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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Efeito dominó da Primavera Árabe pode se inverter

folha de são paulo
ANÁLISE
Golpe é também contra a ideia de que os islâmicos podem formar governos
FÁBIO ZANINIEDITOR DE "MUNDO"Religião pode não ser o interesse central dos manifestantes da praça Tahrir, mais preocupados com a crise econômica, nem dos militares, cujo objetivo era voltar ao poder da forma possível.
Mas é inevitável que o golpe no Egito seja visto também como um golpe contra a ideia de islamitas no governo.
A noção de que partidos islâmicos podem governar com base numa Constituição, sublimando os ditames do Alcorão e respeitando minorias e opositores seculares sempre suscita desconfiança.
A Turquia foi onde esse conceito se estabeleceu de forma mais forte, e não por acaso o país foi durante muito tempo o modelo da Primavera Árabe.
Como se viu no último mês, mesmo o paradigma turco se esfarelou com os confrontos em Istambul. Agora, a queda da Irmandade Muçulmana no Egito reforça o coro dos que avaliam que não se pode confiar governos democráticos a partidos islâmicos.
Os efeitos da dupla decepção, turca e egípcia, terão consequências duradouras na política do Oriente Médio.
O Irã tende a se fortalecer, com seu experimento de democracia controlada por um líder islâmico incontestável, o aiatolá Ali Khamenei.
Na Síria, Bashar al-Assad e seu regime secular ganham argumentos para reprimir a oposição coalhada de elementos islâmicos, alguns deles radicais. Era quase possível ouvir as gargalhadas do regime sírio ontem ao pedir em nota a saída de Mursi.
Nos territórios palestinos, o Hamas perde um de seus grandes fiadores, embora o efeito prático para seu domínio na faixa de Gaza seja incerto, já que o apoio do Egito era mais político que prático.
O fim da revolução egípcia não é necessariamente o fim da Primavera Árabe, mas o movimento dominó que derrubou quatro regimes despóticos --Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen-- pode agir em sentido contrário agora. Os tunisianos, também governados por um partido islâmico, são os primeiros da fila.
A escalação do grande xeque da mesquita de Al-Azhar, maior autoridade religiosa do país, para aparecer na TV ao lado do chefe militar mostra alguma preocupação em não desacreditar o papel do islamismo na vida política.
Nada que deva aplacar os ainda numerosos seguidores da Irmandade ou reverter o divórcio entre islã e política, um efeito que tende a ser muito maior do que a simples derrubada de um presidente.

