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terça-feira, 23 de julho de 2013

Brasileiros se aventuram na onda boa de filmes de ficção científica - Rodrigo Salem

folha de são paulo
RODRIGO SALEM
DE SÃO PAULO
Poucos cineastas brasileiros ousam se arriscar na ficção, mesmo depois do avanço da tecnologia e do
barateamento dos equipamentos.      








Má há indícios de que esse desprezo pelo gênero pode mudar, já que alguns jovens estão ganhando destaque internacional nesse terreno arenoso da ficção científica.



O principal trabalho do tipo é o curta-metragem "The Flying Man", escrito, dirigido e

financiado pelo brasiliense Marcus Alqueres, 34, que fez desenho industrial na UFRJ e há oito anos trabalha fora do país como animador. Outros brasileiros fizeram parte da sua empreitada: o roteirista Henry Grazinoli, o animador João Sita e o compositor Roger Lima, que fez a trilha sonora.

Ficções científicas brasileiras

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Divulgação
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Cena do curta 'The Flying Man', do brasileiro Marcus Alqueres
Alqueres vive em Toronto, no Canadá, onde concebeu seu curta sobre uma figura voadora estranha que aparece nos céus da cidade e assusta a população --apesar de apenas atacar quem tem ficha criminal.
"A maioria dos filmes de super-heróis é sob a ótica deles mesmos, mas eu queria pensar como seria o outro lado, a surpresa de ver alguém voando", conta Alqueres.
Com bons efeitos especiais e trama, "The Flying Man" começou a se espalhar rapidamente. Em uma semana, havia sido visto mais de 300 mil vezes. O site Vimeo o escolheu como destaque da semana e o jornal americano "USA Today" estampou em suas páginas o sucesso do curta de apenas 9 minutos.
Mas o grande elogio veio de Joe Quesada, chefe criativo da Marvel Entertainment: "Palavras não podem expressar o quanto amei esse curta", escreveu no Twitter.
"Fiquei satisfeito com o comentário, é um reconhecimento por alguém que entende do assunto", diz o cineasta, que sonha um dia adaptar um dos filmes da Marvel para o cinema e já tem um agente em Hollywood para transformar "The Flying Man" em longa-metragem.
Assista "The Flying Man":
Gabriel Kalim Mucci, paulista de 31 anos, não teve o apoio da Marvel na divulgação informal, mas o trailer de seu curta pós-apocalíptico "Lunatique" (veja o trailer) foi uma das atrações do site americano "Twitch", segundo o qual "a América do Sul continua provando ser um celeiro de novos talentos para o gênero".
Os brasileiros seguem o exemplo do diretor uruguaio Fede Alvarez, que foi contratado para dirigir o remake milionário de "A Morte do Demônio", em Hollywood, após seu curta-metragem sobre robôs gigantes virar uma sensação na internet.
VISÃO ROMÂNTICA
"Lunatique", que foi todo filmado no centro antigo de Santos por R$ 200 mil, está agora em pós-produção.
O curta conta a história de uma sobrevivente solitária que precisa fazer incursões pela cidade para angariar mantimentos --até ser caçada por uma criatura. O filme chama a atenção pelo cuidado na direção de arte e pelos ângulos de câmera.
"O cinema de gênero não é valorizado no Brasil, mas tenho uma visão romântica de que posso ajudar a consolidar a ficção científica por aqui", diz Mucci, o diretor formado em cinema pela Faap.
É a mesma ideia de Carlos G. Gananian, 33, ex-sócio de Mucci na Geral Filmes, que rodou o mundo com seu curta vampírico "Akai", em 2006, mas agora investiu em um conto de ficção científica chamado "AM/FM", que fica pronto mês que vem e usa recursos de stop-motion (quadro-a-quadro), animatronics (criaturas animadas mecanicamente) e miniaturas.
O curta é entrelaçado por imagens do presente de um mendigo atacado por visões e por flashbacks em preto e branco que homenageiam antigos filmes do gênero.
Os três cineastas têm em comum a dificuldade de financiar os filmes no Brasil e de mostrá-los em festivais.
"Não sinto entusiasmo com o cinema fantástico por aqui. Será mais fácil fazer um longa fora do que no Brasil, como o diretor de 'A Morte do Demônio'", crê Gananian, também formado na Faap.
"O cinema brasileiro está se solidificando como mercado", diz Cláudio Torres, que dirigiu a comédia de ficção científica "O Homem do Futuro", um sucesso com mais de 1 milhão de espectadores.
"A ficção científica é um gênero curioso no mundo inteiro e não tem aceitação garantida. Mas temos um terreno fértil, como o ET de Varginha, [o paranormal] Thomas Green Morton e pistas de aterrissagem de discos voadores no Planalto Central", diz ele.
É, também, um dos gêneros mais lucrativos do cinema: o filme "Avatar", por exemplo, é a maior bilheteria da história, com US$ 2,7 bilhões em caixa.

