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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Peças "Berro" e "Trem-Bala" estreiam em SP - Gabriela Mellão e Gustavo Fioratti

folha de são paulo
Peça 'Berro' discute sentido da existência
GABRIELA MELLÃO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Tennessee Williams, ignorado pelo Grupo Tapa durante mais de três décadas, tem se tornado, nos últimos anos, uma das mais constantes companhias deste tradicional grupo de teatro, célebre sobretudo por montar textos clássicos.
"Berro", que estreia amanhã, é a terceira peça do escritor norte-americano (1911-1983) encenada pelo coletivo, depois de "Alguns Blues do Tennessee" (2011) e "Longo Adeus" (2013). A trupe também traduziu uma coleção de quatro volumes com sua obra teatral, publicada recentemente.
"Tennessee Williams passou a me perseguir", brinca Eduardo Tolentino, diretor do Tapa. Segundo ele, "Berro" revela uma faceta obscura de Williams. "Ele é muito conhecido no Brasil por suas grandes peças realistas, mas tem obras inexploradas, nas quais experimentou muito", afirma.
Divulgação
Rubens Caribé e Mariana Muniz em cena em "Berro", peça dirigida por Eduardo Tolentino, que traz influências de Pirandello e Beckett
Rubens Caribé e Mariana Muniz em cena em "Berro", peça dirigida por Eduardo Tolentino, que traz influências de Pirandello e Beckett
O texto apresenta Feliz e Clara, irmãos condenados a representarem uma única peça, cujos personagens são um espelhamento deles próprios.
Para Tolentino, o Williams que surge em "Berro" situa-se entre Luigi Pirandello (1867-1936) e Samuel Beckett (1906-1989). O metateatro presente na obra a aproxima do primeiro. O tom absurdo, que leva o espectador a duvidar da existência dos protagonistas, remete à obra do segundo. "A peça vai ganhando dimensões e, no meio delas, a sensação de que os personagens não são reais, mas uma metáfora da vida: representações de como cada um arranja histórias para que sua existência faça sentido", diz.
Interpretados por Rubens Caribé e Mariana Muniz, os personagens/atores interrompem as apresentações para discutir sobre temas teatrais. Aparentemente, trata-se de uma peça sobre a arte do palco. O teatro, no entanto, é usado como pista falsa.
"Como em Pirandello, a questão central é o papel que o homem desempenha na vida; o quanto ele é ator de sua própria existência, repete padrões que carrega desde a infância e adia a solução final que seria a morte", diz o diretor.
Williams sugere, nesta peça, que só através da imaginação é possível suportar a vida. "A imaginação é um hábito. (...) Mágico é esse hábito da nossa existência", concluem os protagonistas de "Berro".
BERRO
QUANDO sex. e sáb., às 21h; dom., às 19h; de amanhã a 1º/9
ONDE Teatro de Arena Eugênio Kusnet (r. Dr. Teodoro Baima, 94; tel.: 3256-9463)
QUANTO R$ 20
CLASSIFICAÇÃO 14 anos
Montagem debate velhice em tom de comédia
Espetáculo de Naum Alves de Souza retrata senilidade numa São Paulo em demolição
DE SÃO PAULOHá alguns anos, o dramaturgo e diretor Naum Alves de Souza, 70, passou a pé por um ponto no centro de São Paulo onde estava habituado a cruzar uma praça.
Por conta de obras da prefeitura, o lugar havia desaparecido, atesta ele. "São Paulo está sempre em demolição", prossegue, referindo-se a uma sensação que percorre as páginas de nova peça, "Operação Trem-Bala", que entra em cartaz com sua direção amanhã no Instituto Cultural Capobianco.
O espetáculo é moldado a partir de um retrato da velhice, e a relação com São Paulo se estabelece principalmente na "sensação de delírio" de ver uma cidade sempre em transformação, prescindindo da preservação dos afetos moldados também na memória do espaço urbano.
O personagem central (Marco Antônio Pâmio) é um político já senil que, em sua loucura, quer inaugurar um projeto de trem-bala na cidade. Seus herdeiros aproveitam o pretexto para embarcá-lo em outra viagem, junto com sua mulher (Ana Andreatta), rumo a um asilo. "Embora triste", diz Naum, "a história é tratada em tom de comédia, com personagens grotescos".
FINITUDE
"Os 70 anos dão para a gente um peso diferente", diz Naum, referindo-se à idade que completou no ano passado, meses antes de ser internado em um hospital por complicações causadas por miastenia, uma doença neuromuscular que "tira suas forças, tira sua energia", como ele próprio descreve.
O período no hospital permitiu meditar sobre a condição "de finitude", diz, o que lhe deu elementos para escrever a peça. A opção por um protagonista poderoso (e rico) sustenta o atestado de que "velhice vem para todos."
Com "Operação Trem-Bala", Naum dá continuidade ainda a um tema comum em sua obra, o das relações familiares, já tratado, por exemplo, em "No Natal a Gente Vem te Buscar", de 1979, e "A Aurora da Minha Vida (1981).
Para plateia de 40 pessoas, com cadeiras de roda e andadores em cena, o espetáculo tem direção musical do compositor Lívio Tragtenberg.

