segunda-feira, 22 de julho de 2013

EDUARDO ALMEIDA REIS - Só ele?‏

Presumo que a biodiversidade encontrada nas jubas dos três atletas seja das mais ricas, misturando espécies de seres vivos da Inglaterra, da Espanha e da Alemanha 


Estado de Minas: 22/07/2013 

O leitor sabe que sempre fui inimigo das injustiças, como esta que fizeram com o ilustre deputado federal Natan Donadon (PMDB-RO), nascido dia 27/7/67 em Porecatu (PR), condenado a 13 anos de cadeia pelo furto de uma ou duas dúzias de milhões de reais. Só ele? E os outros que continuam roubando muito mais? Comparado com eles, Donadon é um trombadinha. É verdade que só deve cumprir dois anos em regime fechado, mas ainda assim foi injustiça.

Fatos rondonienses me falam de perto, porque Rondônia é o antigo território do Guaporé. Por 20 ou 25 minutos deixei de ser nomeado secretário-geral do território federal do Guaporé, cargo equivalente ao de primeiro-ministro. Em 1964, os governadores dos territórios eram coronéis do Exército e os secretários-gerais administravam as quitandas.

O general que fazia as nomeações, solteirão, mulherengo, meu amigo, perguntou: “Eduardo, você quer ser secretário do Guaporé?”. Informado de que o seu jovem amigo não queria outra coisa, o general disse: “Poxa, você não me falou e acabo de nomear um sujeito. Vou ver se consigo desfazer a nomeação”.

Não conseguiu, felizmente para mim e infelizmente para o leitor do Estado de Minas. No Guaporé, o philosopho teria morrido de malária ou flechado de índio, se não fosse abatido a tiros pelos garimpeiros e madeireiros. E agora, esta: nosso belo Donadon cassado e preso, talvez pela burrice de roubar muito menos do que tantos outros larápios conhecidos de todos nós. O produto de sua gatunagem só dá para comprar dois bons apartamentos em Belo Horizonte.

Biogeocenose capilar

Em rápidas pinceladas, ouçamos dona Zica Assis: “Dante, do Bayern, tem cabelo fino, mas o cacheado está todo embolado. Seria bom que ele fizesse o tratamento super relaxante, que ajuda a definir os cachos. Para manter esse penteado black power, ele deve cortar o cabelo sempre em camadas. David Luiz, do Chelsea, o cabelo dele é fino, com mechas louras, mas está bastante ressecado. Não precisa hidratar para dar brilho. Ele deve usar diariamente um creme de pentear com filtro solar para proteger a cor e não danificar as mechas. Marcelo, do Real Madrid, é o cabelo mais delicado, desidratado e crespo. É frisado e ele parece não pentear, o que faz que as pontas fiquem em forma de parafusos. Recomendo o uso de reparador de pontas e também de leave-in com filtro solar”. É o que aconselha a proprietária da Beleza Natural, rede com 13 salões especializados em cabelos crespos.

Morena bem morena, risonha, ostentando imensa cabeleira também crespa, mas penteada, sem pontas em parafusos, presumo que bem abastecida de leave-in com filtro solar, Zica foi levada ao estádio para conhecer de perto a biogeocenose capilar dos craques do professor Felipão.

E biogeocenose, como o leitor certamente ignora a exemplo do seu philosopho até 15 minutos atrás, é o mesmo que ecossistema, sistema que inclui os seres vivos e o ambiente, com suas características físico-químicas e as inter-relações entre ambos.

Presumo que a biodiversidade encontrada nas jubas dos três atletas, que se abraçam depois dos golos da equipa nacional brasileira, seja das mais ricas, misturando espécies de seres vivos da Inglaterra, da Espanha e da Alemanha, onde fazem sucesso nos clubes que detêm os seus direitos federativos.

Se me fosse dado palpitar, com todo o respeito, Zica Assis melhor faria se cortasse 80% de sua própria cabeleira, começando o embelezamento dos três atletas, antes de pensar em cremes e hidratações com filtro solar, pela máquina zero.

