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segunda-feira, 15 de julho de 2013

'The Newsroom' explora erro jornalístico em nova temporada - Fernanda Ezabella

folha de são paulo
Série de TV sobre bastidores de um telejornal fictício estreia hoje a segunda fase na HBO
Equipe do programa 'News Night' é alvo de processo jurídico pesado devido a uma reportagem polêmica
FERNANDA EZABELLADE LOS ANGELESO âncora de TV Will McAvoy (Jeff Daniels) volta ao noticiário desta noite com mais uma polêmica na manga.
Se na primeira temporada do seriado "The Newsroom" ele iniciou os trabalhos afirmando que os EUA não eram o maior país do mundo, agora ele estreia a segunda pisando no calo dos conservadores ao comparar o Tea Party, grupo ultraconservador do Partido Republicano, ao Taleban.
Mas este será um problema menor para a equipe do programa "News Night", do canal fictício Atlantis Cable News, cujos bastidores são tema da série criada e escrita pelo premiado roteirista Aaron Sorkin ("A Rede Social", "The West Wing").
Como já mostra o primeiro episódio, o programa é alvo de um processo jurídico pesado devido à exibição de uma matéria errada que coloca toda a emissora em risco.
As circunstâncias do erro jornalístico envolvem drones (aeronaves de pilotagem remota) e fontes pouco confiáveis. Vão ficar mais claras ao longo dos nove episódios.
"Will e sua equipe têm esta noção utópica de como o noticiário deve ser. Há dias em que conseguem fazer direito, mas há outros em que não. E a nova temporada é um bom exemplo de quando falham miseravelmente", conta Daniels, 58 anos.
"Qualquer erro feito por qualquer outra emissora dos EUA é fichinha perto da grande besteira que fizemos."
O ator acredita que 90% dos jornalistas americanos estão tentando fazer a coisa certa, mas critica os canais "a serviço do dinheiro" e que "são um desserviço e um custo à democracia".
"Todo mundo pega sua notícia da Fox News e vira fato. O mesmo pode ser dito do outro lado [mídia liberal]. Eles dizem o que querem porque há dinheiro nisto. Acho perigoso. O que é sagrado no jornalismo está sendo prejudicado pelos caras atrás de dinheiro."
CRIADOR PERFECCIONISTA
A nova temporada se passa entre agosto de 2011 e novembro de 2012 e aborda desde o início do movimento Occupy Wall Street até a cobertura das eleições americanas.
A comparação do Tea Party com o Taleban vai complicar a vida do jornalista Jim (John Gallagher), que é destacado para cobrir as viagens da campanha republicana. Na verdade, Jim pede pelo posto para evitar ficar no escritório trabalhando com a colega Maggie (Alison Pill), por quem é apaixonado.
"Esta nova temporada está mais centrada nos personagens. As notícias vão acontecendo ao redor, não é tão focada num só evento por episódio. Mistura mais pessoal e profissional", explicou Gallagher, 29 anos. "Achei corajoso Aaron [Sorkin] dar uma mexida no formato."
Os atores comentam que Sorkin está sempre presente nos ensaios e gravações, atento a qualquer palavra que não faça parte do roteiro. Dizem que ele é tão perfeccionista que reescreveu os dois primeiros episódios que já estavam gravados.
Cada ator tem um truque para decorar as páginas e mais páginas de diálogos, como Thomas Sadoski, que faz Don, ex-produtor executivo do "News Night" e namorado de Maggie. Ele grava suas falas num gravador e vai se ouvindo durante o dia, principalmente no carro.
"No estúdio, tem gente em todos os cantos circulando com o roteiro, saindo do banheiro até, falando sozinho. Sempre tem alguém que bate a cabeça em porta de vidro", conta Sadoski, 37 anos.
"Já tivemos pessoas que tentaram improvisar e foi chocante. Você percebe na hora por causa do ritmo. É como querer improvisar Shakespeare, sem querer exagerar, claro."
Sadoski, que assim como Daniels e Gallagher vem do teatro, diz ter orgulho de fazer parte de "Newsroom" por ser um programa que lida com "aspirações".
"Tem tanto entretenimento hoje em dia sobre anti-heróis e comédias sarcásticas... Acho ótimo que Newsroom' é sobre perguntar como podemos fazer algo bom no lugar de ficar dizendo que tudo é uma porcaria."

    domingo, 30 de junho de 2013

    Novo Super-Homem, Henry Cavill malhou muito para caber no uniforme colante

    folha serafina
    FERNANDA EZABELLA
    DE LOS ANGELES

    Interpretar o Super-Homem, um dos heróis mais amados do planeta e já vivido por Christopher Reeve (1952-2004), foi uma tarefa penosa para Henry Cavill.
    Em "Homem de Aço" (estreia em 12 de julho), o público vê como Clark Kent aprendeu a voar. Na vida real, o ator britânico também aprendeu a ultrapassar seus limites físicos.
    "Não dá para fingir para a câmera que você tem barriga tanquinho. É preciso trabalhar duro. Chegar ao físico certo foi o maior desafio", diz Henry, 30, que ficou conhecido como o duque de Suffolk, na série "The Tudors" (2007-2010).
    "É surpreendente o quanto podemos forçar o corpo. Você pode estar exausto, mas, se a mente estiver pronta, vai conseguir ir em frente. Até cair."

    Henry Cavill como o Super-Homem

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    Henry Cavill ao lado de Christopher Meloni em cena de 'O Homem de Aço'
    O filme, dirigido por Zack Snyder ("Watchmen", "300") e com produção de Christopher Nolan, da trilogia "Batman", foi bem na bilheteria dos EUA, apesar das críticas pouco favoráveis.
    A história passa longe do clima sombrio do "Cavaleiro das Trevas" e do humor de "Homem de Ferro" e opta por uma trama realista (na medida do possível) sobre as origens do super-herói. Não à toa, foram escalados atores dramáticos, como Kevin Costner e Diane Lane, para viver os pais humanos de Clark.
    "Mais do que nunca, o Super-Homem precisa ter mais coração", diz Diane, 48. "O mundo está menos acolhedor e mais assustador. E Henry tem esse coração enorme e generoso para preencher o personagem", completa a atriz.
    Durante quatro meses antes das filmagens, o ator treinou diariamente com Mark Twight, responsável por deixar a Guarda Nacional dos EUA em forma. Nos seis meses de gravação, acordava às 4h para levantar peso antes de ir ao estúdio. E ainda malhava no aparelho de remo e no "airdyne", um tipo de bicicleta em que se usam também as mãos.
    "Não era fã de remo, mas, quando era dia do 'airdyne', até sentia saudade dele", diz. "No começo, a dieta era bem pesada para ganhar massa. Depois, mudamos para eu ficar mais enxuto e pronto para caber na roupa."

    Veja outros atores que interpretaram o Superman

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    Divulgação
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    Christopher Reeve como Superman
    O uniforme do Super-Homem segue colado ao corpo, com uma nova textura de escama metálica. A clássica cuequinha por cima da roupa desapareceu, mas o "S" no peito continua lá, ainda que com um novo significado.
    Henry levava 15 minutos para vestir o traje -mesmo com a ajuda de dois assistentes da equipe de figurino do longa.
    Na preparação para o papel, o ator não reviu os filmes anteriores do Super-Homem. Apenas leu os quadrinhos, pela primeira vez. Ele nasceu na ilha de Jersey, conhecida como paraíso fiscal, e aos 13 anos foi estudar num internato.
    "Não tínhamos acesso a quadrinhos porque raramente saíamos da escola", conta. "Além de Shakespeare, lia muita ficção histórica. Sou fã de Christian Jacq", diz, citando o autor francês, especialista em Egito Antigo. Um exercício intelectual muito mais intenso do que a malhação exigida para compor seu Homem de Aço.

