Grupo instrumental Pau Brasil, que lançou
primeiro disco há 30 anos, reúne oito álbuns produzidos até 2005.
Músicos planejam turnê
Eduardo Tristão Girão
Estado de Minas: 09/04/2013
Ao lado de Cama de Gato, Banda
Black Rio e Azymuth, o grupo Pau Brasil é, sem sombra de dúvida, uma das
mais importantes formações instrumentais brasileiras. Criado em 1979,
em São Paulo, colocou na praça seu primeiro disco em 1983, marca que é
comemorada agora com o lançamento de Caixote (Pau Brasil Music), caixa
especial que reúne (com faixas bônus) seus oito discos lançados até 2005
(há mais dois inéditos, do ano passado), além de DVD que registra
performance ao vivo em 1996 e bem cuidado livro sobre a história do
grupo escrito por Carlos Calado.
“Desde que o grupo se remontou,
em 2004, a gente vem falando do problema que era não ter nossa
discografia disponível nem para vender nos shows. Falamos muitas vezes
de relançar os primeiros três LPs em CD, mas os entraves legais com as
respectivas gravadoras sempre inviabilizavam. O mesmo para os nossos CDs
lançados apenas fora do Brasil, muitos anos tentando por várias formas
fazer esses trabalhos saírem aqui, sempre sem sucesso”, diz o violonista
e guitarrista Paulo Bellinati.
Ele deixou de participar de
apenas dois discos do Pau Brasil, grupo que tem sua história marcada
pela entrada e saída de vários músicos. A primeira formação teve Paulo,
Roberto Sion (saxofone e flauta), Nelson Ayres (pianos acústico e
elétrico), Rodolfo Stroeter (o único que nunca deixou o grupo; baixos
acústico e elétrico) e Azael Rodrigues (bateria). Depois, vieram Nenê
(bateria), Lelo Nazário (piano e teclado), Zé Eduardo Nazário (bateria e
percussão) e Marlui Miranda (voz, violão e flauta).
Desde 2005
com Rodolfo, Paulo, Nelson, Teco Cardoso (saxofone e flauta) e Ricardo
Mosca (baterista), o grupo prova ter desenvolvido mais que uma carreira
consistente (inclusive no exterior), mas também linguagem que ajudou a
moldar nas últimas décadas o que hoje se conhece como música
instrumental brasileira. O trabalho dos bons jovens instrumentistas de
hoje reflete algo da estética pensada pelas formações do grupo ao longo
das últimas três décadas. Assimilaram regionalismos, influências
estrangeiras e propuseram novo som.
RELEVÂNCIA
“Em relação a outros grupos instrumentais brasileiros, o Pau Brasil
segue por uma trilha mais compromissada com um Brasil utópico, aquele
imaginado por Villa-Lobos e os modernistas. Seguimos pela mesma via
percorrida brilhantemente por Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti. O
Brasil maravilhoso que sonhamos vale a pena e a música que a gente faz é
o melhor exemplo disso. Por isso, Villa-Lobos é tão importante na nossa
discografia”, analisa Bellinati.
E essa influência, continua o
artista, extrapolou o universo da música instrumental, já que o Pau
Brasil chegou a gravar disco com Chico Buarque e Edu Lobo (Dança da meia
lua) e Mônica Salmaso (Noites de gala, samba na rua) – ambos os
trabalhos arranjados e executados pelo grupo. Ano passado, lançou outros
dois disco seguindo esse conceito: Villa-Lobos superstar (repertório do
compositor; com o Ensemble SP) e Concerto antropofágico (autores
diversos; com Mônica Salmaso, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
e o regente John Neschling).
VEM AÍ
Já
tendo feito série de shows de lançamento de Caixote no ano passado, em
São Paulo (capital e interior), o Pau Brasil está preparando turnê
brasileira para divulgá-lo, o que inclui BH. Além disso, o público pode
esperar por discos de inéditas, pois o violonista Paulo Bellinati
garante que há material para, pelo menos, mais dois.
Três perguntas para...
Paulo Bellinati, violonista e guitarrista
A
nova geração de músicos brasileiros conhece o trabalho do Pau Brasil? O
grupo dialoga, de alguma forma, com esses jovens músicos?
Temos
encontrado alguns jovens músicos interessados na nossa trajetória,
alguns já fazendo suas teses de mestrado ou doutorado baseados na obra
que a gente vem criando. Mas tenho observado que o nosso público
“envelheceu” com a gente. Com certeza, posso afirmar que a faixa etária
da grande maioria da plateia não é de jovens. Isso assusta, no sentido
do futuro da música instrumental: quem vai substituir todos nós? Será
que teremos uma geração futura de brilhantes e dedicados músicos que vão
manter a música brasileira nas alturas?
O que era fazer música instrumental na época em que o Pau Brasil começou e como é fazer isso agora? O que mudou?