Muitos e muitos anos atrás, cerca de meio século, pensei montar em Botafogo, no Rio, um salão de beleza especializado em cabelos crespos. Sociedade com uma amiga cabeleireira, que entraria com o trabalho e a supervisão da equipe de manicures, cabeleireiras e podólogas. Chegamos a ver o espaço num segundo andar de prédio comercial na Rua da Passagem. Decorrido tanto tempo, não me lembro por que o negócio não foi adiante. Creio desnecessário dizer que o salão cuidaria somente de cabelos crespos femininos, que ficam lindos com chapinhas quentes, escovas progressivas e aquele tratamento perigosíssimo à base de formol.

Por derradeiro, informo que o Google tem 236.000 entradas para “como cuidar de cabelos crespos”, inclusivamente as informações do cabeleireiro Wilson Eliodorio, que cuida de Taís Araújo, Maria Fernanda Cândido e Alinne Moraes.

O mundo é uma bola
 

22 de julho de 1298: Eduardo I da Inglaterra e seus arqueiros derrotam William Wallace e seus lanceiros na Batalha de Falkirk, durante a Guerra da Independência da Escócia.

Em 1935, o presidente Getúlio Vargas cria A Hora do Brasil, programa transmitido obrigatoriamente para todo o território brasileiro, mas tarde transformado em A Voz do Brasil, seguramente um dos programas mais chatos da radiofonia mundial. Concorre em falta de audiência com a TV do Lula.

Em 1969, o generalíssimo Franco indica o príncipe Juan Carlos para futuro rei da Espanha. Em 2011, um maluco mata a tiros e bombas 93 pessoas e fere outras 90 na Noruega.

Hoje é o Dia do Trabalho Doméstico e o Dia do Cantor Lírico, não sei se no Brasil. Se não for, fica sendo.

Ruminanças

“Quando bebemos, ficamos bêbados. Quando ficamos bêbados, dormimos. Quando dormimos, não cometemos pecados. Quando não cometemos pecados, vamos para o céu. Portanto, vamos ficar bêbados para ir para o céu” (Brian O’Rourke).

Cultura do carro nos EUA dá marcha a ré - Raul Juste Lores

folha de são paulo
Total de jovens que não dirigem no país dobrou em 30 anos; ciclovias e transporte público recebem investimentos
Nova economia, além de concentrar emprego nas cidades, fez carro perder seu status de objeto de desejo, dizem estudos
DE WASHINGTONDos jovens americanos entre 20 e 24 anos de idade, 20% não têm carteira de habilitação; 40% dos que têm 18 anos tampouco. Nos dois casos, o número de jovens que não dirigem no país das autoestradas dobrou em 30 anos.
Desde 2001, o total de quilômetros dirigidos pelos americanos está em declínio, muito antes da crise de 2008.
Assim como Detroit --berço das montadoras, cuja prefeitura entrou em concordata e que encolheu de 1,8 milhão de habitantes nos anos 70 para 700 mil hoje--, a cultura automobilística dos EUA vive momento de marcha a ré.
"Minha geração quer cada vez mais morar nas cidades e fugir dos subúrbios. O uso de bicicleta e de transporte público nas maiores cidades está em alta", disse à Folha o urbanista Owen Washburn, 29, do Instituto Brookings.
Estudos dizem que os aparelhos tecnológicos substituíram os carros como objetos de desejo dos mais jovens. E que a vida na cidade, onde os empregos da chamada nova economia se concentram, também ficou mais atraente.
Apesar do barulho provocado pelo grande sistema de compartilhamento de bicicletas em Nova York, lançado em maio com 7.000 bikes, a surpresa é que cidades médias e até no interior americano seguem a tendência.
San Antonio, Austin (Texas) e Atlanta (Georgia) têm criado várias ciclovias --Austin terá compartilhamento de bicicletas no fim do ano.
"Há forte redução do uso do carro em Austin. Mas, no interior, ainda há caminhonetes por todo lado", diz o professor mineiro Fernando Lara (Universidade do Texas).
Washington e Seattle criam 20 km por ano de ciclovias. Em vários casos, há financiamento federal para as obras.
É o caminho oposto das políticas dos EUA que nos anos 40 e 50 estimularam o uso de veículos, da criação do sistema de rodovias à concentração de empregos em distritos aonde só se chegava de carro.
Um dos prefeitos que mais investiram na mudança acaba de virar o secretário dos Transportes dos EUA. Anthony Foxx, 42, fez do transporte público prioridade na Prefeitura de Charlotte, a maior cidade da Carolina do Norte --algo incomum nos conservadores Estados do Sul.
Estendeu um metrô de superfície e ressuscitou uma rede de bondes. A economia ajudou: Charlotte virou o segundo maior centro financeiro do país, após Wall Street, e muitos de seus novos trabalhadores são jovens que preferem viver perto do trabalho.
    ANÁLISE
    Montadoras já se preocupam com desinteresse em dirigir
    ROHIT JAGGIDO "FINANCIAL TIMES"Uma das mudanças mais visíveis causada pela humanidade no planeta pode ser atribuída ao automóvel --não só veículos são encontrados em quase todas as paisagens como é impossível escapar da infraestrutura que exigem.
    Mas a alta da população de carros de quase zero para muito mais que 1 bilhão em pouco mais de um século teve um preço. Em muitos lugares, o trânsito converteu o automóvel em gaiola quase imóvel. Somem-se a isso as preocupações ambientais e é muito possível que a maré da opinião pública sobre os carros tenha virado em boa parte do mundo desenvolvido.
    A China ainda compra muitos carros, mas muitos jovens de países desenvolvidos não demonstram nenhum interesse em aprender a dirigir, e isso preocupa as montadoras.
    A alemã BMW já investe em esquemas de partilha de carros. Carros elétricos devem ficar mais comuns. Prevenir acidentes terá destaque cada vez maior; a extensão lógica disso é entregar a tarefa de dirigir o carro a computadores.
    Veículos assim podem revolucionar o modo como usamos carros e o que fazemos com o tempo passado neles.