    sexta-feira, 28 de junho de 2013

    Reforma imigratória avança nos EUA

    folha de são paulo
    Senado aprova proposta para regularizar até 11 milhões de pessoas, mas texto deve sofrer resistência na Câmara
    Projeto é uma das principais promessas de campanha de Obama e conta com apoio de empresas de tecnologia
    RAUL JUSTE LORESDE WASHINGTONO Senado americano aprovou ontem, com 68 votos favoráveis e 32 contrários, a maior reforma imigratória do país em décadas. Agora o projeto vai para a Câmara dos Deputados, onde sofre maior oposição.
    Com o apoio de 54 democratas e apenas 14 republicanos no Senado, a reforma cria um processo de legalização escalonada, que pode levar até 13 anos, para os 11 milhões de imigrantes sem papéis nos Estados Unidos.
    Ela também aumenta gradualmente a emissão de vistos de trabalho H-1B para trabalhadores altamente qualificados, os que ganham acima de US$ 115 mil dólares (cerca de R$ 253 mil) por ano.
    Autoriza ainda o investimento de US$ 30 bilhões (R$ 66 bilhões) na segurança da fronteira do país com o México, uma das principais exigências da oposição republicana para aprovar a lei.
    Os 3.141 quilômetros de fronteira terão uma sucessão de muros e cercas, passando por quatro Estados americanos, e o número de guardas pulará de 21 mil para 40 mil --ainda que, nos últimos quatro anos, a entrada de imigrantes pela fronteira seja a menor em 30 anos.
    A reforma imigratória virou uma das maiores promessas de campanha da reeleição do presidente Barack Obama em 2012.
    Como 73% dos hispânicos votaram em Obama no ano passado, muitos republicanos achavam que era hora de se reconciliar com as minorias de imigrantes para reduzir a rejeição ao partido entre os latinos.
    Mas os republicanos encontram-se divididos. Muitos calculam que a reforma simplesmente dará voto a 11 milhões de possíveis eleitores democratas.
    Vários deputados republicanos foram eleitos em distritos majoritariamente brancos e com poucos estrangeiros, que se opõem à reforma.
    Mas tanto associações de empresários quanto sindicatos, antes contrários à reforma, apoiam a legalização. Sindicalistas dizem que imigrantes sem papéis são mais vulneráveis e puxam salários para baixo.
    VALE DO SILíCIO
    Facebook, Apple, Microsoft, Yahoo! e Google estiveram entre os maiores lobistas para a aprovação da reforma. Essas empresas criaram uma associação no início do ano para promover a reforma.
    Os empresários do setor se queixam que os 85 mil vistos concedidos anualmente para especialistas em tecnologia se esgotam em apenas 10 semanas. A reforma aumenta o número desses vistos a 180 mil.
    CÂMARA
    Agora, o projeto será votado na Câmara dos Deputados, onde os republicanos são maioria. Lá, a reforma não deve passar tão facilmente. Ted Cruz, deputado do Texas e estrela ascendente dos republicanos, já chamou a reforma de "anistia para criminosos".
      Para ex-secretário de Bush, republicanos precisam de mudança
      Carlos Gutierrez defende apoio a imigrantes para evitar que partido fique cada vez menor
      PATRÍCIA CAMPOS MELLODE SÃO PAULOA sobrevivência do partido republicano americano depende da aprovação da reforma da imigração, que agora segue para votação na Câmara, onde a sigla tem maioria.
      Esse é o alerta de Carlos Gutierrez, ex-secretário de comércio do governo George W. Bush, que hoje preside o grupo "Republicans for Immigration Reform" (republicanos pela reforma imigratória).
      Veja os principais trechos da entrevista à Folha.
      Folha - Muitos republicanos que irão enfrentar primárias em 2014 temem ser atacados por candidatos da extrema direita se apoiaram a reforma...
      Carlos Gutierrez - Isso tem acontecido muito, e nós tentamos ser uma espécie de defesa para eles.
      Quem no partido republicano apoia a reforma?
      Principalmente empresários. Eles entendem que o que faz o partido poderoso é sua ideologia econômica ­--livre mercado, baixos impostos e redução do Estado-- e não questões sociais. Gastamos tanto tempo falando sobre tudo o que somos contra --aborto, imigração, gays... Ora, isso representa 50% da população.
      Foi como o senador Marco Rubio disse: os hispânicos podem até apoiar nossas propostas para a economia e os impostos, mas, se acharem que queremos deportar a avó deles, não vão votar na gente.
      Quem se opõe à reforma, além da extrema direita e quem tem medo das primárias?
      Também há quem acredita que os imigrantes ilegais são democratas sem documentos. Ou seja, por que dar a chance para eles votarem?
      A aprovação da reforma é essencial para a sobrevivência do partido republicano?
      Se o partido não apoiar a reforma e, consequentemente, não atrair o voto hispânico, vai ficar cada vez menor. Talvez possamos conseguir eleição em 2016, por causa da fadiga de Obama, mas em 2020, 2024, estamos condenados a virar um partido regional.
      O que você acha que vai acontecer na Câmara?
      A Câmara pode acabar aprovando uma lei que é tão extrema para a direita que não poderá ser "reconciliada" com a lei do Senado. Se for muito dura em relação à segurança da fronteira, mas não fizer concessões para a legalização dos 11 milhões de ilegais, por exemplo.
        Saúde de Mandela ofusca visita de Obama
        Presidente dos EUA chega hoje à Africa do Sul e tentará visitar o líder antiapartheid
        FÁBIO ZANINIENVIADO ESPECIAL A JOHANNESBURGOO presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, inicia hoje uma aguardada, mas azarada, visita à África do Sul. Pela manhã estão marcados protestos organizados por aliados do mesmo governo que o recebe em Pretória.
        Nada deve importar muito, no entanto: a viagem deve ser totalmente ofuscada pelo estado de saúde do ex-presidente Nelson Mandela.
        Mandela, 94, permanecia ontem internado em estado crítico. Ao longo do dia, o governo sul-africano deu informações contraditórias sobre a situação dele, que sofre de crise respiratória. Pela manhã, o porta-voz da Presidência, Mac Maharaj, disse que a condição do líder havia se deteriorado muito.
        Mas, à tarde, o próprio presidente Jacob Zuma desmentiu o auxiliar, afirmando que Mandela estava "bem melhor", embora em situação ainda delicada.
        Uma visita de Obama a Mandela é improvável, para frustração do líder americano. Segundo assessores, ele contava com o encontro para simbolizar sua preocupação com a África e contraditar acusações de que negligencia o continente de seu pai (que era queniano).
        Obama esteve só uma vez na África subsaariana, em Gana, em 2009. Os EUA vêm perdendo espaço no continente, sobretudo para a China, hoje líder em investimentos nos países africanos.
        O presidente começou seu giro africano no Senegal e termina na Tanzânia. Ontem, ele pediu aos governos no continente que parem de criminalizar a homossexualidade e elogiou a decisão da Suprema Corte dos EUA que reconheceu benefícios federais aos casais gays. Para o presidente, foi uma "vitória da democracia".
        Em território sul-africano, além de encontro com Zuma, Obama deve visitar um dos locais mais associados à figura de Mandela: o antigo presídio de Robben Island, na Cidade do Cabo, onde o ícone antiapartheid passou 18 de seus 27 anos de prisão.
        A chegada de Obama deve coincidir com um protesto convocado pela Cosatu, maior central sindical do país, e pelo Partido Comunista Sul-Africano (SACP), além de grupos menores. Cosatu e SACP fazem parte do governo Zuma.
        O protesto, segundo Bongani Masuku, secretário de Relações Internacionais da Cosatu, tem vários alvos: a militarização da política externa dos EUA, sobretudo com o uso de drones (aviões não tripulados), o apoio a Israel e a relação econômica desigual Norte-Sul.
        "Não há constrangimento para o governo, porque não estamos protestando contra a pessoa de Obama, mas contra aspectos do poder americano", disse Masuku.
        A marcha deve terminar na embaixada dos EUA, em Pretória, e tem o título de "Nobama" ("Não a Obama").

          sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

          Entrevista Francisco Borba Ribeiro Neto

          folha de são paulo

          TRANSIÇÃO NA IGREJA
          Novo papa tem de ser como um chefe de multinacional
          FÁBIO ZANINIEDITOR DE "MUNDO"
          PROFESSOR DA PUC DIZ QUE PONTÍFICE PRECISA SER CONSERVADOR QUE SAIBA ADMINISTRAR EGOS
          Uma das dificuldades de encontrar um novo papa é achar alguém que reúna duas características muito diferentes: solidez no pensamento conservador e jogo de cintura para administrar a igreja, inclusive seus muitos egos.
          No segundo ponto, Bento 16 deixou a desejar, segundo análise de Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC. "É preciso um papa presidente de multinacional", resume.
          -
          Folha - Esse conclave será mais longo e mais difícil do que o anterior?
          Francisco Borba Ribeiro Neto - Vai ser mais difícil, mas não sei se mais longo; afinal, ele já começou, de certa forma. Mais difícil porque não existe uma liderança tão clara como se demonstrou ser a de Joseph Ratzinger [nome do papa]. Vai ter que se construir uma.
          Existem questões muito diferentes que terão de ser resolvidas por uma mesma pessoa. Primeiro, um problema político-administrativo no Vaticano.
          É preciso um papa gerente?
          Não gerente, mas um papa presidente de multinacional. Um papa CEO. Não que precise entrar nas questões mais corriqueiras, mas que consiga administrar egos, vontades políticas e dotar todos de uma linha única.
          Por outro lado, existe um caminho de renovação cultural e espiritual da igreja que começou com João Paulo 2º, se radicaliza com Ratzinger e terá de ser continuado. Exige um perfil de papa místico, com maior bagagem teológica etc. Existem essas pessoas no conclave? Existem, mas provavelmente nenhuma delas aparece hoje como Ratzinger apareceu em 2005.
          Ratzinger no lado administrador deixou a desejar?
          Ele claramente esperava não precisar ter que exercer essa função. Não gosta dela, não tem perfil para isso.
          É possível identificar correntes definidas no conclave?
          No conclave em si, ainda é difícil. Você pode pensar em grandes correntes que existem hoje na igreja e que de certa forma se refletem no conclave. Eu diria que há três hoje, que vêm do Concílio Vaticano 2º [encontro nos anos 60 que mudou ritos da igreja].
          Duas são pró-mudança e uma tradicionalista, reacionária. Os tradicionalistas são os que claramente se colocaram contra o Vaticano 2º.
          Ainda têm o modelo Concílio de Trento [1545-63, que reagiu à reforma protestante] como da igreja ideal. Basicamente, uma liturgia bastante distante do povo. Missa em latim, por exemplo. É a ideia de que a excepcionalidade da igreja deve ficar patente em todos os seus gestos.
          Já os progressistas defendem que a igreja tem que se adaptar aos tempos modernos. Por exemplo, na questão da sexualidade.
          E os conservadores diriam que a modernidade está em crise, o humanismo está em crise. Para eles, a recuperação do humanismo não pode acontecer dentro do marco do pensamento moderno.
          Pedem um retorno às raízes do cristianismo para enfrentar essas demandas.
          Por exemplo, na questão da afetividade. Para o conservador, o mais importante não é quando o jovem pode ter uma relação sexual, mas se o jovem está preparado para amar uma pessoa.
          No conclave, o domínio é conservador?
          Não tenho dúvida. Os progressistas permanecem vivos no conjunto da igreja, mas são muito fracos dentro do conclave. O que você tem são cardeais mais sensíveis às demandas desse grupo.
          O próximo papa vai ter que abrir caminho para que o diálogo entre o pensamento católico conservador e as demandas da modernidade apareça.
          Para ele criar esse diálogo, vai aparecer como um papa aberto às demandas progressistas. Mas não necessariamente vai atender a elas.
          Em que cardeais devemos prestar atenção no conclave?
          Primeiro, nos grupos latino-americano e africano. A probabilidade de um papa latino-americano ou africano é pequena, porém sem dúvida o peso da opinião deles vai valer muito no conclave.
          Depois, um grupo forte seria o dos seguidores diretos de Ratzinger. Exemplos: Marc Ouellet [Canadá], Angelo Scola [Itália] e Christoph Schönborn [Áustria].
          As pessoas vão ouvi-los entendendo que estarão a ouvir o Ratzinger. Depois, o Gianfranco Ravasi [Itália], a figura mais progressista. Mas o fato é que a força do pensamento de Ratzinger na igreja é muito grande.
          Mesmo com a renúncia?
          A renúncia o fortalece muitíssimo, porque quebra a maior objeção que poderia ser feita a ele: de ser um homem que usou o poder para garantir a posição do seu grupo.
          Mesmo se não tiver o novo papa, como a América Latina vai ser levada em conta na escolha?
          Vai ser levada muito em conta. Mas o problema da igreja na América Latina é recuperar o elemento místico, bandeira dos conservadores, e assim conseguir fazer frente ao pentecostalismo. Ao mesmo tempo, conseguir manter a sua agenda social.
          O grupo conservador nunca foi contrário a manter a agenda social da Teologia da Libertação: reforma agrária, distribuição de renda etc.
          Se conseguir recuperar a dimensão mística e manter a dimensão social, a igreja latino-americana voltará a ser um grande referencial.