Não
mudou muita coisa. A gente faz porque gosta. Sempre foi e sempre será
uma opção artística idealista, porém hoje temos uma noção mais precisa
da importância da nossa contribuição para a música brasileira. Isso nos
motiva e nos dá a sensação de que valeu e vai continuar valendo a pena
se dedicar.
O Pau Brasil já teve várias formações. Como
você observa essas mudanças tendo em vista a construção da identidade do
grupo ao longo desses 30 anos? É possível identificar uma espinha
dorsal no som do grupo?
As mudanças de formações nunca foram
radicais e sempre vieram devagar. Acho que a espinha dorsal do grupo é e
sempre foi a ideia de fazer música instrumental brasileira de
qualidade, deixando cada componente do grupo interferir com sua bagagem
pessoal e artística. O Pau Brasil é o resultado dessa maneira de
funcionar: todo mundo dá ideias e soma para o grupo ficar cada vez
melhor e mais interessante.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Energia do futuro - Marcela Ulhoa
Uso de microalgas na fabricação de
biocombustíveis em escala industrial é tema de estudo nos EUA. Entre as
diversas vantagens está a de não ocupar terras que possam produzir
alimentos
Marcela Ulhoa
Estado de Minas - 09/04/2013
Brasília – Com aproximadamente 3 mil espécies sob estudo, as algas são promessas de uma energia cada vez mais sustentável. Além de não precisar de terras férteis para serem cultivadas e, portanto, não brigar por espaço com a produção de alimentos, elas crescem em tanques cuja água nem precisa ser potável. Isso sem contar que os organismos fotossintéticos utilizam o dióxido de carbono como fonte de alimento, podendo ser acoplados a um sistema poluente para diminuir os gases de efeito estufa. Com tantas vantagens, a utilização de microalgas para a produção de biocombustíveis é um dos temas de destaque do 245º Encontro Nacional da Sociedade Americana de Química, que começou domingo nos Estados Unidos.
Apesar dos conhecidos benefícios, a matéria-prima ainda não é usada em escala industrial na matriz energética devido à dificuldade de extrair os lipídios, a celulose e os demais produtos de suas células. A complicação vem principalmente de seu tamanho, que pode se limitar a poucas centenas de micrômetros. Para contornar essas barreiras, pesquisadores da Universidade do Texas investigaram um tipo específico de microalgas já usadas na fabricação de vinagre. Ao isolar os genes da Acetobacter xylinum, eles conseguiram criar uma alga transgênica capaz de produzir e excretar naturalmente a nanocelulose, um nobre biomaterial com uma série de importantes aplicações.
“Se conseguirmos concluir as etapas finais do estudo, teremos cumprido um dos mais importantes potenciais de transformações agrícolas até o momento”, afirma R. Malcolm Brown, um dos autores da pesquisa, apresentada no encontro da Sociedade Americana de Química. Segundo ele, a descoberta inaugura a segurança da existência de espécies que produzem nanocelulose de forma abundante e barata. “A A. xylinum pode se tornar matéria-prima para a produção sustentável de biocombustíveis e de muitos outros produtos. Além de produzir nanocelulose, as algas absorvem o dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa associado ao aquecimento global”, pondera Brown.
A nanocelulose é como se fosse um polissacarídeo, uma celulose, mas de cadeia pequena. De acordo com Bruno Brasil, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) – Agroenergia, hoje ela pode ser obtida a partir da celulose de plantas. Bastam alguns processos químicos para quebrar os açúcares maiores em estruturas menores. “Se você quebrá-la totalmente, ela vai acabar virando glicose. A nanocelulose seria um intermediário entre a glicose, a unidade menor, e a celulose, que é o açúcar completo”, explica. Brasil ressalta que, atualmente, o processo mais caro na produção de etanol de segunda geração é justamente converter a celulose em açúcares que podem ser fermentados para a produção de álcool, que normalmente são a glicose ou a sacarose.
“A cana-de-açúcar já produz sacarose direto. A levedura transforma o caldo em etanol. Na segunda geração, você tem que pegar a celulose e quebrá-la em um açúcar de cadeia pequena para fazer o etanol”, detalha. Para o especialista, o ponto forte do estudo norte-americano foi combinar as vantagens da alga, que seria considerada uma terceira geração de produção de biocombustível, para produzir etanol em um processo parecido ao de segunda geração, mas usando, em vez da celulose, a nanocelulose, que é rapidamente fermentada por uma levedura para produzir etanol.
Rapidez Donato Aranda, professor da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do GreenTec, Laboratório de Tecnologias Verdes da UFRJ, pondera que extrair produtos como lipídios e celulose da célula da alga não é tarefa trivial. “Quando você trabalha com soja ou dendê, existem prensas que ajudam a extrair o óleo. No caso das algas, como elas são unicelulares e muito pequenas, essa técnica não é efetiva”, explica. O avanço que o estudo norte-americano traz, portanto, é encontrar uma alga que, além de sintetizar a celulose de cadeia curta, também a secreta naturalmente. “Isso facilita muito, porque você não precisa tirar de dentro da célula a nanocelulose, a própria alga a coloca para fora”, acrescenta Aranda.