CRÍTICA FICÇÃO
Curta nada fica a dever a blockbusters
ANDRÉ BARCINSKICRÍTICO DA FOLHANão é à toa que o curta-metragem de "The Flying Man", de Marcus Alqueres, tem recebido elogios: o filme é muito bem feito e bem dirigido. Se foi, como afirma Alqueres, produzido com orçamento baixíssimo, é caso a ser estudado por estúdios, já que os efeitos especiais, a montagem e a edição de som não ficam nada a dever a produções milionárias.
O filme começa com cenas impactantes, que mostram o "Homem Voador" sobrevoando uma cidade. A aparição provoca caos, engarrafamentos e acidentes de trânsito.
O filme é contado do ponto de vista dos habitantes da cidade. O misterioso herói é mostrado só de longe, o que aumenta o clima de mistério.
Logo, o ser voador passa a atirar pessoas do céu. Descobre-se que ão todos criminosos, com longas fichas na polícia. Entram em cena dois sujeitos em um carro. Estão a caminho de alguma transação criminosa -- não fica claro de que tipo -- e conversam sobre o justiceiro.
Grande parte dos nove minutos de duração do curta se passa dentro do carro, onde um dos homens se mostra preocupado com as notícias sobre o ser que mata bandidos, enquanto o outro só quer completar a transação.
"The Flying Man" parece mais um cartão de visitas, um trailer que apresenta um super-herói misterioso e atiça a curiosidade do espectador para saber mais sobre o personagem. O curta tem um final em aberto, que deixa mais dúvidas que respostas.
Fica evidente que Alqueres só deu um aperitivo, uma pequena amostra do que é capaz de fazer.
Seus efeitos especiais, realizados em parceria com João Sita --que trabalhou com efeitos visuais em "300" e "A Saga Crepúsculo: Amanhecer "" Parte 2"-- impressionam, e a música e os efeitos sonoros, de Roger Lima, são de primeira.
Que venha "The Flying Man", o longa-metragem.

