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domingo, 4 de agosto de 2013

Quem educa os educadores

folha de são paulo
QUEM EDUCA OS EDUCADORES?
EDUCAÇÃO BÁSICA
Formação de professor fica longe da realidade da escola
Principal crítica dos especialistas é o excesso de teoria com pouca prática
DE SÃO PAULOA educação no Brasil ainda é um ponto crítico para o desenvolvimento do país.
A qualidade do que se ensina nas escolas puxa o Índice de Desenvolvimento Humano brasileiro para baixo e coloca o Brasil no fim da lista de países em termos de qualidade de ensino de ciências e de matemática.
As causas disso dividem a opinião de educadores, de gestores e de especialistas. Muitos, no entanto, concordam que um dos gargalos da educação está justamente na formação do professor.
De acordo com especialistas ouvidos pela Folha, o que se ensina nos cursos de pedagogia (que formam quem dá aula para as crianças de seis a dez anos, do ensino fundamental 1), e nas licenciaturas (que graduam os docentes dos jovens de 11 a 17 anos, do fundamental 2 e do ensino médio) está bem longe da realidade encontrada na escola.
Isso porque os estágios ocupam, em média, 10% da carga horária da graduação para formar professores.
Em países como os EUA, a relação é oposta: a maioria das disciplinas é prática.
DIPLOMA
Para dar aula no Brasil, é preciso, desde 2009, ser graduado em uma licenciatura.
Isso significa que, por aqui, um engenheiro não pode lecionar matemática porque não é licenciado.
Hoje, 24% dos que estão na sala de aula não fizeram curso universitário. Há, inclusive, quem nem tenha concluído o ensino médio (8,4 mil de 2,1 milhões docentes).
A obrigatoriedade do diploma de licenciatura para dar aula fez ainda com que a graduação de pedagogia à distância ganhasse força.
O número de cursos remotos de formação de professor aumentou de 6.077 para 273 mil de 2000 a 2010.
Mesmo assim, ainda faltam docentes na sala de aula. O Ministério da Educação calcula que pelo menos 170 mil vagas para professores de matemática, química e biologia estejam sem dono.
Os motivos disso? Aqui também há divergências. Há quem diga que o problema seja o salário. Para alguns, o piso nacional para o professor, estipulado em R$ 1.567, não consegue atrair nem segurar grandes talentos da educação.
Por essas e por outras, quem se forma em matemática no Brasil, por exemplo, acaba preferindo não ir para a sala de aula.
Hoje, o professor brasileiro é, em geral, uma mulher que tem entre 30 e 50 anos que veio de uma família de baixa ou média renda. A maioria (78%) trabalha em uma única escola.
Boa parte dos docentes reclama do salário e da condição das escolas, mas não de sua própria formação.
Apesar dos problemas, 68% dos pedagogos se sentem bem preparados, de acordo com dados do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes).

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Xico Sá

folha de são paulo

O país do Amigo da Onça
A pegadinha da água não quebra o decoro, a ética, a regra do jogo, nada disso, só revela o 'oncismo'
Amigo torcedor, amigo secador, mais do que o país cordial, o país do jeitinho ou o país da malandragem caricata, o Brasil segue mesmo, tal e qual, é como a pátria do Amigo da Onça -aqui lembrando, para estes moços, pobres moços, o personagem do desenhista pernambucano Péricles (1924-1961).
No futebol nem se fala. Somos não obrigatoriamente o que ocorre no Senado, por exemplo, apesar de sermos cúmplices na vida real e incendiários tão somente nas redes sociais etc.
O que acontece nos jogos de bola, no entanto, é sempre a nossa cara. Cagada e cuspida. Um bando de muy amigos da onça. Mesmo dentro da mais absoluta legalidade, caso do Ronaldinho com o Rogério nesta semana no Independência.
O corvo Edgar, que não tem nada de felino nesse jogo do bicho e muitos menos preza pela mínima moral da história, achou ótimo. Secou como nunca sua obsessão chamada tricolor paulista. Lembrai-vos, caríssimos são-paulinos, a agourenta ave nasceu sob o signo da supremacia do vosso time na Libertadores.
Foi a então arrogância do clube do Morumbi, amigo, que deu as condições históricas e colheu os garranchos proletários para o ninho do lazarento gerado de uma costela de Poe e das assombrações do urubu de Augusto dos Anjos.
Sendo o guarda-metas o Ceni, nossa, o corvo vibrou, digo, secou, mais ainda. Não tolera a simpatia do rapaz. Juro que não entendo o motivo. Não deve gostar dos grandes líderes. Não deve curtir quem alveja outros colegas de infortúnio com fulminantes cobranças de faltas. Goleiro que castiga goleiro não tem perdão para el cuervo.
E chega de explicações e teses de boteco. Um copo d'água e uns agrados orais, como diria o poeta Mr. Catra -eis finalmente a delicadeza perdida-, não se nega a ninguém. Duvido, porém, meu caro, que outro boleiro beba da moringa do Ceni depois do gol do Jô protagonizado pelo genial 10 do Galo nas Minas Gerais.
O tipo de episódio que deve mudar, doravante, os bons e recomendados modos do fair play. A pegadinha da água, como definiram ontem na Inglaterra, não quebra o decoro, a ética, a regra do jogo, nada. Ela só revela, repito, o "oncismo" -eu mato a sede na tua casa e lá mesmo apronto contigo. Talvez revele mais ainda: a pegada picaresca de anti-heróis brasileiros da literatura de cordel como João Grilo ou Chicó, personagem de "O Auto da Compadecida", do paraibano Ariano Suassuna, o mais ilustre torcedor do Sport Recife que já vi na Ilha do Retiro.
Não creio em crime premeditado. O Onça é mais do improviso. Muito menos creio em um apagão de memória da zaga do São Paulo. Não se esquece de uma hora para outra que, em cobrança de lateral, não há impedimento. Caíram mesmo no conto do Amigo da Onça. Acontece.
@xicosa
xico.folha@uol.com.br