    AS novas agruras de ser paparazzo em L.A.

    folha de são paulo
    No apagar dos flashes
    As novas agruras de ser paparazzo em L.A.
    FERNANDA EZABELLARESUMO O mercado dos paparazzi em Los Angeles se acirrou, com as dificuldades impostas por leis restritivas e pelas negociações diretas entre celebridades e publicações. Brasileiros e outros estrangeiros que abraçaram a vida de fotógrafo de estrelas atrás de gordas somas que hoje caíram muito contam a rotina da profissão.
    Beverly Hills, 11h. O gaúcho Rafael Fontoura espera dentro de seu Prius, estacionado na sombra em frente de um condomínio fechado, num bairro de luxo em Los Angeles. São duas horas de espera e muita conversa mole ao celular. O tédio parece sem fim. Até que a BMW preta, placa final 032, sai pelo grande portão: "Estourou!", ele diz, acelerando seu veículo híbrido. Outros dois carros se juntam ao de Fontoura numa corrida maluca pelo BMW. Furam os sinais vermelhos, param em fila dupla e descem correndo com suas câmeras para o grande final.
    Fontoura, 31, mudou-se para a Califórnia há oito anos. Veio com amigos para surfar e aprender inglês. Acabou ficando ao arrumar emprego no delivery de uma pizzaria e se estabeleceu de vez, mais tarde, ao conhecer a vida de paparazzo, seis anos atrás.
    "Na época rolava muita grana. Hoje é mais difícil, porque tem muito mais gente", conta o fotógrafo, que há dois anos obteve um "greencard", após se casar com uma brasileira de dupla cidadania. "Você fica sabendo do trampo pelo boca a boca. Alguns paparazzi brasileiros, como um amigo meu, vieram por causa do jiu-jítsu, para dar aula, e isso não dava dinheiro."
    A comunidade de brasileiros é grande entre os paparazzi, embora ninguém saiba ao certo quantos são. Os profissionais em atividade estimam que o número tenha caído pela metade depois do auge dos anos 2000 (especialmente entre 2005 e 2007), quando mais de 50 dos 200 fotógrafos de rua eram brasileiros. O mercado deixou de ser uma mina de ouro, e muitos voltaram para casa. Uma foto de Paris Hilton que podia valer US$ 1.000 na década passada agora não passa de US$ 100.
    "Brasileiro tem fama de briguento, mas é bem discreto. É que a maioria não leva desaforo para casa. O que mais tem agora são mexicanos, e eles trabalham em bando, é uma praga", conta. "E tem os armênios, doidos da cabeça, gritam, chegam com som alto, a história vira uma zona."
    Denis Castro, outro gaúcho que veio para estudar e surfar, é considerado o primeiro paparazzo brasileiro em L.A. Começou em 2001 com uma máquina que ainda usava filme e, há dois anos, abriu uma agência com um amigo, a Beverly News.
    "Quando cheguei eram só uns 15 fotógrafos de rua. O que rolou foi que cada um foi trazendo três, quatro amigos", conta Castro, 31. Ele próprio introduziu colegas no negócio, como um manobrista de restaurante e um empacotador de supermercado.
    Uma de suas primeiras fotos foi um flagra de Britney Spears saindo da boate com o namorado novo da ocasião, em 2001. Fez mais de US$ 20 mil em duas semanas com as imagens. "O dono da agência deve ter feito uns US$ 150 mil", diz.
    Beverly Hills, 13h30. É Reese Witherspoon quem desce da BMW 032 e entra num salão de beleza do Santa Monica Boulevard. A atriz usa vestido vermelho e sorri para os três paparazzi. Os fotógrafos, brasileiros de agências rivais, vão almoçar juntos num restaurante ao lado, enquanto a esperam. Ela sai do salão uma hora depois, e eles correm para fazer mais fotos. A atriz dá tchauzinho ao entrar no carro e, na despedida, ainda diz para Fontoura: "Por favor, seja cuidadoso, não fique no meio da rua, não vale a pena".
    Witherspoon fazia menção a Chris Guerra, paparazzo americano de 29 anos que morreu atropelado em janeiro ao tentar fotografar Justin Bieber em sua Ferrari. O caso comoveu a classe e serviu de desculpa para celebridades tentarem impor, sem sucesso, mais controle.
    "Não há muita diferença entre o fotógrafo de guerra e o paparazzo. Claro que um é considerado herói. Mas é tudo fotojornalismo", disse o inglês Frank Griffin, 62, ex-paparazzo que mora em L.A. há 20 anos e é cofundador da agência Bauer-Griffin. "É absurdo quererem criar mais leis para que Justin Bieber tenha uma vida mais confortável."
    LEIS No final dos anos 1990, após a princesa Diana morrer num acidente quando seu carro era perseguido por fotógrafos em Paris, as leis contra paparazzi começaram a mudar nos EUA. Foram ampliadas as penas para quem captar imagens em propriedade privada e, mais recentemente,também para quem as publicar.
    Castro lembra bem das horas que passou tentando fotografar Penélope Cruz de biquíni e Matthew McConaughey sem camisa em suas casas. "Cheguei a ficar quatro horas em cima de uma árvore. Ninguém faz mais, porque ninguém publica", conta o gaúcho, que há dois anos não sai às ruas para fotografar, já que agora administra a agência. Mas ele ainda sabe de cabeça as marcas e os finais das placas dos carros de Jim Carrey (Mercedes, 888) e Britney Spears (Ford Excursion, 037). "Perdi o gosto por tirar fotos."
    Beverly Hills, 14h40. Depois do salão de beleza, Witherspoon volta para seu condomínio fechado, seguida pelos paparazzi. Fontoura aproveita a internet aberta de uma casa vizinha para mandar, do carro mesmo, duas dezenas de fotos da atriz, quase todas iguais. Em seguida, ruma para Brentwood, o bairro loteado em condomínios de ultra luxo onde ficam as casas dos ricos e famosos. Em um centro comercial da região, Fontoura escaneia as placas dos carros, à cata de alvos. Numa esquina, um paparazzo munido de binóculos toma sorvete.
    Naquela região, ele já fotografou Harrison Ford e Arnold Schwarzenegger. Hoje, cruza com Marcia Cross, a ruiva do extinto seriado "Desperate Housewives", tomando café numa lanchonete. "Ela só vale se estiver com as crianças. Sozinha não pega nada", diz. Cross sai do café, vê a câmera e faz cara feia. Seu carro está estacionado em local proibido.
    "Chata mesmo é a Gisele Bündchen: ela não gosta de dar foto de jeito nenhum", conta o paparazzo, que teve um carro totalmente destruído num acidente ao perseguir o veículo da modelo pelas ruas de L.A. (Em vão: no final, soube que era o marido, o jogador de futebol americano Tom Brady, quem estava ao volante). "Ela fala comigo em português mesmo. Pede para eu não tirar [fotos] na entrada, promete que vai me dar na saída e aí tenta despistar de qualquer jeito, dificulta. Então eu já chego dando flash na cara dela."
    TRAUMATIZADOS Histórias de famosos traumatizados por paparazzi não faltam. Ainda assim, o professor Henry Jenkins, que lidera o programa de mídias comparativas do MIT, acredita que faz parte do trabalho da celebridade ser assunto de fofoca.
    "Não vivemos mais em vilarejos, não falamos mais sobre nossos tios. A celebridade é quem eu e você temos em comum", explica Jenkins. "Mas a pessoa sobre quem fofocamos é menos importante do que a troca que ocorre entre nós, a conversa. Ela é apenas um veículo para compartilharmos nossos valores", opina o professor.
    O inglês Griffin, que antes de ser paparazzo foi fotógrafo particular do músico Prince por dois anos, se ampara na recordação dos anos loucos em que traficou drogas na Tailândia para falar do vício em revistas e sites de fofocas. "É uma questão simples de economia. Há demanda", diz. "Por US$ 2,29 você pode comprar uma revista e, por cinco minutos, se transformar em Jessica Simpson, que era gorda e agora está magra. Ou você pode comprar álcool ou drogas e ficar doidão. É tudo uma libertação da normalidade. Nem todo mundo vive uma vida fácil."
    Beverly Hills, 17h18. A imagem de Reese Witherspoon é publicada no site do tabloide britânico "Daily Mail" e em dezenas de outros veículos. "Radiante em vermelho!", diz o título da nota assinada por uma jornalista (que não estava no local), contando detalhes sobre como a atriz se mostrava relaxada e em boa forma física meses depois de ter um bebê. Abaixo do texto, 15 pessoas escreveram comentários nas 24 horas sucessivas à postagem --dez nas primeiras quatro horas, e só.
    Em Los Angeles, há uma meia dúzia de agências que contrata os fotógrafos de maneira informal, para depois revender as fotos produzidas para revistas e sites do mundo todo. Às vezes, pagam aos paparazzi um adiantamento fixo por mês (entre US$ 2 mil e US$ 4 mil), emprestam carro e prometem uma porcentagem das vendas --os profissionais reclamam de quase nunca terem acesso aos relatórios.
    "O paparazzo é um ser bem perdido. Eles escutam que fulano fez mais, acham que zezinho está roubando, e aí mudam de agência. Fica aquela paranoia", conta Castro, cuja agência, a segunda liderada por um brasileiro em L.A., conta com dois funcionários administrativos e oito fotógrafos "freelance" --incluindo um brasileiro ex-lutador de jiu-jítsu. "O business deu tantas voltas que ninguém sabe o que fazer."
    Ele cita como exemplo a época mais caótica que enfrentou em seus anos no negócio. Entre 2006-2007, quando Britney Spears entrou numa espiral destruidora, a cidade lotou de paparazzi. Em frente à casa da cantora, eram uns 30 de plantão. As imagens exclusivas de Britney raspando a cabeça teriam rendido US$ 400 mil para a agência X17 só no primeiro mês, e US$ 50 mil para o paparazzo brasileiro que a vendeu, segundo o documentário "$ellebrity" (2012).
    Quando a bolha da "era Britney" estourou, após o pai intervir para conter a cantora, sobraram paparazzi pela cidade, e as fotos se desvalorizaram. Um conjunto de imagens valia US$ 150, e era difícil obter exclusivas.
    Hoje, melhorou, mas a concorrência segue forte --ainda mais com alvos cotados, como Kim Kardashian e o casal Brad Pitt-Angelina Jolie negociando a própria imagem diretamente com as publicações. "Dá para fazer US$ 10 mil por mês se você trabalhar 16 horas por dia", diz Castro. Mais do que as celebridades, conta ele, o que os paparazzi mais perseguem hoje é "a sorte de fazer uma foto de 1 milhão".