O pesquisador da UFRJ ressalta que a grande vantagem do uso da microalga para produzir biocombustível é a rapidez dos resultados. “Se você planta soja hoje, você consegue colher depois de 100 dias. No dendê é bem pior, demora três anos para começar a frutificar o dendenzal. No caso das microalgas, eu tenho como começar uma produção e colher em poucas semanas”, salienta. O crescimento das algas é muito rápido, sendo possível triplicar a biomassa da planta a cada 24 horas.
Bruno Brasil, da Embrapa Agroenergia, reforça ainda que a área para cultivo de microalga é infinitamente menor do que as culturas tradicionais de soja ou cana-de-açúcar. “Segundo um dado de 2008, para atender a demanda dos Estados Unidos por energia à base de soja você precisaria de um território três vezes maior do que o tamanho do país. Agora, se você fizer isso com alga, gastaria somente 4% do território”, exemplifica. Apesar de o Brasil ter uma vocação para ser produtor de microalgas, pois tem luz solar em abundância, Aranda reclama dos ainda escassos investimentos na área, que ficam muito atrás dos recursos das pesquisas norte-americanas.
Seminário
Itajubá, no Sul de Minas, recebe a partir de segunda-feira, 15, o seminário internacional Ceurer – Avanços em conversão de energia, uso de resíudos e energias de resíduos. O evento será realizado na Universidade Federal de Itajubá e terá a participação de especialistas brasileiros e estrangeiros, que compartilharão suas experiências e pesquisas sobre o desenvolvimento de tecnologias para a conversão de energias.
Gastronomia tem espaço em encontro sobre química
Vai até quinta-feira a 245ª edição do Encontro Nacional da Sociedade Americana de Química, a maior sociedade científica do mundo. Este ano, o evento ocorre na cidade de Nova Orleans, famosa por sua gastronomia e por ser um centro global da industria energética. Os pontos fortes da cidade marcam, inclusive, as duas principais linhas de temas abordados na conferência, que acabou sendo chamada de Chef. A palavra, além de remeter aos profissionais da cozinha, serve de sigla em inglês para Química da energia e dos alimentos.
O esperado é que mais de 14 mil pessoas participem do evento. Pelo menos nove prêmios Nobel apresentarão seus trabalhos durante a semana. Entre eles estão Robert Grubbs e Richard Schrock, conhecidos por desenvolver uma nova forma de fazer plásticos e medicamentos que revolucionou a chamada “química verde”. A programação envolve ainda trabalhos que vão da astronomia à zoologia, passando por medicina, aquecimento global, eletrônica, mundo dos negócios e, claro, pela busca de novas fontes de energia sustentáveis e formas mais saudáveis de alimentos. São mais de 12 mil apresentações, que incluem títulos como A química do bar e Biocombustíveis e energia sustentável.
SABOR DOS ALIMENTOS Um dos destaques é a pesquisa sobre a química nos sabores dos alimentos, que busca entender se é tudo uma questão de prazer ou algo muito além das sensações. Ainda na área gastronômica, o ambiente da cozinha é descrito como um verdadeiro laboratório. O futuro do sistema de produção de comida também será debatido.
Com mais de 163 mil membros, a Sociedade Americana de Química é uma organização sem fins lucrativos e líder global no fornecimento de acesso a pesquisas relacionadas à química por meio de revistas, jornais e
conferências científicas.
Marcela Ulhoa
Estado de Minas - 09/04/2013
Brasília – Com aproximadamente 3 mil espécies sob estudo, as algas são promessas de uma energia cada vez mais sustentável. Além de não precisar de terras férteis para serem cultivadas e, portanto, não brigar por espaço com a produção de alimentos, elas crescem em tanques cuja água nem precisa ser potável. Isso sem contar que os organismos fotossintéticos utilizam o dióxido de carbono como fonte de alimento, podendo ser acoplados a um sistema poluente para diminuir os gases de efeito estufa. Com tantas vantagens, a utilização de microalgas para a produção de biocombustíveis é um dos temas de destaque do 245º Encontro Nacional da Sociedade Americana de Química, que começou domingo nos Estados Unidos.
Apesar dos conhecidos benefícios, a matéria-prima ainda não é usada em escala industrial na matriz energética devido à dificuldade de extrair os lipídios, a celulose e os demais produtos de suas células. A complicação vem principalmente de seu tamanho, que pode se limitar a poucas centenas de micrômetros. Para contornar essas barreiras, pesquisadores da Universidade do Texas investigaram um tipo específico de microalgas já usadas na fabricação de vinagre. Ao isolar os genes da Acetobacter xylinum, eles conseguiram criar uma alga transgênica capaz de produzir e excretar naturalmente a nanocelulose, um nobre biomaterial com uma série de importantes aplicações.