    sábado, 6 de julho de 2013

    Público aplaude de pé poemas de Pessoa por Bethânia e dona Cleo

    folha de são paulo - FLIP2013
    Autora encanta festa com 'fazcarigundum'
    Em debate ontem sobre Nabokov, tema de seu livro elogiado, franco-iraniana Lila Azam ganha plateia em Paraty
    Musa do evento, ela falou sobre a influência do autor de 'Lolita' e cantarolou música de Adoniran Barbosa
    RODRIGO LEVINOENVIADO ESPECIAL A PARATYA franco-iraniana Lila Azam Zanganeh, 36, foi consagrada em Paraty como a musa desta Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).
    Ontem, pouco antes de subir ao palco principal e depois de alguns meses estudando português via Skype com um professor brasileiro, a escritora, que fala seis idiomas, temia não ter vocabulário suficiente para levar adiante a discussão com o ensaísta carioca Francisco Bosco, com quem dividiria a mesa "O Prazer do Texto".
    Estimulada por colegas -e pelo namorado brasileiro-, pôs o tanto que já dominava à prova. E, no primeiro pedido de desculpas pela pronúncia (cheia de charme e sotaque francês), ganhou a plateia da Tenda dos Autores.
    SONHO
    Lila é autora de "O Encantador: Nabokov e a Felicidade", um ensaio sobre a busca pela felicidade na obra do autor de "Lolita". Ela disse ter sonhado várias vezes com o próprio durante a feitura do seu livro. Um dos trechos da obra, aliás, traz uma entrevista fictícia com Vladimir Nabokov feita por Lila, no final dos anos 1970. Na verdade, ela tinha apenas dez meses de idade quando o escritor morreu.
    "Nos meus sonhos, ele tinha muitas ideias erradas e o pior: não gostava de escritoras e tradutoras de suas obras", disse.
    Segundo ela, um teste de fogo foi ter lido em voz alta trechos do livro para Dmitri, filho de Nabokov, que estava doente à época.
    "Inicialmente ele ficou bravo, perguntando por que eu havia inventado aquelas coisas que estavam no livro, mas depois me ajudou na pesquisa sobre o pai."
    A autora explicou como a personalidade do escritor russo-americano (1899-1977), que enfrentou uma série de tragédias pessoais e encontrou, nos exílios, novos prazeres da vida, a inspirou na busca pela felicidade em seu texto.
    Um dos pontos altos da mesa se deu quando Francisco Bosco falava da força da expressão verbal na música quando perde o contato com a realidade e tende à explosão, como as onomatopeias de "País Tropical", do cantor Jorge Ben Jor.
    "É como em 'Trem das Onze'", interveio Lila, que continuou, dessa vez cantarolando: "Que tem aquele 'fazcarigundum, fazcarigundum, fazcarigundum'".
    A plateia veio abaixo em sorrisos e aplausos.
      Coutinho diz que só se vê filme nacional 'por acaso'
      Cineasta relança tiragem limitada em que critica filme de Bergman e nouvelle vague
      MARCO AURÉLIO CANÔNICOENVIADO ESPECIAL A PARATY"Eu nunca tenho nada a dizer, amanhã vai ser um problema." A reclamação do cineasta Eduardo Coutinho, 80, na entrevista coletiva ontem, em Paraty, poderia ser mau presságio para a mesa de que participa hoje na Flip.
      Mas basta a primeira pergunta para Coutinho mostrar que tem muito a dizer sobre cinema e o gênero de sua preferência, o documentário.
      "Não me levo muito a sério, isso é essencial. Como eu fiquei relativamente conhecido com 50 anos, levo isso tudo com muita ironia. Eu sou o melhor cineasta de mim mesmo, do meu quarteirão", disse o diretor de "Cabra Marcado para Morrer" (1984) e "Edifício Master" (2002).
      Coutinho disse lidar com a crítica a seus filmes "de modo contraditório". "Quando a crítica é burra, eu nem ligo. Tem coisas que falam bem de um filme meu e eu acho que me enganei, porque, para certas pessoas estarem elogiando, só pode ter sido erro meu. E há outras que indicam novas leituras possíveis, coisas que eu não tinha pensado."
      A presença do cineasta na Flip será celebrada também com uma tiragem limitada do livro "O Olhar no Documentário", que reúne o ensaio que dá título a obra, em que Coutinho analisa sua profissão, e depoimentos de Ferreira Gullar, João Moreira Salles e Eduardo Escorel.
      A parte mais rara do livro é a que inclui críticas cinematográficas que o próprio Coutinho assinou para o "Jornal do Brasil", entre 1973 e 1974.
      Nelas, diz ter falado mal de "O Sétimo Selo", "o pior filme do Bergman, com uma simbologia que pesa toneladas" e atacado duramente a nouvelle vague francesa.
      "Não gosto do surrealismo no cinema, acho que não dá certo. E odeio a vanguarda francesa. Os dois filmes que o [Luis] Buñuel fez com o [Salvador] Dalí, Um Cão Andaluz' e A Idade do Ouro', valem mais do que toda a vanguarda francesa junta, pode pegar e jogar no lixo."
      Com um humor ranzinza, Coutinho falou sobre a falta de audiência do cinema nacional, em que "o público só vê filme brasileiro por acaso". "Estava entrando no cinema para ver um filme nacional e o porteiro me falou: Olha, o filme é brasileiro, hein'",
        Público aplaude de pé poemas de Pessoa por Bethânia e dona Cleo
        Recital dedicado ao português foi um dos pontos altos da Flip
        MARCO RODRIGO ALMEIDAENVIADO ESPECIAL A PARATYA noite de ontem tem tudo para ser lembrada como um dos maiores momentos da história da Flip. A cantora Maria Bethânia e a professora Cleonice Berardinelli fizeram uma homenagem comovente ao português Fernando Pessoa. Foram aplaudidas de pé diversas vezes.
        A palestra foi a primeira a ter os ingressos esgotados nesta Flip.
        Aos 96 anos, Cleonice, ou dona Cléo, como a chama Bethânia, encantou o público com seu humor e disposição.
        A primeira parte da apresentação foi dedicada à leitura ininterrupta, por mais de uma hora, de poemas.
        Dona Cléo, imortal da Academia Brasileira de Letras e especialista em Pessoa, fez um roteiro que abarcou toda a obra do poeta. Começou com "Dois Excertos de Ode", do heterônimo Álvaro de Campos.
        A partir daí elas se alternaram em poemas como "Abdicação", "O Infante" e "Natal".
        Arrancaram ainda mais aplausos a cada vez que recitavam juntas, como em "Todas as Cartas de Amor São Ridículas", em que cabia a dona Cleo todos os "ridículos" ao longo do poema.
        Depois, dona Cleo deitou e rolou com perguntas do público, como "qual seu heterônimo preferido?" ("É como perguntar a uma mãe de que filho ela gosta mais").
        Bethania disse que quer gravar com a amiga um CD recitando Pessoa, ao que dona Cleo complementou: "Responder a isso é mais fácil que as perguntas que vocês me fazem: claro que quero!".
          FLIPETAS
          AQUARELA BRASILEIRA
          A americana Lydia Davis fez um passeio de barco na manhã de ontem, acompanhada do marido. Nadou no mar, alimentou macacos e disse ter se sentido "num paraíso tropical". Sobre Paraty, disse ainda estar "aprendendo a andar nas ruas de pedra", mas elogiou a população e a comida --seu prato preferido foi uma moqueca de banana-da-terra.
          SOM, SOM
          Maria Bethânia inovou na Flip: resolveu passar o som antes de sua mesa ontem, recitando versos de Fernando Pessoa. "Muito ruim. O som tá abafadinho." Reclamou também da luz e do ar refrigerado. "E ainda nem testaram o microfone de dona Cleo! [Cleonice Berardinelli]", disse.
          700
          é o número estimado de participantes da manifestação que atravessará hoje Paraty. O cálculo foi feito ontem por 20 integrantes em reunião de duas horas. A ideia é que eles ocupem por 20 minutos a ponte que dá acesso à Tenda dos Autores --justamente o que preocupa a organização do evento.