      quinta-feira, 27 de junho de 2013

      Casais gays obtêm vitória histórica no Supremo dos EUA

      folha de são paulo
      Corte decide que casamento entre pessoas do mesmo sexo tem direito a benefícios iguais aos heterossexuais
      Tribunal derrubou ainda plebiscito que revogava a união gay na Califórnia --agora, o 13º Estado a permitir esse matrimônio
      RAUL JUSTE LORESDE WASHINGTONA Suprema Corte dos EUA decidiu ontem que o casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados americanos que aprovaram o casamento gay têm igualdade de direitos em nível federal.
      Em outra decisão, o Supremo derrubou o plebiscito que havia revogado o casamento gay na Califórnia, o que o torna o 13º Estado a reconhecer essa união, além do Distrito de Colúmbia, onde fica a capital, Washington.
      Um terço da população do país já vive em Estados que aprovam a igualdade.
      De declaração conjunta de Imposto de Renda à Previdência, todas as leis federais reconhecerão esses casais com os mesmos direitos dados aos heterossexuais.
      Uma das maiores mudanças afeta vistos de estrangeiros casados com americanos. Só americanos heterossexuais podiam pedir visto permanente aos cônjuges estrangeiros. Cerca de 30 mil casais binacionais gays podem agora requerer o mesmo.
      HEROÍNA DA CAUSA
      A ação contra o governo foi iniciada por Edith Windsor, 84, que teve relacionamento de 44 anos com Thea Spyer. Elas se casaram no Canadá em 2007, onde o casamento gay havia sido aprovado, mas moravam em Nova York.
      Quando Thea morreu, Edith teve que pagar US$ 363 mil em impostos para ficar com a herança. Se fosse um casal heterossexual, ela não teria pagado nada.
      Foi assim que ela decidiu tentar derrubar a Lei de Defesa do Casamento, assinada por Bill Clinton, em 1996, aprovada por democratas e republicanos. Neste ano, o próprio Clinton disse que a lei era "um erro". Edith vai pedir o dinheiro de volta.
      O presidente Barack Obama, em voo para a África, ligou para Edith. Ele a felicitou por "uma luta que dignifica o país" e tuitou "Love is love" [Amor é amor].
      A Corte não usou a decisão de ontem para aprovar o casamento gay em todo o país --o que foi criticado em editorial pelo "New York Times". Em 33 Estados os casamentos civis homossexuais permanecem vetados por lei.
      O advogado David Boies, autor da ação que derrubou a revogação dos casamentos gays na Califórnia em 2008, afirmou à rede CNN que a decisão do Supremo "cria jurisprudência para desafiar leis discriminatórias no país inteiro". "Não tem volta."
      Alguns casais de Estados do sul até se casam nos Estados mais liberais do norte, mas não têm seus casamentos reconhecidos onde moram. Agora a lei federal reconhecerá também esses casais.
        Plateia na Corte deu as mãos e chorou no anúncio da decisão
        DE WASHINGTONA fila para garantir um lugar na sessão histórica no Supremo americano começou por volta das 19h de anteontem. Cem pessoas puderam entrar na Corte. Os 50 primeiros com senha ingressaram às 7h de ontem e tiveram café à espera.
        "Todos ficamos de mãos dadas e começamos a chorar quando o resultado saiu", disse à Folha Lane Hudson, ativista há 15 anos, que chegou à 1h da manhã na fila e assistiu ao julgamento.
        A Corte foi cercada por aproximadamente mil ativistas e curiosos, que começaram a pular e a gritar com o anúncio das decisões, por volta das 10h de ontem.
        Com muito sol e temperaturas que variavam de 33ºC a 36ºC, gays e simpatizantes se valeram de sombrinhas e chapéus. Alguns suavam em bicas por causa do traje de "noivos" que levaram --vários usavam paletós e gravatas-borboleta com bermudas em tons pastel.
        Dezenas de redes de TV pediam aos casais presentes que repetissem beijos estalados para as imagens da celebração. Ao contrário de anos anteriores, não havia manifestações contra o casamento gay na entrada da Corte.
        Nas escadarias, o Coral dos Homens Gays de Washington cantou "Make them hear you" [Faça-os Escutarem Você], do musical "Ragtime".
        "Quando Obama foi eleito, os negros se sentiram mais fortes. Hoje foi o dia de os gays sentirem mais força", disse Hudson. (RJL)
          Casal de modelos comemora com bolo em bar na Califórnia
          FERNANDA EZABELLADE LOS ANGELESOs modelos Brandon Brown, 28, e Colby Melvin, 25, noivos há quatro meses, cortaram um bolo de casamento simbólico na manhã de ontem, num bar do bairro gay de Los Angeles, para celebrar a volta da permissão para a união de pessoas do mesmo sexo na Califórnia.
          Cerca de 30 ativistas se reuniram às 7h no bar e restaurante The Abbey, mais famoso do West Hollywood, para assistir ao vivo a sessão da Suprema Corte.
          O tribunal decidiu derrubar o resultado do plebiscito de 2008 que proibia o casamento gay no Estado, o mais populoso dos EUA (38 milhões de habitantes).
          "Em 2008, nem ligava para isso. Mas agora que tenho um parceiro, dou valor para as conquistas e tenho ajudado no movimento", disse Brandon, ativista gay e dançarino do The Abbey. Ele conheceu Colby há um ano. Os dois começaram a viajar pelo país para divulgar a causa dos direitos civis dos gays.
          O governador do Estado, Jerry Brown, pediu ontem que todos os condados da Califórnia estejam prontos para emitir licenças de casamentos gays.
          Segundo um estudo da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), 37 mil pessoas do mesmo sexo devem se casar na Califórnia nos próximos três anos, gerando US$ 492 milhões (R$ 1 bilhão) em negócios.
            ANÁLISE
            Opositores veementes à união gay se arriscam a ficar para trás
            LUCIANA COELHODE SÃO PAULOAinda não é o casamento gay, como muitos sonham, mas é o reconhecimento ante a lei americana de que todos os cidadãos do país são iguais, independentemente de sua orientação sexual.
            Embora dividida, a Suprema Corte derrubou o trecho da Lei da Defesa do Casamento (Doma, na sigla em inglês) que barrava cônjuges gays de benefícios federais concedidos a casais heterossexuais.
            Fez história, é verdade, mas não sozinha. Nem à toa.
            Não por acaso, tampouco, Obama é o primeiro presidente dos EUA a abraçar, no cargo, a união entre pessoas do mesmo sexo: de 1996, quando o também democrata Bill Clinton aprovou a Doma, para cá, o apoio a esse direito saltou de 27% para 53%, afere o Gallup.
            A questão é partidária, mas sobretudo geracional. Entre quem tem menos de 30 anos, 70% se declaram a favor do casamento gay (ante 41% dos maiores de 65).
            Opositores veementes do casamento gay se arriscam a ficar para trás. Ainda que o apoio cresça mais lentamente entre os republicanos (de 16% para 26% em 17 anos), jovens que promovem o descolamento entre conservadorismo econômico e social se veem mal representados.
            É preciso notar que a Suprema Corte não chancelou o matrimônio gay. Esse lastro ainda cabe aos Estados --e hoje, 13 dos 50 dizem "sim".
            O que fez foi garantir que benefícios federais dados a casais hétero valham também para todos os casais gays e seus filhos: pensões, heranças, benefícios médicos. Nisso, os americanos estão agora mais adiantados que nós.

