta o combate a fraudes. A conclusão é de Fergan Reid, pesquisador da Universidade de Dublin (Irlanda) que, em março passado, concluiu estudo sobre a segurança do sistema de Bitcoins.
          "Se um usuário é passado para trás, não há uma autoridade central a quem ele possa recorrer", diz Reid, em entrevista à Folha por e-mail.
          O mecanismo de funcionamento permite ainda que haja cruzamento de dados, quebrando o anonimato das carteiras e revelando quem está por trás delas. "Diria que provavelmente é possível fazer algum cruzamento entre dados do Silk Road e dados públicos de Bitcoin", afirma.
          "Mas é impossível dizer quão longe esse rastreamento chegaria sem fazê-lo. Depende do nível de cuidado que dos usuários do site."
          Hoje, segundo Reid, há cerca de 11 milhões de Bitcoins em circulação -o equivalente a R$ 580 milhões.

            ENTREVISTA
            Para usuário, mercado resolve problema atual
            COLABORAÇÃO PARA A FOLHA"As transações são anônimas, impessoais e a distância." Essas são as características que o advogado paulistano F., 26, cita para usar o Silk Road para comprar remédios controlados. "É muito mais seguro", diz. Leia trechos abaixo. (AA)
            Folha - Que produtos você costuma comprar no SR?
            F. - Estimulantes. Meu trabalho exige muita concentração por longos períodos de tempo. Uso Adderal ou Concerta/Ritalina para me ajudar a manter o foco. São os mesmos remédios que os médicos receitam para pacientes com déficit de atenção.
            Quais motivos o levaram a comprar pelo site?
            O Silk Road resolve um grande problema do mundo contemporâneo. Sou um membro produtivo da sociedade. Trabalho, pago impostos, voto com consciência. Na privacidade do meu lar, gosto de ingerir substâncias que alguém na Anvisa acha que eu não deveria ingerir.
            O Silk Road é uma alternativa para gente como eu, até que a sociedade acorde e perceba a estupidez de querer controlar a esfera privada dos outros numa suposta democracia.

              segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

              Dez perguntas e respostas para quem pretende comprar eletrônicos fora do Brasil

              Folha de São Paulo

              Na gringa
              (ALEXANDRE ARAGÃO)
              1 - Qual é o limite de compras que podem entrar no país sem pagar impostos?
              Até US$ 500, sem contar o que for comprado no "free shop" na volta. Mesmo que declare ter gastos abaixo do limite, o viajante pode ser fiscalizado.
              2 - Eletrônicos entram na cota?
              Depende. E-readers para uso pessoal e fora da caixa não entram no limite. Além disso, cada viajante pode trazer um celular, uma câmera fotográfica e um relógio para uso pessoal, também fora da caixa, fora do limite.
              3 - Qualquer celular comprado lá fora funcionará no Brasil?
              Não. Em 2013, ainda sem data definida, Anatel e operadoras colocarão em prática um sistema que impede que aparelhos sem homologação funcionem. Celulares e tablets habilitados antes de a regra entrar em vigor continuarão funcionando. Alguns modelos com 4G no exterior, como o iPhone 5, não conseguirão usar a tecnologia no Brasil.
              4 - Tablets que não foram homologados funcionarão?
              Depende. Os modelos que utilizam apenas redes wi-fi, como a versão mais simples do Google Nexus 7, funcionarão. Modelos com acesso à rede 3G não conseguirão acessá-la.
              5 - Quanto pagarei de taxas se trouxer mais de um celular?
              Quatro taxas incidem: Imposto de Importação, IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) -no caso de celulares, tablets e PCs, de 15%- e contribuições para PIS e Cofins, totalizando 74,25% a mais. Assim, se o celular custar US$ 100, ele sairá por US$ 174,25.
              6 - Vale mais a pena comprar celulares no exterior?
              Sim. Nos EUA, o iPhone 5 desbloqueado custa a partir de US$ 649. Para uso próprio, fora da caixa, não há impostos (veja pergunta 2). Com impostos, chega por cerca de R$ 2.340. Por aqui, ele sai por ao menos R$ 1.449, com plano atrelado. Desbloqueado, custa até R$ 2.699.
              7 - Existe limite no número de equipamentos que posso trazer, mesmo pagando taxas?
              Sim. Cada pessoa pode trazer até três unidades de um mesmo produto acima de US$ 10.
              8 - Existe diferença entre compras feitas com dinheiro e com cartão de crédito?
              Sim. Se a compra for feita com cartão de crédito, há cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), de 6,38%.
              9 - Que impostos são cobrados em compras feitas em sites com entrega no Brasil?
              Fora o frete, compras em outras moedas pela internet cobram IOF (de 6,38%). Para compras abaixo de US$ 500, o Imposto de Importação é de 60% sobre o valor total. Acima desse valor, o máximo é US$ 3.000 e, além do Imposto de Importação, é cobrado o ICMS, que varia de acordo com o Estado (18% em SP).
              10 - Como pago impostos de compras feitas na web?
              Depende. Alguns sites dão a opção de cobrar impostos no ato da compra. A alternativa é pagar os impostos para a transportadora que fizer a entrega, que o repassará à Receita -o produto fica retido até que tudo seja pago.

                segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

                Tuitando por Obama


                Folha de São Paulo
                Laura Olin, coordenadora da campanha à reeleição do presidente dos EUA nas redes sociais, conta como escolheu a foto mais curtida e mais retuitada da história
                ALEXANDRE ARAGÃODE SÃO PAULO
                "Mais quatro anos." Foi assim que o perfil do presidente americano Barack Obama no Twitter anunciou a vitória nas eleições deste ano. Acompanhando a mensagem, uma foto do democrata abraçando a mulher dele, Michelle. Foi a imagem mais retuitada e a mais curtida no Facebook desde o início dessas redes.
                As mãos que digitaram os poucos caracteres e os olhos que escolheram a fotografia são da finlandesa naturalizada americana Laura Olin, 31, coordenadora da campanha de Obama nas redes sociais.
                Acordada há 19 horas no momento em que selecionou a foto -e "exausta", segundo ela-, Laura diz não ter refletido muito sobre a escolha da imagem, clicada no Estado de Iowa, em agosto, pela fotógrafa Scout Tufankjian, que trabalhou na campanha.
                "Muito do uso de redes sociais se resume a exercer bom senso, particularmente em uma campanha presidencial", diz Laura, em entrevista à Folha por e-mail. "Depois que publiquei a foto, fui para a festa da vitória e não acessei o Twitter até a manhã do dia seguinte."
                Quando acordou, Laura viu que a mensagem ultrapassava 300 mil retuítes -superando o então líder, o cantor canadense Justin Bieber, cuja mensagem havia sido compartilhada 223 mil vezes.
                Até agora, 817 mil pessoas repostaram o tuíte de Obama. Ao mesmo tempo, no Facebook, a imagem foi curtida 4,4 milhões de vezes.
                PSICOLOGIA E POLÍTICA
                Formada em psicologia e em política pela Universidade de Virgínia em 2003, Laura passou a se interessar pelo uso de redes sociais em campanhas políticas no mesmo ano, quando o então governador do Estado de Vermont, o democrata Howard Dean, lançou sua pré-candidatura à Presidência.
                "Ele estabeleceu os princípios básicos que usamos até hoje", afirma Laura. Por meio de blogs, Dean foi o primeiro a fazer arrecadação on-line de fundos para a campanha.
                Com os interesses profissionais definidos, Laura foi estudar comunicação e política em Londres. Quando voltou aos EUA, foi trabalhar na Blue State Digital, agência de mídias sociais especializada em política e causas sociais -da qual veio quase toda a equipe on-line de Obama.
                A principal diferença entre uma campanha comum e a de Obama é a escala, diz Laura. "Tanto em termos de seguidores como em termos de atenção recebida", afirma.
                "Particularmente nos últimos meses, nosso trabalho era bem mais fácil que o de outras campanhas de mídias sociais, porque já tínhamos a atenção das pessoas, em vez de termos que brigar por ela."
                Ao fim da eleição, Laura ficou desempregada. "Ainda não estou certa dos planos que vou seguir." Com um ex-chefe muito satisfeito com o seu trabalho, Laura deverá ter uma carta de recomendação -que, diz, ainda não foi escrita- muito boa. "Certamente vou tuitar assim que decidir o que fazer." O perfil dela é @lauraolin.