“Se conseguirmos concluir as etapas finais do estudo, teremos cumprido um dos mais importantes potenciais de transformações agrícolas até o momento”, afirma R. Malcolm Brown, um dos autores da pesquisa, apresentada no encontro da Sociedade Americana de Química. Segundo ele, a descoberta inaugura a segurança da existência de espécies que produzem nanocelulose de forma abundante e barata. “A A. xylinum pode se tornar matéria-prima para a produção sustentável de biocombustíveis e de muitos outros produtos. Além de produzir nanocelulose, as algas absorvem o dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa associado ao aquecimento global”, pondera Brown.
A nanocelulose é como se fosse um polissacarídeo, uma celulose, mas de cadeia pequena. De acordo com Bruno Brasil, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) – Agroenergia, hoje ela pode ser obtida a partir da celulose de plantas. Bastam alguns processos químicos para quebrar os açúcares maiores em estruturas menores. “Se você quebrá-la totalmente, ela vai acabar virando glicose. A nanocelulose seria um intermediário entre a glicose, a unidade menor, e a celulose, que é o açúcar completo”, explica. Brasil ressalta que, atualmente, o processo mais caro na produção de etanol de segunda geração é justamente converter a celulose em açúcares que podem ser fermentados para a produção de álcool, que normalmente são a glicose ou a sacarose.
“A cana-de-açúcar já produz sacarose direto. A levedura transforma o caldo em etanol. Na segunda geração, você tem que pegar a celulose e quebrá-la em um açúcar de cadeia pequena para fazer o etanol”, detalha. Para o especialista, o ponto forte do estudo norte-americano foi combinar as vantagens da alga, que seria considerada uma terceira geração de produção de biocombustível, para produzir etanol em um processo parecido ao de segunda geração, mas usando, em vez da celulose, a nanocelulose, que é rapidamente fermentada por uma levedura para produzir etanol.
Rapidez Donato Aranda, professor da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do GreenTec, Laboratório de Tecnologias Verdes da UFRJ, pondera que extrair produtos como lipídios e celulose da célula da alga não é tarefa trivial. “Quando você trabalha com soja ou dendê, existem prensas que ajudam a extrair o óleo. No caso das algas, como elas são unicelulares e muito pequenas, essa técnica não é efetiva”, explica. O avanço que o estudo norte-americano traz, portanto, é encontrar uma alga que, além de sintetizar a celulose de cadeia curta, também a secreta naturalmente. “Isso facilita muito, porque você não precisa tirar de dentro da célula a nanocelulose, a própria alga a coloca para fora”, acrescenta Aranda.
O pesquisador da UFRJ ressalta que a grande vantagem do uso da microalga para produzir biocombustível é a rapidez dos resultados. “Se você planta soja hoje, você consegue colher depois de 100 dias. No dendê é bem pior, demora três anos para começar a frutificar o dendenzal. No caso das microalgas, eu tenho como começar uma produção e colher em poucas semanas”, salienta. O crescimento das algas é muito rápido, sendo possível triplicar a biomassa da planta a cada 24 horas.
Bruno Brasil, da Embrapa Agroenergia, reforça ainda que a área para cultivo de microalga é infinitamente menor do que as culturas tradicionais de soja ou cana-de-açúcar. “Segundo um dado de 2008, para atender a demanda dos Estados Unidos por energia à base de soja você precisaria de um território três vezes maior do que o tamanho do país. Agora, se você fizer isso com alga, gastaria somente 4% do território”, exemplifica. Apesar de o Brasil ter uma vocação para ser produtor de microalgas, pois tem luz solar em abundância, Aranda reclama dos ainda escassos investimentos na área, que ficam muito atrás dos recursos das pesquisas norte-americanas.
Seminário
Itajubá, no Sul de Minas, recebe a partir de segunda-feira, 15, o seminário internacional Ceurer – Avanços em conversão de energia, uso de resíudos e energias de resíduos. O evento será realizado na Universidade Federal de Itajubá e terá a participação de especialistas brasileiros e estrangeiros, que compartilharão suas experiências e pesquisas sobre o desenvolvimento de tecnologias para a conversão de energias.
Gastronomia tem espaço em encontro sobre química
Vai até quinta-feira a 245ª edição do Encontro Nacional da Sociedade Americana de Química, a maior sociedade científica do mundo. Este ano, o evento ocorre na cidade de Nova Orleans, famosa por sua gastronomia e por ser um centro global da industria energética. Os pontos fortes da cidade marcam, inclusive, as duas principais linhas de temas abordados na conferência, que acabou sendo chamada de Chef. A palavra, além de remeter aos profissionais da cozinha, serve de sigla em inglês para Química da energia e dos alimentos.
O esperado é que mais de 14 mil pessoas participem do evento. Pelo menos nove prêmios Nobel apresentarão seus trabalhos durante a semana. Entre eles estão Robert Grubbs e Richard Schrock, conhecidos por desenvolver uma nova forma de fazer plásticos e medicamentos que revolucionou a chamada “química verde”. A programação envolve ainda trabalhos que vão da astronomia à zoologia, passando por medicina, aquecimento global, eletrônica, mundo dos negócios e, claro, pela busca de novas fontes de energia sustentáveis e formas mais saudáveis de alimentos. São mais de 12 mil apresentações, que incluem títulos como A química do bar e Biocombustíveis e energia sustentável.