    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

    Entrevista D.Orani Tempesta

    folha de são paulo

    Papa deu exemplo de que é tempo de a igreja rejuvenescer
    Arcebispo do Rio é um dos responsáveis pela organização da jornada mundial da juventude, que acontece na cidade em julho
    CRISTINA GRILLOFABIO BRISOLLADO RIOA decisão de Bento 16 de renunciar ao papado é um "testemunho profético" de que é tempo de a Igreja Católica se rejuvenescer.
    A avaliação é do arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta, 62, que soube da renúncia por mensagens de texto recebidas pelo celular, poucos minutos antes de celebrar uma missa na Basílica de Nossa Senhora de Lourdes, em Vila Isabel, zona norte da cidade, e deu a notícia aos fiéis.
    "Foram vários torpedos, mas só tive certeza que era verdade quando recebi um da rádio do Vaticano", contou ontem à Folha.
    Nos últimos meses, o arcebispo do Rio vem mantendo contato próximo com a cúpula do Vaticano por causa da organização da Jornada Mundial da Juventude, que acontece na cidade entre os dias 23 e 28 de julho.
    D. Orani Tempesta avalia que agora o interesse pelo encontro de jovens católicos aumentará, pois possivelmente será o primeiro grande evento com participação do novo pontífice.
    Por isso, vai refazer todo seu planejamento. A estimativa anterior da arquidiocese era receber 2 milhões de jovens na cidade.
    Na região de Guaratiba, zona oeste do Rio, onde será celebrada uma missa papal no domingo, 28 de julho, d. Orani tinha reservado uma área para acomodar até 900 mil peregrinos que decidissem pernoitar depois da vigília de sábado. Vai aumentar o espaço.
    D. Orani Tempesta é o primeiro bispo a comandar a arquidiocese do Rio em longo tempo. Desde d. Sebastião Leme, nomeado em 1930, o cargo sempre foi ocupado por cardeais.
    Citado frequentemente nas listas de possíveis novos cardeais da Igreja, d. Orani desconversa quando questionado se seu nome estará entre os anunciados no consistório [reunião de cardeais com o papa] marcado para 22 de fevereiro em Roma.
    "Se tem isso, eu ainda não sei. Mas, se souber, eu te aviso."
    Leia a seguir trechos da entrevista concedida por d. Orani Tempesta à Folha.
    -
    Folha - O senhor vem mantendo contato próximo com o Vaticano por causa da Jornada Mundial da Juventude. Havia especulações sobre a possibilidade de renúncia?
    Dom Orani Tempesta - Não, foi uma surpresa. Isso não acontecia há séculos, apesar de o direito canônico prever essa possibilidade. Com a decisão, o papa deu um belo exemplo de que é tempo de a igreja se rejuvenescer. Foi um testemunho profético, um sinal.
    Muda alguma coisa com relação à Jornada?
    Devemos receber mais gente no Rio, já que provavelmente será o primeiro grande evento do novo papa. Teremos que rever nosso planejamento. E a programação deverá ser ampliada. Havia grande preocupação em reduzir os compromissos por causa do estado de saúde de Bento 16. Agora talvez possamos agendar mais encontros.
    Em abril vamos receber representantes da comissão que cuida das viagens papais. Quem sabe o novo papa visite o Cristo Redentor? [A visita de Bento 16 ao santuário católico corria o risco de ficar fora da programação, por ser considerada exaustiva.]
    Há a possibilidade de o novo papa não vir à Jornada?
    Bento 16 sempre me disse que o papa viria à Jornada, fosse ele ou seu sucessor. Aconteceu algo semelhante em 2005, na Alemanha. João Paulo 2º preparou o evento, mas morreu antes de sua realização [o papa morreu em abril de 2005 e a Jornada aconteceu em agosto do mesmo ano]. Bento 16 cumpriu toda a agenda que tinha sido elaborada para seu antecessor.
    Como o sr. ficou sabendo da decisão do papa Bento 16 de renunciar?
    Eu me preparava para celebrar uma missa quando comecei a receber várias mensagens de texto em meu celular.
    Em um primeiro momento, achei que era um desses boatos que se espalham na internet.
    Só tive certeza de que era verdade quando recebi um torpedo com o link da rádio Vaticano para o pronunciamento do papa.
    O sr. tem algum encontro agendado com o papa antes da data marcada para sua renúncia, 28 de fevereiro?
    Não, mas gostaria de levar algumas pessoas que trabalham comigo na organização da Jornada Mundial da Juventude para estarmos com ele antes da saída, para agradecer por tudo o que ele fez em prol do evento no Rio.
    Especula-se que o sr. será nomeado cardeal por Bento 16 antes de deixar o cargo, e há um consistório marcado para o dia 22 de fevereiro. O sr. pode se tornar cardeal nessa data?
    Se tem isso, eu ainda não sei. Mas, se souber, te aviso.