          NA INTERNET
          Outros destaques
          A COZINHA VENENOSA
          Silvia Bittencourt dá aula' sobre o Münchener Post', pequeno jornal que fez vigorosa oposição a Adolf Hitler durante dez anos.
          folha.com/no1306723
          ENGAJADO
          Biógrafo de Graciliano Ramos afirma que escritor, filiado ao Partido Comunista, apoiaria os protestos no Brasil.
          folha.com/no1306768
          AFINIDADES
          Ensaísta Roberto Calasso diz que Kafka e Baudelaire têm em comum a habilidade de envolver seus leitores.
          folha.com/no1307074
          LOBÃO
          Na programação paralela, Roqueiro volta ao ataque e classifica projeto de lei que prevê controle do Ecad de golpe'.
          folha.com/no1307287

          ANDRÉ BARCINSKI

          Festa literária e política de Paraty
          Você pode sair de um debate sobre Baudelaire e dar de cara com palhaços lendo histórias infantis
          Veteranos da Flip sentem no ar estranhas vibrações. Se, em anos anteriores, a literatura foi o tema dominante do evento --afinal, trata-se de uma festa literária, certo?--, neste ano, as discussões políticas dão o tom.
          O efeito das manifestações populares que tomam conta do Brasil é sentido em muitas mesas e debates. Gilberto Gil reclamou do público "esbranquiçado" que dominou as arquibancadas do Maracanã na final da Copa das Confederações; Dênis de Moraes, biógrafo de Graciliano Ramos, disse que o velho Graça, se vivo fosse, certamente estaria apoiando os protestos. Na quinta-feira à noite, a mesa "Narrar a Rua", que por vezes teve um clima mais de palanque que de conversa, foi muito aplaudida pelo público.
          Em meio ao tiroteio de opiniões e frases de efeito, um debate sobre o prazer do texto sob a ótica de Nabokov e Barthes, com a franco-iraniana Lila Azam Zanganeh e o ensaísta brasileiro Francisco Bosco, trouxe um pouco de leveza à festa.
          A verdade é que a Flip é uma alegre bagunça. Você pode sair de um debate denso sobre Baudelaire e Kafka com Roberto Calasso e dar de cara com um grupo de palhaços lendo histórias infantis, ou ver uma multidão se espremendo em frente à Casa Folha para ouvir o Pondé falando sobre Kant e Nietzsche.
          Nos cafés e restaurantes, um assunto dominava as conversas: a manifestação marcada para a manhã de hoje, que sairá do cais de Paraty e percorrerá a cidade. A concentração está marcada para as 9h, e a saída, para as 13h. Se as ruas de pedra já ficam intransitáveis nesses dias de Flip, como estarão hoje?
          O que acontecerá quando manifestantes, carregando cartazes contra o preço dos ônibus, os gastos da Copa e a "cura gay", encontrarem os pequenos fãs de Adriana Calcanhotto assistindo a seu show infantil na praça da Matriz? A conferir.