              quarta-feira, 29 de maio de 2013

              Sobremesas inspiradas em obras de arte moderna fazem parte de livro de receitas

              na folha de são paulo
              FERNANDA EZABELLA
              DE LOS ANGELES

              Foi por causa de uma pintura de Wayne Thiebaud, conhecido pelas obras repletas de guloseimas, que Caitlin Freeman resolveu fazer bolos.
              Estudante de artes plásticas, ela queria recriar os doces para poder fotografá-los. Mas a brincadeira foi tão longe que a californiana acabou abrindo uma confeitaria em San Francisco e deixou de lado a carreira de fotógrafa.

              Comida com arte

               Ver em tamanho maior »
              Divulgação
              AnteriorPróxima
              Bolo em homenagem a "Composition (No. III)", de Piet Mondrian, feito com quatro tipos de massas diferentes
              Hoje, mais de dez anos depois, ela lidera o Blue Bottle Coffee no Jardim das Esculturas, no topo do Museu de Arte Moderna de San Francisco, na Califórnia (EUA).
              No menu, constam artistas cujos trabalhos estão expostos pelas galerias, transformados em deliciosas sobremesas.
              "Há pessoas que visitam o museu só para ver nossos bolos", diz Caitlin à Folha durante um café da manhã em Los Angeles.
              "E há outras que não amam arte moderna, que vêm ao museu obrigadas e, às vezes, se sentem alienadas. Temos que ter um balanço. Nem todo mundo quer estender a experiência artística no café."
              Seus bolos inspirados em Thiebaud são um dos principais atrativos do café, com recheios que variam com as frutas da estação. O mais popular é o bolo Mondrian, que vende a R$ 16 o pedaço e está na capa de seu primeiro livro, "Modern Art Desserts", lançado no último mês.
              A publicação traz 27 receitas adaptadas para serem feitas em casa, em cozinhas "moderadamente equipadas". Há histórias curiosas sobre sua trajetória de chef autodidata, seu processo de criação e sua relação com os artistas, nem sempre fácil.
              A maioria dos doces tem inspiração conceitual e não é facilmente reconhecida como o Mondrian. O "Warhol Gelée", por exemplo, é um doce de geleia de morango, menta e leite de rosas, baseado nas cores do retrato de Elizabeth Taylor. Apesar de pop, Andy Warhol (1928-1987) deu trabalho para Caitlin.
              "Tentamos várias outras coisas com os Warhols do museu, coisas espertas, mas nada deliciosas. Suas cores não são muito comestíveis, muitos azuis e verdes", disse ela, que conta com a ajuda de curadores para ter acesso a obras não expostas.
              Outro artista que fez Caitlin perder o sono foi o belga Luc Tuymans, que ganhou uma retrospectiva em 2010.
              Ele odiou o bolo Mondrian, mas ficou encantado com a possibilidade de ter uma obra sua transformada em sobremesa. O quadro escolhido era um coração todo cinza, que virou um crème fraîche parfait, feito com chá Earl Grey, molho doce de ágar e licor de violeta.
              "Deu trabalho, mas acho que é minha sobremesa mais gostosa. Tão simples e com um gosto meio triste e sombrio, como a pintura."
              Há brasileiros no acervo, como os irmãos Campana e Sebastião Salgado, mas que ainda não viraram doces do Blue Bottle Coffee, uma franquia fundada pelo marido de Caitlin, James Freeman. Os dois já vieram ao Brasil para visitar fazendas de café.
              A partir de segunda-feira, o museu fecha para reforma até 2016. Caitlin começará a vender o bolo Mondrian on-line ainda neste ano.
              MODERN ART DESSERTS
              AUTORA Caitlin Freeman
              EDITORA Ten Speed Press
              QUANTO US$ 15 (cerca de R$ 30), na Amazon.com (216 págs.)