      Megan Fox, a intocável - Mônica Bergamo

      folha de são paulo


      "Eu nunca vi nenhum filme dessa Megan Fox", diz Susana Vieira ao chegar ao Sambódromo do Rio, anteontem. A atriz critica a colega americana, estrela do filme "Transformers" e contratada por estimado R$ 1,7 milhão para fazer presença VIP no camarote da Brahma no Carnaval.
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      "Esse camarote já recebeu os maiores atores do Brasil, os maiores cantores e jogadores do mundo, não precisa de Megan Fox. Mas deve interessar ao patrocinador." A única celebridade que ela tentou conhecer no camarote foi Madonna, em 2010. "E os seguranças me expulsaram. Então vai se f..."

      Megan Fox e outros famosos em camarotes da Sapucaí

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      Zanone Fraissat/Folhapress
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      A atriz Megan Fox e o marido, o ator Brian Austin Green, estiveram na noite de abertura do Carnaval do Rio de Janeiro, no domingo (10)
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      Megan só aparece às 23h55. Grades e seguranças, estes na base de empurrões, bloqueiam todas as escadas. Só depois que a americana completa seu trajeto é que Susana Vieira consegue passar, nervosa. "Foi todo mundo barrado, porque a Megan não pode ser tocada. Vai se f...! Ronaldo Fenômeno está no camarote! Ele é muito mais importante!"
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      O ex-jogador, carregando a nova namorada, a DJ Paula Morais, e uma camisa da seleção para Megan, é autorizado a entrar no cercadinho VIP da atriz. Rodrigo Santoro e Luan Santana também. A americana passa a maior parte do tempo de costas para o desfile, conversando com o marido, Brian Austin Green. Bebe duas garrafinhas de água mineral. E é pontual: sai à 1h55, quando vencem as duas horas que precisa cumprir para receber o cachê.
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      Astros internacionais no camarote de outra cervejaria, a Devassa, se irritavam com a imprensa. O designer francês Christian Louboutin, de calça vermelha justa e sapato preto cravejado de metais, gingava a cada batuque.
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      Os sapatos de Louboutin viraram símbolo de um dos grandes escândalos brasileiros de 2012, quando Adriana Ancelmo, mulher do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), fez fotos levantando os pés para mostrar o solado vermelho dos calçados num passeio do casal com empreiteiros em Paris.
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      "Não e o único país em que isso acontece. Não quero estar envolvido nisso, não preciso", diz ele à coluna. Com um gesto de mão, indica que a entrevista "já deu".
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      O ator francês Vincent Cassel espera na longa fila para a comida, a alguns passos do ex-BBB Alemão. "Você é jornalista? Então não tenho nada a falar. Bom Carnaval." E dá uma piscadinha. "Foto tudo bem."
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      Adam Clayton, o baixista do U2, cochicha com uma amiga. Ele está no Brasil para uma exposição de Martin Creed na casa de Frances Reynolds, ex-mulher de José Roberto Marinho, da Globo.
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      MC Naldo sai escoltado por uma equipe, empurrando todos no caminho. O cantor não deveria estar ali: é contratado da Brahma. Segura na mão um saco com a camisa-abadá da cervejaria concorrente. "Ele só queria ver o Will", diz um dos guarda-costas, referindo-se ao ator americano Will Smith -que não estava lá. O encontro dos dois aconteceria no dia seguinte, em um hotel. Tudo registrado por Naldo no Instagram.
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      Na Brahma, Susana Vieira diz que, caso sua escola, a Grande Rio, vença o Carnaval, vai cancelar a apresentação de "A Partilha", peça que está estrelando em São Paulo, para participar do desfile das campeãs, no sábado. "Eu pago os R$ 8.000 mínimos de diária que devemos ao dono do teatro e venho."