            quinta-feira, 4 de julho de 2013

            Milton Hatoum destaca ética de Graciliano Ramos em Flip política

            folha de são paulo
            FLIP 2013
            Autor usou trechos de obras e trajetória do alagoano para tratar de problemas crônicos do país
            Para curador da festa, autor de "Vidas Secas" lançaria "olhos meio desconfiados" sobre homenagem a ele
            DOS ENVIADOS ESPECIAIS A PARATY (RJ)A "postura ética irrepreensível" de Graciliano Ramos (1892-1953), homenageado desta Festa Literária Internacional de Paraty, esteve no centro da conferência com que o romancista Milton Hatoum deu largada, na noite de ontem, à 11ª edição do evento.
            Numa Flip que se propõe a realizar, segundo o curador Miguel Conde, "um esforço redobrado de pensamento sobre o momento político", trajetória e obra do autor de "Vidas Secas" (1938) permitiram a Hatoum aludir indiretamente a problemas que levaram a manifestos pelo país.
            "Graciliano teve plena consciência das contradições do país e viu nelas um impasse. E uma das causas, para ele, é a ausência ou inconsistência da educação", disse, referindo-se ao uso da palavra pelo autor alagoano como uma "arma de explicação sutil".
            Hatoum mesclou, numa leitura de uma hora e meia, trechos de obras do autor, como "São Bernardo"(1934), "Angústia" (1936) e "Memórias do Cárcere" (1953), com interpretações próprias e de críticos como Antonio Candido e Otto Maria Carpeaux.
            A isso costurou detalhes da trajetória pessoal e profissional de Graciliano, que, nos anos 20 e 30, foi prefeito de Palmeira dos Índios (AL) e diretor da Instrução Pública de Alagoas, cargo equivalente ao de um atual secretário da Educação.
            "A postura ética [de Graciliano], que subjaz à visão crítica, está a anos-luz do cinismo, da indiferença e da empáfia que ele criticou na figura de alguns de seus personagens", disse.
            Hatoum lembrou ainda os célebres relatórios de prestação de contas que renderiam ao autor o convite para publicar o primeiro romance, "Caetés" (1933).
            "Nesses textos já aparecem os assuntos de Vidas Secas', São Bernardo' e Infância', e a crítica ferina, o tom desabusado e as frases breves de seu estilo literário."
            DESCONFIANÇA
            Ao apresentar a conferência de abertura, o curador Miguel Conde disse que "Graciliano devolveria com olhos meio desconfiados o olhar de admiração que lançamos sobre ele".
            "Ele era avesso a eventos solenes, como este não deixa de ser, e desconfiava da mistificação da figura do escritor, especialmente numa sociedade como a nossa, em que a cultura letrada muitas vezes serve de signo de demarcação das diferenças sociais", disse Conde.
            Graciliano teria motivos de sobra para desconfiar de Paraty por estes dias.
            É tema de exposição na Casa da Cultura, tem manuscritos em letras garrafais na entrada da Tenda dos Autores --o trecho de "Vidas Secas" em que a cadela Baleia, prestes a morrer, sonha em acordar "num mundo cheio de preás"-- e está entre os autores mais vendidos na tenda da Livraria da Travessa, que trouxe dezenas de títulos dele ou sobre ele.
            "CAETÉS"
            Durante a tarde, a editora Record lançou uma edição comemorativa dos 80 anos do livro "Caetés".
            O título, escrito entre 1925 e 1928, e revisado pelo autor em 1930, narra a história de um escritor com planos de um grande livro que sucumbe à mesquinharia dos tipos de uma cidade do interior.
            Segundo Ricardo Ramos Filho, neto de Graciliano, o avô, conhecido pelo pessimismo e pela autoironia, dizia que o romance não era tão bom assim, "mas tinha um ótimo prefácio" --uma referência ao texto do crítico Antonio Candido para a terceira edição da obra.
            Autor nacional mais vendido da Record, com mais de 4 milhões de exemplares, Graciliano tem sido modernizado aos poucos.
            Somente neste ano, 12 livros seus estarão disponíveis em formato digital.
            Em 2014 será lançada edição especial de "Memórias do Cárcere". Também estão programados para o ano que vem uma coletânea de entrevistas e o lançamento de "Cangaços", volume de não ficção incluindo textos inéditos.
              FLIPETAS
              SOM PARA TODOS
              Após começar sua apresentação na abertura da Flip com "Realce" e "Novidade", Gilberto Gil presenciou uma pequena manifestação.
              Centenas de pessoas que assistiam ao show fora da tenda começaram a reclamar do som, que mal chegava às laterais. Sem entender a reclamação ruidosa, Gil anunciou que estava em assembleia. "Mas vem cá, tem uma pauta específica ou é um movimento difuso como as manifestações?", perguntou, divertindo parte da plateia. O imbróglio durou alguns minutos, até a apresentação ser reiniciada com "Domingo no Parque".
              -
              FALTAS JUSTIFICADAS
              O escritor norueguês Karl Ove Knausgård alegou motivos pessoais para cancelar sua participação na Flip às vésperas do início do evento. A Folha apurou que a mulher do autor está com depressão, o que teria impossibilitado a viagem.
              Entre organizadores da Flip, corre a maldade de que Michel Houellebecq, outra baixa importante desta edição e que já cancelara sua participação no ano passado, desistiu de vir ao Brasil por medo das recentes manifestações no país.
              -
              R$ 13 milhões
              é o total movimentado em Paraty durante os cinco dias de festa literária, segundo estimativa do secretário de turismo da cidade, Wladimir Santander
                ANDRÉ BARCINSKI
                De Maria Bonita a Jack Sparrow
                Evento mexe com Paraty, muda os hábitos dos comerciantes e até as roupas dos moradores moradores --até na vestimenta
                Não é segredo que a Flip mexe com Paraty. Tivemos prova disso há alguns dias, quando encontramos nosso amigo Wagão, que só anda de chinelo de dedo e camiseta regata do Fluminense, usando capacete, uniforme de "staff" do evento e falando apressadamente ao walkie-talkie: "Tô trabalhando na montagem das tendas", explicou Wagão.
                Quem mora na cidade logo percebe os sinais de aproximação do evento: o casal vestido de Maria Bonita e Lampião se coloca na ponte que liga o Pontal ao centro histórico e vende sua literatura de cordel; o jovem de cabelo "black power" posiciona a plaquinha que oferece "versos a um real". Não demora, e aparece também o sósia de Jack Sparrow, de "Piratas do Caribe", cobrando dois reais por uma foto.
                As lojas da cidade reciclam sua mercadoria: nas vitrines, somem as camisetas "Antes um bêbado conhecido que um alcoólatra anônimo", "Vem pra cachaça você também" e "Instrutor de sexo: primeira aula grátis", substituídas por estampas com poemas de Drummond. Faz parte.
                Outro personagem inescapável da Flip é o sujeito que chamamos de "morador ocasional": durante os cinco dias da festa, a figura abre as portas e janelões de um casarão colonial no centro histórico, liga um Miles Davis no último volume e passa as tardes sentado na calçada, fumando um cachimbo, lendo poesia e acariciando um cachorro do tamanho de um camelo.
                Muito "cool". Curiosamente, não é visto nos outros 360 dias do ano. Também faz parte.
                A verdade é que a Flip é vital para a cidade. Restaurantes, pousadas, hotéis, agências de turismo, barqueiros, cachaçarias, lojas, todos esperam o evento com ansiedade. São 800 empregos diretos, sendo metade para a população local.
                Os hotéis e pousadas ficam tão cheios que tem gente se hospedando em Ubatuba, a 70 quilômetros.
                Na tarde de quarta-feira, antes do início oficial da festa, Paraty já estava lotada.
                Na ponte, Maria Bonita oferecia seus cordéis e autores independentes tentavam vender seus livros. Muito bonito ver tanta gente tentando sobreviver da literatura.