              domingo, 12 de maio de 2013

              Hollywood faz filmes sob medida em busca de bilhões de chineses

              folha de são paulo

              Para agradar ao público e se adequar à censura, versões excluem sexo, violência e política e incluem atores locais
              Mercado de cinema do país cresceu 36% em 2012, faturou R$ 5,4 bilhões e se tornou o segundo maior do mundo
              MARCELO NINIODE PEQUIMCercado de enorme badalação promocional, que incluiu uma pré-estréia na icônica Cidade Proibida, o filme "Homem de Ferro 3" bate recordes de bilheteria na China com uma versão sob medida para a superpotência asiática.
              De olho num mercado de cinema bilionário, que no ano passado tornou-se o segundo maior do mundo, Hollywood cada vez mais se rende à tentação de fazer versões modificadas para a China, a fim de bajular o público e se adequar à censura.
              A tática não se limita à inclusão de "elementos chineses", como em "Homem de Ferro 3", em que uma famosa atriz local faz um papel que não será visto em nenhuma outra parte do mundo.
              Seduzido por um mercado com crescimento vertiginoso --ao ritmo de dez novas salas de cinema por dia-- Hollywood antecipa-se à censura chinesa e corta das versões originais cenas com nudez, violência e temas políticos considerados sensíveis.
              Com a curva descendente das bilheterias nos EUA, a China virou o pote de ouro mais ambicionado por Hollywood. Em 2012, o mercado de cinema do país cresceu 36%, com faturamento de US$ 2,7 bilhões (R$ 5,4 bilhões).
              A previsão é que até 2020 o mercado chinês supere o norte-americano para se tornar o maior do mundo.
              Uma das tesouradas preventivas foi aplicada em "Skyfall". Na mais recente aventura do espião James Bond, não bastaram as sequências de ação rodadas em Hong Kong e Macau.
              Quando o longa chegou à China, uma cena em que Bond mata um segurança chinês havia desaparecido, assim como um diálogo sobre exploração sexual em Macau.
              Segundo a imprensa especializada de Hollywood, ao menos outras seis produções recentes ganharam versões alternativas para a China.
              Entre elas, "Guerra Mundial Z", estrelada por Brad Pitt. No thriller, que deve estrear em junho, a epidemia de zumbis deixou de ter origem na China e passou a ser chamada de "Gripe Moscou".
              Antes de chegar às telas, filmes exibidos na China, tanto estrangeiros como locais, passam pelo crivo da censura, que costuma cortar sequências inteiras. Os critérios nem sempre são claros.
              O épico "A Viagem", com elenco encabeçado por Tom Hanks, estreou na China no início do ano com 40 minutos a menos que o original. Além de suprimir cenas de nudismo e homossexualidade masculina, os censores resolveram dar uma mãozinha ao espectador mais preguiçoso, cortando trechos que "tornavam o enredo confuso", segundo um jornal chinês.
              Às vezes nem a censura prévia adianta. O exemplo mais inusitado ocorreu no início de abril, quando a projeção de "Django Livre", primeiro filme do diretor Quentin Tarantino exibido na China, foi interrompida poucos minutos após a estreia.
              Tarantino já havia enxugado cenas de nudez e violência da versão original, mas isso não bastou para satisfazer a censura chinesa.
              A interrupção foi oficialmente justificada por "razões técnicas", mas a imprensa local sugeriu que o motivo real foram cenas de nudez que escaparam dos censores. A temática libertária do filme também teria incomodado.
              Após cortes adicionais, uma versão mais enxuta de "Django", já não tão livre, está prevista para estrear no país na próxima semana.
              Segundo o crítico Zhou Liming, da "Movie View", principal revista de cinema da China, a censura continua implacável em temas politicamente sensíveis --ou seja, que questionem de alguma forma o Partido Comunista.
              Mas tem se tornado mais aberta em relação a sexo e violência, diz ele, embora a ausência de um sistema de classificação de idade mantenha os critérios indefinidos até entre os próprios censores.
              Talvez o mais surpreendente da abrupta retirada de "Django" dos cinemas foi a revolta provocada no país, manifestada no microblog Weibo, o Twitter chinês, e que chegou à imprensa estatal.
              "Cada censor tem um critério diferente", disse ao jornal "Global Times" o vice-presidente da Associação de Cinema de Xangai. "Mas em geral a censura na China é estrita e rígida demais".
              Além disso, aponta o crítico Zhou, com a abundante oferta de filmes piratas na China, o público tem a chance de assistir às versões originais sem dificuldade. "O povo não é bobo", lembra ele.
              "As versões chinesas visam a atender o gosto do público, mas o efeito é o oposto. Ele se sente subestimado", disse Zhou à Folha.
              RESERVA DE MERCADO
              A briga por um lugar no mercado chinês é mais acirrada devido às restrições impostas pelas autoridades para proteger a indústria local. Apenas 34 filmes estrangeiros são permitidos por ano.
              A solução encontrada por alguns estúdios é a parceria com produtores locais. Foi o que fizeram os estúdios Walt Disney, que se associaram à chinesa DMG para produção de "Homem de Ferro 3".
              A estratégia da coprodução também foi adotada pela Paramount para a filmagem de "Transformers 4". A parceria foi além, anunciando um truque inédito para conquistar o coração do público chinês: um reality show estreará em breve na TV do país e os vencedores farão parte do elenco.
              O investimento é justificado pela expectativa de gordos lucros. O último filme da série, de 2011, foi a quarta maior bilheteria já registrada na China, com faturamento de US$ 165 milhões (R$ 330 milhões).

                ANIMAÇÃO
                Dreamworks fará filme sobre o Tibete
                Braço chinês da DreamWorks Animation, a Oriental Dreamworks transformará em animação os populares livros da série chinesa "Tibet Code", que se passam no Tibete do século 9. A firma americana, que terá 45% do controle da chinesa, negou que o projeto tenha intenção política. Produções de Hollywood sobre a conturbada região nunca passaram pelo crivo dos censores chineses.

                  Indústria nunca se esforçou tanto por um mercado
                  DE LOS ANGELES
                  Embora alguns dos truques usados sejam já velhos conhecidos da indústria, nunca antes na história de Hollywood tanto esforço foi feito para agradar a um mercado que não o americano. A bajulação com os chineses, em especial com a versão de "Homem de Ferro 3", desagradou especialistas nos EUA.
                  "É ultrajante e deplorável. Não consigo imaginar artistas envolvidos nestes filmes tendo prazer em lidar com executivos a serviço de uma noção equivocada de marketing, pisoteando seus trabalhos", disse o professor Richard Walter, que lidera o departamento de roteiros da Ucla (Universidade da Califórnia).
                  O professor Alex Franklin, que trabalhou em produção com diversos estúdios e hoje prepara um curso na Ucla sobre coproduções internacionais, não lembra de Hollywood gastando tanto dinheiro para criar versões modificadas para outros países.
                  "Executivos acreditam que vale a pena o gasto para poder ter acesso ao mercado chinês. Na América Latina, isto nunca foi necessário [...] e, em países árabes, não acredito que a bilheteria seja suficiente para justificar tais despesas", disse Franklin.
                  "No fundo, acho desnecessário. Esta tendência não deve durar."
                  Produtor e consultor americano envolvido com negócios na China desde os anos 1980, Robert Cain considera que os estúdios não querem fazer coproduções de verdade com os chineses, mas apenas bajular os censores.
                  "É muito difícil e há muitas regras de coprodução que diminuiriam o apelo dos longas no resto do mundo", diz Cain, que mantém o blog chinafilmbiz.com.
                  DESFILES NO RIO
                  Os estúdios usam outras estratégias mais populares para seduzir mercados estrangeiros, hoje responsáveis por até 70% dos ganhos de uma grande produção. Ao lado da China, Rússia e Brasil são outras bilheterias em expansão que fazem brilhar os olhos dos produtores.
                  Não é à toa que nos últimos anos aumentou o influxo de atores internacionais desfilando pelo Rio para lançar seus novos trabalhos, como aconteceu com Robert Downey Jr. e seu "Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras", em 2012. O próximo será o elenco de "Se Beber, Não Case! "" Parte 3", neste mês.
                  Há também mais blockbusters gravados em território nacional, como "Os Mercenários" (2010) e "Velozes & Furiosos 5" (2011).
                  Misturar aos astros de Hollywood atores pouco conhecidos do público dos EUA, mas famosos nos mercados que se almeja conquistar, é outro truque. Dificilmente os americanos sairiam de casa para ver o coreano Byung-hun Lee em "G.I. Joe: Retaliação" (2013) ou Rodrigo Santoro em "O Último Desafio" (2013).