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      Ela comenta a polêmica gerada por Zeca Pagodinho, que afirmou à Folha que "não tem mais" Carnaval nas ruas do Rio. "Marchinha, baile... é coisa de cem anos atrás. Já fui muito. Mas agora tem os blocos de rua." E anuncia: "Vou sair num bloco no ano que vem. Eu vi a Carolina Dieckmann no da Preta Gil e pensei: 'Minha filha tá lá e eu não tô?' A vovó vai também!".
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      Jorge Ben Jor endossa: "Não tem mais marchinha tocando em rádio, mas esta semana levei cinco horas para ir da Barra ao Santos Dumont. Tinha 400 blocos na rua."
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      Dunga também foi à Sapucaí, com a mulher e dois filhos. "Acho que o Ricardo Teixeira deve ter mais saudade de mim do que eu dele", diz, sorrindo, o ex-técnico da seleção, demitido em 2010 pelo então poderoso chefão da CBF. "Nos quatro anos em que eu fiquei lá, ele não teve problemas."
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      O treinador não teme vexame do Brasil na Copa de 2014. "Tô gostando", diz, sobre a seleção de Luiz Felipe Scolari. "Antes era um barco em alto-mar à deriva. Agora, tem direção. Goste-se ou não do Felipão, ele fala branco, é branco. Fala azul, é azul."
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      "Esquece estrutura, estádio, aeroporto, telefonia", diz ainda Dunga. "Quem vai fazer a diferença na Copa é o povo brasileiro. Se ele abraçar o evento, com essa animação toda [aponta para as arquibancadas do sambódromo], essa alegria, vai fazer toda a diferença. Senão, estamos perdidos." (ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, DIÓGENES CAMPANHA E MÔNICA BERGAMO, DO RIO)

      segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

      Ricardo Feltrin

      folha de são paulo

      NO SOFÁ - RICARDO FELTRIN
      Fora das passarelas, exclusivas da Globo, TVs recorrem a bastidores e 'beiradas' do Carnaval
      UMA CÂMERA no ombro, um microfone na mão, nenhuma pauta e um monte de besteiras na cabeça. Essa foi mais uma vez a fórmula da maioria dos programas de bastidores do Carnaval na TV aberta.
      Chamar a essas coisas de "programa de bastidores do Carnaval" é bondade. Alijados pela eterna exclusividade da Globo nas passarelas de São Paulo e Rio (dona Globo, está duro aguentar a overdose de efeitos especiais nos desfiles e no merchandising, hein?) cabe aos canais concorrentes ficar na "rabeira" -seja migrando para outros Estados, fuxicando camarotes VIP ou incomodando o cidadão comum em festas de salão.
      De certa forma, ver o Carnaval pela TV tem lá suas vantagens. Você não fica sem voz de tanto gritar e tampouco tem o constrangimento de presenciar como todo bufê boca-livre em camarotes no Anhembi é atacado por convidados com fome etíope.
      Só mesmo a TV pode ceder ao telespectador cenas tão ridículas, como o falso Psy que a RedeTV! colocou no ar para procurar bundas perfeitas; ou ouvir o confuso cantor neosertanejo Mariano ser entrevistado pelo SBT e, ao final, mandar um simpaticíssimo "abraço ao pessoal do Band Folia".
      As crianças de "Carrossel", por sua vez, já estão se parecendo mais com o elenco de "Os Miseráveis". Cansadas, com olheiras, há meses elas são arrastadas de um lado para outro pelo destino, digo, pela direção do SBT.
      Na RedeTV!, achar uma celebridade de quarto escalão equivale a encontrar um bilhete de loteria premiado. A emissora que passou os últimos dois anos em crise reservou a maior pegadinha carnavalesca para o telespectador: a estreia de João Kleber. E, creiam, ele voltou gritando ainda mais que o Marcio Canuto.
      Destaque positivo mesmo só para os dropes do "Carnaval MTV", que colocou um repórter blasé cobrindo uma viagem de navio na qual só se toca rock anos 90. Podia ser pior. Podia ser funk carioca.