    quinta-feira, 11 de abril de 2013

    José Wilker leva 'Rain Man' para o teatro

    folha de são paulo

    TEATRO
    Marcelo Serrado e Daniel Infante interpretam papéis imortalizados por Dustin Hoffman e Tom Cruise no cinema
    Diretor não reviu longa antes de montar a peça; 'quem procurar o filme no espetáculo fará mau uso de seu tempo', diz
    GABRIELA MELLÃOCOLABORAÇÃO PARA A FOLHAO que faz "Rain Man" inspirar montagens teatrais em diversos países cerca de 25 anos depois de seu lançamento nas telas de cinema? Não é o vanguardismo da dramaturgia.
    O texto do norte-americano Dan Gordon que deu origem ao clássico cinematográfico dos anos 1980, imortalizado pelas atuações de Dustin Hoffman e Tom Cruise, segue uma estrutura bastante convencional.
    A resposta também não é o aspecto experimental de sua forma. Como aconteceu há pouco em países como Irlanda, México, Inglaterra, Austrália e Argentina, que abrigaram montagens recentes da obra, a versão brasileira de "Rain Man", cuja estreia nacional ocorreu na última sexta-feira (5), é realista, se concentrando no texto e na interpretação dos atores.
    Obviamente o sucesso teatral de "Rain Man" também não se explica pelo frescor do enredo. Afinal, quem consegue esquecer a história de Charlie Babbitt (Rafael Infante), vendedor de automóveis egocêntrico que se vê obrigado a se relacionar com Raymond (Marcelo Serrado), irmão autista cuja existência ele desconhecia, e no processo acaba se deparando com uma via de acesso às suas próprias emoções?
    A resposta mais plausível para explicar as montagens recentes de "Rain Man" pelo mundo é a humanidade da obra.
    Segundo José Wilker, encenador da montagem nacional, o ser humano nunca esteve ao mesmo tempo tão rodeado de gente e tão solitário. "As pessoas vivem confinadas em ilhas. Possuem uma quantidade impressionante de equipamentos tecnológicos para facilitar a comunicação, mas jamais estiveram tão isoladas", afirma o diretor.
    Para Wilker, sua montagem de "Rain Man" pode fazer o público repensar o modo de se relacionar.
    "Embora fale de autismo, a peça discute sobretudo os caminhos tortuosos que o afeto percorre até se realizar como tal", diz ele, que, para a montagem, não quis rever o longa dirigido por Barry Levinson e vencedor de quatro Oscar.
    "Quem procurar o filme no espetáculo vai fazer mau uso do próprio tempo. É uma outra linguagem."
    A encenação é norteada pelo conceito de essencialidade. O encenador se vale somente da interpretação dos atores e de alguns poucos elementos de cena para sugerir quase duas dezenas de locais onde a peça se desenrola.
    A montagem também opta por iluminar as diferenças dos protagonistas. Enquanto Raymond é movido pelas emoções, Charlie parece ter um coração de pedra.
    Ele se envolve inicialmente com o irmão apenas por interesse. Tira-o do hospital psiquiátrico com a ambição de que a convivência entre eles o faça abocanhar metade dos US$ 7 milhões de herança deixados para Raymond pelo pai.
    O encontro é transformador para ambos. Charlie revê valores, entrando em contato com seus sentimentos. Raymond, por sua vez, passa a se relacionar com o mundo ao seu redor.
    "Eles são como dois casulos que vão se abrindo", sintetiza Roberto Lobo, que integra o elenco com Fernanda Paes Leme e outros quatro atores.