                  sábado, 11 de maio de 2013

                  O negócio da crítica - Raquel Cozer e Fernanda Ezabella

                  folha de são paulo

                  Resenhas literárias de amadores na internet atraem milhares de leitores e abrem novo filão para editoras
                  FERNANDA EZABELLADE LOS ANGELESRAQUEL COZERCOLUNISTA DA FOLHATodo mês, 75 mil pessoas acessam os vídeos em que o paulista Danilo Leonardi, 26, comenta livros. A carioca Ana Grilo, 37, diz ler até 150 títulos por ano para seu blog de resenhas, escrito em inglês. O americano Donald Mitchell, 66, já publicou 4.475 resenhas na Amazon --por parte delas, levantou R$ 70 mil, doados para uma ONG beneficente.
                  Os três são personagens de um movimento que, nos últimos anos, chamou a atenção de editoras e virou negócio: o de críticas de livros feitas na internet por amadores, que, com linguagem mais simples, atraem milhares de leitores.
                  Com o aumento na venda de e-books, a expansão da autopublicação e a concorrência ferrenha entre editoras, textos escritos por hobby ou por até R$ 1.000 tornaram-se uma alternativa de divulgação capaz de atingir nichos e multiplicar vendas de livros.
                  Nos EUA, páginas como o Hollywood Book Reviews e o Pacific Book Review cobram de autores e editoras de R$ 250 a R$ 800 por textos a serem publicados em até 26 sites, incluindo seções de comentários de lojas virtuais.
                  Editoras estrangeiras passaram, em meados da década passada, a enviar livros para blogueiros resenharem, tal como já faziam com a imprensa. Em 2009, casas como Record e Planeta importaram a ideia, que logo ganhou jeitinho brasileiro: concursos tão disputados quanto vestibulares.
                  Nesse formato, as editoras criam formulários de inscrições e selecionam blogs após criteriosa avaliação da audiência e da qualidade dos texto. O "pagamento", ressaltam editoras e blogueiros, são apenas os livros a serem avaliados, nunca dinheiro.
                  No fim do ano passado, 1.007 blogueiros concorreram a cem vagas de parceiros da LeYa. Na Companhia das Letras, foram 779 candidatos para 50 vagas no semestre.
                  AUTORREGULAMENTAÇÃO
                  Aqui e no exterior, editoras e autores investem em anúncios ou posts patrocinados em blogs, que com isso chegam a faturar R$ 2.000 por mês.
                  Mas, no geral, cobrar por resenhas pega mal, e a autorregulamentação dos blogueiros é implacável. O blog americano ChickLitGirls cobrava R$ 200 por uma "boa avaliação" até ser denunciado por uma escritora. O bate-boca subsequente levou à extinção da página, em 2012.
                  Para se manter com cobranças, só mesmo sendo rigoroso, como a Kirkus, tradicional publicação de resenhas que, em 2004, passou a oferecer serviço de marketing para autores autopublicados.
                  As críticas no site podem custar mais de R$ 1.000 a autores e editoras interessados, e nem sempre são positivas. Quem contratou o serviço pode ler antes e abortar a missão caso a avaliação seja ruim. O dinheiro não é devolvido.

                    Blogueiros chegam a ler 70 livros em um só ano
                    Resenhistas ganham com anúncios, mas rejeitam cobrança por avaliações
                    No 'hall da fama' de resenhistas da Amazon, o americano Donald Mitchell não avalia livros de que não goste
                    DE LOS ANGELESDA COLUNISTA DA FOLHANão é fácil medir o impacto que resenhas da internet têm sobre a venda de livros, mas um exemplo permite entender por que editoras têm investido nesse cenário.
                    O juvenil "A Seleção", de Kiera Cass, lançado há sete meses pelo selo Seguinte, da Companhia das Letras, vendeu 16 mil cópias quase sem aparecer na imprensa. Mas foi resenhado por blogs como o Garota It e o Literalmente Falando, que recebem uns 100 mil acessos por mês cada um.
                    Enquanto críticas feitas por especialistas em jornais fazem livreiros dar destaque aos títulos nas lojas, blogueiros atraem leitores de gosto similar e alimentam o boca a boca.
                    "É bem pessoal. Eles deixam claro que é o canto deles", diz a gerente de marketing da Intrínseca, Heloiza Daou.
                    "O discurso não é esse livro é ruim', é não gostei desse livro'", diz Diana Passy, gerente de mídias sociais da Companhia das Letras. "E não basta escrever bem, tem que ser bom blogueiro, interagir com leitores, o que dá trabalho. É isso o que traz audiência."
                    Os livros avaliados tendem a diferir daqueles que frequentam cadernos de cultura. Embora blogs como o Posfácio priorizem não ficção e literatura adulta, predominam entre parceiros de editoras os juvenis, femininos e de fantasia.
                    "Costumamos dizer esse livro funciona para blog' e esse funciona para a imprensa'", diz Tatiany Leite, 20, analista de comunicação na LeYa e fruto desse cenário --foi trabalhar na editora após se destacar com o blog Vá Ler um Livro.
                    A proximidade dos blogs também serve para as editoras conhecerem seu público, com estatísticas. Segundo a Instrínseca, 82% de seus blogueiros são mulheres e 63% moram na região Sudeste.
                    Dos 779 que disputaram vagas em janeiro na Companhia das Letras, a maioria tem de 20 a 24 anos (30%) e diz ler de 51 a 70 livros ao ano (22%). Isso num país em que a média anual é de quatro livros incompletos, segundo a pesquisa Retratos da Leitura de 2012.
                    INDEPENDÊNCIA
                    Um ponto delicado diz respeito à independência de blogueiros que fecham acordos com editoras ou daqueles que fazem resenhas pagas.
                    O paulista Danilo Leonardi, 26, que desde 2010 comanda no YouTube o Cabine Literária, com resenhas em vídeo, diz não ficar constrangido de avaliar negativamente obras de editoras de quem é parceiro.
                    "A partir do momento em que dediquei meu tempo ao livro, me sinto no direito de falar o que achei. Mas já aconteceu de eu desistir de resenhar um livro que achei ruim de uma editora menor, para evitar prejudicá-la."
                    Cobrar por críticas seria antiético, considera ele, que fatura só com vídeos não opinativos --recebe até R$ 700 por entrevistas com autores independentes. A meta de Danilo, servidor da Caixa Econômica Federal, é fazer do Cabine seu ganha-pão.
                    A tradutora carioca Ana Grilo, 37, que mora na Inglaterra, assina com uma amiga o blog The Book Smugglers (os contrabandistas de livros), escrito em inglês, e colabora como resenhista para o Kirkus Review, que cobra até R$ 1.000 por resenha.
                    Diz que o pagamento não altera resultados. "Temos controle sobre o que escrevemos. Raramente damos nota acima de oito para os livros."
                    Já em seu próprio blog, Ana resenha por hobby, sem cobrar. Aceita anúncios, que rendem até R$ 2.200 ao mês.
                    Os 110 mil acessos mensais do Book Smugglers a fazem receber, a cada mês, cem livros de autores e editoras, dos quais ela diz ler uns quatro por semana. "Lemos muita coisa ruim, mas também verdadeiros tesouros."
                    AMAZON E GOODREADS
                    Perder tempo com má literatura é algo que o empresário Donald Mitchell, 66, diz se recusar a fazer. Integrante do "hall da fama" de resenhistas da Amazon, ranking dos usuários que mais avaliaram livros no site, já publicou mais de 4.200 avaliações positivas.
                    A proficuidade e a benevolência lhe rendem um assédio de 40 pedidos diários de resenhas. "Digo aos autores que não vou resenhar se não gostar", diz ele, que lê até três livros por semana e os resenha, por gosto, desde 1999.
                    Por anos, Mitchell pediu doações para a ONG cristã Habitat for Humanity em troca das resenhas. Chegou a levantar R$ 70 mil. "Nunca toquei no dinheiro, mas a Amazon reclamou e eu parei."
                    Ele se refere a uma mudança de regras da loja, em 2012. Ao perceber que o comércio de avaliações tirava a credibilidade desse espaço no site, deletou várias delas. Uma pesquisa da Universidade de Illinois constatara que 80% das resenhas na loja davam aos livros quatro ou cinco estrelas, as duas maiores cotações.
                    Outra prova de que a loja valoriza resenhas on-line foi a compra, em março, do GoodReads, rede de indicações de livros com 17 milhões de membros. Suzanne Skyvara, vice-presidente de comunicação do GoodReads, diz que a transparência é o segredo. "Mostramos quanta resenhas cada usuário faz e sua média de cotações."
                    Com a compra, por R$ 300 milhões, a Amazon indicou o valor que dá a resenhistas virtuais: cada usuário do GoodReads lhe custou R$ 18 milhões.