SABOR DOS ALIMENTOS Um dos destaques é a pesquisa sobre a química nos sabores dos alimentos, que busca entender se é tudo uma questão de prazer ou algo muito além das sensações. Ainda na área gastronômica, o ambiente da cozinha é descrito como um verdadeiro laboratório. O futuro do sistema de produção de comida também será debatido.
Com mais de 163 mil membros, a Sociedade Americana de Química é uma organização sem fins lucrativos e líder global no fornecimento de acesso a pesquisas relacionadas à química por meio de revistas, jornais e
conferências científicas.
Mudança climática intensifica turbulência em voos
folha de são paulo
GIULIANA MIRANDASABINE RIGHETTIDE SÃO PAULOApertem os cintos: o aquecimento global deve dobrar a ocorrência de turbulência de céu claro nas viagens aéreas.
Além de mais frequentes, esses sacolejos causados por variação de velocidade de correntes de ar -menos comuns do que a turbulência ligada a tempestades- devem ficar mais intensos até a metade deste século.
Um trabalho, publicado na revista "Nature Climate Change", usou um supercomputador para simular a ocorrência de eventos atmosféricos em diferentes cenários climáticos e, assim, estimar o impacto das temperaturas elevadas sobre as turbulências.
O grupo identificou que o incremento na frequência das turbulências de céu claro pode ficar entre 40% e 170%. Mas o cenário mais provável é que a quantidade de tremores aéreos dobre até a metade deste século -quando, segundo projeções, a temperatura terá subido até 2º C.
"As mudanças climáticas estão acelerando as correntes de ar e levando a mais instabilidade nos voos", diz o climatologista Paul Williams, principal autor do estudo.
O trabalho se concentrou na região do Atlântico Norte, mas seus resultados podem valer para outras partes do globo, apesar de haver ainda muitas incertezas.
"O trabalho tem o mérito de chamar a atenção para os efeitos das mudanças climáticas nas turbulências, que não têm sido muito estudados", diz José Marengo, climatologista do Inpe membro do IPCC (painel de mudanças climáticas da ONU).
O tipo de instabilidade no qual o trabalho se concentrou -as turbulências de céu claro- é o mais problemático para as empresas aéreas.
"Elas são invisíveis para pilotos e satélites, e é no inverno que elas se intensificam", explica Manoj Joshi, da Universidade de East Anglia e também autor do trabalho.
O sacolejo danifica aviões, atrasa voos, aumenta custos de manutenção e pode ferir a tripulação e os viajantes. A pesquisa estima o custo anual disso em US$ 150 milhões (cerca de R$ 300 milhões).
A boa notícia é que, nas próximas décadas, a tecnologia aeroespacial deve evoluir muito. "Até a metade do século, já será possível detectar essa turbulência", diz Ronaldo Jenkins, coordenador da comissão de segurança de voo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias.
"As variações de temperatura causadas pelo CO2 estão aumentando a velocidade das correntes de ar atmosférico; essa aceleração das correntes de ar está levando a mais instabilidade nos voos"
PAUL WILLIAMS, climatologista da Universidade de Reading
Aumento das temperaturas deve dobrar ocorrência do tipo mais imprevisível de tremor aéreo nos próximos 40 anos
Além de mais frequentes, esses sacolejos causados por variação de velocidade de correntes de ar -menos comuns do que a turbulência ligada a tempestades- devem ficar mais intensos até a metade deste século.
Um trabalho, publicado na revista "Nature Climate Change", usou um supercomputador para simular a ocorrência de eventos atmosféricos em diferentes cenários climáticos e, assim, estimar o impacto das temperaturas elevadas sobre as turbulências.
O grupo identificou que o incremento na frequência das turbulências de céu claro pode ficar entre 40% e 170%. Mas o cenário mais provável é que a quantidade de tremores aéreos dobre até a metade deste século -quando, segundo projeções, a temperatura terá subido até 2º C.
"As mudanças climáticas estão acelerando as correntes de ar e levando a mais instabilidade nos voos", diz o climatologista Paul Williams, principal autor do estudo.
O trabalho se concentrou na região do Atlântico Norte, mas seus resultados podem valer para outras partes do globo, apesar de haver ainda muitas incertezas.
"O trabalho tem o mérito de chamar a atenção para os efeitos das mudanças climáticas nas turbulências, que não têm sido muito estudados", diz José Marengo, climatologista do Inpe membro do IPCC (painel de mudanças climáticas da ONU).
O tipo de instabilidade no qual o trabalho se concentrou -as turbulências de céu claro- é o mais problemático para as empresas aéreas.