    FRASES
    "As pessoas vivem confinadas em ilhas. Possuem uma quantidade impressionante de equipamentos tecnológicos, mas jamais estiveram tão isoladas"
    "Embora fale de autismo, a peça discute sobretudo os caminhos tortuosos que o afeto percorre até se realizar como tal"
    JOSÉ WILKER
    diretor de "Rain Main"

      terça-feira, 2 de abril de 2013

      Novo espetáculo do grupo de Antunes Filho extrapola os limites do teatro e flerta com cinema e artes plásticas

      folha de são paulo

      "Estações" mostra novos rumos do CPT
      Novo espetáculo do grupo de Antunes Filho extrapola os limites do teatro e flerta com cinema e artes plásticas
      Assim como no projeto anterior, "Prêt-à-Porter", diretor volta a investir em exercício teatral com cenas curtas
      GABRIELA MELLÃOCOLABORAÇÃO PARA A FOLHAO "Prêt-à-Porter" sai de cena. O término deste projeto, que nos últimos 13 anos sintetizou o caminho trilhado pelo CPT (Centro de Pesquisa Teatral), principal instituto de estudos da arte do ator do Brasil, conduzido pelo diretor Antunes Filho, é um marco na história das artes cênicas do país.
      A lacuna é preenchida por "Estações", espetáculo cuja estreia ocorreu ontem, realizado por jovens atores sob orientação do encenador e seu braço direito, Emerson Danesi, coordenador do CPT.
      A mudança espelha a inquietude de Antunes Filho, acentuada desde que ele constatou uma era de instabilidade na cena mundial. Segundo diz, o teatro está em crise e precisa se reinventar.
      Como consequência, seus ensinamentos se despem de regras, de certezas, e sua arte deixa de apresentar respostas em cena para levantar perguntas. "Se sempre existiu reflexão no CPT, imagine o que acontece conosco em tempos de crise", sugere ele.
      "O momento é de novos questionamentos", constata Danesi. Segundo conta, Antunes Filho nunca esteve tão próximo do processo de criação dos jovens aprendizes como em "Estações".
      O encenador selecionou seis cenas entre cerca de 50 criadas por 20 atores no ano passado. "Não importa tanto o resultado final do trabalho, mas o fato de ser gente nova tentando abandonar velhos hábitos, experimentando novos caminhos", argumenta Antunes Filho.
      Distintas tematicamente, as cenas se amalgamam sobretudo pela linguagem que extrapola os limites da arte teatral convencional para flertar com cinema e artes plásticas, entre outras expressões artísticas.
      Como o "Prêt-à-Porter", "Estações" é um exercício teatral formado por cenas curtas, inteiramente compostas por atores criadores -aqueles que não se limitam a apenas interpretar papéis, se transformando também em dramaturgos, produtores, cenógrafos, figurinistas, iluminadores e diretores.
      As similaridades entre as duas criações acabam aí. "Estações" se opõe ao antigo programa do CPT por não se prestar a contar uma história tradicional, com enredo linear e realista. Ao contrário do que ocorria no "Prêt-à-Porter", suas narrativas são apresentadas de forma fragmentada, rejeitam o falso naturalismo e buscam mobilizar o espectador não tanto pelas histórias, mas sobretudo pelas sensações que despertam.
      Liberdade criativa surge como conceito chave para entender os novos caminhos de Antunes Filho, repassados para integrantes do CPT.
      Segundo Jefferson Nogueira, criador de duas cenas de "Estações", o espetáculo é resultado de um processo criativo bastante solto. "Eu me senti muito à vontade criativamente para me expressar como artista", diz ele.
      "Balaio", peça oriunda de estudantes do CPT, apresentada no ano passado, marcou o início dos novos rumos do Centro de Pesquisa de Antunes Filho. Depois dela, o encenador produziu um último "Prêt-à-Porter", que já começava a rever seus conceitos. O término do projeto aconteceu de forma natural.
      "Estamos instalados num caos absoluto, numa fase de passagem. Estou batalhando para ver como o teatro pode encontrar novos horizontes", revela Antunes.
      Segundo ele, "a regra agora é não ter regra, ser desregrado, ter olhos para localizar as brechas que se abrem e conseguir se infiltrar nelas". Poliana Pieratti, atriz de "Estações", também arrisca uma definição: "Tentamos sair do teatro para reencontrar o teatro", sintetiza.