                  quinta-feira, 14 de março de 2013

                  Entrevista Sheryl Sandberg - Fernanda Ezabella

                  folha de são paulo

                  Não nos sentimos confortáveis quando mulheres estão no poder
                  PARA DIRETORA DO FACEBOOK, ESTEREÓTIPO É QUE SÓ HOMENS DEVEM SER PODEROSOS
                  FERNANDA EZABELLAENVIADA ESPECIAL A MOUNTAIN VIEW, CALIFÓRNIA
                  Ela já foi professora de aeróbica, casou aos 24 e divorciou-se aos 25, já chorou na frente dos chefes e levou quase um ano para arranjar emprego no Vale do Silício.
                  Hoje, aos 43 anos, Sheryl Sandberg é a executiva mais poderosa do setor de tecnologia, no cargo de diretora de operações do Facebook.
                  Ela conta detalhes de seu passado pouco glorioso, assim como situações embaraçosas no mercado de trabalho, no livro "Faça Acontecer" (Cia das Letras), uma mistura de biografia com autoajuda, ou, como ela mesma descreve: "Uma espécie de manifesto feminista".
                  Leia trechos da entrevista concedida na sede do Facebook no Vale do Silício.
                  Folha - Tenho a impressão de que há mais mulheres no Facebook do que quando visito a Apple ou o Google. Isso tem a ver com a sua gerência?
                  Sheryl Sandberg - Antes de eu chegar ao Facebook já havia aqui políticas ótimas para as mulheres. O que fiz foi abrir o debate sobre gêneros. Quando nos dão retorno sobre o trabalho de outras mulheres, é comum ouvir que são agressivas. E nós perguntamos: por quê? Geralmente, quando um homem faz as mesmas coisas, ele não é considerado assim. Todo mundo quer um líder que as pessoas gostem e respeitem. E as mulheres têm mais dificuldade em ser ambos.
                  Por quê?
                  Nós não nos sentimos confortáveis com mulheres no poder. Nosso estereótipo diz que mulheres devem nutrir, ajudar, cuidar dos outros, enquanto os homens devem ser poderosos.
                  A sra. não tem receio de que, com o livro, suas decisões sejam vistas como interesse de beneficiar outras mulheres?
                  Não, imagine. A maioria das pessoas que trabalha para mim é homem, ainda hoje. A maioria da equipe sênior do Facebook é de homens, a maioria das equipes seniores em todos os lugares é de homens. Meu sucesso nos negócios sempre dependeu da minha habilidade de trabalhar bem com homens e mulheres.
                  Em qual momento a sra. passou a se identificar como feminista?
                  Foi quando passei a reconhecer essas questões e a perceber o quão grande é o papel do gênero. Foi apenas observando homens e mulheres que administrei ao longo de 15 anos. Não importa o que eu fizesse, os homens sempre saíam na frente.
                  No livro, a sra. diz que "ter tudo" é "talvez a maior armadilha de todos os tempos para as mulheres". Mas a sra. tem tudo e é uma das mulheres mais poderosas do mundo.
                  Eu sou muito sortuda. E sou bem clara quando digo que "ter tudo" é apenas uma linguagem ruim e apenas aplicada a mulheres. Nunca ninguém diz "ele tem tudo". Homens e mulheres deveriam ter chances iguais. Não estou dizendo que tudo deve ser feito ao mesmo tempo. As mulheres saem do campo de trabalho anos antes de ter filhos. Se você planeja ter um bebê em três anos, não deveria desistir das coisas agora. Se seguir na carreira, quando tiver um bebê, terá um salário melhor e provavelmente mais opções, flexibilidade.
                  Quando os EUA estarão prontos para uma presidente?
                  Espero que na próxima eleição. Espero que Hillary Clinton seja candidata.
                  A sra. não se sente às vezes frustrada por querer ter propósitos maiores e profundos e trabalhar numa empresa conhecida pelo fato de as pessoas trocarem vídeos de gatos?
                  O profundo pode ser encontrado no mundano, não é? Você pode dividir fotos bobinhas de gatos e se sentir realmente próximo de alguém. As pessoas precisam usar essas habilidades para se comunicar de todas as formas. E acho que é ok, é bom.
                  Como foi ser contratada pelo Facebook? Quais qualidades Mark Zuckerberg estava procurando que a sra. tinha?
                  Acho que nós dois tínhamos visões compatíveis sobre o que o Facebook deveria ser. Acho que tinha um monte de experiências e habilidades em áreas com as quais Mark não queria passar seu tempo lidando.
                  Por que decidiu falar sobre momentos embaraçosos da sua carreira? A sra. agradece a apresentadora Oprah Winfrey ao final do livro. Ela ajudou?
                  Foi bem difícil me abrir. Quando decidi escrever o livro, foi na época em que conheci a Oprah. E ela me disse para nem começar a escrever se não fosse compartilhar coisas pessoais. Amo dados e estatísticas, mas as pessoas não se interessam. Elas se vêem no que aconteceu comigo e que pode acontecer com elas.
                  Que dicas daria às mulheres na hora de pedir um aumento?
                  É importante entender que você se dará melhor se justificar o seu pedido. Dizer apenas que você merece ganhar mais pode ser a verdade, mas não funciona tão bem como funciona para os homens. Você se dará melhor se explicar o porquê. Você merece um aumento porque vai ajudar a empresa a crescer ou porque é importante para sua equipe. Não é ser agressiva, é entender o que o mundo espera de uma mulher