"Elas são invisíveis para pilotos e satélites, e é no inverno que elas se intensificam", explica Manoj Joshi, da Universidade de East Anglia e também autor do trabalho.
O sacolejo danifica aviões, atrasa voos, aumenta custos de manutenção e pode ferir a tripulação e os viajantes. A pesquisa estima o custo anual disso em US$ 150 milhões (cerca de R$ 300 milhões).
A boa notícia é que, nas próximas décadas, a tecnologia aeroespacial deve evoluir muito. "Até a metade do século, já será possível detectar essa turbulência", diz Ronaldo Jenkins, coordenador da comissão de segurança de voo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias.
FRASE
PAUL WILLIAMS, climatologista da Universidade de Reading
A guerra não é só com a balança - Bruna Sensêve
Segundo pesquisa americana, os programas
que comparam a perda de peso dos integrantes e premiam os melhores
resultados têm um índice maior de êxito do que as tentativas individuais
de emagrecimento
Bruna Sensêve
Estado de Minas: 09/04/2013
Bruna Sensêve
Estado de Minas: 09/04/2013
Foram quase R$ 1
mil embolsados e mais de 15 quilos perdidos. A conta colocou não só um
largo sorriso no rosto da servidora pública Márcia Velloso dos Santos,
de 43 anos, como trouxe também a paixão pela corrida de rua. Ela
participou de um programa de emagrecimento em que a competitividade pelo
prêmio final em dinheiro poderia ser um fator ainda mais tentador que o
almejado peso ideal. A receita já virou tema de reality shows dentro e
fora do país, porém, agora, ganha comprovação científica. Pesquisadores
da Universidade da Filadélfia, nos Estados Unidos, acompanharam pessoas
que perseguiam a queda dos números na balança. Elas foram submetidas a
diferentes situações, competitivas ou não. Aquelas que participaram das
disputas em grupo pelo montante de dinheiro oferecido tiveram um
resultado significativamente melhor que os integrantes de programas de
emagrecimento individual.
Cento e cinco indivíduos com índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 40 (considerados em obesidade grau I e II) foram selecionados para o experimento. Eles foram divididos em três grupos, com diferentes regras para o emagrecimento. O primeiro fez o programa individualmente. Se conseguisse atingir a meta mensal estabelecida, a pessoa automaticamente recebia a recompensa de US$ 100.
O segundo grupo, porém, foi dividido em seis equipes compostas por cinco pessoas. Apenas os componentes da equipe que chegassem ou ultrapassassem a meta dividiam o prêmio em dinheiro, de R$ 500. A possibilidade de receber além dos US$ 100 oferecidos no programa individual acirrou a competição entre os integrantes. O terceiro grupo foi o de controle, em que 35 participantes fizeram o programa de emagrecimento sem receber qualquer recompensa financeira.
A diferença entre a perda de peso do grupo de controle para os que receberam o incentivo financeiro foi em média quatro quilos por participante. Curiosamente, essa desigualdade continuou expressiva quando foram comparados os indivíduos do grupo de incentivo individual e os que receberam o incentivo por equipe. Os integrantes do segundo grupo perderam pouco mais de três quilos por participante.
A diferença entre os ganhos financeiros dos dois conjuntos também foi bastante significativa. Enquanto aqueles que perderam peso individualmente receberam uma média de US$ 128,60 ao fim de seis meses, os que competiram ganharam cerca de US$ 520. Os pesquisadores relatam que houve 11 casos de perda excessiva de peso durante o período do programa, sendo oito participantes do emagrecimento em grupo. Segundo os pesquisadores, a maior eficácia do incentivo em grupo poder ser explicada principalmente pela oportunidade de ganhar uma recompensa maior do que US$ 100. Dois fatores, porém, podem ter aumentado essa motivação.
“Primeiro, as pessoas são muitas vezes excessivamente otimistas sobre sua capacidade relativa à dos outros. Assim, podem ter esperado um sucesso e uma recompensa maiores do que os dos companheiros de grupo”, descreve Kevin Volpp, um dos autores e pesquisador da Escola de Medicina da Universidade da Filadélfia. Em segundo lugar, afirma o grupo de cientistas, a expectativa de um prêmio superior a US$ 100 teria sido reforçada, deixando uma grande recompensa para aqueles que atingiram os objetivos.
Mudança de hábito Quem já participou de competições de perda de peso com um prêmio final em dinheiro garante: a estratégia faz toda a diferença. Márcia Velloso topou entrar na prova do Superior Tribunal de Justiça (STJ) – De Olho na Balança – pela primeira vez em 2008. Ela estava insatisfeita com o corpo e gostou da proposta. Os voluntários foram divididos por sexo e em dois grupos, de acordo com o IMC de cada um. Aquele que perdesse mais peso ao fim de dois meses levaria R$ 500, e o segundo colocado, R$ 300. Márcia seguiu a dieta e conheceu a corrida de rua. Perdeu sete quilos e ganhou o vice-campeonato da disputa. Entre 2008 e 2012, participou de algumas meias maratonas. Mas, no ano passado, abandonou o esporte e a dieta para se dedicar aos estudos. Os ponteiros da balança voltaram a subir.