      Rubens Ricupero

      folha de são paulo
      Que falem os fatos
      Por trás dessa aparente improvisação do papa Francisco, existe método e coerência
      É pela revolução silenciosa dos atos e gestos de cada dia que o papa Francisco vem mudando a Igreja Católica de modo radical e profundo. Não houve relatório bombástico como o de Khruschov no 20º Congresso do Partido Comunista soviético. Tampouco se anunciou novo concílio ecumênico, como fez o papa João 23. Até agora, ninguém ouviu do papa um discurso programático de reforma.
      Nesse particular, seu comportamento parece inspirado, mais que em são Francisco, num dos primeiros franciscanos, santo Antônio. Num sermão, dizia este: "A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras".
      Palavras e gestos são simples. Numa manhã, o papa diz na missa, na presença dos funcionários do banco do Vaticano, que São Pedro nunca teve conta bancária... no dia seguinte, desculpa-se por não ir ao concerto onde deveria sentar-se em poltrona majestática isolada dos demais e explica: "Não sou um príncipe da Renascença!". Nas palavras dirigidas aos bispos italianos, censura o "mundanismo", o "carreirismo eclesiástico", lamenta os bispos que se portam como "funcionários preguiçosos". Depois, abraça um a um...
      Os tradicionalistas denunciam que ele "fa il parocco, non fa il papa", isto é, que age como pároco de aldeia, que ameaça dessacralizar a função papal ao recusar habitar os apartamentos pontifícios e passar férias em Castel Gandolfo, ao preferir singeleza na liturgia, pondo de lado paramentos e ritos elaborados, ao morar em hotel, tomar refeições junto a outras pessoas e não no esplêndido isolamento onde se tramam as conspirações de mordomos e cortesãos.
      Mas que ninguém se engane. Por trás dessa aparente improvisação, existe método e coerência. Tudo --atos, decisões, opiniões-- aponta na mesma direção: pobreza evangélica, serviço dos outros, sobretudo dos mais pobres, dos que habitam as periferias do mundo e da vida, exigência de conversão radical, de esforço para aliviar a dor e o sofrimento.
      Num de seus livros, sugere como se deu sua própria conversão: "Os padres das periferias e das favelas impuseram uma transformação nas mentalidades e no comportamento das autoridades eclesiásticas".
      O diretor do jornal do Vaticano captou assim os quatro eixos da mensagem de Francisco: "Falar de Deus em termos de misericórdia e ternura; exigir o engajamento cristão concreto; trabalhar na simplificação de si mesmo e da igreja; voltar-se às pessoas que estão na periferia do cristianismo".
      Não há nada de melífluo ou piegas nesse programa. Muito mais árduo do que o discurso do moralismo sem compaixão é colocar a vida a serviço dos outros. É o programa de Teresa de Calcutá e Francisco de Assis. Quantos, crentes ou não, são capazes de segui-lo?
      A visita ao Brasil e o encontro com a juventude oferecem ao papa a primeira oportunidade de sair da praça de São Pedro e enfrentar os desafios contemporâneos. No momento em que se extingue Mandela, o último herói de um mundo desesperançado, o que dirá Francisco aos jovens vindos de toda a parte e em especial aos jovens brasileiros que nas manifestações deram voz à esperança?