                  RAIO-X - SHERYL SANDBERG
                  IDADE
                  43 anos
                  CARGO ATUAL
                  diretor de operações do Facebook
                  ONDE JÁ TRABALHOU
                  Google e Departamento do Tesouro dos EUA
                  OBRA
                  "Faça Acontecer" (Cia das Letras)

                  Livro empilha dados, mas não aponta soluções
                  ANDRÉ BARCINSKICRÍTICO DA FOLHAO livro de Sheryl Sandberg, "Faça Acontecer -Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar", está causando polêmica nos EUA. A crítica mais comum é que o livro representa a visão de uma multimilionária cercada de regalias e que não fala pela mulher norte-americana média.
                  Parece uma visão preconceituosa, como se mulheres ricas e bem-sucedidas não pudessem ser feministas atuantes.
                  O livro é uma mistura de autobiografia, manual de autoajuda e manifesto feminista.
                  Tenta balancear um texto leve e divertido com dados que mostram o longo caminho que as mulheres ainda têm de percorrer para obter igualdade no mercado de trabalho.
                  Sandberg cita pesquisas para provar que mulheres ainda ganham menos que os homens e têm mais dificuldade de subir na hierarquia das empresas. A edição brasileira traz dados relativos ao país.
                  Infelizmente, nada disso é novidade. O que se esperava de Sandberg eram sugestões para acabar com essa disparidade. Mas o livro não se aprofunda nessa questão e acaba parecendo mais um guia de como uma mulher deve se comportar para triunfar no mundo corporativo.
                  FAÇA ACONTECER - MULHERES, TRABALHO E A VONTADE DE LIDERAR
                  AUTOR Sheryl Sandberg
                  EDITORA Cia das Letras
                  QUANTO R$ 34,50 (288 págs.)
                  TRADUÇÃO Denise Bottmann
                  LANÇAMENTO 8 de abril

                    quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

                    "A Batalha pela Alma dos Beatles"

