Poesia
A minha insônia terrível
Me levou a passear
Por parte do facebook.
É o que relato abaixo
Sem camuflagem, sem truque.
Logo de cara encontrei
Mocinha de estranho look:
Uma loira bem morena
Reclamando da vizinha
Que ouvia o ido Lou Reed
E dançava com um cabide.
Depois, aqui e ali,
A série tão costumeira
De choros e mimimis,
Supondo um ouvido gigante
De um deus tão delinquente
Quanto as vozes reclamamtes.
Entre uma graça e outra,
O brado sempre sincero,
Porém eivado de açoite,
Dos meninos do PT,
E as micagens geladas
Dos boys do PSDB.
Pulando uns posts curtinhos,
qChegava a vez dos fofinhos,
A hora mais que completa:
De gatinhos,
Cachorrinhos,
Lagartinhos,
Cavalinhos,
Tantos -inhos sem guarida,
Às vezes cheios de mofo
Mas, via de regra, uns fofos.
Ao encalhar em Maluf,
Maduro e José Sarney,
Tomei 2 bons comprimidos
Da caixa de rivotril
Mandando as nobres figuras
Para a puta que pariu.
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quinta-feira, 7 de novembro de 2013
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Meu retrato aos 67 - Carlos Emilio Faraco
Poesia
MEU RETRATO AOS 67
Da minha mão
É um fio de contradição:
Traz um sim,
Traz um não,
Um parto,
Uma negação.
O sim do que fiz,
O não do que contive,
O sim do que quis,
O não do que detive.
Uma só admite
Um tímido talvez:
Aquela que limita,
No começo e ao cabo,
O nascimento de Deus,
O batizado do Diabo.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Hipocampo - Carlos Emilio
HIPOCAMPO
Carlos Emílio Faraco
Deixei o olhar navegar
À solta dentro do aquário.
Era um olhar único,
(Não era vário)
Forjado naquele silêncio
Que arde num fim de tarde.
Brilhou em toda escama
De cada peixe azulado
E se plasmou no olhar
Do único peixe dourado.
Mas avesso a ser só ouro
Cravado no fim do caminho,
Pulou pra crina confusa
De um louro cavalo marinho.
Entre brilhar
E ficar,
Meu olhar,
Nascido cigano,
Escolheu galopar.
***
O caso é que
O amor alheio
Pode ser bonito,
Pode ser feio,
Pode ser fraco,
Pode ser forte,
Pode ser singelo,
Pode ser altivo.
O amor da gente
É só substantivo.
Fonte
Carlos Emílio Faraco
Deixei o olhar navegar
À solta dentro do aquário.
Era um olhar único,
(Não era vário)
Forjado naquele silêncio
Que arde num fim de tarde.
Brilhou em toda escama
De cada peixe azulado
E se plasmou no olhar
Do único peixe dourado.
Mas avesso a ser só ouro
Cravado no fim do caminho,
Pulou pra crina confusa
De um louro cavalo marinho.
Entre brilhar
E ficar,
Meu olhar,
Nascido cigano,
Escolheu galopar.
***
O caso é que
O amor alheio
Pode ser bonito,
Pode ser feio,
Pode ser fraco,
Pode ser forte,
Pode ser singelo,
Pode ser altivo.
O amor da gente
É só substantivo.
Fonte
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Moça de Segunda-Feira - Carlos Emilio Faraco
MOÇA DE SEGUNDA-FEIRA
Com as māos
em prece,
olhos inteiros,
a moça borralheira
agradece
a segunda-feira.
Sabe-se tristinha,
sabe-se humilde,
sabe-se calada.
Por hoje,
sabe que está salva
pois que achou escape
na segunda-feira.
É uma moça
de segunda-feira.
Hoje é o dia
em que lhe admiram o tailleur,
a maquiagem discreta,
a voz de quem pede deculpa,
por perdurar na semana.
Hoje é o dia
em que todos invejarāo
(Uns com flagrante horror)
seu decantado vigor,
sua gaveta arrumada,
seus suspiros adequados,
sua voz assombreada
com tom de segunda-feira.
Hoje é o dia dela:
até as janelas
aguardam a visita
dos seus cotovelos,
quando a moça,
com desvelo,
for consultar o tempo,
debruçando-se pra rua.
Meio corpo a vacilar,
no balé tāo esperado,
antes do fundo suspiro
e do real constatado:
que só os muito tristes
(quase sempre esperançosos)
mapeiam a segunda-feira.
Fonte
Com as māos
em prece,
olhos inteiros,
a moça borralheira
agradece
a segunda-feira.
Sabe-se tristinha,
sabe-se humilde,
sabe-se calada.
Por hoje,
sabe que está salva
pois que achou escape
na segunda-feira.
É uma moça
de segunda-feira.
Hoje é o dia
em que lhe admiram o tailleur,
a maquiagem discreta,
a voz de quem pede deculpa,
por perdurar na semana.