      Médicos declaram guerra ao governo-Julia Chaib‏

      Entidade propõe ação civil contra programa que dispensa a revalidação dos diplomas de profissionais estrangeiros emitidos por universidades do exterior 


      Julia Chaib

      Estado de Minas: 22/07/2013 



      Brasília – O Conselho Federal de Medicina (CFM) entrou com uma ação na Justiça Federal contra os ministérios da Saúde e da Educação para suspender o Programa Mais Médicos, instituído por medida provisória (MP), publicada no dia 9. A entidade questiona três pontos da proposta elaborada pelo governo federal: a possibilidade de profissionais formados no exterior trabalharem sem revalidar o diploma; a falta de comprovação da fluência em português e o fato de que os médicos formados no exterior terão de trabalhar especificamente nos municípios acordados pelo programa. A Federação Nacional dos Médicos (Fenam) também deve entrar com uma ação civil contra o Mais Médicos amanhã e o CFM promete outras ações nos próximos dias.

      Os médicos intercambistas do Mais Médicos vão trabalhar em unidades da saúde da família no interior ou periferias de grandes cidades por três anos. Para isso, os Conselhos Regionais de Medicina devem emitir um registro provisório, medida contestada pelo CFM na Justiça, em petição proposta na última sexta-feira. No processo, a entidade requer que, enquanto não houver uma decisão definitiva em relação à MP, os CRMs não sejam obrigados a conceder a autorização para o exercício da medicina, sem a apresentação do diploma revalidado e teste de proficiência em português.


      A entidade questiona ainda a urgência da proposta e afirma que ela é oportunista "na medida em que se aproveita do clamor público oriundo das ruas para editar uma legislação simplesmente populista". O CFM alega também que a população pode ficar sujeita a má assistência se não for comprovada a qualidade dos médicos. Em relação à restrição dos profissionais do exterior que participarem do programa, o CFM alega na petição que isso significaria a criação de uma "subcategoria" de médicos. 


      Na semana passada, o presidente da Fenam, Geraldo Ferreira, afirmou que até amanhã ingressará com uma ação civil pública na Justiça Federal também com o objetivo de suspender a MP. Ele também pretende apresentar uma ação direta de inconstitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além dos argumentos do CFM, a Fenam questionará o regime trabalhista no Mais Médicos — que não garante férias e 13º salário, por exemplo— e o fato de não ter havido concurso público. 


      A entidade também está orientando os estados e municípios a entrarem com ações civis locais.


      Fora o Mais Médicos, outro agravante da crise da categoria com o governo foram os 10 vetos feitos pela presidente Dilma Rousseff ao projeto conhecido como ato médico. Polêmica, a matéria tramitou no congresso por quase 12 anos. Entidades representantes da psicologia, farmácia, biomedicina, entre outras, se opunham à proposta porque ela tornava exclusivas dos médicos ações como diagnóstico e prescrição de tratamento de doenças. Uma manifestação deve ocorrer no dia 8, contra o programa e pela derrubada dos vetos ao Ato Médico.