        Mônica Bergamo

        folha de são paulo

        SALVADOR
        UMA FEIJOADA COM GIL E SPIKE LEE
        O cineasta americano Spike Lee olha para o homem ao seu lado dos pés à cabeça. "Sou do Rio, judeu, branco assim", diz Jaques Wagner (PT-BA), alisando a própria pele. "E fui eleito duas vezes governador da Bahia."
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        Lee chega ao apartamento de Gilberto e Flora Gil em Salvador, anteontem, às 16h, no fim de uma feijoada oferecida pelo casal a amigos.
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        Alguns dos personagens que o diretor entrevistou para o documentário que prepara sobre a cultura afro do país, "Go Brazil Go", passaram por lá, como o prefeito soteropolitano, ACM Neto (DEM-BA), e o próprio anfitrião. Com o governador, conversaria ontem. No ano passado, ele esteve com Dilma Rousseff em Brasília.
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        Lee conta ter ouvido dizer que "Dilma" (pronuncia "Diúma") está na cidade. Gostaria de conversar com a presidente. "Ela está descansando", explica Wagner. "Posso ligar para ela." Lee faz que não com a cabeça. "Dê um 'oi' meu. Não quero atrapalhar seu relaxamento. Carnaval não é o momento."
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        Com uma camisa do bloco Ilê Aiyê e pulseiras do Senhor do Bonfim, Lee pede que Gil (esse nome ele fala sem sotaque) lhe mostre a casa. "All Saint's Bay", diz o músico ao mostrar ao americano a Baía de Todos os Santos, a vista que tem de sua varanda.
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        A primeira-dama baiana, Fátima Mendonça, e a socialite Narcisa Tamborindeguy se apresentam ao diretor. As duas, mais Flora Gil, tiram fotos com o convidado.
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        O cineasta está com uma ideia fixa na cabeça: a Olimpíada do Rio, em 2016. Dá vários pitacos sobre o que deveria ter na abertura, como "2.000 tambores, com cores bem brasileiras". Sugere no comando artístico alguém da estatura do diretor inglês Danny Boyle, que preparou a cerimônia em Londres, no ano passado.
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        Cita "Cacá" [Diegues] e "Tropa de Elite". Gil pede ajuda à repórter para lembrar o nome do diretor do filme. "Este José Padilha não pode fazer?", pergunta então Lee.
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        E o assunto não sai da roda. Lee quer saber quem é o responsável pelos Jogos. Wagner diz que é Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. Gil pondera: "Não, não, ele está falando de arte".
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        Lee sugere que o músico tome as rédeas do espetáculo. "Estou tentando não ser muito intrusivo", rebate o baiano. "Não estou pedindo que seja um ditador, mas tenha voz", diz o americano.
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        Na hora do prato, Lee prefere arroz integral a branco para acompanhar o feijão. Toma água com gás. Ele e Gil conversam na mesa. A divisão racial no Brasil e nos Estados Unidos é tema.
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        O cantor tenta explicar que, por aqui, o conflito é "mais vago". E conclui que em outras áreas, como futebol e religião, negros têm mais voz do que na política.
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        Gil continua: "Precisamos descobrir se queremos lutar apenas para estar no poder tradicional". O ex-ministro da Cultura menciona outras possibilidades de fazer política, como o "poder ambiental".
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        Enquanto isso, Lee se distrai com um enorme painel, cheio de fotos de Gil e sua mulher, Flora.
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        Jaques Wagner é relembrado na conversa. O americano fala da necessidade de mais políticos negros.
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        Depois, Gil diz à coluna que Lee tem "muita simpatia pelo Partido dos Trabalhadores". "Ele é de esquerda."
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        A dupla é interrompida quando Regina Casé chega, com um amigo a tiracolo. A apresentadora pede: "Explica para ele que o Xande é do Revelação, sambista."
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        A visita de Lee dura meia hora. A maioria dos convidados já tinha ido embora. Casé, atrasada, bate um prato na copa.
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        O casal Gil, que à noite ainda seguiria para uma maratona no camarote Expresso 2222, começou a receber seus convidados às 14h. Entre as iguarias oferecidas, picolé dentro de uma taça cheia de champanhe.