        FRASE
        "Estamos instalados num caos absoluto, numa fase de passagem. Estou batalhando para ver como o teatro pode encontrar novos horizontes. A regra agora é não ter regra"
        ANTUNES FILHO
        diretor de teatro

        Peça retrata Brasil usando universo gângster
        Texto de Brecht encenado na rua 13 de Maio celebra 15 anos da Cia. Teatro de Narradores
        COLABORAÇÃO PARA A FOLHACortiços, favela, escola pública, bares e sedes de grupos de teatro, tudo isso na mesma rua.
        A 13 de Maio é um cenário vivo que retrata a diversidade da cidade. E, desde a semana passada, reúne também gângsteres norte-americanos dos anos 1930, personagens de "A Resistível Ascensão de Arturo Ui", espetáculo de Bertold Brecht encenado pela Cia. Teatro de Narradores.
        Escrita durante o exílio de Brecht em 1941, na Finlândia, a obra paródica compara a ascensão de Hitler na Alemanha à dos gângsteres na Chicago dos anos 1930.
        Sua fábula retrata a conversão fascista de uma sociedade gerida pelo capital, chamando a atenção para as formas de dominação e violência que dela derivam.
        A Cia. Teatro de Narradores apropria-se desta peça para atualizar suas comparações, se propondo a discutir as relações entre política e crime no Brasil contemporâneo."O gangsterismo tomou conta da nossa forma de fazer política", declara o diretor José Fernando Azevedo.
        Sua intenção é entender para onde caminha uma sociedade como a brasileira, cuja fisionomia, segundo ele, é marcada pela violência institucionalizada e cujo convívio é definido por comportamentos de direita.
        "Querem nos fazer crer que o Brasil avança economicamente, mas, no que diz respeito ao pensamento político e ideológico do país, estamos regredindo", diz Azevedo.
        "A Resistível Ascensão de Arturo Ui" é um marco na carreira do grupo. O texto serviu de base para seu primeiro trabalho profissional, em 2003. Seus integrantes haviam acabado de sair da faculdade de filosofia, da USP.
        O Teatro dos Narradores revisita a obra de Brecht buscando ao mesmo tempo revisar o passado, vislumbrar o futuro e iniciar as comemorações de seus 15 anos de estrada -que preveem um projeto de residência no Sesc Belenzinho em junho e julho.
        Terá um seminário sobre a trajetória do grupo, além das estreias de "Aquele que Diz Não, Aquele que Diz Sim", de Brecht, e "Retrato Calado", adaptação teatral da obra homônima de Roberto Salinas, filósofo que contribuiu para a origem do Teatro Oficina.
        PARA AS RUAS
        A nova versão de "Arturo Ui" troca o espaço convencional pelas ruas, radicalizando a pesquisa do coletivo para criar seu "teatro de intervenção". "O choque do texto com a realidade da rua garante atualidade", afirma Azevedo.
        O espaço público ganha, pela primeira vez, projeto de iluminação. Apagam-se os postes e entram refletores, que se movem no espaço, definindo o campo de ação.
        A trilha, executada ao vivo, atua como elemento fundamental da dramaturgia. Interpretação, maquiagem e figurinos visam uma teatralidade mais explícita.
        "O texto de Brecht pressupõe clareza na enunciação. Manter isso na dispersão da rua é o nosso desafio", sintetiza o diretor.