“Resolvi participar mais uma vez do programa. Já era algo que eu conhecia, sabia que funcionava e tinha um objetivo. Falei para mim: desta vez, eu vou levar o primeiro lugar”, lembra a servidora. E foi exatamente o que aconteceu. Márcia terminou o ano com oito quilos a menos e mais R$ 500 no bolso. O segundo lugar foi para a secretária Cleonice Montipó, de 37 anos, estreante no projeto. Ela entrou atrasada na competição, mas, em cinco semanas, livrou-se de quase seis quilos. Não foi o suficiente para embolsar o prêmio principal da disputa.
Comemorou o primeiro lugar na disputa paralela, feita apenas com os colegas da seção em que trabalha. “O pessoal ficou animado e resolveu organizar uma competição só entre a gente. O prêmio foi de R$ 200 e eu ganhei”, orgulha-se. A competição animou Cleonice a levar os ensinamentos e os hábitos saudáveis para casa. Mesmo sem recompensa, o filho dela Thomas Henrique Montipó, de 15, enxugou seis quilos. “Até meu marido animou e começou a dieta e os exercícios com a gente”, conta a secretária.
O STJ De Olho na Balança foi idealizado pelo nutricionista do Serviço de Saúde do Superior Tribunal de Justiça Aldemir Mangabeira, mestre em nutrição pela Universidade de Brasília (UnB). “O prêmio em dinheiro, que, para algumas pessoas, pode ser o motivo principal, para nós, criadores da iniciativa, é a oportunidade de elaborar um conteúdo lúdico, simbólico. Existe alguma coisa que vai representar nesse momento uma tomada de decisão”, acredita Mangabeira.
Ele considera que as informações nutricionais sobre a composição de uma alimentação saudável e que proporcione o emagrecimento já são conhecidas. A diferença é que os profissionais precisam criar algo que motive as pessoas que têm esse conhecimento. “As informações nutricionais aqui não são do tipo ‘10 dicas para emagrecer’ ou ‘evite o alimento tal’. Tenho que gerar a motivação ou a curiosidade”, compara. Motivação que ajudou Fernanda Teotônia Vale Carvalho, de 36, a perder os últimos quilos da gravidez. Ela engordou 33 quilos durante a gestação e se incomodava com os oito quilos insistentes. “O incentivo em dinheiro, com certeza, ajudou, mas a disputa em si já é estimulante. Quando você se pesa pela segunda vez e compara com o resultado dos outros colegas, fica mais estimulada a seguir em frente”, conta a vencedora da edição de 2007.
Palavra de especialista
Jason Riis
pesquisador da Harvard Business School
Condições saudáveis
“Talvez a forma mais importante de os empregadores obterem o máximo de seus sistemas de incentivos financeiros seja fazer os esforços adequados para dificultar, no local de trabalho, o acesso a bebidas e alimentos altamente calóricos. Isso pode ser feito por meio de um design inteligente e de práticas de merchandising em cozinhas, lanchonetes e máquinas de venda automática e em eventos com refeição saudável, por exemplo. A definição de esforços adequados para gerenciar o acesso vai variar de população, de cultura e de ambiente, mas pagar os funcionários para lutar mentalmente contra a tentação será muito mais eficaz e de baixo custo em ambientes onde as tentações são reduzidas.”
Cento e cinco indivíduos com índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 40 (considerados em obesidade grau I e II) foram selecionados para o experimento. Eles foram divididos em três grupos, com diferentes regras para o emagrecimento. O primeiro fez o programa individualmente. Se conseguisse atingir a meta mensal estabelecida, a pessoa automaticamente recebia a recompensa de US$ 100.
O segundo grupo, porém, foi dividido em seis equipes compostas por cinco pessoas. Apenas os componentes da equipe que chegassem ou ultrapassassem a meta dividiam o prêmio em dinheiro, de R$ 500. A possibilidade de receber além dos US$ 100 oferecidos no programa individual acirrou a competição entre os integrantes. O terceiro grupo foi o de controle, em que 35 participantes fizeram o programa de emagrecimento sem receber qualquer recompensa financeira.
A diferença entre a perda de peso do grupo de controle para os que receberam o incentivo financeiro foi em média quatro quilos por participante. Curiosamente, essa desigualdade continuou expressiva quando foram comparados os indivíduos do grupo de incentivo individual e os que receberam o incentivo por equipe. Os integrantes do segundo grupo perderam pouco mais de três quilos por participante.
A diferença entre os ganhos financeiros dos dois conjuntos também foi bastante significativa. Enquanto aqueles que perderam peso individualmente receberam uma média de US$ 128,60 ao fim de seis meses, os que competiram ganharam cerca de US$ 520. Os pesquisadores relatam que houve 11 casos de perda excessiva de peso durante o período do programa, sendo oito participantes do emagrecimento em grupo. Segundo os pesquisadores, a maior eficácia do incentivo em grupo poder ser explicada principalmente pela oportunidade de ganhar uma recompensa maior do que US$ 100. Dois fatores, porém, podem ter aumentado essa motivação.