        (ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, DE SALVADOR)
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        SABRINA SATO
        'ESTUDO INGLÊS, MAS NÃO APRENDO'
        Sabrina Sato, com a fantasia de madrinha de bateria da Gaviões da Fiel, entra no camarote da prefeitura, no segundo e último dia dos desfiles em São Paulo, mas passa longe de Fernando Haddad.
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        Cheia de cristais, a roupa a deixa seminua -esconde os seios, mas mostra as coxas grossas. "[A peça] Vale muito mais do que eu ganharia em dez anos de trabalho", diz Karina Sato, irmã e empresária da apresentadora, sem revelar o valor exato.
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        Um delegado e dois policiais civis armados escoltam Sabrina no Anhembi.
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        De pé, em uma sala reservada, ela come estrogonofe de frango no potinho de isopor com um garfo de plástico e conta que, um dia antes, entrevistou Psy em Salvador para o "Pânico na Band".
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        "Ele chegou todo travado, mas depois fez tudo que disseram que ele não ia fazer."
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        Na gravação, ela tropeçou no inglês mais uma vez. "Eu estudo [o idioma], mas não aprendo", diz, risonha. E nega que erre de propósito.
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        "Deixa o povo pensar que é um personagem criado por mim. Aí não pega tão mal." Para agradar ao dono do sucesso "Gangnam Style", arriscou-se falando algumas palavras em coreano.
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        Haddad continua vendo o desfile. Ana Carolina, 13, filha dele, surge diante da apresentadora. "Sou sua fã. Muito prazer em te conhecer", diz a adolescente, que chama três amigas para fotos.
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        O pai da fã de Sabrina Sato tivera, minutos antes, seu momento de celebridade. Cercado de seguranças e assessores, fez passagem-relâmpago pelo camarote da Brahma.
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        A chegada dele causa tumulto e empurra-empurra. É requisitado para dezenas de cliques. Nega-se a vestir o colete com a marca da cerveja porque usa a camisa do camarote da prefeitura, patrocinado pela concorrente Devassa.
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        Na varanda, um moreno alto grita: "Lindo!". Haddad olha para ele e sorri.
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        O petista desce as escadas ouvindo de Alvaro Aoas e Fernando Elimelek, sócios do espaço, queixas sobre o impedimento à construção de uma cobertura em área atrás das arquibancadas. Pedem para ele interceder. "Vamos conversar", responde o prefeito.
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        Horas mais tarde, no mesmo camarote, o ex-presidente do Corinthians Andres Sanchez solta a fumaça do cigarro e explica a amigos, em voz alta, sua filosofia de trabalho como diretor de clube.
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        "Pode ser o maior craque do mundo... Se encher o saco, vai embora, vai embora", diz.
        (JOELMIR TAVARES E MÔNICA BERGAMO, DE SÃO PAULO)
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        RIO
        GRINGOS NO SAMBA
        O ator francês Vincent Cassel e a mulher, a atriz italiana Monica Bellucci, que estão morando no Rio, foram a grande atração do baile de gala do Copacabana Palace, anteontem. Ele, fluente em português, não quis falar com os jornalistas nem posar para fotos. Monica foi embora cedo, e Cassel ficou por mais de três horas cantando e dançando marchinhas no salão.
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        Outro convidado internacional era o príncipe de Mônaco, Albert 2º. Ele, que estava sem a mulher, passou a noite no camarote de Helcius Pitanguy e Germano Gerdau.
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        No espaço VIP vizinho ao do monarca, a jornalista Hildegard Angel distribuía máscaras com a cara da socialite Narcisa Tamborindeguy. "Todos querem ser Narcisa em uma noite de Carnaval", dizia a própria Narcisa.
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        Ao lado da mulher, Luviana, o holandês Seedorf circulava pelo salão sem tomar nenhuma bebida alcoólica. Seu time, o Botafogo, tinha jogo marcado para o dia seguinte. A sobriedade do craque impressionou os garçons do hotel. "Ronaldinho Gaúcho veio aqui no ano passado e bebeu até na cozinha", contou um funcionário.
        (LEONARDO VIEIRA, DO RIO)