          Eletrobras reduz verba de apoio ao teatro
          Estatal cortou R$ 9,3 milhões em patrocínios a espetáculos em relação ao ano passado
          LUCAS VETTORAZZODO RIOO corte de mais da metade da verba que a Eletrobras destinará para o patrocínio do teatro brasileiro neste ano está preocupando produtores culturais. A estatal de energia registrou em 2012 o maior prejuízo de sua história, de R$ 6,8 bilhões.
          No ano passado, a estatal patrocinou 36 produções, ao custo de R$ 14,5 milhões. Neste ano, serão apenas R$ 5,2 milhões, distribuídos a 17 espetáculos. A queda na verba de um ano para o outro é de 178% e na quantidade de produções, de 111%.
          De acordo com o produtor cultural Eduardo Barata, presidente da APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro), com cada vez mais empresas privadas interessadas em peças comerciais, como musicais e comédias, o chamado teatro tradicional, de drama, perde espaço na cena do país.
          Produtores culturais ouvidos pela Folha afirmaram que a redução da verba estatal é ruim porque a Eletrobras era conhecida justamente por contemplar com patrocínios peças dos mais variados estilos, e não só as consideradas comerciais. "A Eletrobras tinha um olhar mais diversificado em relação ao teatro nacional", disse Barata.
          O fator mais apontado para explicar a diversificação dos patrocínios da estatal é que a escolha de projetos é feita por seleção pública. Um júri integrado por pessoas com formação artística decide quais projetos serão apoiados.
          A revisão dos programas de patrocínio é parte da reestruturação das finanças da empresa, cujo objetivo é cumprir as metas de redução nas tarifas de energia elétrica determinadas pelo governo, em outubro passado.
          A Lei Rouanet, mecanismo pelo qual a empresa investe em cultura, concede benefício sobre o imposto de renda. Quanto menor o lucro, portanto, menor o patrocínio.
          INDEFINIÇÃO PARA 2014
          A Eletrobras diz não saber como ficarão os patrocínios para o ano que vem. "Isso vai depender do desempenho econômico projetado para o ano de 2014", afirmou a assessoria da empresa.
          A redução de patrocínios da Eletrobras atinge também as áreas de cinema, esporte e patrimônio imaterial.
          Para cinema, as verbas caíram 35%, de R$ 5,3 milhões no ano passado para R$ 3,4 milhões este ano. Já o patrimônio imaterial, que investe em fundações e feiras regionais, receberá R$ 250 mil em recursos, uma queda de 84% em relação a 2012.
          A Eletrobras ainda não divulgou quanto irá aportar em esporte neste ano, mas já anunciou cortes no basquete e no futebol. No ano passado, a empresa patrocinava as seleções brasileiras masculina e feminina de basquete e também a NBB (Novo Basquete Brasil), a liga nacional. Para este ano, os recursos ficarão restritos apenas às seleções.
          Outra medida foi a recisão do contrato de patrocínio com o clube Vasco da Gama, iniciado em julho de 2009.

            quinta-feira, 28 de março de 2013

            Cirque du Soleil cria "Corteo", produção mais intimista de seus quase 30 anos

            folha de são paulo

            GABRIELA MELLÃO
            COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