“Primeiro, as pessoas são muitas vezes excessivamente otimistas sobre sua capacidade relativa à dos outros. Assim, podem ter esperado um sucesso e uma recompensa maiores do que os dos companheiros de grupo”, descreve Kevin Volpp, um dos autores e pesquisador da Escola de Medicina da Universidade da Filadélfia. Em segundo lugar, afirma o grupo de cientistas, a expectativa de um prêmio superior a US$ 100 teria sido reforçada, deixando uma grande recompensa para aqueles que atingiram os objetivos.
Mudança de hábito Quem já participou de competições de perda de peso com um prêmio final em dinheiro garante: a estratégia faz toda a diferença. Márcia Velloso topou entrar na prova do Superior Tribunal de Justiça (STJ) – De Olho na Balança – pela primeira vez em 2008. Ela estava insatisfeita com o corpo e gostou da proposta. Os voluntários foram divididos por sexo e em dois grupos, de acordo com o IMC de cada um. Aquele que perdesse mais peso ao fim de dois meses levaria R$ 500, e o segundo colocado, R$ 300. Márcia seguiu a dieta e conheceu a corrida de rua. Perdeu sete quilos e ganhou o vice-campeonato da disputa. Entre 2008 e 2012, participou de algumas meias maratonas. Mas, no ano passado, abandonou o esporte e a dieta para se dedicar aos estudos. Os ponteiros da balança voltaram a subir.
“Resolvi participar mais uma vez do programa. Já era algo que eu conhecia, sabia que funcionava e tinha um objetivo. Falei para mim: desta vez, eu vou levar o primeiro lugar”, lembra a servidora. E foi exatamente o que aconteceu. Márcia terminou o ano com oito quilos a menos e mais R$ 500 no bolso. O segundo lugar foi para a secretária Cleonice Montipó, de 37 anos, estreante no projeto. Ela entrou atrasada na competição, mas, em cinco semanas, livrou-se de quase seis quilos. Não foi o suficiente para embolsar o prêmio principal da disputa.
Comemorou o primeiro lugar na disputa paralela, feita apenas com os colegas da seção em que trabalha. “O pessoal ficou animado e resolveu organizar uma competição só entre a gente. O prêmio foi de R$ 200 e eu ganhei”, orgulha-se. A competição animou Cleonice a levar os ensinamentos e os hábitos saudáveis para casa. Mesmo sem recompensa, o filho dela Thomas Henrique Montipó, de 15, enxugou seis quilos. “Até meu marido animou e começou a dieta e os exercícios com a gente”, conta a secretária.
O STJ De Olho na Balança foi idealizado pelo nutricionista do Serviço de Saúde do Superior Tribunal de Justiça Aldemir Mangabeira, mestre em nutrição pela Universidade de Brasília (UnB). “O prêmio em dinheiro, que, para algumas pessoas, pode ser o motivo principal, para nós, criadores da iniciativa, é a oportunidade de elaborar um conteúdo lúdico, simbólico. Existe alguma coisa que vai representar nesse momento uma tomada de decisão”, acredita Mangabeira.
Ele considera que as informações nutricionais sobre a composição de uma alimentação saudável e que proporcione o emagrecimento já são conhecidas. A diferença é que os profissionais precisam criar algo que motive as pessoas que têm esse conhecimento. “As informações nutricionais aqui não são do tipo ‘10 dicas para emagrecer’ ou ‘evite o alimento tal’. Tenho que gerar a motivação ou a curiosidade”, compara. Motivação que ajudou Fernanda Teotônia Vale Carvalho, de 36, a perder os últimos quilos da gravidez. Ela engordou 33 quilos durante a gestação e se incomodava com os oito quilos insistentes. “O incentivo em dinheiro, com certeza, ajudou, mas a disputa em si já é estimulante. Quando você se pesa pela segunda vez e compara com o resultado dos outros colegas, fica mais estimulada a seguir em frente”, conta a vencedora da edição de 2007.
Palavra de especialista
Jason Riis
pesquisador da Harvard Business School
Condições saudáveis
“Talvez a forma mais importante de os empregadores obterem o máximo de seus sistemas de incentivos financeiros seja fazer os esforços adequados para dificultar, no local de trabalho, o acesso a bebidas e alimentos altamente calóricos. Isso pode ser feito por meio de um design inteligente e de práticas de merchandising em cozinhas, lanchonetes e máquinas de venda automática e em eventos com refeição saudável, por exemplo. A definição de esforços adequados para gerenciar o acesso vai variar de população, de cultura e de ambiente, mas pagar os funcionários para lutar mentalmente contra a tentação será muito mais eficaz e de baixo custo em ambientes onde as tentações são reduzidas.”
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