Hoje é o dia
em que todos invejarāo
(Uns com flagrante horror)
seu decantado vigor,
sua gaveta arrumada,
seus suspiros adequados,
sua voz assombreada
com tom de segunda-feira.
Hoje é o dia dela:
até as janelas
aguardam a visita
dos seus cotovelos,
quando a moça,
com desvelo,
for consultar o tempo,
debruçando-se pra rua.
Meio corpo a vacilar,
no balé tāo esperado,
antes do fundo suspiro
e do real constatado:
que só os muito tristes
(quase sempre esperançosos)
mapeiam a segunda-feira.
Fonte
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Parir ouro - Carlos Emilio Faraco
Nāo tenho ouro,
Nem prata,
Nem mérito
Ou cartāo de crédito.
Tenho meu silêncio,
Que transformo em palavras baratas,
Quando quero.
Ás vezes, elas
Desencasulam-se aladas
E viram borboletas.
Às vezes,
Escorrem boca abaixo,
Qual massa ígnea.
Por vezes, duras,
Brotam como comandos.
Outras, de latāo,
Se moldam em insígnias.
Em todos os casos,
Sāo inúteis:
As borboletas,
Porque a natureza já as produz
Aos milhares
E massas ígneas
Nāo passam de vômito
De vulcōes
Mal-humorados.
Melhor será, pois,
Manter-me em silêncio,
Ruminando
Minhas perplexidades,
Ou, pelo menos,
Parir ouro,
Como certas galinhas
De cacarejar bilingue.
Nem prata,
Nem mérito
Ou cartāo de crédito.
Tenho meu silêncio,
Que transformo em palavras baratas,
Quando quero.
Ás vezes, elas
Desencasulam-se aladas
E viram borboletas.
Às vezes,
Escorrem boca abaixo,
Qual massa ígnea.
Por vezes, duras,
Brotam como comandos.
Outras, de latāo,
Se moldam em insígnias.
Em todos os casos,
Sāo inúteis:
As borboletas,
Porque a natureza já as produz
Aos milhares
E massas ígneas
Nāo passam de vômito
De vulcōes
Mal-humorados.
Melhor será, pois,
Manter-me em silêncio,
Ruminando
Minhas perplexidades,
Ou, pelo menos,
Parir ouro,
Como certas galinhas
De cacarejar bilingue.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Etimologia - Carlos Emilio Faraco
Poesia
ETIMOLOGIA
Com o tempo,
ás águas pluviais
correm,
esquecidas de sua origem.
Encontram-se
com as águas fluviais
(também desgrudadas
do seu nascimento)
e conversam
sobre os refolhos dos homens,
sobre a memória dos homens,
sobre a boca dos homens.
A noite
da língua portuguesa
é cheia de murmúrios...
https://www.facebook.com/cefaraco
ETIMOLOGIA
Com o tempo,
ás águas pluviais
correm,
esquecidas de sua origem.
Encontram-se
com as águas fluviais
(também desgrudadas
do seu nascimento)
e conversam
sobre os refolhos dos homens,
sobre a memória dos homens,
sobre a boca dos homens.
A noite
da língua portuguesa
é cheia de murmúrios...
https://www.facebook.com/cefaraco
segunda-feira, 27 de maio de 2013
1968 - Carlos Emilio Faraco
1968
Eles moeram vidro
e enfiaram o pó
em nossas goelas,
muitas ainda donzelas.
Alguns, com estômago elástico,
pariram diamantes plásticos
e com eles se encantaram.
Os que nāo cooptaram
Ainda sangram.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
As tardes sāo labirintos
De Carlos Emilio Faraco
Mesmo quando nāo querem,
As tardes sāo labirintos.
Desaguar-se a fundo nelas
Exige uma alma profusa
Que nāo se deixe minguar
Por mil vielas confusas
Que irrigam a asa do dia
E impedem o seu voo -
Barreiras de líquido estorvo -
Antes que a noite se ria
Como um grasnido de corvo.
Mesmo quando nāo querem,
As tardes sāo labirintos.
É preciso beber delas
Em goles bem controlados:
Que o copo nāo se entorne
Na volúpia do amarelo,
No desejo desabrido
De passear por castelos,
Por vales alaranjados.
Mesmo quando nāo querem,
As tardes sāo labirintos.
Nāo há na tarde jardins,
Nāo há na tarde castelos.
Só há tantos labirintos
Construídos em duelo,
Com contragolpes procelos
Que, sendo o que nunca sāo,
Se desmentem, se anulam,
E sobrevivem sozinhos
Em espaços semoventes
De mil espelhos que falam
De si para si,
frente a frente,
Sem permitir que os olhos
Conquistem a arquitetura
De uma tarde madura:
Um beco sem abertura,
Labirinto, captura.
Mesmo quando nāo querem,
As tardes sāo labirintos.
(Boa tarde aos náufragos).
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