            Daniele Finzi Pasca usa suas criações oníricas para abrir janelas na alma dos espectadores. Suas obras, em grande parte espetáculos de câmara, costumam ser janelas discretas, como é o caso de "Ícaro", monólogo criado e interpretado pelo encenador ítalo-suíço, apresentado algumas vezes no país.
            Em "Corteo", show do Cirque du Soleil criado por Pasca, cuja turnê brasileira chega a São Paulo no próximo sábado, essas janelas são coloridas e superdimensionadas.
            Deste modo, não fogem à regra das produções da principal companhia circense do mundo. E não perdem, entretanto, o ar intimista.
            John Vizcaino/Reuters
            Cena do espetáculo "Corteo", que estreia em São Paulo no próximo sábado
            Cena do espetáculo "Corteo", que estreia em São Paulo no próximo sábado
            Ao mesmo tempo em que é o maior espetáculo do Cirque du Soleil em turnê atualmente, "Corteo" (cortejo, em italiano) parece ser o menos grandioso. O menos artificial também, fato que potencializa seu encantamento.
            Pela primeira vez nos quase 30 anos de história da trupe, o palco tem visão de 360 graus. Ao circundar toda a cena, os membros da plateia se aproximam dela e se projetam na trama apresentada: as memórias de vida de um palhaço.
            O espectador presencia a reação da plateia a sua frente, reagindo à emoção de seus pares, como no circo.
            Além disso, passa a enxergar a expressão dos artistas. Eles não escondem os rostos atrás dos quilos de maquiagem usados habitualmente nos show do Soleil.
            Os artistas, que nunca foram retratados de modo tão humanizado, protagonizam um sonho felliniano, mais habitado por anjos que homens.
            "'Corteo' é um espetáculo emocional sobre pessoas reais. Para chegarmos ao coração da plateia precisávamos revelar os sentimentos dos artistas", explica o diretor Bruce Mather, responsável pela montagem em São Paulo.
            "Desta vez, meus amigos vão me reconhecer no palco", celebra Fabio Luis Santos, 26, um dos dois brasileiros que integram o elenco de "Corteo", formado por 60 pessoas. Nos últimos três anos, ele esteve irreconhecível travestido de sapo em "Totem", outra criação do Cirque du Soleil com a qual excursionou.
            Os figurinos, a iluminação e os demais elementos cênicos de "Corteo" buscam a beleza que reside na simplicidade, algo nunca visto nos demais espetáculos da trupe canadense.
            "Dizem que inventamos o circo. Não é verdade. O Cirque du Soleil apenas deu uma cara nova a esta arte. "Corteo" é uma homenagem à tradição circense, um tributo às nossas origens", diz Mather.
            ESPETÁCULO AÉREO
            A simplicidade deste espetáculo --que estreou no Canadá em 2005 e já foi visto por mais de 6,5 milhões de pessoas em dez países-- é apenas aparente. Mather conta que se trata da produção itinerante do Soleil mais complexa tecnicamente: o volume de aparatos tecnológicos e cenográficos é de mil toneladas.
            Adriano Vizoni/Folhapress
            O brasileiro Fabio Luis Santos, que integra elenco do circo
            O brasileiro Fabio Luis Santos, que integra elenco do circo
            Os números aéreos, destaques desta produção, fazem homens, bicicletas e camas voarem a 12 metros de altura.
            Integrante do espetáculo, Camila Comin, 29, trocou a seleção brasileira de ginástica olímpica por "Corteo". Depois de cinco anos de treino no Soleil, ela, que foi classificada entre as 24 melhores ginastas do mundo, ao lado de Daniele Hypólito, nas Olimpíadas de Atenas em 2004, diz ser uma atleta melhor hoje. "Aqui aprendemos a pensar coletivamente e tomamos mais riscos. Além disso, um atleta realiza cerca de dez competições por ano. Em "Corteo" nos apresentamos 350 vezes anualmente", diz.
            Camila faz o papel de um anjo que atua como guia espiritual do protagonista e passa a totalidade do espetáculo no ar.
            "Não coloco os pés no chão uma única vez", fala ela, ansiosa para mostrar seus voos para a família paulistana.
            Segundo conta, a expectativa de se apresentar para parentes e amigos é grande. "Além disso, receber a energia do brasileiro é algo que não tem preço", diz ela, que permanece em território nacional até 2014.
            Depois da temporada em São Paulo, "Corteo" estreia em Brasília em julho, em Belo Horizonte em setembro, em Curitiba em novembro, no Rio em dezembro e em Porto Alegre em março de 2014.
            CORTEO
            QUANDO de ter. a sex., às 21h, sáb., às 17h e às 21h, e dom., às 16h e às 20h (de 30/03 a 14/07).
            ONDE Parque Villa-Lobos (av. Queiroz Filho, s/nº - Pinheiros)
            QUANTO de R$ 71 a R$ 450 (mais informações nos sites corteobrasil.com.br e ticketsforfun.com.br)
            CLASSIFICAÇÃO livre