                    FOLHA DE SÃO PAULO

                    Hello, goodbye
                    Longo e doloroso processo de separação dos Beatles ganha retrato minucioso em livro de jornalista inglês
                    Mike Mitchell/Reuters
                    Os Beatles durante primeira turnê pelos Estados Unidos, em 1964
                    Os Beatles durante primeira turnê pelos Estados Unidos, em 1964
                    ANDRÉ BARCINSKICRÍTICO DA FOLHAOs Beatles criaram a trilha sonora dos anos 1960 e representaram, mais que qualquer outro artista, a ingenuidade, a beleza e o otimismo daquela década.
                    Mas a separação da banda, em 1970, foi marcada por ódio, vingança e processos judiciais. Um fim triste para o grupo que sonhou em mudar o mundo.
                    O jornalista inglês Peter Doggett escreveu o livro definitivo sobre o longo e doloroso processo de separação dos Beatles: "A Batalha pela Alma dos Beatles", que acaba de sair no Brasil pela editora Nossa Cultura.
                    Mesmo quem conhece a história dos Beatles vai se surpreender com o detalhamento do livro de Doggett. Ele revela todos os pequenos desentendimentos que acabaram virando abismos intransponíveis no relacionamento da banda.
                    A história da Apple, a utópica e malsucedida gravadora da banda, é contada com minúcias, assim como as complicadíssimas batalhas judiciais pós-separação.
                    "Venho coletando material sobre os Beatles desde 1970, quando era apenas um fã da banda", diz Doggett à Folha. "Quando chegou a hora de escrever o livro, eu já havia entrevistado muitas pessoas num período de 20 anos."
                    Entre elas, Doggett destaca as de Yoko Ono e de Louise, irmã de George Harrison (1943-2001). "Foi fascinante falar com Louise e saber detalhes sobre como George recebeu a notícia da morte de John [Lennon]."
                    Mas a entrevista mais reveladora, segundo o autor, foi a de Derek Taylor (1932-1997), o assessor de imprensa dos Beatles. "Falei com ele pela primeira vez em 1988", conta.
                    "Taylor foi incrivelmente honesto sobre as qualidades e fraquezas dos Beatles como seres humanos e sobre os problemas que tiveram com a Apple."
                    Doggett afirma: "Os Beatles descobriram algumas grandes verdades: você não pode se envolver em negócios sem se tornar um negociante; você não pode entrar no mercado sem se tornar um capitalista; você não pode supor que, só porque você tem ideais fortes, o resto do mundo vai dividi-los com você".
                    BRIGAS E SOCOS
                    O livro surpreende pelo teor raivoso das brigas, que só pioraram depois que John Lennon (1940-1980) começou a levar Yoko para o estúdio.
                    George Harrison não suportava Yoko e chegou a sair da banda depois de trocar socos com Lennon, que imediatamente sugeriu Eric Clapton para o lugar de Harrison.
                    Outro caso que mostra o grau de ódio entre eles aconteceu depois de um ensaio da música "Across the Universe", de Lennon, quando Paul McCartney teria dito: "Tem uma influência oriental que realmente não combina aí", deixando no ar se estava se referindo à música ou a Yoko.
                    "Fiquei triste por eles", diz Doggett. "Eles cresceram confiando nas pessoas que estavam próximas. Depois de 1969, no entanto, se viram sem ninguém em quem pudessem confiar."
                    "O que mais me impressionou foi que eles continuaram a fazer música nos anos 1970, mesmo tendo reuniões diárias com advogados e quando todo mundo estava querendo processá-los e eles estavam processando uns aos outros", completa.
                    A BATALHA PELA ALMA DOS BEATLES
                    AUTOR Peter Doggett
                    TRADUÇÃO Ivan Justen Santana
                    EDITORA Nossa Cultura
                    QUANTO R$ 69 (512 págs.)

                      Para autor, Paul tentou "fazer as pazes" com John depois do livro
                      DO CRÍTICO DA FOLHA"A Batalha pela Alma dos Beatles" é um relato objetivo e frio do momento mais conturbado da história da banda inglesa.
                      Segundo Peter Doggett, também autor de "The Art and Music of John Lennon", entre outros trabalhos sobre os Beatles, a história de brigas e processos judiciais não deve ter agradado aos Beatles sobreviventes, Paul McCartney e Ringo Starr.
                      "Mesmo que eu tenha tentado ser justo e imparcial ao relatar suas disputas e problemas, eu ainda estava revelando aspectos dolorosos do passado, e tenho certeza de que eles não queriam voltar a pensar nisso."
                      Doggett conta que, em 2009, pouco antes de o livro ser publicado na Inglaterra, o escritório de Paul recebeu uma cópia.
                      Sem razão aparente, Paul deu uma série de entrevistas para grandes publicações, enfatizando como ele e John Lennon estavam próximos antes da morte do músico, assassinado em 8 de dezembro de 1980.
                      "Talvez tenha sido uma coincidência, mas acredito que Paul tenha lido meu livro, percebido o quadro triste que o texto passava sobre o relacionamento dele com Lennon depois de 1968, e tentado dar a sua versão, mais alegre, antes que as pessoas pudessem ler a minha", afirma Doggett.
                      "O que ele não mencionou é que, como informo no livro, ele e Lennon se viram pela última vez em 1976." (AB)