                      ANÁLISE
                      Impressão do 'leitor comum' na internet ajuda editoras a revisarem estratégias
                      KELVIN FALCÃO KLEINESPECIAL PARA A FOLHAO comentário sobre literatura na internet cresce a cada dia, acompanhando o movimento de diversificação do mercado editorial.
                      Esses comentários compartilham um desejo de dar conta dos livros de forma mais efetiva, atentando para aspectos como a sensação da leitura e a qualidade do entretenimento alcançado.
                      É o que se constata não só pela leitura de blogs mas também por sites de venda como a Amazon, que fizeram da veiculação de resenhas de leitores um verdadeiro negócio.
                      Se antes os livros entravam apenas em listas de mais vendidos, agora eles podem figurar também entre os mais bem avaliados pelo consumidor --um diferencial considerável num mercado que abriga a cada dia dezenas de novos produtos similares.
                      Essa movimentação espontânea chamou a atenção das editoras, que se tornaram ativas no diálogo com os leitores, chegando a estabelecer parcerias formais.
                      O comentário sobre literatura na internet, a partir daí, parece não mais seguir a lógica da imprensa clássica, que busca o "especialista", ou o "leitor experiente", para estabelecer um juízo diferenciado e/ou distanciado do senso comum, da "média".
                      Pelo contrário, o importante passa a ser o caráter geral da experiência de leitura.
                      Para as editoras, interessa mais o "leitor comum", que gera a identificação de outros leitores que, instigados pelos comentários, viram consumidores. Tanto mais forte pode ser o efeito das resenhas de lojas virtuais, onde ocupam o mesmo espaço da venda.
                      O cenário ganha complexidade na medida em que as editoras, atentas aos blogs mais populares, passam a receber sugestões e a repensar ou planejar futuras publicações, compras e traduções tendo em vista tais respostas.
                      A lógica da parceria vai ficando mais afinada: a escolha do parceiro é guiada pela sua possibilidade de representar e atingir cada vez mais "semelhantes" e, diante da facilidade ou dificuldade de atingir o objetivo (ou seja, vender livros), estratégias editoriais são revisadas.
                      O comentário se reforça em sua função de fazer circular a mercadoria, torná-la moeda corrente e garantir sua visibilidade e seu acesso.
                      Daí se explica a aparente liberdade de blogs parceiros de editoras para criticar negativamente seus livros. Isso lhes garantiria credibilidade, ainda que possam ser suscitadas questões éticas inerentes à relação de interesses entre resenhistas e editoras.
                      Em termos especulativos, pode-se relacionar a perda de espaço da crítica literária nos jornais impressos à intensa pressão desse novo cenário de comentários, mais ao gosto geral. A repercussão disso em termos culturais mais amplos só o tempo mostrará.

                        domingo, 5 de maio de 2013

                        LA não pode parar - Fernanda Ezabella

                        folha de são paulo

                        O MAPA DA CULTURA
                        DIÁRIO DE LOS ANGELES
                        Bilionário quer salvar o pior trânsito dos EUA
                        FERNANDA EZABELLAO BILIONÁRIO Elon Musk está revolucionando a indústria de foguetes e finalmente conseguiu neste ano anunciar lucro com sua montadora de carros elétricos Tesla, fundada há dez anos. Mas um desafio, no entanto, ele está longe de resolver: o trânsito de Los Angeles, que pelo segundo ano seguido ficou no topo da lista dos piores dos EUA.
                        De acordo com dados da Inrix, os angelenos passaram 59 horas parados no carro em 2012. A cidade tem 3,7 milhões de habitantes e 2,5 milhões de veículos --para comparar, São Paulo tem quase três vez mais: 11 milhões de habitantes e 7 milhões de veículos.
                        Para Musk, a situação é inviável. Tanto que o executivo de 41 anos, que fez seu primeiro bilhão ao vender o PayPal para o eBay em 2002, já doou o equivalente a R$ 100 mil para acelerar as obras da via expressa 405, que ele pega diariamente entre sua casa em Bel-Air e sua fábrica de foguetes em Hawthorne. E está disposto a dar muito mais.
                        "Seria uma contribuição à cidade e à minha felicidade. Se isso puder fazer a diferença, eu teria o maior prazer em contribuir com dinheiro e com ideias", disse Musk ao jornal "Los Angeles Times". "Parece que a população está sendo torturada com isso. Não entendo como não estão marchando nas ruas [para protestar]."
                        A 405 é a autoestrada mais congestionada dos EUA, com 116 km de extensão, atravessando boa parte do sul da Califórnia.
                        As obras de alargamento nos trechos de Los Angeles devem demorar mais um ano para terminar, ao custo total de mais de R$ 2 bilhões.
                        TOUR RAYMOND CHANDLER
                        Uma antiga prisão e um velho hotel de Los Angeles, além de alguns bares, estão na rota do tour Raymond Chandler (1888-1959), que acontece no dia 18/5, organizado pela Esoturic Tour.
                        Um dos mais famosos escritores do romance policial, Chandler nasceu em Chicago, cresceu em Londres e veio para a Califórnia em 1912.
                        O passeio de ônibus leva até o hotel na região de Skid Row que aparece no romance "A Irmãzinha" (1949), onde um homem careca morre ao ter um furador de gelo fincado no pescoço. Passa também em frente à antiga cadeia na qual Chandler dormiu algumas vezes por embriaguez --e tirou suas inspirações para a solidão de seu detetive Philip Marlowe em "O Longo Adeus" (1953). O prédio em que Marlowe morava em "A Dama do Lago" (1943) está na lista, assim como o Bridge Room, no Los Angeles Athletic Club, um dos lugares favoritos do escritor.
                        O tour refaz sua trajetória pela cidade desde a juventude pré-literária, quando trabalhou no escritório de uma refinaria, e segue até os anos dourados em Hollywood. Uma das paradas do passeio de quatro horas acontece na sorveteria Scoops, que cria sabores inusitados em homenagem aos romances noir. Tem sorvete de café com Jack Daniels, Guinness com chocolate e até nicotina (com chiclete Nicorette).
                        BRINQUEDOS E HOLOCAUSTO
                        Gary Baseman, conhecido pelas ilustrações e pela "toy art", leva sua casa para dentro da primeira retrospectiva de seu trabalho, no Centro Cultural Skirball (skirball.org).
                        Móveis, pratos e fotografias de família estão lá, incluindo a mesinha de mármore onde começou a desenhar quando criança. Há um quarto só para os desenhos que fez para publicações como "The New Yorker", "The Atlantic" e "Rolling Stone".
                        Em outro, o visitante conhece sua "toy art" e o desenho animado criado para a Disney. Baseman, 53, disse à Folha que já foi ao Carnaval do Rio duas vezes, desfilou na avenida com escolas e tirou fotos até o amanhecer, mas essas imagens eram "um pouco demais" para o Skirball, um centro judaico familiar.
                        Gary Baseman nasceu em Los Angeles, filho de sobreviventes do Holocausto. Uma das salas é dedicada a seus estudos sobre o passado dos pais ao escapar do nazismo, com pinturas e fotos para lá de sombrias.
                        REI DO PORCO
                        O festival culinário Cochon 555 existe há cinco anos e acontece por 14 cidades dos EUA. Hoje é a vez de Los Angeles. Cada um dos cinco chefs convidados terá que fazer um menu completo tirado de um porco de raça de 90 quilos.
                        O melhor banquete será votado por 20 juízes e 400 convidados (os ingressos variam de US$ 125 a US$ 250).
                        Haverá demonstrações de técnicas de corte, degustação de ostras e dos pratos dos chefs, além de bar de vinhos e queijos. O vencedor segue para a próxima etapa, em Aspen, em junho.
                        Fotos e vídeos do festival, além de tutoriais de preparo de pratos com carne suína, estão disponíveis no site amusecochon.com.