            Bento 16 recebeu dossiê sobre 'atos impuros', diz jornal
            Segundo italiano 'La Repubblica', investigação descobriu encontros sexuais em dependências da Santa Sé; Vaticano não comenta
            CLÓVIS ROSSIENVIADO ESPECIAL A ROMAOs escândalos na Igreja Católica Apostólica Romana explodiram ontem em plena sala de imprensa do Vaticano, a uma quadra dos altos muros que separam a cidade-Estado em tese santa da pecadora Roma: padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, se viu forçado a responder que não comentaria nem desmentiria nem confirmaria extensa reportagem no jornal "La Repubblica" sobre o dossiê entregue em dezembro ao papa sobre escândalos de natureza sexual e financeira.
            O relatório foi encomendado por Bento 16 aos cardeais Julián Herranz, Salvatore de Giorgi e Josef Tomko. É devastador, se for verdadeira a reconstituição feita pelo jornal.
            Que há um relatório, Lombardi confirma: "A comissão fez seu trabalho e entregou seu relatório ao Santo Padre, do qual partira o mandato". Sobre a veracidade, acrescentou: "Não estamos correndo atrás de todas as ilações, fantasias ou opiniões que sejam expressas sobre esse tema, e não esperem que os três cardeais deem entrevistas".
            "La Repubblica" atribui a "um homem muito próximo aos que redigiram o relatório" a informação de que "tudo gira em torno à não observância do sexto e do sétimo mandamentos": "não cometer atos impuros" e "não roubar".
            Sobre "atos impuros": "Alguns altos prelados sofreram 'influência externa' [que o jornal prefere chamar de "chantagem"] de leigos aos quais são ligados por vínculos de 'natureza mundana'".
            Cita nomes como o de monsenhor Tommaso Sttenico, suspenso após entrevista ao canal La7 em que contava encontros sexuais em pleno Vaticano. Cita também "as coristas das quais amava cercar-se Angelo Balducci", homem com responsabilidades cerimoniais no Vaticano.
            Os "atos impuros" ocorriam numa sauna do bairro Quarto Miglio, em um centro estético no centro, em uma vila fora de Roma e em dependências do próprio Vaticano.
            A violação do sétimo mandamento diria respeito ao Instituto para Obras da Religião, o banco do Vaticano, mas a reportagem não dá detalhes.
            O papa recebeu as 300 páginas do relatório no dia 17 de dezembro de 2012. Mas desde abril era informado do andamento da investigação.
            A reportagem atribui às informações recebidas a fala do papa no dia 11 de outubro, em que disse aos jovens da Ação Católica: "Em 50 anos [desde o Concílio Vaticano 2º], aprendemos que a fragilidade humana está presente também na igreja".
            O relatório, guardado no cofre dos aposentos papais, será entregue ao sucessor de Bento 16, completa o jornal.
            Longe do Vaticano, um dos citados como "papabili", o cardeal Timothy Dolan, de Nova York, depôs ontem sobre abusos sexuais na arquidiocese de Milwaukee, que chefiou de 2002 a 2009. Dolan não é acusado de abuso, mas a Promotoria quer apurar eventual ocultamento.