                          domingo, 21 de abril de 2013

                          Nova temporada de "Mad Men" estreia com foco na ascensão das mulheres

                          folha de são paulo

                          Agora é que são elas
                          FERNANDA EZABELLADE LOS ANGELESO publicitário Don Draper (Jon Hamm) nunca foi de falar muito. Nos dez primeiros minutos da nova temporada de "Mad Men", que estreia amanhã na HBO, ele deixa as palavras a cargo de sua mulher, Megan (Jessica Paré).
                          Não deixa de ser sintomático. Ao passo que Draper continua com suas crises existenciais, agora as mulheres ganham mais espaço e embarcam nas jornadas mais interessantes do enredo, que surge colado a fatos históricos como a Guerra do Vietnã e o prenúncio de movimentos de contracultura.
                          São elas que agora protagonizam várias trajetórias de ascensão profissional repletas de dilemas --carreira versus vida doméstica-- e desafios --chefiar equipes repletas de homens.
                          A sexta e penúltima temporada de "Mad Men", que mostra os bastidores de uma agência de publicidade em Nova York e é considerada uma das melhores séries da história, começa na virada de 1967 para 1968.
                          Para acalmar os nervos, Draper bebe e fuma sem parar, como sempre, enquanto sua mulher persegue a carreira de atriz, tentando equacioná-la com a vida de dona de casa perfeita.
                          "Megan é uma das primeiras daquela geração de mulheres que pensou que poderia ter tudo: profissão e vida doméstica", explica Paré.
                          Já Peggy Olsen (Elisabeth Moss), que foi de secretária a chefe de equipe numa agência de publicidade rival, tem de aprender a lidar com os seus subordinados --tipos que, poucas temporadas atrás, lhe davam ordens.
                          E há também Joan Harris (Christina Hendricks), mãe divorciada que vira sócia da firma de Draper como prêmio por ter dormido com um cliente, num dos episódios mais polêmicos da série. Agora ela é um dos "mad men", e só Matthew Weiner, criador do seriado, sabe o seu futuro.
                          "Estou cercado de mulheres poderosas, o caso da Joan causou um terremoto de emoções, raiva e sorrisos nervosos", conta Weiner, que completa, rindo: "Como eu sempre disse, faria sexo para subir na vida. É uma pena que ninguém nunca tenha me proposto isso."

                            Guerra e ansiedade afligem personagens de "Mad Men"
                            Em meio a fortes mudanças sociais, protagonista tenta fugir da obsolescência
                            'Don Draper é como um velho leão que um dia dominou orgulhoso', diz ator Jon Hamm sobre seu personagem
                            DE LOS ANGELESQuase nada se sabe a respeito do futuro dos publicitários e de suas mulheres em "Mad Men", mas no presente da trama, no final dos anos 1960, suas vidas começam a balançar, iluminando cenas com os novos costumes e as músicas da época.
                            "Precisaria de uns dez anos de terapia e alguma hipnose para explicar por que escolhi esse período. Talvez seja porque cresci à sua sombra", diz Matthew Weiner, 47, criador do programa e ganhador de nove Emmys por "Mad Men" e por seu trabalho como produtor e roteirista da série "Família Soprano".
                            Weiner acredita que o espírito dos novos episódios captura também parte do clima dos EUA de hoje --1968 foi um ano crucial na Guerra do Vietnã (1955-1975), com o maior número de baixas entre os americanos, acirrando discussões políticas e mudanças sociais.
                            "É um estado de ansiedade. Tivemos um duro golpe em nossa autoestima e temos um monte de problemas que parecem sem solução."
                            Por isso, um dos temas dessa temporada, ele conta, são os personagens fazendo qualquer coisa para aliviar as tensões.
                            "Não é à toa que bebem tanto", continua Weiner. "Não temos um gênero definido. Talvez Mad Men' seja novela. Não me importo, amo boas novelas."
                            O criador gosta de dizer que Draper é sua espécie de "herói existencial". Numa sociedade que muda a passos largos e privilegia cada vez mais a cultura jovem, ele está à procura de relevância e fugindo da obsolescência.
                            Não à toa, a mortalidade se torna cada vez mais presente em suas divagações --mesmo enquanto apresenta uma campanha publicitária a um dos seus clientes.
                            Para Jon Hamm, que vive o personagem, Draper é como um "velho leão que um dia dominou orgulhoso". "Mas admiro sua incrível capacidade criativa, é algo que me inspira. Ele nunca fica satisfeito com mediocridades."
                            Galã da série, Hamm alega não entender como o executivo consegue ser tão sedutor depois de ter causado tanto estrago entre as mulheres.
                            ALAVANCA
                            O ator, indicado a cinco Globos de Ouro e vencedor em 2008 pelo papel, teve a vida profissional alavancada com o seriado, participando de mais filmes.
                            Outros colegas também aproveitaram a fama do programa, como a atriz canadense Jessica Paré, sensação ao cantar "Zou Bisou Bisou" na pele de Megan Draper. Ela gravou um single e chegou a sair em turnê com a banda The Jesus and Mary Chain.
                            January Jones, que vive a ex-mulher de Don, Betty, virou super-heroína de cinema, com "X-Men: Primeira Classe" (2011), mas diz que a maior mudança veio ao transformar sua personagem de "Mad Men" numa dona de casa obesa, na temporada anterior.
                            A canseira das seis horas de maquiagem valeu a pena para aliviar a fama de antipática de Betty.
                            "Amei a reação do público. Os espectadores ficaram mais compreensivos não sei o porquê. Só sei que foi ótimo não ser mais tão odiada nas ruas", diz Jones.(FERNANDA EZABELLA)
                            NA TV
                            Mad Men
                            Estreia da 6ª temporada
                            QUANDO amanhã, às 21h, na HBO
                            CLASSIFICAÇÃO não informada
                            NA TV
                            Mad Men
                            Estreia da 1ª temporada
                            QUANDO quarta, às 22h, na Cultura
                            CLASSIFICAÇÃO não informada